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      FD
    • 8 outubro 2007

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    Só este ano, duas das maiores leiloeiras de imobiliário a operar no mercado português já levaram a leilão mais de dois mil imóveis. O número excede o total de 2006 e espera-se que continue a aumentar. Porquê? Porque o aumento das taxas de juro tem feito subir os casos de incumprimento no crédito à habitação e também porque os leilões começam a ser encarados como uma forma mais expedita de encontrar compradores num país em que a oferta de imóveis é já de 1,5 por agregado familiar.

    Apartamentos T2, localizados nas periferias de Lisboa e do Porto. É este o perfil da maior parte dos imóveis que são leiloados e também o que tem maior procura por quem frequenta os leilões. Dos 1500 imóveis que a Luso-Roux já levou a leilão este ano - contra 1100 em 2006 -, uma grande parte situa-se no concelho de Sintra (Agualva, Cacém), Margem Sul (Almada, Setúbal), Gondomar, Vila Nova de Gaia ou Santa Maria da Feira. E cerca de 80% são T2, segundo referiu, ao JN, Ana Luísa Ferro, directora comercial desta leiloeira.

    Aquelas localizações são também as que mais se encontram nos lotes leiloados pela Euro Estates, tendo Diogo Livério referido que a empresa procura sempre ter alguma diversidade, nomeadamente casas em bom estado, em zonas centrais de Lisboa e do Porto, que possam suscitar mais interesse entre os participantes do leilão.

    Tal como na Luso-Roux, também na Euro Estates têm aumentado o número de imóveis para leiloar de um a dois leilões por ano em 2003 e 2004, passaram para a organização de uma dezena de certames anuais a uma média de 65 "lotes" por cada.

    Dos vários bancos a que o JN enviou questões, nomeadamente sobre o número de imóveis com empréstimo em incumprimento, apenas a Caixa Geral de Depósitos respondeu, dizendo que das mais de 700 mil operações de crédito à habitação que tem em carteira, há cerca de 2400 imóveis que se encontram para venda, incluindo este número os disponíveis e em regularização.

    A actividade das leiloeiras mostra, contudo, que há cada vez mais casas para vender, sendo que mais de 90% destes imóveis pertencem a instituições financeiras e só uma pequena percentagem são propriedade de particulares, que optam por este sistema depois de terem tentado, sem sucesso, vender a casa.

    A falta de pagamento dos empréstimos por parte dos clientes leva os bancos a avançar com várias soluções para resolver a situação. Negociar é sempre a primeira opção. A última é colocar uma acção judicial, que pode culminar com a execução da hipoteca que o banco tem sobre o imóvel. Pelo meio há a possibilidade de o cliente avançar com a dação do imóvel em pagamento - solução preferível à da acção executiva (ver texto ao lado).

    A subida das taxas de juro e os efeitos da crise do mercado imobiliário de alto risco ("subprime") nos EUA fazem temer um aumento das situações de incumprimento e também a dificuldade de vender as casas, já agravada pelo custo do crédito e o excesso de oferta.

    Tudo aponta, por isso, para que os bancos apertem as exigências para concessão de crédito. Neste contexto, os leilões surgem como uma oportunidade tanto para quem tem casas para vender, como para quem quer comprar, porque, em média a base de licitação dos imóveis, é definida com um desconto de cerca de 20% em relação aos preços de mercado.

    http://jn.sapo.pt/2007/10/08/primeiro_plano/leiloes_casas_falta_pagamento_dispar.html
 
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