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      FD
    • 19 Outubro 2007 editado

     # 1

    Menos compras, mas mais caras. É esta a evolução do mercado da habitação nos últimos meses. A prova está nos números no primeiro semestre de 2007, foram menos os portugueses que se aventuraram na compra de uma casa do que no semestre homólogo de 2006, mas os que o fizeram adquiriram imóveis de valor médio mais elevado. O que mostra que a subida dos juros não tem travado o endividamento. E a expectativa é que esta tendência se mantenha.

    Noventa e cinco mil e quatrocentos euros. É este o valor médio das casas vendidas entre Janeiro e Junho deste ano, o que representa uma subida média de 2300 euros face ao semestre correspondente de 2006, em que o valor médio rondava os 93,1 mil euros. O valor aumentou porque, durante os primeiros seis meses de 2007, os portugueses fizeram 73 711 contratos para compra de imóveis, que no seu conjunto envolveram um montante de 7,029 milhões de euros.

    Os dados da Direcção-Geral do Tesouro mostram, por outro lado, que no primeiro semestre de 2006 foram compradas 79 937 casas por um valor global de 7,422 milhões de euros. Conjugados, estes números evidenciam que quem compra escolhe casas mais caras - com mais área, mais modernas, em zonas seleccionadas. Mas há mais. Esta tendência de comprar casas mais caras acentuou-se em 2007 do primeiro para o segundo trimestres. Uma tendência que, de algum modo, choca com o que seria de esperar num contexto de subida de taxas de juro, como aquele que se está a viver desde finais de 2005.

    Entre os primeiro e o segundo trimestres deste ano há, no entanto, algumas diferenças face à comparação semestral. De Abril a Junho, o valor médio das casas subiu face aos três meses anteriores (de 94,5 mil euros para 96,1 mil euros), mas ao mesmo tempo verificou-se uma subida do número de contratos firmados (mais 2173) e, naturalmente, um acréscimo do montante de empréstimos - de 3,381 milhões para 3,647 milhões de euros.

    Esta evolução não surpreende o presidente Associação dos Profissionais e das Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, José Macedo, pois mostra que as casas estão mais caras e que quem as adquire é quem tem mais poder de compra. E que os que se podem dar ao luxo de escolher estão mais exigentes.

    "Cada vez mais as casas estão também na moda", precisa José Macedo, acentuando que quem tem poder de compra, toma uma decisão "quando a casa tem uma boa relação preço/qualidade". E o que quer isso dizer? "Significa casas com inovação, design, conforto, isolamento, área e equipamentos modernos", precisa. É isto que as pessoas procuram é é isto que faz com que o preço das casas suba. E José Macedo não tem dúvidas de que esta tendência se irá manter. Até porque, salienta, há cada vez menos casas novas a serem construídas, o que reduz a oferta e aumenta preços. A tendência será para que também cada vez mais se acentue a diferença de preço entre as novas e as usadas.

    http://jn.sapo.pt/2007/10/18/economia_e_trabalho/juros_altos_travam_compra_casas_cada.html