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  1.  # 1

    Boas, estou a realizar a remodelação dum apartamento com as características que menciono no título da publicação.

    Informações que se possam considerar relevantes:
    a) Localização - zona de Lisboa (linha de Sintra);
    b) R/C com cerca de 85m2 (70 m2 cobertos e restante para o logradouro) orientação nascente (sala e cozinha)-poente (quartos), estando o Norte geográfico voltado para o lado da cozinha;
    c) Por baixo existe um espaço amplo, não aproveitado pelo empreiteiro para realização, por exemplo, de imóveis em sub-cave ou arrecadações, que teria capacidade de ter (todos os prédios até chegar a este têm). Esse espaço não possui forma de acesso e ocupa toda a largura do prédio;
    d) O prédio tem a construção em alvenaria, placa e pilares/vigas com a qualidade típica dessa época, pessoalmente considero as placas finas e noto bastante ressonância vinda dos imóveis confinantes;
    e) As temperaturas oscilam entre os 8~12ºC noite/14~16ºC dia no inverno e os 22~24ºC noite/28-30ºC dia no verão.

    Esta não é a minha primeira renovação, é em concreto a quarta que faço, pois já renovei outro T2, um T3 e um T4, pelo que já acumulei algum conhecimento e experiência na remodelação de imóveis. Posso dizer que tenho experiência com 90% daquilo que me proponho a fazer nesta remodelação e apesar de seguir este forum há muitos anos para obter ideias, esta é a minha primeira publicação, pelo que agradeço em antemão por todas as recomendações e ajuda, pedindo desculpa também se não estiver a colocar a publicação na categoria correcta.

    Este T2 foi um óptimo investimento devido à localização, potencial de valorização, tipologia e preço, no entanto tem como pontos negativos a vizinhança, mau isolamento térmico e os acabamentos que possui.

    Relativamente ao estado geral, apesar dos anteriores proprietátios terem realizado a instalação de tubagem multi-camada para a água e de terem remodelado toda a cablagem eléctrica e ter sido instalada uma canalização de gás nova, os acabamentos não são os melhores, o mau gosto é de facto gritante. Tratando-se de uma construção do início dos anos 80 que não levou quaisquer melhorias além das referidas, a temperatura dentro do imóvel é inconstante (gélida no inverno e agonizante no verão) e a enorme ineficiência energética em conjunto com o ruído constante da vizinhança (mais concretamente berros do vizinho do prédio do lado e os cães com ladrar incessante da vizinha do prédio de trás) são o que nos levou a realizar esta remodelação com tanto foco no isolamento térmico e acústico, principalmente porque todo o meu agregado familiar trabalha em casa (desde há vários anos, antes de se tornar mais comum com o pós pandemia).

    Estamos a habitar a casa e por isso dividi todo o processo de remodelação em 3 fases.
    Pretendo com esta publicação obter ajuda para situações específicas à medida que vou avançando no projecto.

    Deixo abaixo os requisitos do meu projecto, que neste momento direi que vai a cerca de 5% da conclusão total

    Fase 1:
    Quartos
    - Infraestrutura de telecomunicações ✓
    - Comandos multiroom ✓
    - Tectos falsos com isolamento térmico e acústico
    - Estores eléctricos
    - Pré instalação AC
    - Tratamento térmico de paredes problemáticas
    - Soalho flutuante vinílico sobreposto em tijoleira
    - Rodapés, remates e portas acústicas
    - Janelas em caixilharia PVC com corte térmico e acústico
    - Pintura
    Hall
    - Quadro eléctrico
    - Quadro ITED
    - Quadro central multiroom
    - Caixa de registo para colector rede multicamada
    - Rodapés e remates
    - Porta blindada
    - Pintura

    Fase 2:
    WC
    - Comando multiroom
    - Mudar disposição do lavatório
    - Anulação do bidé
    - Substituição da sanita actual por sanita suspensa c/ bidé japonês incorporado e autoclismo embutido na parede
    - Substituição de banheira por placa de duche
    - Instalação de espelho embutido
    - Substituição de azulejos
    - Tecto falso com isolamento térmico e acústico
    - Remates e porta acústica
    - Pintura
    Sala
    - Infraestrutura de telecomunicações
    - Comando multiroom
    - Tectos falsos com isolamento térmico e acústico
    - Estores eléctricos
    - Pré instalação AC
    - Tratamento térmico de paredes problemáticas
    - Soalho flutuante vinílico sobreposto em tijoleira
    - Rodapés, remates e porta acústica
    - Janelas em caixilharia PVC com corte térmico e acústico
    - Pintura

    Fase 3:
    Logradouro
    - Bancada em cimento para lavatório, barbecue e forno de pizza
    - Caixa de registo para colector rede multicamada
    - Instalação de grelha colectora de águas pluviais
    - Instalação de algerozes e tubagem colectora de águas pluviais
    - Impermeabilização de placa de anexo ✓
    - Instalação de telhado PVC ou Sanduíche com duas águas em anexo e pérgola
    - Instalação de anti-derrapantes nos degraus de acesso
    - Pintura
    Cozinha
    - Isolamento térmico de paredes problemáticas
    - Soalho flutuante vinílico sobreposto em tijoleira
    - Substituição de azulejos
    - Caixa de registo para colector rede multicamada
    - Pintura
    - Remates e porta acústica
    - Janelas em caixilharia PVC com corte térmico e acústico + porta
    - Substituição de móveis de cozinha
  2.  # 2

    A descrição de intervenções, no que diz respeito à Fase 1 é a seguinte:

    - Infraestrutura de telecomunicações ✓
    - Passagem de 2 cabos CAT7 S/FTP unifilar Cobre (em tubagem embutida) ✓
    - Passagem de 2 cabos Coaxial S/Cobre unifilar Cobre e malha Cobre (em tubagem embutida) ✓
    - Passagem de 1 cabo de Fibra óptica (em tubagem embutida) ✓
    - Caixa de registo para ligação FO ✓
    - Instalação de 2 tomadas híbridas R+TV+RJ45 série MEC21 - Efapel 21534 e substituição das keystones por Cat7 ✓
    - Instalação de 1 tomada RJ45 série MEC21 - Efapel 21976 e substituição da keystone por Cat7 ✓
    - Passagem de 1 cabo CAT7 S/FTP unifilar **** (em tubagem embutida) para ligação a AP Unifi Ubiquiti

    - Comandos multiroom ✓
    - Instalação de 2 caixas de aparelhagem
    - Instalação de 2 comandos multiroom para ligação a central multiroom híbrida (conectada a Alexa)

    Esta fase do projecto foi a mais urgente, visto que, como o nosso trabalho é todo feito em casa, a velocidade da internet é algo que é imperativo para o dia a dia.

    Antes da alteração, dos 100mb que havíamos contratado à Nos tínhamos a seguinte utilização real:

    Cabo
    Dl
    47.12 Mbps
    Ul
    20.01 Mbps
    Ping
    59.48 ms
    Jitter
    49.46 ms

    Wifi (ligado à rede 5G)
    Dl
    25.04 Mbps
    Ul
    18.89 Mbps
    Ping
    65.17 ms
    Jitter
    53.92 ms

    Acabámos por contratar 200mb de serviço, mas notei que mantínhamos bastantes quebras (QoS), como aliás sempre tínhamos tido desde a instalação do serviço e que no passado levou a bastantes intervenções e substituição de equipamentos por parte da operadora.
    Como obviamente o problema não estava per se em todos os equipamentos modem/router que os técnicos substituíam e vinham novos de fábrica (:/), aquando da finalização da remodelação da infraestrutura de telecomunicações, acabámos por contactar com a operadora que se viu obrigada a corrigir os problemas de fundo, que na realidade, tinham que ver com a sua própria infraestrutura (como é óbvio) e não apenas com a nossa, situação que constantemente (durante anos) a operadora desvalorizou porque "a construção/zona é antiga, as casas da zona têm paredes grossas e não têm isto ou aquilo, bla bla bla".
    A desculpa deixou de pegar porque, apesar de ser verdade que quando contratamos um serviço, o nosso imóvel e infraestrutura tem de reunir a condições necessárias (e se não reunimos também "não podemos" reclamar), também é um facto que quando essas condicionantes já não se verificam, não podem continuar a servir de desculpa para o desleixo por parte da operadora em investir na modernização ;) e como tal, à obrigação de fornecer exactamente aquilo que os clientes contratam.
    Depois da situação ter escalado e vindo a dar lugar a uma reclamação que acabou por originar uma intervenção conjunta da Nos e da Vodafone na nossa rua e que levou (finalmente) à substituição+modernização de parte da infraestrutura ("não têm de agradecer vizinhos que agora podem ter fibra e internet em condições", lol), eventualmente passámos a ter a seguinte utilização real do nosso serviço:

    Cabo
    Dl
    249.27 Mbps
    Ul
    192.03 Mbps
    Ping
    9.37 ms
    Jitter
    5.76 ms

    Wifi
    Dl
    180.48 Mbps
    Ul
    170.01 Mbps
    Ping
    12.46 ms
    Jitter
    9.82 ms

    Como ficámos contentes com estas melhorias, acabámos por aproveitar o início do ano para contratar o serviço 500Mbps, que é um serviço do qual até agora só temos a dizer bem (claro que isto também só aconteceu depois dum investimento substancial na nossa infraestrutura domiciliar).

    Como parte da ampliação desta infraestrutura, está previsto (quando chegarmos à fase 2 do projecto) fazer um investimento em equipamentos Ubiquiti (Unifi Security Gateway Pro + Ubiquiti Unifi PoE Switch 16P), colocar mais um AP, tal como outros equipamentos wireless (Hubitat elevation, por exemplo, para usarmos o protocolo Zigbee em vez de sobrecarregarmos o Wifi com os dispositivos IoT), de forma a que se possa inutilizar o router da Nos, isto para termos uma rede com melhor gestão e distribuição wifi, além de maior segurança, algo que mesmo os equipamentos actuais desta operadora, na minha opinião, simplesmente não conseguem fazer, quando a utilização é mais exigente ou profissional (que é aquela que damos).
  3.  # 3

    Assim, o próximo ponto a concluir na Fase 1 é o da instalação de tectos falsos com isolamento térmico e acústico.

    Pretendo fazer a instalação dum tecto falso com isolamento térmico e acústico.

    Tenho visto diversas soluções e em quase todas as situações o cenário é o seguinte:
    -a nível de suporte dos montantes- pressupõem a instalação de cantoneira;
    -a nível de ancoragem dos pivots- pressupõem a utilização de parafuso M6 galvanizado e de buchas de qualidade inferior;
    -a nível de isolamento acústico- pressupõem a instalação de montante duplo e também de duas placas de gesso cartonado atravessadas por uma membrana/rolo acústico (por exemplo Danosa Sonodan Plus) em forma de "sanduíche";
    -a nível de isolamento térmico- não prevêem a instalação de XPS quando é colocada lã de rocha;
    -a nível da regulação higroscópica- não prevêem a instalação de placas de gesso cartonado hidrofugadas.

    Como tal, pretendendo não instalar cantoneiras, fazer uma ancoragem com materiais de maior durabilidade, não colocar montantes duplos nem fazer "sanduíche" com as placas de gesso cartonado ao colocar membrana/rolo de isolamento acústico, instalar XPS em conjunto com a lã de rocha e utilizar placas de gesso cartonado hidrofugadas em todas as divisórias, fiz o esquema em anexo para a instalação que pretendo.

    Quais são as vossas opiniões?
    - A solução parece equilibrada no que toca a pontes térmicas, insonorização e regulação higroscópica?
    - Deveria, por exemplo, adicionar amortecedores à estrutura (achei este interessante SE-F.RAPID GOMA/60 ADS)?
    - Como não quero ficar com um pé direito muito diminuído (que já não é muito alto, a comparar com outras casas que remodelei), estou a pensar não ir muito abaixo da linha da sanca, por isso, qual seria a distância mínima recomendada para uma caixa de ar? A própria caixa de ar em si, é um requisito nos tectos falsos, não é suficiente aquela que é proporcionada pela lã de rocha?


    Obrigado pelo interesse na publicação e pela ajuda futura!
    Cumps
      Tecto falso - esquemática.png
  4.  # 4

    Deixo uma breve actualização e ainda o actual ponto de situação.

    Fase 1 (Quartos):
    Concluido

    - Infraestrutura de telecomunicações ✓
    - Comandos multiroom ✓
    - Estores eléctricos ✓
    - Pré instalação AC ✓
    - Tratamento térmico de paredes problemáticas ✓
    Em progresso
    - Tectos falsos com isolamento térmico e acústico
    Seguintes
    - Soalho flutuante PVC sobreposto em tijoleira
    - Rodapés, remates e portas acústicas
    - Janelas em caixilharia PVC com corte térmico e acústico
    - Pintura

    Tive de alterar o "roadmap" do projecto e prioritizar outras obras para poder chegar aos tectos falsos, pois não fazia sentido estar a fazer essa instalação sem as restantes tubagem+cablagem e paredes confinantes estarem instaladas, pelo que efectivamente a instalação dos tectos falsos só está a arrancar agora e por isso decidi mudar alguns do materiais que considerei usar inicialmente. Esta mudança e demora foi motivada por algumas situações do foro familiar mas também pelo estudo e acumular de experiência que fui adquirindo desde que iniciei todo o projecto.

    Conforme referi, antes de fazer os tectos falsos comecei-me a deparar com o facto de que teria abrir mais roços, pelo que de forma a não incomodar muito a vizinhança nem fazer muito lixo optei por fazer paredes falsas nas zonas confinantes (a adicionar a isto, não me fazia muito sentido andar a fazer mais roços sem maiores ganhos no desempenho termo-acústico).
    Acabei por projectar para as paredes falsas uma solução equivalente àquela que estava a dimensionar para os tectos, ou seja, um sistema de isolamento térmico e acústico um pouco mais exigente do que o habitual para estas situações.
    Após consultar diversas publicações aqui no fórum e de consultar com alguns profissionais do sector acerca do que aplicar nas paredes, acabei por rever a própria esquemática inicial que tinha projectado para os tectos falsos e que passa a ser a seguinte:
      Tecto falso_esquemática_final2.png
  5.  # 5

    Atendendo a essas recomendações, resolví:

    - a nível de suporte dos montantes - proceder à instalação de cantoneiras, perimetralmente isoladas com fita para isolamento acústico de 3mm auto-adesiva e ancoradas com tapits;
    -a nível de ancoragem dos pivots - utilizar varões roscados M6 galvanizados e buchas m6 idênticas às de latão que commumente são utilizadas neste tipo de instalação mas ao invés de latão escolhi em Inox pela sua durabilidade e resistência mecânica superior (mandei vir de Espanha e não tenho o link para esse produto neste momento);
    - a nível de isolamento acústico - instalar membrana Danosa Mad4 auto-adesiva fixa à laje para maior segurança com recurso a buchas de fixação mecânica de Nylon (ETICs) e ainda perfil montante simples igualmente isolado com a supra-referida fita de isolamento acústico;
    - a nível de isolamento térmico - não instalar XPS conforme inicialmente equacionado e ao invés instalar um produto interessante do Leroy Merlin que é o "painel geo acustic reciclado 20mm" e que fica também ancorado à laje com as mesmas buchas etics, seguido depois pela lã mineral 60mm com barreira anti vapor em papel kraft;
    - a nível da regulação higroscópica - instalar placas de gesso cartonado hidrofugadas e deixar pré-instaladas tubagens e cablagem para o Ar condicionado..
    - a nível de amortecimento da estrutura - instalar amortecedores SE-F/RAPID/GM 60 DS2 da Senor (bastante difíceis de encontrar em Portugal, principalmente a preços acessíveis, pelo que tive de os importar de Espanha).
    Estas pessoas agradeceram este comentário: ricardo.rodrigues
  6.  # 6

    Deixo ainda algumas informações adicionais e algumas reflexões:
    - no que toca a pontes térmicas e acústicas - ao realizar o projecto equacionei de forma a que a instalação da membrana Danosa Mad4 ficasse ancorada à laje de forma desfasada (tal como se faz com a instalação das placas de gesso cartonado) igualmente sobrepondo as juntas que "soldei" com silicone acústico, repeti o processo de desfasar a instalação dos "paineis geo acustic" e apesar de neste caso não haver sobreposição das juntas desse material, a lã mineral que fica "flutuante" nos perfis montantes do tecto é instalada no sentido oposto e isolada com fita craft na barreira anti vapor, ajudando a garantir essa sobreposição e uma maior "estanqueidade" no sistema.
    - no que toca à regulação higroscópica - é importante recordar que tamanho isolamento pode acarretar o risco de que, caso não haja adequada insuflação da divisória, possam surgir surpresas desagradáveis nas paredes, que ao ficarem ocultas pelo gesso cartonado só darão sinais quando for tarde demais. Apesar de não se tratar duma divisória sujeita a humidades, optei pelo gesso cartonado hidrofugado como forma de estender a vida útil da instalação visto que já tenho projectado desde o início do projecto fazer a instalação de AC split saliente em ambos os quartos. Inicialmente pensei em fazer um rebaixamento em gesso cartonado, de forma a facilitar a instalação, no entanto acabei por reconsiderei instalar os splits principalmente por motivos estéticos. Como o objectivo primário da instalação de AC passa por manter a humidade regulada (além de assegurar maior conforto térmico) ao proporcionar boa insuflação às divisórias acabei por não conseguir ignorar o secundário e cedi perante o facto de que não são esteticamente apelativos, pelo que decidi optar por AC de conduto. Deixei a pré-instalação por cima do armário embutido dos quartos, inspirado por uma publicação que vi aqui no forum. Aproveitei o facto de que estes armários são bastante mais altos do que se torna prático para o dia a dia e "forrei" a XPS o interior dos armários seguindo as normas ETIC (cola, bucha para ETICs e PU nas juntas), criando uma caixa hermeticamente fechada (mas acessível desde o "exterior", directamente pelo armário), acabando o armário por ficar instalado normalmente e por ganhar protecção contra as humidades e o incómodo cheiro a mofo que se sente por vezes nos armários - procedi ainda à instalação de varões LED nesses mesmos armários sem necessitar de abrir roços para os pontos de luz uma vez que consegui que o conduit passasse no meio duma das juntas do XPS (que reforcei posteriormente).
    - no que toca às tubagens conduit e pontos de luz - assegurei-me de projectar uma instalação na qual as diferentes tubagens presentes interfiram o mínimo possível com o isolamento acústico, sem inviabilizar a instalação de spots de luz, o que não foi nada fácil. A primeira coisa que fiz foi anular o ponto eléctrico que tinha no tecto, passando as tubagens de conduit fora do tecto falso. Para isso, fiz um rebaixamento em pladur, efectivamente criando um "nicho" (localizado por cima da porta de entrada no quarto), por onde passam as caixas de derivação e toda a tubagem (para cablagem eléctrica, telecomunicações e televisão) que passa a ficar acessível por uma tampa de visita (em gesso cartonado). Instalei uns spots de luz bastante apelativos esteticamente e indistinguíveis dos comuns, em virtude ao seu baixo perfil e de possibilitarem trocar os leds (quando queimarem), mas que se fixam com silicone sem que seja necessário fazer as típicas furações tecto (que comprometeriam o isolamento acústico), passando por sua vez apenas um cabo eléctrico que flutua por baixo do kraft da lã mineral e que vai desde o mencionado "nicho" e sai sobre cada spot meramente fazendo uso dum pequeno furo em cada extremidade, o que faz com que os espaços "abertos" em contacto com o isolamento acústico sejam apenas 4 furos de 3mmm cada e 1 furo de 4,5mm (que depois ficam isolados com poliuretano próprio para insonorização).
    - no que toca ao pé direito - fui "obrigado" a colocar as cantoneiras por recomendação de praticamente todos os revendedores de material, pelo que as acabei por colocar seguindo sempre a linha da sanca em todo o perímetro da instalação. Apesar de não ter obtido uma resposta consensual acerca da distância mínima recomendada para a caixa de ar, por descargo de consciência consegui projectar o sistema de forma a que tivesse pelo menos 10cm de caixa de ar ao deixar desobstruído o espaço entre o "painel geo acustic" e a lã mineral, dimensões que considero adequadas para a função e que segue todas as recomendações técnicas que lí (massa-mola-massa).
    - no que toca a adições ao projecto - Tive ainda de adicionar a instalação dum cortineiro para colocação de cortinas motorizadas, algo que inicialmente não estava projectado, pelo que isso ainda tornou todo o projecto um pouco mais desafiante. O motor do cortineiro fica oculto na parede falsa (sobre a qual me debruçarei mais adiante) e a calha dos cortinados fica oculta pelo dito cortineiro. De forma a viabilizar o cortineiro sem com isso comprometer a reduzida dimensão do tecto falso, tive de abdica da caixa de ar em todo o comprimento do mesmo - esta é a única excepção à regra do sistema projectado, havendo a dita caixa de ar de 10cm em todo o restante tecto.
    - no geral - este projecto resultou ser o mais complexo em que me envolvi até à data, em virtude de todas as características relacionadas ao sobre-dimensionamento que projectei para as divisórias, fosse em termos de isolamento acústico e térmico ou em termos de requisitos tecnológicos e técnicos, pelo que sendo um amador na área e não um profissional, considero este tipo de sistema bastante desafiante, muito mais do que a típica instalação de gesso cartonado, que não requer estas especificações e principalmente quando é realizado por uma só pessoa.
    E bem sei que algumas das decisões que tomei não colherão consenso entre os profissionais, que provavelmente dirão ser um exagero fazer uma instalação deste género, e que outros inclusive dirão (por serem igualmente perfeccionistas), que este sistema não irá ser o suficiente para o efeito que pretendo e que ficaria mais bem servido com uma estrutura dupla em vez da simples, etc...no entanto, devo dizer que apesar de já ter alguma experiência em remodelações, não sou profissional e esta é a minha estreia - tanto no projecto como na montagem - a nível de sistemas mais exigentes direccionados para o isolamento acústico.
  7.  # 7

    Assim que me seja possível irei actualizar a publicação com fotografias, relativas às diferentes etapas do projecto entretanto já concluídas - em específico a da parede falsa, pois parece-me ser a mais relevante em termos de partilha de conhecimento e o tópico que poderá gerar maior debate (com o qual espero também aprender mais coisas) uma vez que eu próprio tive dificuldade em encontrar matéria disponível.
    Cumprimentos
  8.  # 8

    Os meus parabéns pela estruturação do seu projecto.

    Não conheço esse material de isolamento da Leroy Merlin, mas o facto de ter desistido do XPS é salutar, pois é um material que não é indicado para o interior. Na minha opinião, deveria ser mesmo proibido, pois liberta com o tempo gases tóxicos.

    O ideal seria o perímetro do tecto falso ser completamente desacoplado da parede. Para isso, não deveria dar acabamento rígido de ligação tecto-parede (não basta só meter a fita na cantoneira).

    Eu andei às voltas com a mesma situação, mas para um perfil de alheta (perfil Z), mas pareceu-me sempre complicado, mesmo que fique mais escondido, ter um bom acabamento, tapando a fita dessolidarizadora, e acabei por desistir da ideia.

    Esses amortecedores SENOR parecem-me muito bons e é fundamental terem o mecanismo de segurança. Apesar de caros, boa escolha.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: RPacheco
  9.  # 9

    Muito obrigado pela partilha. Vou acompanhar ;-)
    Estas pessoas agradeceram este comentário: RPacheco
  10.  # 10

    Colocado por: MasterfulOs meus parabéns pela estruturação do seu projecto.

    Não conheço esse material de isolamento da Leroy Merlin, mas o facto de ter desistido do XPS é salutar, pois é um material que não é indicado para o interior. Na minha opinião, deveria ser mesmo proibido, pois liberta com o tempo gases tóxicos.

    O ideal seria o perímetro do tecto falso ser completamente desacoplado da parede. Para isso, não deveria dar acabamento rígido de ligação tecto-parede (não basta só meter a fita na cantoneira).

    Eu andei às voltas com a mesma situação, mas para um perfil de alheta (perfil Z), mas pareceu-me sempre complicado, mesmo que fique mais escondido, ter um bom acabamento, tapando a fita dessolidarizadora, e acabei por desistir da ideia.

    Esses amortecedores SENOR parecem-me muito bons e é fundamental terem o mecanismo de segurança. Apesar de caros, boa escolha.
    Estas pessoas agradeceram este comentário:RPacheco



    Muito obrigado pela observação e obrigado também pelo interesse no projecto.

    Vamos por tópicos:

    1) XPS
    De facto todas as fichas técnicas de materiais e estudos técnicos que tenho visto sobre XPS não indicavam essa possibilidade mas sim que quando arde liberta gases tóxicos.
    De qualquer forma, visto que no meu caso pretendo investir no conforto térmico mas o objectivo principal era o acondicionamento acústico, notei que essa solução não se adequaria às minhas necessidades uma vez que PUR, EPS e XPS sofrem todos do mesmo "mal" que é o de amplificar e a impactar na reverberação pelo que não vão ao encontro do que pretendo (seguindo as recomendações de massa-mola-massa) - ficaria com uma solução onde a "mola" serviria um propósito nulo.

    2) painel geo acustic reciclado 20mm do Leroy Merlin
    É um material de fabrico próprio do Leroy Merlin, reciclado a partir das fardas dos funcionários da empresa (daí a tonalidade verde) depois de estarem demasiado danificadas para serem continuarem a ser usadas. É semelhante às mantas acústicas recicladas (mais vulgares), com a diferença do tipo de compactação, das dimensões das fibras usadas serem mais reduzidas e o "aglutinante" usado ser apto para acondicionamento acústico além de ecológico. Segundo as especificações técnicas, só conseguiria obter o mesmo desempenho se usasse o obro da espessura de mantas recicladas das mais comuns, pelo que do ponto de vista da poupança, rentabilidade de materiais e também da espessura das paredes (ocupação de m2) me pareceu a solução ideal.
    Apesar de ser um material combustivel não liberta os gases que liberta o XPS e em conjunto com a lã mineral (que além disso é "incombustível"), bate a pontos o XPS.
    Outros factores como o ecológico e o alergénico também foram pesaram na escolha de materiais.
    Ecológico: Estou a tentar ao máximo reduzir a "pegada ecológica" da obra e a guiar-me pelos padrões "passivhaus", apesar de não estar (pelo menos por agora) a considerar pedir certificação, pelo que estou a deixar em aberto essa possibilidade pela escolha de materiais.
    Alergénico: Com a insuflação e exsuflação obrigatoriamente presentes nos imóveis, existe o risco de que as fibras da lã mineral circulem (em partículas reduzidas obviamente) e causem problemas respiratórios nas pessoas mais sensíveis. Neste caso, como a lã escolhida tem papel kraft à frente, ao colocar este material por trás, isto ajudará a que essas partículas fiquem estabilizadas dentro da parede. Como um dos membros do agregado tem asma, esta solução também me pareceu a mais adequada. Obs: ssegurei-me de aspirar os paineis geo acustic reciclados antes de os aplicar seguindo a recomendação do fornecedor, uma vez que em virtude de serem rolos de fibras téxteis (e de estarem no armazém) podem acumular algum pó e revelou ser uma boa dica que recomendo a quem pretenda algo semelhante.

    3) Desacoplagem do perímetro do tecto da parede
    usei o dessolizador perimetral em conjunto com uma solução da Danosa (Impactodan) precisamente para garantir isso. Considerei colocar alheta Z (ou duplo L) mas não era prático no meu caso pelo que somente coloquei numa parte do perímetro (onde está a parede falsa) mas com outro propósito sobre o qual aprofundarei mais adiante noutras publicações ;)

    4) Amortecedores Senor
    Á data de hoje é possível encontrá-los na MundiMat e na Live-Place mas acaba por ser mais barato encomendar de outros fornecedores em Espanha que enviem para Portugal - além de que o stock não é garantido nessas lojas e pode ser que tenha de esperar que eles próprios recebam do fornecedor pelo que simplesmente pode eliminar o "intermediário" e poupar bastante no processo. Posso-lhe dizer que o preço passa para o dobro. A solução em sí é muito boa mas devo-lhe dizer que existem outras soluções até de fabrico nacional (como o caso da Live-Place que fabrica uns virtualmente idênticos em termos de funcionalidade) e que não ficam nada atrás. Os modelos da Live-Place também têm mecanismo de segurança e acabei por comprar uns quantos para aplicar em locais do imóvel que não sofrem tanto com os ruídos e vibrações aéreas como estes, pelo que falarei deles mais adiante também.

    Cumpts
  11.  # 11

    Colocado por: elfo106Muito obrigado pela partilha. Vou acompanhar ;-)
    Estas pessoas agradeceram este comentário:RPacheco


    Obrigado eu! Apraz-me saber que existem mais pessoas interessadas no projecto e nesta publicação.
    Dá um pouco mais de ânimo também aquando da execução do mesmo:D
    Cumpts
  12.  # 12

    Vamos lá então à parede falsa :D :

    - a nível da perfilaria - instalei raias que foram perimetralmente isoladas com banda acústica Danosa Fonodan 50 e posteriormente ancoradas com tapits;
    Usei o montantes (que na face encostada ao gesso acartonado levou ainda fita para isolamento acústico de 3mm auto-adesiva). De forma a garantir uma solução mais profissional do que utilizar os tipicos "L's", feitos com restos de montante, e garantir acrescida solidez estrutural (principalmente aos montantes - o que evita as irritantes "trincas"), optei pelos isoladores acústicos de parede SE-3800/TDI 1,5MM da Senor (igualmente importados de Espanha) que garantem além disso maior acondicionamento acústico em virtude do amortecimento que proporcionam.
    - a nível de isolamento acústico - instalei membrana Danosa Mad4 auto-adesiva fixa à parede para maior segurança com recurso a buchas de fixação mecânica de Nylon (ETICs) sobreposta por "painel geo acustic reciclado 20mm" e depois por depois pela lã mineral 60mm com barreira anti vapor em papel kraft, que ficaram também ancorados à parede de forma desfasada com recurso às mesmas buchas ETICs. Usei fita kraft para isolar as margens dos rolos de lã que ficam encostados aos montantes.
    - Caixas de aparelhagem e conduits + gesso acartonado - fixei os conduits à parede de alvenaria (com recurso a bucha especial de abraçadeira de serrilha) por cima da membrana Danosa Mad4 e coloquei os pontos eléctricos nos locais pretendidos, certificando-me de isolar os pontos críticos da passagem do conduit na perfilaria e paredes, fazendo uso ou de sobras da membrana acústica Danosa Mad4 ou de isolamento acústico maleável (acoustic putty pads). Optei ainda pelo uso de caixas de aparelhagem com isolamento acústico. Posteriormente são aplicadas as placas de gesso acartonado hidrofugadas e procede-se à barragem das mesmas usando massa e fita para juntas.

    Em anexo segue apresentação esquemática do projecto que realizei e referente à instalação em questão:
      3)Parede falsa_esquemática final.png
  13.  # 13

    Seguem-se fotos
      Screenshot_20231121_063212_Photo Editor.jpg
  14.  # 14

    Outra foto
      Screenshot_20231121_063717_Gallery.jpg
  15.  # 15

    Parabéns pelo projeto mas sobretudo pela paciência em descrever tudo ao pormenor aqui no FdC .
    Concordam com este comentário: nunogouveia, ricardo.rodrigues
    Estas pessoas agradeceram este comentário: RPacheco
  16.  # 16

    Obrigado pela partilha e parabéns pelo projeto. A parte que mais gosto são sempre de facto as fotos que demonstram a praticidade e a realidade.

    No entanto, é de louvar a paciÊncia para descrever todo o processo e materiais.

    Boas remodelações.
    Cumps
    Concordam com este comentário: nunogouveia
    Estas pessoas agradeceram este comentário: RPacheco
 
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