Iniciar sessão ou registar-se
  1.  # 1

    Boa tarde a todos os foristas.

    Tenho vindo, nos últimos meses, a estruturar e aprofundar o projecto de instalação de um sistema fotovoltaico para autoconsumo na minha habitação, encontrando-me nesta fase a iniciar pedidos de orçamento e a tentar fechar uma solução tecnicamente coerente. e que satisfaça as minhas necessidades em termos de energia: reduzir a factura da electricidade e possívelmente assegurar uma autonomia para carregamento de VE.

    I_Contexto da habitação:

    Trata-se de uma moradia isolada ainda no concelho de Viseu mas totalmente fora da cidade, com excelente exposição solar mas numa zona bastante fria e húmida (moro no meio da floresta praticamente). Tenho um telhado com 3 águas, cada uma das quais com, pelo menos, 37 m2 de área para colocar PV
    1 - Água a Sul (virada ao azimuite 200º, logo é mais Sul-Sudoeste): sem qualquer sombreamento;
    2 - Água a Nascente (virada ao azimuite 110º): sem qualquer sombreamento de Inverno mas agora parcialmente sombreada na parte da manhã, na zona mais baixa do telhado, por causa de uma tília enorme que agora começa a ganhar folha;
    3 - Água a Poente (virada ao azimuite 290º): sem sombreamento

    Ou seja, A cobertura tem três orientações principais úteis:

    Nascente (~110º) → produção matinal
    Sul (~200º) → produção principal
    Poente (~290º) → menor interesse no Inverno

    Existe tendência para privilegiar Sul + Nascente, com pouca ou nenhuma aposta em Poente.

    A casa tem quatro águas orientadas quase perfeitamente a cada um dos pontos cardeais (nos azimutes referidos), o que permite alguma flexibilidade na instalação. Existe área disponível suficiente para um sistema de dimensão relevante, tendo cada água, com a forma de um trapézio isósceles, cerca de 50 m2 para instalação... A inclinação do telhado não é muito acentuada, pelo que poderá ser necessário recorrer a estruturas de suporte para optimização do rendimento, embora não goste do efeito estético e prefira sempre adquirir mais paíneis do que a colocá-los em armaduras triangulares.

    II_Consumos e perfil de utilização:

    Inverno: ~700 kWh/mês (sem bomba de calor) - por vezes temos radiador eléctrico de 2000w, a colmatar os dias mais frios, na divisão do escritório;
    Verão: ~380 kWh/mês (sem bomba de calor);

    A habitação é totalmente eléctrica:
    – Cozinha (placa de indução, forno e restantes electrodomésticos)
    – Equipamentos permanentes (frigoríficos, arca congeladora, etc.)
    – Termoacumulador, com apoio de recuperador de calor com caldeira no Inverno
    – Trabalho remoto permanente (dois adultos em casa), o que é um factor relevante no perfil de consumo (embora isso signifique dois computadores e dois candeeiros).

    Existem ainda consumos adicionais importantes:
    – Bomba de água de furo
    – Portões automáticos
    – Sistema de rega
    – Outros equipamentos distribuídos pela propriedade

    A isto há que juntar o contexto familiar... temos 3 crianças (futuros adolescentes), com 0, 2 e 5 anos, que AINDA consomem pouca energia (energia eléctrica... energia dos pais consomem e bastante - mas também recarregam).


    A isto haverá que considerar, já para este ano, a aquisição de uma bomba de calor de (talvez 14 kW) para aquecimento por radiadores (~120 elementos), com funcionamento previsto: 06h às 18h diariamente no Inverno e a suportar as AQS todo o ano (mas sobre esse equipamento e solução de aquecimento talvez ainda abra outro tópico). Mas haverá que considerar esses consumos para os meses de Inverno e para os meses intermédios (Outubro/Novembro; Março/Abril).

    Acredito que com a aquisição da bomba de calor os meus consumos estimados passem a ser estes:
    - Inverno: ~950 a 1500 kWh/mês
    - Meses intermédios (Mar/Abr e Out/Nov): ~500 a 1000 kWh/mês
    - Verão: ~300 a 400 kWh/mês


    Veículo eléctrico (perspectiva futura):
    Está também prevista a aquisição de um veículo eléctrico, embora neste momento num horizonte mais distante (2 a 3 anos).

    A ideia será aproveitar a produção solar para carregamento, tendo em conta um perfil de utilização de cerca de 70 km diários (e mais uns 300km a 400k mensais, pelos fim-de-semana), actualmente com um custo mensal em gasóleo entre 180 € e 280 €.

    III_Objectivo do sistema fotovoltaico

    O objectivo não é autonomia total, mas sim:

    - Maximizar autoconsumo directo
    - Reduzir dependência da rede eléctrica
    - Suportar parcialmente o funcionamento da bomba de calor no Inverno
    - Aproveitar excedentes em meses intermédios
    - Evitar sobredimensionamento excessivo com desperdício no Verão (para ser compensador ou notável no Inverno, esse desperdício no Verão existirá sempre).

    Na verdade, se a aquisição de uma bomba de calor e a futura aquisição de veículo eléctrico não estivesse nos planos, nem pensaria em adquirir sistema fotovoltaico, dado que considero que ando sempre em cima do valor kwh na concorrência (por vezes até me meto no indexado) e por isso acabo por ter um consumo não muito excessivo, atenta a totalidade de 100% eléctrico que tenho em casa.

    Este sistema tem sempre de incorporar, pelo menos, uma bateria de 15 kwh, dado que apenas dessa forma é posssível rentabilizar o sistema, especialmente, nos dias de Inverno e nos dias dos meses intermédios.

    O ponto crítico que estou a tentar optimizar não é a autonomia total, mas sim o equilíbrio anual. Não me importo de comprar alguma energia à rede no Inverno e pretendo evitar desperdício excessivo de produção no Verão. Tenho noção que os meus consumos irão aumentar significativamente quando as 3 crianças passarem a ser 3 adolescentes e que o preço da energia, durante a fase da adolescência, acabe por ser bem superior ao valor kwh actual (que, com taxas e com IVA, não chega aos €0,19). O ideal era que os meses intermédios fiquem com facturas residuais muito baixas (~15 € de electricidade).

    IV_Cenários em consideração:

    - Bateria de, pelo menos, 15 kwh;
    - Inversor de 6 kw, limitado a 4 kw, com pelo menos dois MPPT (dado que a água a Sul e a Nascente levarão sempre paíneis);
    - Cenário de painéis solares com potências de cerca 620w: ou 12 painéis (7,7 KWp);ou 16 painéis (9,9 KWp); ou 20 painéis (12,4 KWp)

    Quero um sistema escalável, em que possa adicionar baterias e painéis futuramente, sem estar agarrado a um tipo de bateria ou de marca (adeus Huawei).

    Também considero que os painéis devem ser monocristalinos com células half-cut, N-type;


    V_Em análise e esclarecimentos pedidos:

    a) Marcas e soluções de painéis, inversores e baterias, conforme as características indicadas;

    b) Cenário mais adequado será o de 12, 16 ou 20 painéis e qual a sua distribuição (Nascente e Sul ou Nascente, Sul e Poente);

    c) Compatibilidade e escalabilidade do sistema e se tal sistema deve apoiar-se no cenário de 12, 16 ou 20 paineis (atendendo às limitações do inversor mas também ao interesse de produção mais elevada possível no Inverno em custo/benefício);

    d) Empresas reputadas na zona Centro (não me interessa muito ter alguém a fazer a venda e a instalação em Lisboa se depois não tem assistência própria aqui na zona)

    e) Solução de instalação e impacto visual (para isso tenho de calcular a efectiva inclinação do telhado e como o fazer);

    f) melhor forma de pedir orçamentos e já agora, com ou sem discriminação dos tipos de inversores e painéis que pretendo e o que ter em atenção

    g) dado o elevado valor de investimento e a perspectiva que haja algum apoio para a instalação de painéis e baterias (embora não como os apoios anteriores) valerá a pena esperar até ao final do ano (sendo certo qeu a instalação nunca poderia ser antes da Primavera, dadas as geadas aqui da zona)


    Agradeço desde já qualquer feedback da comunidade, especialmente, de quem tenha experiência com sistemas semelhantes, e em contexto real de utilização no interior Norte do país. Já sabemos que este Inverno foi especialmente chuvoso por isso vamos considerar este ano como inexistente nas nossas considerações.
    • m6rk
    • 16 abril 2026

     # 2

    Face à complexidade dos seus requisitos sugiro que comece por usar o Grok (a partir duma conta vulgar no x.com).
    Quanto melhor for a qualidade da informação que lhe fornecer, tanto melhor será a qualidade da ajuda que vai obter.

    Logo após a 1a tentativa vai perceber quão útil o Grok pode ser.

    Eu comecei por descarregar da e-Redes o ficheiro .xls referent aos consumos do último ano: https://balcaodigital.e-redes.pt/consumptions/history => Consumos => Consultar consumos detalhados => selecionar periodo => exportar p/ excel

    Depois fiz o login no x.com, acedi ao Grok, fiz o upload do ficheiro da e-redes (basta fazer click no simbolo do clip) e fiz copy + paste do seguinte:

    Please analyze and verify the following data, comment and advise on optimum inverter, battery and number of panels:

    * Location: Lisbon, Portugal. Grid Connection: Single-phase (230V, 50Hz), 6.9 KVA contracted.
    * Needs: Calculate from the attached e-redes consumption file and calculate the added needs for the new equipment:
    * [marca e modelo exato da nova bomba de calor AQS]
    * [marca e modelos do novo equipamento de Ar Condicionado]
    * system must provide 3 day offgrid at at least 60% of normal daily consumption
    * PV panels: use size 1800x1134 mm, from longi, aiko or JA Solar; up to 9 panels facing 172º South and 10 panels 211° West. Sugest panel models, optimized wiring setup (string and mptt) and also panel tilt.
    * Inverter: Deye, compare 6kW vs. 8kW.
    * Battery: up to 21kWh.
    * Island mode: The system must operate off-grid during outages using PV energy when the sun is available, switching to battery or grid otherwise.
    * Black-start: The inverter must restart from a complete shutdown using only PV energy when sunlight is available.
    * Zero export: The inverter must prevent energy export to the grid, critical for regulatory compliance or tariff restrictions.
    * Internal ATS: The inverter must seamlessly switch between grid, PV, and battery without external hardware.
    * Answer in portuguese from now on.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: powerPT
  2.  # 3

    Resumindo tudo, sugestão :

    Inversor de 6 kW, com pelo menos duas string. Com essa potência tem 2 ou 3 strings.

    Victron, Deye, etc

    4 kW a nascente, para começar a produzir cedo
    4 kw a sul
    4 kW a poente, para atrasar a o fim da produção solar.
    Se a estética importar, fazer estrutura coplanar, simplifica a instalação.


    Painéis que tenham boa qualidade preço.
    Não estou a ver ninguém daqui a 10 anos enviar para garantia os seus painéis de 150 watt com 15 anos, pagando mais de 100 euros de portes, não tendo a certeza se a garantia vai cobrir alguma coisa.

    Bateria de 30-45 kW

    No inverno vai ser difícil carregar a bateria, pois a produção deve dar apenas para a casa e pouco mais.

    O seu problema é simples, depende apenas de quanto quer gastar.
  3.  # 4

    Colocado por: m6rkGrok


    Agradeço a indicação mas pretendo pessoas reais com experiências reais.
    Além disso não seria capaz de criar contas no X ou twitter :)

    Ademais, os meus consumos são irrelevantes. Atendendo ao futuro próximo (bomba de calor para radiadores e VE), a interpretação dos ficheiros actuais da e-redes são totalmente irrelevantes, porque ficam muito aquém dos consumos que irei ter daqui a um ano (antes disso até).

    De qualqeur modo, obrigado pelas dicas. Nuna situação "mais normal" esse seria o caminho (mas com chatgpt ou gemini)
  4.  # 5

    Colocado por: callinasResumindo tudo, sugestão :

    Inversor de 6 kW, com pelo menos duas string. Com essa potência tem 2 ou 3 strings.

    Victron, Deye, etc

    4 kW a nascente, para começar a produzir cedo
    4 kw a sul
    4 kW a poente, para atrasar a o fim da produção solar.
    Se a estética importar, fazer estrutura coplanar, simplifica a instalação.


    Painéis que tenham boa qualidade preço.
    Não estou a ver ninguém daqui a 10 anos enviar para garantia os seus painéis de 150 watt com 15 anos, pagando mais de 100 euros de portes, não tendo a certeza se a garantia vai cobrir alguma coisa.

    Bateria de 30-45 kW

    No inverno vai ser difícil carregar a bateria, pois a produção deve dar apenas para a casa e pouco mais.

    O seu problema é simples, depende apenas de quanto quer gastar.


    Victron e Deye ainda são dois saltos de qualidade bem diferentes ou não?

    Estou a pensar apenas em duas strings (nascente e Sul), dado que as águas a Poente já são mais Noroeste que verdadeiro Poente... Assim, embora nos meses mais normais tenha consumos elevados nesses finais de tarde (cozinha essencialmente) pretendo usar a bateria para compensar isso... Caso contrário os PV nessa orientação não serviriam de nada nos meses de Inverno. Daí estar a pensar colocar 10 PV a Sul e 6 a Nascente.

    Painéis devem ser de qualidade mas penso que é mais importante a qualidade do inversor, especialmente considerando uma hierarquia de qualidade entre os 3 equipamentos principais colocaria assim: inversor > Bateria > Paineis.

    Por último, a bateria. Essa dimensão parece muito exagerada. Nos meses de Verão até a conseguia encher diariamente mas a verdade é que penso que 15 kw acabam por ser um bom compromisso. Por duas ordens de razão: as baterias têm vindo a descer de preço e são escaláveis, isto é, amanhã poderei sempre anexar outra bateria de 15kw; nos meses de Inverno ou dias maus de meses intermédios, dado que tenho consumos elevados durante o dia, acabarei por não conseguir encher totalmente a bateria de 15 kw... uma de de 30 ou até 40 kw seria muito desperdício, não? Concorda?
    • m6rk
    • 17 abril 2026

     # 6

    Colocado por: JMHouseDe qualqeur modo, obrigado pelas dicas. Nuna situação "mais normal" esse seria o caminho (mas com chatgpt ou gemini)


    A escolha do Grok é propositada. O Grok é o engenheiro que "gere" os calculos e a infraestrutura solar da Tesla e, talvez por isso, a qualidade dos cálculos e das propostas que faz são precisas e impressionantes. Neste contexto - Energias (produção, conservação e consumo) - os chatgpt, gemini, deepseek e claude, são rudimentares e, frequentemente, debitam apenas trivialidades de utilidade limitada.

    A forma como o Grok analisa o diagrama de consumos fornecido pela e-Redes e mostra resultados concisos e exatos é impressionante. A forma como integra esses dados com as necessidades de equipamentos como ar condicionado, AQS e veiculos eletricos é exemplar.

    A forma como extrai as especificações dos fabricantes dos materiais e analiza e sugere, por ex., as caracteristicas as marcas e modelos dos inversores, a quantidade, orientação e inclinação das placas, a capacidade das baterias, as caracteristicas e a organização da cablagem e dos dispositivos de corte e comutação é impressionante.

    Neste ambito o "Eng." Grok está frequentemente muito à frente do conhecimento limitado da maioria dos instaladores certificados que conheço... e eu conheço mais de uma dezena.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: elnunes
  5.  # 7

    Colocado por: m6rkA forma como o Grok analisa o diagrama de consumos fornecido pela e-Redes e mostra resultados concisos e exatos é impressionante. A forma como integra esses dados com as necessidades de equipamentos como ar condicionado, AQS e veiculos eletricos é exemplar.


    Não vejo interesse nenhum nisso. Sei a potência que quero e para o quê. A questão é como lá chegar, com experiências partilhadas de pessoas (não de ficções matemáticas).
  6.  # 8

    Colocado por: JMHouse

    Victron e Deye ainda são dois saltos de qualidade bem diferentes ou não?

    Estou a pensar apenas em duas strings (nascente e Sul), dado que as águas a Poente já são mais Noroeste que verdadeiro Poente... Assim, embora nos meses mais normais tenha consumos elevados nesses finais de tarde (cozinha essencialmente) pretendo usar a bateria para compensar isso... Caso contrário os PV nessa orientação não serviriam de nada nos meses de Inverno. Daí estar a pensar colocar 10 PV a Sul e 6 a Nascente.

    Painéis devem ser de qualidade mas penso que é mais importante a qualidade do inversor, especialmente considerando uma hierarquia de qualidade entre os 3 equipamentos principais colocaria assim: inversor > Bateria > Paineis.

    Por último, a bateria. Essa dimensão parece muito exagerada. Nos meses de Verão até a conseguia encher diariamente mas a verdade é que penso que 15 kw acabam por ser um bom compromisso. Por duas ordens de razão: as baterias têm vindo a descer de preço e são escaláveis, isto é, amanhã poderei sempre anexar outra bateria de 15kw; nos meses de Inverno ou dias maus de meses intermédios, dado que tenho consumos elevados durante o dia, acabarei por não conseguir encher totalmente a bateria de 15 kw... uma de de 30 ou até 40 kw seria muito desperdício, não? Concorda?

    A primeira parte do problema já resolveu. Painéis a nascente a a sul . Convém ver o seu nascente, porque no inverno o nascente é diferente do nascente no verão.

    Sistema Deye , Victron é uma questões preço , Victron mais caro. Cabe a si analisar e ver o que é melhor para si, do preço as valências.

    As baterias são para escaláveis ! Sim e não.
    Tive um bateria byd, comprei 3,5 kW. No ano seguinte 3,5 kW, passado dois anos para arranjar mais 3,5 kW, era preciso número de série, custo elevado porque tinha de ser por encomenda e 6 meses de espera. Baterias cujos módulos encaixavam uns em cima dos outros .

    Baterias baratas, idem.
    Em maio de 2025 as baterias de 15 kWh eram de 300Ah, em agosto mesma bateria, marca e modelo já tinha 320 Ah. Hoje menos de um ano depois já são de 340 Ah. Embora de capacidades diferentes funcionam bem .

    Numa casa nova e nova instalação, eu colocaria 30-45 kW de bateria. Não esquecer que a bateria so deve descarregar até 20%, quer isso dizer que numa bateria de 16kw, só vai aproveitar mesmo 12,8kw
    No inverno pode carregar à noite e usar durante o dia.
 
0.0169 seg. NEW