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  1.  # 21

    Ajudar um amigo a estar longe da mulher? Chama-se solidariedade masculina!
    Concordam com este comentário: Jorge Rocha
  2.  # 22

    Colocado por: j cardosoMas se um dia quiser explicar essa coisa da "literatura para retornados" sou todo ouvidos, deixou-me curioso.


    Não é para, é "de" retornados. O título da comunicação é "Histórias de regressos, memórias de partidas: imagens do eu e do outro em narrativas pós-coloniais". Depois falamos nisso (o blogue não está esquecido, só adiado por causa destas coisas todas e do ganha-pão).

    Colocado por: j cardosoAqui foi para dar um "ar" de uma mais velho a falar, mas já vi que falhou.


    É que não seremos de gerações assim tão diferentes...

    Colocado por: j cardosoAlgum amigo do seu marido devia ensinar-lhe maneiras mais práticas e menos cansativas de ... como dizer? ... de estar sózinho.


    Antes BTT que futebóis (deu cabo do tendão há uns tempos). É bom ter um marido em forma.
  3.  # 23

    Colocado por: becasAntes BTT que futebóis (deu cabo do tendão há uns tempos). É bom ter um marido em forma.

    Já percebi o teor da viagem!
  4.  # 24

    Ficamos então à espera do blogue.

    "Histórias de regressos, memórias de partidas: imagens do eu e do outro em narrativas pós-coloniais"


    Interessante. Vai colocar isto no blogue?
  5.  # 25

    Colocado por: j cardosoFicamos então à espera do blogue.



    Interessante. Vai colocar isto no blogue?


    Sim, é uma ideia. Não os textos académicos, mas as ideias principais que os sustentam e que podem ter interesse para um conjunto mais alargado de pessoas. Entretanto, lá para Abril ou Maio deve sair o livro que resultou da minha tese de doutoramento...Percursos da Identidade. Representações da Nação na Literatura Pós-colonial de Língua Portuguesa (Gulbenkian).
    •  
      MRui
    • 11 dezembro 2011 editado

     # 26

    Comporta...
      Comporta.jpg
  6.  # 27

    Tese de doutoramento? Os meus parabéns. Relacionada com literatura? Isso "assusta" ...
  7.  # 28

    Colocado por: j cardosoTese de doutoramento? Os meus parabéns. Relacionada com literatura? Isso "assusta" ...


    Já lá vão 4 anos...e então a literatura assusta porquê? Só se eu me zangasse consigo e lhe atirasse com o "tijolo" à testa...sempre são quinhentas e tal páginas de "erudição"!
    •  
      MRui
    • 11 dezembro 2011 editado

     # 29

    Ruínas romanas...
      ruinas.jpg
  8.  # 30

    Não é a literatura que assusta (se bem que alguma ...), são os escritores. E não é bem assustar, é outra coisa, uma sensação estranha. É assim qualquer coisa de parecido com o que se deve sentir quando verificamos que somos vigiados quando não o esperávamos. Não é bem isso, é só parecido.
  9.  # 31

    Colocado por: j cardosoNão é a literatura que assusta (se bem que alguma ...), são os escritores. E não é bem assustar, é outra coisa, uma sensação estranha. É assim qualquer coisa de parecido com o que se deve sentir quando verificamos que somos vigiados quando não o esperávamos. Não é bem isso, é só parecido.


    O que escreve é interessantíssimo! E que autores lê?
    Mas eu agora vou mesmo dormir...já não sai nada e amanhã há mais.
    Boa noite!
  10.  # 32

    Boa noite...
    também me vou pirar,e o J.cardoso também me deu sono...ehehe
  11.  # 33

    Leio tudo o que vem à mão, mas não conheço praticamente nada de novos escritores, nacionais ou estrangeiros. Tenho alguns interesses “particulares” – leio tudo o que diga respeito às ex-colónias, com muito especial interesse em Angola. O favorito do momento é o Yukio Mishima, que estou a reler; por motivos que desconheço, já que não serão os melhores, gosto do William Somerset Maugham e do Carré (O fio da navalha e O peregrino secreto são dos meus livros de cabeceira). Gosto do Pepetela. Gosto de Jack London, de Pitigrilli, de Aquilino Ribeiro, William Faulkner, Erskine Caldwell, Mark Twain e Dostoyevski . De Pessoa e de Baudelaire. De Maiakóvski e de Pushkin. Gosto dos clássicos. Gosto da Bíblia. O que vier à rede é peixe. Os favoritos amanhã são outros.
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      MRui
    • 11 dezembro 2011

     # 34

    Tróia Design Hotel no complexo turístico de Tróia...
    Estas pessoas agradeceram este comentário: becas
      309123_245949172117843_121207044592057_712139_615641710_n.jpg
  12.  # 35

    Conheço bem Alcácer, mas uma das alturas que mais gosto desta cidade é no Verão. Ver todos aqueles arrozais verdes , como se de campos relvados se trata-se frente á cidade, torna a paisagem muito, mas muito, bonita. Aproveito essa altura para visitar uma feira local, a PIMEL. Aqui deixo umas fotos para dar a conhecer esta terra, que já publiquei aqui num tópico.

    Este Verão



    Lar de Idosos - Alcácer do Sal
    Gostei muito deste lar. Não sei se permitem visitas ao interior do recinto.
    Projecto: Arq. Francisco Aires Mateus

    Estas pessoas agradeceram este comentário: becas
  13.  # 36



  14.  # 37

    Colocado por: j cardosoLeio tudo o que vem à mão, mas não conheço praticamente nada de novos escritores, nacionais ou estrangeiros. Tenho alguns interesses “particulares” – leio tudo o que diga respeito às ex-colónias, com muito especial interesse em Angola. O favorito do momento é o Yukio Mishima, que estou a reler; por motivos que desconheço, já que não serão os melhores, gosto do William Somerset Maugham e do Carré (A navalhaeO peregrino secretosão dos meus livros de cabeceira). Gosto do Pepetela. Gosto de Jack London, de Pitigrilli, de Aquilino Ribeiro, William Faulkner, Erskine Caldwell, Mark Twain e Dostoyevski . De Pessoa e de Baudelaire. De Maiakóvski e de Pushkin. Gosto dos clássicos. Gosto da Bíblia. O que vier à rede é peixe. Os favoritos amanhã são outros.


    De volta. Isto agora tem mesmo que ser acabado, mal ou bem (a comunicação).
    Bem, com esse reportório de leituras sou eu que tenho de lhe fazer uma vénia!
    Em relação à literatura angolana, eu trabalho com Pepetela (na minha tese de doutoramento é um dos autores do corpus), mas não é o meu preferido. Gosto muito do José Eduardo Agualusa, sugiro-lhe que comece por ler O Vendedor de Passados ou um dos mais antigos, como A Estação das Chuvas. Na literatura moçambica existe o incontornável Mia Couto, mas também vale a pena ler João Paulo Borges Coelho, é um autor muito talentoso. Como agora estou de volta da literatura escrita por regressados de África, vou levar O Retorno de Dulce Maria Cardoso para as férias.
    Na literatura portuguesa, sugiro Helder Macedo - é um segredo muito bem guardado. Tenho a certeza que gostará de Pedro e Paula. E O Esplendor de Portugal de Lobo Antunes, já leu? É incontornável para quem se interessa por Angola...eu sei que o Lobo Antunes está cada vez mais difícil indecifrável, mas este livro ainda se lê muito bem e com muito prazer.
  15.  # 38

    Bonitas fotos, rjmoura! Vamos ver se o Inverno me deixa trazer fotos interessantes!
    MRui, a última vez que estive em Tróia foi há muitos anos e tenho curiosidade em ver naquilo em que se transformou. Dizem-me que está uma espécie de reserva de ricos, e quem já lá tinha casa não gostou da mudança: tudo muito caro e orientado para o turista ocasional classe alta. Mas os novos edifícios (que tenho visto na net) parecem magníficos, e um grande contraste com os caixotes de antigamente. Só que agora é para ver de fora...já experimentei ver os preços para levar a família e são bastante exagerados.
    • jafn
    • 11 dezembro 2011

     # 39

    Boas, o restaurante que o Jorge Rocha mencionou com as fotos, é o Alegrias, quem o frequenta são mais pessoas de trabalho e caçadores em dias de caça, mas come-se bem e barato e com bons petiscos, seguindo essa estrada pode visitar a barragem de Pego do Altar que é uma zona muito bonita e excelente para fazer btt, como tanto o becas gosta, essa zona fica ligeiramente por baixo da herdade da Boavista, onde está a decorrer o peso pesado, pode também e deve visitar logo a seguir à barragem uma aldeia espectacular que se chama de Santa Susana, é uma aldeia típica alentejana que vai de certeza adorar, não pelo seu tamanho, mas pela sua beleza e limpeza, não se esqueça da máquina fotográfica.
    Bom passeio
    Estas pessoas agradeceram este comentário: becas
  16.  # 40

    De Pepetela acho que conheço tudo; gosto muito de A geração da utopia e da Parábola do cágado velho, um verdadeiro hino à "coluna vertebral" de Angola: os camponeses. Acho que também conheço tudo do Agualusa, mas não conheço os outros que menciona - vou corrigir isso. Num registo diferente também gosto muito do trabalho de Ruy Duarte de Carvalho, nomeadamente Vou lá visitar pastores. Acho interessante o Luandino Vieira (que vive agora em Vla Praia de âncora, onde tem um ... café/biblioteca onde é possível tomar algo e ler os livros que ele põe à disposição para ler no local ou mesmo para levar (quando lhe perguntaram se não receava que não devolvessem os livros ele respondeu dizendo que nesse caso esperava que roubassem os livros dele, seria o melhor elogio que lhe podiam fazer).

    PS1 - falha imperdoável nas minhas referências: Herman Hesse.

    PS2 - assim a modos de provocação brincadeira, conhece isto?


    Afinal enganara-se

    Custou-lhe sair do conforto do sonho e quando os olhos se abriram não soube onde estava. Foi ao estender o olhar pela cama do hospital que se recordou do sucedido. Dizer que recordou será talvez favor, quando muito recordava-se do antes e do depois, que do instante fatal nem sinal, como se a explosão tivesse obliterado o seu próprio instante.
    Mais de uma vez assistira ao rebentar de uma mina e conhecia a sua marca, um estrondo surdo e uma coluna de fumo. Desta vez porém nada viu nem ouviu, sabe apenas que caminhava e que no que lhe pareceu ser o instante seguinte deu por si no chão, a tentar levantar-se sem o conseguir e sem perceber que não estava cego, tinha apenas a cara e os olhos cobertos por alguma matéria viscosa. Só quando passou a mão a limpar a cara e mirou a brancura da tíbia à luz do sol soube tratar-se do seu sangue e da sua carne, projectados pela explosão à mistura com terra.
    Lembra-se do que veio a seguir e o primeiro a chegar foi o espanto pelo sucedido; sempre tomara como certo que estas coisas só aconteciam aos outros, os descuidados e desafortunados - não a ele!
    Ainda não estava recomposto do espanto quando chegou o desânimo, um desânimo desesperado de quem percebe a irreversibilidade da mudança.
    Tentou reagir. Apesar de tudo o corpo respondeu, indiferente ao sangue que se esvaía a regar aquela terra já de si vermelha. Arrastou-se alguns metros e acabou por se sentar no chão encostado a uma árvore; era uma nsanda, a que mais a sul chamam mulemba, o que levou Dimuka a dizer mais tarde que o que depois aconteceu não foi por acaso, não é na mulemba que moram os espíritos?
    Foi com o cinto apertado na coxa que fez o garrote, numa tentativa de estancar o sangue, após o que avaliou as possibilidades que lhe restavam; podia arrastar-se até ao carro, mas não estava certo de lá chegar. Ainda que chegasse, o que fazer depois? Se quisesse socorro teria de ir à sua procura, uma viagem que mesmo em circunstâncias normais demoraria demasiado tempo. Conseguiria subir para o carro? Seria capaz de conduzir sem o pé? Aguentaria a viagem?
    Por outro lado não era de prever a chegada de ninguém, pelo que ficar ali implicava desistir; mas desistir quê? não tinha já acabado tudo? Tentou pensar com clareza mas não estava certo de o estar a fazer, achava já tentadora a ideia de não fazer nada. Deu consigo a pensar que o local era de certa forma apropriado, sempre gostara daquele vale apertado, quase escondido, mais ainda nessa época do ano com as árvores a explodir numa fúria de flores e cheiros, penduradas nas margens a abraçar o rio que passava volumoso, prenhe das chuvas recentes.
    Foi então que chegou a dor e não deixou lugar a mais nada. Veio sem se anunciar, uma súbita maré de fogo a consumir-lhe carnes e nervos da perna à nuca. Chegou e nada mais importou; o espanto, o desânimo, até o futuro, acaso o houvesse, tudo ficou para trás. Naquele momento nada mais importava senão a dor e soube que tinha de fazer algo; em vão procurou junto à cintura, não encontrou o que procurava; deixara a arma no carro, o local não justificava receios. De qualquer maneira, fosse para acabar com tudo fosse para resistir, a solução estava no carro e foi para lá que se arrastou.
    Lembra-se vagamente de lá ter chegado e de como conseguiu guindar-se até ao assento. Deu consigo a recordar-se, com algum ressentimento, de ter metido o carro a trabalhar sem pensar na arma. Não sabe porque escolheu esta solução mas que outra coisa pode ter sido senão o instinto a tirar as rédeas à razão? Do mais nada sabe a não ser que conseguiu atingir o fim da picada e chegar à estrada que levava à cidade e ao socorro; recorda-se que pouco depois se sentiu desfalecer, que parou e que achou que era o fim da viagem.
    Afinal enganara-se, concluiu enquanto olhava a ventoinha avariada pendurada no tecto sem se atrever a encarar de novo o volume em falta ao lado do seu pé direito.
 
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