Colocado por: zedasilva
E não comem? Então para onde raio é que os metem que nunca vi nenhum funeral chinês e eles já cá estão Há uma catrefada de anos.
Chineses
Discrição da comunidade em Portugal criou mitos urbanos sobre os mortos
A discrição da comunidade chinesa em Portugal criou mitos sobre a sua morte. Uma das ideias que circula é que os cadáveres seriam comidos, ignorando aquela cultura oriental que defende apenas «o regresso ao lugar onde nasceram»
«O facto de não se vivenciar na Europa enterros de chineses faz com que se gerem e espalhem lendas metropolitanas normalmente associadas ao canibalismo», disse à Lusa Elisabetta Cotta, do Centro Cientifico e Cultural de Macau.
Em dez anos morreram 54 chineses em Portugal, segundo o Instituto Nacional de Estatística. A maioria está enterrada nos cemitérios de Lisboa e do Porto.
No entanto, alguns chineses decidem regressar ao seu país na velhice e algumas tumbas são também transladadas. Isto resulta de crenças antigas chinesas de que os mortos devem voltar ao lugar de origem.
«Não haver (ou raramente se encontrar) tumbas chinesas em Portugal tem a ver com o culto dos antepassados, que está enraizado na cultura chinesa desde tempos muito remotos. O culto dos antepassados está inserido na arquitetura do pensamento confucionista e na estrutura social chinesa», explicou Elisabetta Cotta.
Um responsável da maior funerária portuguesa, a Servilusa, garante que a empresa já fez transladações para a China, mas diz não ter dados sobre a quantidade de serviços realizados.
A Lusa contactou a embaixada da China para saber quantos foram os chineses transladados para o seu país de origem, mas não obteve resposta.
Liang Zhen, diretor do único jornal chinês que existe em Portugal, lembra que os primeiros chineses chegaram há quase meio século e que há já «novas gerações que nasceram cá». Muitos já têm nacionalidade portuguesa.
O diretor do jornal conhece os mitos que circulam e lamenta que os portugueses tenham tão pouco interesse em conhecer mais da sua cultura. «Existem famílias de chineses que já foram enterradas em cemitérios portugueses», conclui. Há imigrantes - que chegaram a Portugal muito antes do grande êxodo da década de 1990 - que até já têm jazigos de família.
Em dez anos, entre 1998 e 2008, morreram 54 chineses em Portugal e o número de mortes tem vindo a aumentar. Nos Cemitérios Municipais de Agramonte e Prado do Repouso (na zona do Porto) estão oito chineses, disse à Lusa uma assessora da autarquia portuense.
Em Lisboa, dos 22 chineses inumados nos cemitérios municipais metade não permanece no local: em nove casos as cinzas foram entregues às famílias e em dois casos ao agente funerário.
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) aponta para a presença de 13 331 chineses em 2008, mas entre a comunidade fala-se entre 15 a 17 mil. Olhando para as idades dos chineses legalizados percebe-se que se trata de uma comunidade jovem - característica típica dos imigrantes. Com mais de 65 anos, havia apenas 131 chineses registados no SEF em 2006.