Ex.mos senhores gostaria de convidá-los a participar no festival de Teatro de Santo Tirso...
Fazendo parte do grupo de teatro: "A Capoeira - Companhia de Teatro de Barcelos" entraremos em cena no próximo sábado pelas 21:30 no auditório Paroquial de Santo Tirso com a Peça: "PIOLHOS E ACTORES"...
São 105 minutos de diversão e quiça um pouco de "construção" cultural (já que estámos num fórum de construção) :):):)
Se não gostarem, no final eu devolvo o preço do bilhete que é gratuito.
Há alturas na vida em que a digestão se torna difícil… …(e não é por qualquer repasto que devorámos como se não houvesse o dia de amanhã)… É porque muitas vezes ficam palavras por dizer, ficam sentimentos por expressar… Penso que a nossa felicidade mede-se por estes momentos que ficam suspensos em reticências… …(e neste texto encontrará tantas)… … e de como preenchemos esses mesmos silêncios…
Em primeiro lugar, não é normal um comentário sobre um evento ter em si uma natureza autobiográfica… mas não posso deixar o que tenho a dizer retido nuns simples três pontos suspensos no fio da linha desta folha… Então, eis como vivi o meu TEATIRSO. É certo que ainda não passou o tempo necessário para a digestão do evento... É certo que as palavras nestes momentos poderão parecer vaidosas e autoconvencidas dum qualquer mérito sem merecimento (perdoem a redundância)… É certo que para alguns serei um convencido e um alimentador profundo/invertebrado do meu ego, do meu alter-ego e ainda do meu outro ego…
Por isso: procuro as palavras para que essa interpretação não ocorra... Mas a verdade, o que acontece é que é a mim que nada me ocorre. Por isso, há que o dizer frontalmente (mas em letra pequenina): ganhei o prémio TEATIRSO de melhor ator…
Sei que de agora em diante os meus colegas de paixão brincarão/gozarão comigo: - “Olha a vedeta”… …e é verdade: na companhia, e porque somos uma companhia de jeito: TODOS somos vedetas… Começando no silencioso técnico que nos dá luz; passando pelo encenador que reprovando abana a cabeça e depois nos dá na cabeça (porque perfeição é exigida); passando pelos figurinos tecidos em mãos anónimas e presentes/carinhosas; carregando-se ainda no baú aqueles que nos apoiam e se movimentam por nós… Pelo meu amigo de palco que por ser um grande ator me ajuda a ser melhor…E mais importante pelas pessoas que amámos (e com quem partilhámos a vida) que muito se sacrificam sem um pesar/murmúrio pelas horas que passam longe de nós porque temos de estar num qualquer palco num qualquer outro lugar…
Enfim… o que eu queria dizer é que se há um prémio de melhor ator é porque existe todo um mar de gente por detrás do palco/bastidores e ainda um outro oceano de público crítico que aplaude na frente...O palco é a nossa ilha. Nela: estamos dois atores, que no meio daquela imensidão de gente somos mais dois piolhos. E todo o nosso trabalho, estafa e batalha é tentar não defraudar todo aquele apoio que sentimos no palco… Não é só o calor das luzes que sentimos, experimentámos todo um pulsar de olhos que nos seguem, toda uma absorção de sentimentos do que fazemos ao atuar, interpretar, remedar, memorizar, ou mesmo ressuscitar… E para isso é preciso muita cumplicidade, interajuda, apoio e união, porque efetivamente somos só dois... Mas a realidade é que nunca nenhum de nós se sentiu só e abandonado num vazio ou numa branca… Porque nos sentimos. E se por acaso algo corre menos bem logo um dá o pontapé no outro para dizer que ali estamos para sentir… Contudo, se o gesto foi exagerado, é também ele capaz de pedir ao amigo que lhe devolva a chamada de atenção por não ter estado ele a sentir o que o outro vivia… É isto que sentem dois piolhos no palco: uma confiança inabalável no outro que o procura quando está perdido, o segura bem pelos dedos e que (ao invés do esperado pela vaidade humana) o proteja… Foi isto que sentimos com todo aquele público em Santo Tirso naquela noite do dia dez de novembro e que se veio a confirmar aquando do encerramento do evento: “A CAPOEIRA - Companhia de Teatro de Barcelos” viu o seu espetáculo ser congratulado com os prémios de: melhor iluminação, melhor ator e melhor espetáculo... Todos estes prémios devem-se àquele todo mar… E com eles veio uma responsabilidade acrescida como atores e como seres humanos…
À Junta de Freguesia de Santo Tirso que organizou o TEATIRSO o nosso muito obrigado pelo que nos fez sentir… que (em abono da verdade) é para isso que cá estamos. (Termino, assim, estas minhas palavras; ficando na mesma com aquela sensação inicial de que falei tanto e disse tão pouco… …mas quem nos viu: sabe do que falo).