Colocado por: nandogoncahttp://greensavers.sapo.pt/2013/07/28/casal-ingles-gasta-menos-de-e60-por-ano-em-despesas-da-casa-com-fotos/
Colocado por: PeSilvaPode ser construída numa semana, é um sonho de evasão acessível, ecológico, e pode ser uma mudança de vida entre 25 a 30 mil euros
E se de repente decidir sair da sua zona de conforto rotineira e optar por uma mudança de vida radical e resolver começar algo de novo? Mudar de região, trocar a sua actual profissão por outras adaptáveis ao mundo rural? Tudo isso é possível, mas de início surge quase sempre um obstáculo quase insuperável. E onde vou viver?
A Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e o seu presidente, Armindo Jacinto, pensaram nisso tudo e passaram aos actos, com a colaboração de Jorge van Kierken, o jornalista que, sem ser arquitecto, concebeu o projecto da "Casa Sustentável Modelo Idanha", para ajudar os jovens que se queiram fixar neste concelho.
A autarquia mostra flexibilidade para os licenciamentos necessários e cedência de terreno para a implantação da "Casa Sustentável Modelo Idanha", e até para que, eventualmente, possa lançar uma pequena produção agrícola. A casa constrói-se numa semana e custa entre 25 mil a 30 mil euros. Na sua construção são usadas técnicas ancestrais, como a madeira, o tabique (paredes divisórias de madeira e barro) e cortiça, o melhor isolante, que garante o conforto térmico da estrutura montada ao estilo pombalino, a chamada gaiola. Este foi o sistema escolhido pelo marquês de Pombal quando decidiu substituir as casas em ruínas da Baixa de Lisboa por casas duráveis e resistentes aos sismos. A técnica está comprovada e resiste até aos nossos dias desde 1755.
Esta foi a ousada proposta que o presidente da câmara de Idanha-a-Nova, Armindo Jacinto, resolveu apresentar aos milhares de portugueses e espanhóis que visitaram a XVII edição da Feira Raiana, que encerrou no passado domingo.
A primeira "Casa Sustentável Modelo Idanha", construída no recinto da Feira Raiana, foi a primeira a ser feita nestes moldes no país, tendo sido apreciada com grande interesse por milhares de visitantes do certame. A "Casa Idanha" foi pensada como habitação e local de trabalho, como sempre se fez no mundo rural desde a ancestralidade, onde homens e animais partilhavam o espaço ou se exerciam em simultâneo actividades produtivas ligadas à produção do leite, fumeiros e queijarias, por exemplo. Armindo Jacinto diz que esta é uma "proposta económica e ecologicamente sustentável que em muito pode dignificar o mundo rural".
A casa "está preparada para ser rentável porque a ela está associada uma cozinha para produção de bolos, compotas, enchidos ou queijos de modo tradicional, ou ainda oficina de artesanato, ou mesmo para turismo rural", explica Armindo Jacinto. O presidente da autarquia considera que este modelo se adequa muito bem às aldeias do concelho e ao respectivo ambiente rural.
A Câmara Municipal garante que depois se encarregará também de fazer os loteamentos necessários e praticar um preço especial nas taxas de licenças. Jorge van Kierken, da Zona Land, a empresa que construiu este primeiro exemplar disse ao i que se trata de uma construção "perfeita em termos de conforto térmico e sísmico, pois é mais resistente do que as casas de construção comuns, tendo igualmente maior durabilidade".
Van Kierken sublinha que, "enquanto uma casa de tijolo tem uma durabilidade de 70/80 anos, esta pode durar 300 a 400 anos, graças à protecção que lhe é dada pela cortiça, um material imputrescível".
Quanto ao mudar de vida radicalmente, o jornalista Jorge van Kierken, que abandonou Lisboa e se instalou em Marvão, onde construiu uma casa de palha, é o exemplo acabado de que o sonho é possível. "Procurávamos qualidade de vida", diz, sublinhando que descobriu depois que a solução tinha de estar dentro da própria casa. "A resposta já existia. As casas eram construídas assim ancestralmente. Só foi preciso sistematizar os conhecimentos disponíveis", afirma o jornalista, que destaca a necessidade da "diversidade" de métiers para quem se decide a mudar para o mundo rural.
"Neste momento, a Casa Modelo Idanha já é um negócio", admite, acrescentando que continua a ser um jornalista e não um construtor civil, ou pior ainda, um mero pato-bravo. A vida no mundo rural é hoje um sonho para o jornalista, e família, que recorda que está todos os dias com os filhos e que nunca precisou de os colocar num infantário.
"De início foi difícil, até perceber que tinha de exercer diversas actividades", afirma. Van Kierken passou da casa de palha, em Marvão, para o Modelo Idanha, e hoje é contactado por pessoas de todo o mundo que querem comprar o seu projecto de casa rural sustentável. O resultado superou todos os receios iniciais e, hoje, o jornalista está aberto à internacionalização, nomeadamente para África, desde que surjam parceiros credíveis.
Mais informação em:www.queridacasa.pt
Font:ionline