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  1.  # 61

    Leio aqui muita coisa, e na minha humilde opinião, a maior parte das coisas que aqui li parecem-me desculpas esfarrapadas. Ok, existem sempre circunstâncias "anormais" mas essas são bem entendidas quando existe uma comunicação saudável entre cliente e arquitecto.
    Agora um arquitecto fazer um projecto em CONJUNTO com o cliente, apresentá-lo para aprovação e ele chumbar, é directamente e inequívocamente imputável ao arquitecto, uma vez que perante o cliente é ele o responsável. Isto, claro, assumindo que não existem problemas que não foram comunicados ao arquitecto.

    A falando pelo meu caso pessoal, não posso deixar de estar muito desiludido com o investimento que fiz na arquitectura. Já nem falo do facto de os meus arquitectos desconhecerem a legislação, mas também porque por diversas vezes, o projecto apresentado ultrapassava, e muito, o orçamento estabelecido, o que resultava em trabalho adicional para os arquitectos que tinham de corrigir, e uma desilusão para nós clientes, que sentíamos cada vez mais a dificuldade em nos ser apresentado um projecto de arquitectura engraçado com o nosso orçamento estipulado (ao contrário do que nos foi dito de forma categórica na assinatura do contrato).
  2.  # 62

    Devia ter escolhido melhor o profissional, pode fazer queixa na ordem, há essa possibilidade também. vou fazer uma firma de advocacia contra contratos com arquitectos :) pelos vistos há muito mercado, não admira, assim como noutras profissões da Construção... nao me parece é que esse tipo de profissionais, arquitectos e todos outros intervenientes na Construção frequentem fóruns como este, pelo menos permaneçam cá
  3.  # 63

    Não que me tenham pedido a opinião, mas vou dá-la na mesma... por motivos profissionais lido com organismos oficiais há alguns anos, lidei também durante os últimos sete anos com problemáticas relacionadas com execução de obras e particularmente com questões jurídicas... e desculpem que vos diga nas questões rotineiras nenhuma das posições aqui expressas tem razão, ao longo dos anos vi projectos de arquitectura que só o eram porque estavam assinados por arquitectos de "renome", esses mesmos projectos durante a execução redundaram em sobrecustos brutais para os donos de obra, simplesmente porque em alguns casos o "arquitecto" se esqueceu que a menos de 20 cm da obra passava um rio e o projecto de contenção periférica estava previsto como se ao lado estivesse um monte de pedra (podem-me dizer que se trata de uma lacuna do projecto de estrutura, mas o cliente pagou ao arquitecto o projecto de execução e não o projecto de arquitectura) mas também vi muitas vezes o contrário... projectos irrepreensíveis a todos os níveis e que simplesmente não passam nas câmaras, porque o sr. funcionário da câmara faz uma interpretação absurda da lei ou regulamento municipal. Isto tudo para vos dizer que o problema - sob o meu estrito ponto de vista - não está no arquitecto, no cliente, no contrato de prestação de serviços ou no funcionário público - que mal sabe escrever, quanto mais interpretar seja o que for - está em leis e regulamentos tecnicamente mal feitos, cheios de redundâncias e de conceitos excessivamente amplos e abstractos, que permitem demasiadas interpretações a quem não tem capacidade intelectual para descortinar qual o sentido a aplicar, nem o sentido de dever publico de conseguir decidir qual o melhor interesse do munícipe e do município - não são todos, também já tive o prazer de trabalhar com funcionários públicos inexcedíveis, e já agora o problema também está em todos nós, que já achamos normal que licenciar seja o que for neste pais é um martírio e que esse martírio é uma fatalidade, que faz parte e achamos tudo isso normal... tudo isso no mesmo pais em que se adjudicam obras publicas de muitos e muitos milhões de euros - que somos nós que pagamos - em que o projecto da obra é um desenho - sim é mesmo um desenho - de um arquitecto - por sinal estrangeiro e relativamente bem cotado. Eu não acho de todo que o problema seja mesmo do arquitecto - refiro-me naturalmente ao que fez um único desenho de um obra que foi adjudicada - acho que é de quem manda e quem é mandado - nós todos - que não fazemos nada, preocupamo-nos em resolver o nosso problema e logo que o temos resolvido queremos mesmo é esquecer e seguir em frente, os que se seguirem que se desenrasquem, que o nosso problema já está resolvido …

    Já agora, nem sempre fui bem sucedida, mas consegui muitas vezes desbloquear problemas inultrapassáveis com uma simples pergunta - Não posso porquê? Será possível indicar-me qual a lei, decreto-lei, portaria ou regulamento onde está escrito que não é possível?
    Estas pessoas agradeceram este comentário: Pedro Barradas, AugstHill
  4.  # 64

    Colocado por: srmaJá agora, nem sempre fui bem sucedida, mas consegui muitas vezes desbloquear problemas inultrapassáveis com uma simples pergunta - Não posso porquê? Será possível indicar-me qual a lei, decreto-lei, portaria ou regulamento onde está escrito que não é possível?
    srma.
    Eu fiz essa pergunta a uma senhora-arquitecta numa Câmara que me disse que o projecto de alterações que eu pretendia executar numa moradia só seria aprovado «por cima do cadáver dela» (apesar de cumprir todos os preceitos legais, se integrar perfeitamente no urbanismo envolvente, etc. etc.), e - claro - não obtive resposta!

    Não foi por cima do cadáver da senhora-arquitecta, mas quase. No mesmo dia marquei uma reunião com o presidente da Câmara (é a enorme vantagem dos pequenos municípios), que convocou o chefe da dita senhora-arquitecta, e ficou logo ali decidido que se eu metesse aquele projecto para avaliação dos serviços técnicos da Câmara seria obviamente aprovado.

    Aqui entre nós... o que é que acham que a senhora-arquitecta estava à espera? Talvez que eu lhe pedisse que me indicasse "alguém" que me fizesse o projecto de forma a que ele fosse aprovado?? ;-)
  5.  # 65

    Isso mesmo Luis! Já vi que me percebe!
  6.  # 66

    mais ultrajante é trocarmos arquitecta por desenhador ou topografo com assinatura de favor de eng. , em câmaras pequenas é só trocar o titulo vai tudo dar ao mesmo, o poder cria vícios do sr. doutor ao indivíduo da 4a classe, e a legislação que existe parece ser feita cada vez mais para dar mais poder a essas pessoas, legislação vaga diferente de municipio para municipio...vou mas é voltar para a ilha, epa tou muito pessimista...não pode ser...vou ali inspirar me nos slogans/outdoors das autárquicas
  7.  # 67

    •  
      FD
    • 3 julho 2009

     # 68

    Já por aqui tinha sugerido que deveria existir uma provedoria dos municípios...
  8.  # 69

    se fossem só essas obras lobito, o distrito da guarda e viseu estão repletos de belos exemplares desses, e o problema é que antes de aparecem essas obras, estavam no seu lugar belas casas de arquitectura tradicional.
  9.  # 70

    Colocado por: FDJá por aqui tinha sugerido que deveria existir uma provedoria dos municípios...


    não me parece que fosse suficiente FD, isto tinha de mudar muito, eu sou a favor da centralização no campo dos processos de licenciamento e legislação, mas uma centralização com meios e pessoas experientes, e que funciona-se bem, não a conta gotas, não sei, é a minha ideia neste momento, este pais dividido em feudos é que não me parece mesmo nada bem.
  10.  # 71

    Colocado por: Fernando Gabrielse fossem só essas obras lobito, o distrito da guarda e viseu estão repletos de belos exemplares desses, e o problema é que antes de aparecem essas obras, estavam no seu lugar belas casas de arquitectura tradicional.


    Então eu não sei. Essa foi uma das razões porque eu me amandei cá para baixo. Há menos pressão demográfica logo há menos "renovações" intempestivas, a arquitectura, e o território, são menos bonitos portanto também sofrem menos com os atentados que lhes fazem... e se a terra dos outros for estragada, eu não sofro tanto!
  11.  # 72

    Colocado por: lobito
    Colocado por: Fernando Gabrielse fossem só essas obras lobito, o distrito da guarda e viseu estão repletos de belos exemplares desses, e o problema é que antes de aparecem essas obras, estavam no seu lugar belas casas de arquitectura tradicional.


    Então eu não sei. Essa foi uma das razões porque eu me amandei cá para baixo. Há menos pressão demográfica logo há menos "renovações" intempestivas, a arquitectura, e o território, são menos bonitos portanto também sofrem menos com os atentados que lhes fazem... e se a terra dos outros for estragada, eu não sofro tanto!


    Eu qualquer dia fujo para uma ilha deserta :) longe desta doideira volto para a ilha como na série lost ai ai
  12.  # 73

    Colocado por: marco1

    outra coisa: a coordenação e gestão dos proj. pressupoe logicamente a compatibilização dos projectos, não percebo porque são descritos dois intens.


    Já agora, para pedir orçamentos de especialidades, é necessário fornecer que dados às empresas de engenharia? Eu apenas dei a área e localização do imóvel. Ou isso é algo que apenas os arquitectos podem pedir? É que embora o arquitecto com quem tenho falado já falou com outra empresa que desceu o preço em cerca de 1000€, ainda acho um valor muito exagerado (cerca de 5000€ só com taxas em alguns dos projectos, mas com certificação energética incluída). Que vos parece?
  13.  # 74

    É que embora o arquitecto com quem tenho falado já falou com outra empresa que desceu o preço em cerca de 1000€, ainda acho um valor muito exagerado (cerca de 5000€ só com taxas em alguns dos projectos, mas com certificação energética incluída). Que vos parece?


    Bom dia. Antes de mais um comentário ao preço que o arqtº lhe pediu, pessoalmente não me parece exagerado, nós como empresa de casas de madeira trabalhamos em conjunto com alguns arquitectos e engenheiors, e posso dizer que é em média os valores que pagamos. E já consultamos muitos arquitectos.
    Isto foi uma questão, a outra é apenas um comentário, ou desabafo se assim se quizer; não aprecio muito este facto das pessoas discutirem por tudo e por nada(não é só aqui no fórum) os preços que outros praticam, alegando muitas vezes que encontram mais barato, que os estão "roubar",etc...etc...na minha opinião há sempre solução, é contactar outras empresas e outros arqts, engenheiros etc... as pessoas não podem colocar em causa os valores que cada um pede, ou aceitam ou não, muitas vezes vir a este espaço colocar isso em equação não me parece muito correcto. Se acham caro... o mercado é livre e cada um tem a possibilidade de escolher e analisar. Alguém neste momento, por ex. se preocupa em fazer manifestações e boicotes ao ROUBO que estamos todos a ser alvo, o preço dos combustiveis? um ex. da Empatias, estamos em fase de recolha de orçamentos para a instalação de painéis solares e piso radiante e aquecimento de piscina, e os orçamentos que já recebemos estão fora do orçamentado para a obra. Agora cabe-nos a negociação.
    Por favor, eu ainda sou daqueles que acho que cada um pede o que entende e acha que merece para os serviços que presta. Não andemos sempre a contestar os preços dos gabinetes, negociar é a palavra de ordem, e o contacto com outros gabinetes é fundamental.
    Atentamente
  14.  # 75

    Obrigado pelo comentário. De facto, sendo uma profissão liberal, cada um cobra o que quer, mas há preços e preços e se eu poderei eventualmente concordar com o preço do arquitecto, já poderei não concordar com o preço das engenharias e por isso mesmo uma das minha perguntas: se apenas o arq pode pedir orçamentos para as especialidades. É que estamos a falar de um valor de 9000€ (arq)+ 5000€ (espec). + o iva correspondente...
    Pedia também uma resposta relativamente à outra questão da gestão vs compatibilização dos projectos
  15.  # 76

    Caro Gonçalo...
    a coordenação de projectos é inequivocamente também a compatibilização de TODOS os Projectos.... a gestão de projectos, é que eu não sei o que é?!!
    Quanto aos honorarios.. realmente o empatias, tem razão...
  16.  # 77

    Olá Pedro,
    De facto, agora nesta 2ª leva o arq. já não fala em gestão, apenas em coordenação e compatibilização. A coordenação são as reuniões entre arquitectos e engenheiros para discussão, análise, esclarecimentos e organização para entrada na CM. A compatibilização é a confirmação por parte do gabinete de arquitecto se as soluções técnicas das especialidades respeitam as soluções arquitectónicas. A questão é que como primeiro se faz a parte de arquitectura e só meses depois entra a parte de especialidades, a "compatibilização" vai ver se tudo encaixa bem (estabilidade, pilares e vigas...). Diga-se de passagem que para cada um desses dois são-me pedidos 450€ e 550€.
  17.  # 78

    ... esse trabalho de compatibilização, também faz muitas vezes, alterar pequenos detalhes das soluções preconizadas na arquitectura... pelo que, pelo menos o Projecto que irá para a obra deverá ir já com essas correcções... esses €€€ servem para isso...
    Eu costumo englobar essa parcela na arquitectura (inclui a coordenação de todos os projectos), não cobrando à parte... também é regra as especialidades serem todas adjudicadas a minha empresa... "Pacote" completo.

    ainda só tivemos uma situação em que as especialidades foram ajdudicadas fora... directamente pelo dono de obra...e claro está... ZERO compatibilização ( ainda por cima os projectos foram adjudicados avulso a uma série de Engºs diferentes...) ASSIM NUNCA MAIS...
  18.  # 79

    Ou seja, Pedro, parece-lhe legítimo a cobrança dessas duas partes em separado?

    E, para estar tudo em ordem tem de ser o próprio Arq a contratar as especialidades e não o dono da obra...?
  19.  # 80

    Gonçalo..
    Q quer que lhe diga?!... cada um faz o negócio à sua maneira.. eu faço o meu desta. É legitimo outros fazerem doutra.. desde que tudo esteja devidamente explicado no contrato/ proposta de honorários.
 
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