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      FD
    • 8 Dezembro 2006

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    Compra casa no centro da cidade é o desejo da maioria dos jovens do concelho. Contudo, o elevado preço dos imóveis é, para muitos, um factor impeditivo da realização de um sonho. De acordo com alguns promotores imobiliários, a realidade do mercado da habitação na cidade pode ser explicada pelo avultado custo dos terrenos e também pela reduzida oferta de casas para venda. Razões que fazem de Espinho uma cidade cara para se viver, e que não estará, por isso, acessível ao bolso de todos.

    Um apartamento T2, num edifício construído de novo no centro da cidade, pode atingir valores que rondam os 130 e os 150 mil euros. Se falarmos num apartamento com a mesma tipologia, mas já com alguns anos e anteriormente habitado, os valores descem, naturalmente, mas cifram-se quase sempre acima dos cem mil euros.

    Em comparação, verifica-se que em localidades como Esmoriz, S. Félix da Marinha, Nogueira da Regedoura ou S. Paio de Oleiros, e são apenas alguns exemplos, o preço médio de um apartamento com semelhantes dimensões, nunca ascende às centenas de milhar. Por 75 ou 85 mil euros é possível comprar casa numa destas localidades, usufruindo muitas vezes de melhores condições, tanto no interior da habitação, como no espaço exterior envolvente.

    Mas, o que faz com que o preço da habitação em Espinho seja tão caro? Porque é que viver no centro da cidade se tornou um luxo que não está ao alcance de todos? Uma das explicações é dada pela directora da Era Imobiliária, que preferiu manter o nome em anonimato. Segundo a promotora, existe alguma especulação, por parte dos proprietários, quanto ao preço das habitações que colocam à venda. “As pessoas acham que, pelo facto de um apartamento estar no centro de Espinho, isso é logo uma mais-valia muito grande que vai justificar o elevado preço que apresentam no mercado”. Mas nem sempre será assim. Conforme nos explicou a directora daquela imobiliária, no caso dos apartamentos usados, que por vezes são imóveis já com 20 ou 30 anos, com áreas pequenas e com necessidade de obras profundas, o preço de venda encontra-se, muitas vezes, bastante acima do preço real. Uma situação que pode ser justificada pelo facto das pessoas acharem que, sendo Espinho uma cidade pequena, tranquila, com alguma qualidade de vida e onde toda a gente se conhece, isso pode, por si só, fazer elevar bastante o valor da habitação. Conforme nos confidenciou a promotora imobiliária, os proprietários, por vezes, sentir-se-ão mesmo ofendidos quando as agências avaliam o imóvel e sugerem um preço de venda abaixo daquele que é pretendido inicialmente.

    Quando interrogada relativamente à posição que assume face aos preços que são praticados em Espinho, no que toca o mercado imobiliário, a representante da Era é peremptória em apor-se a esta tendência, que considera especulativa. “Espinho é uma das cidades mais caras do país para se viver. Aqui, o preço do metro quadrado é quase tão caro como em algumas zonas do Porto ou de Lisboa. E eu acho que isso não se justifica nem de longe, nem de perto. O centro de Espinho não tem muita construção nova e depois a cidade também não tem muito por onde crescer”, afirma.

    Preços reflectem as leis do mercado

    Opinião um pouco diferente é defendida por José Macedo Costa, da Real Casa, que afirma não existir propriamente especulação imobiliária na cidade. Segundo este promotor, o preço elevado da habitação justifica-se pelo alto valor dos terrenos. E neste caso, como o próprio garante, está-se perante “a lei do mercado”. Por outro lado, acrescenta, “no centro da cidade há pouca oferta de casas”, o que vem também justificar o elevado preço das mesmas, se atendermos, uma vez mais, à lei da oferta e da procura.

    José Costa dá um exemplo: “uma casa velha e a cair, no centro de Espinho, pode custar cerca de 450 mil euros. Neste caso, o que vale não é o edifício em si, que muitas vezes está em tão mau estado que nem dá para requalificar, mas o terreno.” E como há poucos terrenos disponíveis para construção no centro de Espinho, assim se explica como a sua aquisição se torna tão dispendiosa e, consequentemente, como as casas vão atingir valores de tal ordem exorbitantes.

    No entender do responsável da Real Casa, a solução passaria por uma maior intervenção da Câmara Municipal e das Fianças, que deveriam criar mecanismos para exigir aos proprietários dos prédios velhos e devolutos, a sua requalificação para habitação, ou, quando assim não der, a sua demolição. “Contam-se pelos dedos das mãos os prédios antigos que estão à venda em Espinho. Há muitos por aí abandonados mas que não estão disponíveis para serem negociados”, comentou. Ora, na opinião de José Macedo Costa, havendo mais oferta de terreno na cidade, os preços da habitação terão necessariamente que descer.

    Uma outra questão é sugerida por António Costa, da Universal Gest. De acordo com este empresário do ramo imobiliário, Espinho é um sítio caro para se viver, por ser uma cidade pequena e onde não se permite um crescimento para as freguesias. “Há uma porta que se fecha em volta da cidade e que ninguém quer abrir”, argumenta. Da mesma forma, acredita que o poder local tem alguma culpa no meio desta situação, e defende que o PDM deveria prever mais construção nas freguesias, nomeadamente nos terrenos considerados de exploração rural e que se encontram ao abandono. “Há um estancamento da habitação em Silvalde, por exemplo, e cabe à autarquia mudar a situação”, acrescentou.

    Fuga dos jovens para a periferia

    Uma das consequências directas do elevado custo da habitação em Espinho é a fuga dos jovens para as localidades vizinhas. “Muitos preferem ir para Esmoriz ou para S. Felix da Marinha porque lá encontram melhores preços e melhores condições”, comentou a directora da Era, explicando que, a somar aos custos incomportáveis dos imóveis, há também por vezes falta de condições, em alguns edifícios antigos, e que são consideradas essenciais, como sejam a existência de elevadores e lugares de garagem. O transporte dos carrinhos de bebé e o aparcamento dos automóveis são, pois, algumas das preocupações dos casais mais jovens, que optam assim por sair da cidade, em busca de uma melhor relação no binómio preço/qualidade.

    Relativamente aos poucos jovens que ainda vão elegendo Espinho como o local para comprar casa e viver, António Costa defende que, nestes casos, se trata de pessoas mais endinheiradas, que por vezes recebem um apartamento como prenda dos pais. Pois quanto aos restantes, conforme afirmou, “estes não terão outra hipótese senão fugir da cidade”.

    Rolando Sousa reflecte sobre o preço da habitação

    “Espinho tem procura porque tem qualidade”

    Na opinião de Rolando Sousa, vereador da câmara municipal, não se poderá dizer que Espinho seja alvo de especulação imobiliária. O que acontece, isso sim, é que o preço da habitação é bastante elevado, resultado das leis de mercado que têm como indicadores a oferta e a procura. “Não se pode afirmar que haja especulação imobiliária em Espinho porque não há grandes construções, aliás umas das coisas de que a cidade é acusada é de ter um formato de construção relativamente baixo”, afirma. Em seu entender, este é também um factor que permite uma certa qualidade urbana na cidade, aliado aos critérios de construção que se impõem à habitação em Espinho. “ Se os preços são altos é porque Espinho tem procura e se tem procura é porque tem qualidade”, defende o autarca.

    Relativamente à situação da fuga de jovens para as localidades próximas, Rolando Sousa relembrou que há uns anos atrás foram construídas várias habitações destinadas exclusivamente às faixas etárias mais baixas e que estas foram comercializadas ao preço de custo. No entanto, na altura não terá aparecido um número suficiente de jovens interessados, pelo que a autarquia se viu obrigada a vendê-las a quem as quis comprar. O objectivo, sublinhou, “não era ficar com elas para arrendar e obter lucro”.

    Entretanto, o vereador da Câmara já fez saber que o actual PDM, que ainda não foi aprovado, prevê a possibilidade de construção em alguns terrenos classificados como rurais, onde antes não era permitido construir. De qualquer forma, conforme realçou o vereador, “o que se prevê para estes terrenos são habitações com determinadas características, mas nunca será uma possível fazer uma construção intensiva”.

    A habitação a custos controlados, nomeadamente em Paramos, é outro dos projectos camarários que está prestes a arrancar, estando o início das obras previsto pela autarquia para o começo de 2007.

    Ana Luísa Dias

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