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  1.  # 1

    Boas. Pelas "postas" que vou lendo no fórum, e vendo diariamente aquilo que acontece na minha actividade profissional, constato que pessoal queixa-se da falta de cuidado no dimensionamento bem como na prescrição de materiais.
    Na minha parte (vidro) 90% do projectado está mal... Alias, muito mal. Completamente desfasado daquilo que o cliente pretende, sendo que normalmente nem é executável.
    Os cadernos de encargo são uma verdadeira anedota :-)

    E o resto das "artes" acontece o mesmo?
    Digam de vossa justiça :-)
  2.  # 2

    se a sua área é vidro aproveito para lhe colocar a seguinte equação:

    dado a - edifício de habitação com inércia fraca;
    dado b - vãos a nascente, sul e poente

    dúvida - que vidro colocar, controlo solar ou baixo emissivo (ou outro)?

    e não, não é para o testar, é mesmo uma dúvida.
  3.  # 3

    Boa pergunta eh eh
    Inércia fraca trás algumas complicações. O edifício fica muito mais sujeito às flutuações de temperatura no exterior.
    Com os dados que me deu era:
    Fachadas sul, poente e nascente: Vidro com controlo solar + baixo emissivo ( se bem que o controlo solar com recurso a dispositivos de sombreamento não era mau pensado. Facilitava bastante os ganhos solares no inverno. Melhor opção na minha opinião, mas como pediu vidro)
    Fachada norte: baixo emissivo sem sombra de duvidas.
  4.  # 4

    fachada norte não tem vãos...
    se tiver estores exteriores de lâminas orientáveis poderei optar simplesmente por um control solar+float?

    já agora tem ideia da percentagem de preço entre um baixo emissivo/control solar/float?
    •  
      alv
    • 30 setembro 2011 editado

     # 5

    Vivam1

    Como ninguém liga népias aos meus registos da Temperatura e Humidade, mesmo eu estou com pouca paciência para os analisar, cá vai:

    Sendo eu doutra área especifica, "dos Pladures", nem imaginam os cadernos de especificações que me chegam à mão. Tenho mesmo uma pasta de disparates a que dei o nome "Pérolas". Nem me atrevo a levantar a lebre dos últimos tempos com os absurdos do PE.....

    Quanto à dúvida do capela, embora discorde dos argumentos para justificar o vidro dados pelo capela, concordo com a solução, mas ressalvo que além do vidro, em inercias fracas o próprio RCCTE condiciona as protecções solares que têm, obrigatoriamente, de ser pelo exterior.

    "Fassam" parte.
  5.  # 6

    Colocado por: alvVivam1

    como ninguém liga népias aos meus registos, mesmo eu estou com pouca apaciencia para analisar, cá vai:

    Sendo eu doutra àrea especifica, "dos Pladures", nem imaginam os cadernos de especificações que me chegam à mão. Tenho mesmo uma pasta de disparates a que dei o nome "Pérolas". Nem me atrevo a levantar a lebre dos últimos tempos com os absurdos do PE.....

    Quanto à dúvida do capela, embora discorde dos argumentos para justificar o vidro dados pelo capela, concordo com a solução, mas ressalvo que além do vidro, em inércias fracas o próprio RCCTE condiciona as protecções solares que têm, obrigatóriamente, de ser pelo exterior.

    "Fassam" parte.


    acho que deve alertar para as coisas incorrectas para que possam ser feitas melhor no futuro... portanto porque não "desbobinar"? :)

    diga lá porque discorda dos argumentos... gosto de ouvir boas explicações.
    •  
      alv
    • 30 setembro 2011

     # 7

    Vivam!

    Não vou desbobinar porque já por aqui desbobinamos tanto sobre o assunto que seria mais do mesmo, mas tema apenas a ver com a afirmação perentória de que os edificios com inércia baixa estão mais sujeitos a flutuações, o que para mim é como aquela verdade da garrafa meia cheia e meia vazia, mas por favor, não vamos por ai.
    Estamos a falar de projectos, sobretudo de projectos, normalmente grandes e que envolvem especialidades. Falou o Capela nos vidros que conhece, eu dos gessos laminados, já todos sabemos dos AVAC´s pelo que diz a imprensa e se dizia à boca fechada. Eu pelo menos já por aqui escrevi sobre o assunto, mas vamos ver o que dizem outros, os dos canos, dos revestimentos, das próprias caixilharias, vá lá, maldigam.
    "Fassam" parte
  6.  # 8

    No meu caso (carpintaria e mobiliário), e falando directamente dos cadernos de encargos que recebo (elaborados pelos arquitectos), de uma forma generalizada acho que cada vez são mais cuidados e perceptíveis, acompanhados (falando deste ultimo) de pormenores e 3d em que, quer os diversos profissionais quer o cliente ficam a ter a noção exacta de como ficará o trabalho final.

    O problema são os materiais mencionados que por vezes fazem disparar os orçamentos, quando existem alternativas mais económicas e na mesma funcionais. Dou-vos um exemplo " painéis de parede em contraplacado marítimo" muitos m2 e um desperdício a nível de placas a rondar os 30% sabendo que as placas teem 250*125. Cumpre-se rigorosamente o caderno de encargos, com base em toda a descrição, se o cliente não for informado pelo arquitecto das vantagens e desvantagens de se usar determinado material e diferença de preços, estamos sujeitos a ser insultados de "ladrões", sem culpa nenhuma. Isto para não falar em "artistas" que "esquecem" determinados materiais mencionados nos cadernos de encargos, apresentando contas mais baratas, e espetam com outro material, ninguém repara, e siga a marinha...
    A nova geração de arquitectos é sem dúvida muito fácil de trabalhar, gostam de aprender com os profissionais e entender como determinado trabalho é executado, aceitando opiniões técnicas de quem sabe executar. E é assim que tem de ser, numa obra existem uma série de profissionais (equipa) com um objectivo que é melhor execução possível de todos os trabalhos tendo como fim a satisfação total do cliente, sempre na base do diálogo e aprendizagem. Não tenho problemas nenhuns, caso veja algum pormenor que sei que não irá funcionar ou que ficaria melhor de outra forma, em confrontar o arquitecto. Cabe ao mesmo aceitar ou não. Só tive uma situação caricata com um arquitecto (da velha guarda), em que liguei a informar que determinado pormenor num desenho de um móvel por ele desenhado não iria funcionar, quando tentei explicar ele perguntou-me "Tem aí o projecto não tem? Então cumpra o que está aí!", cumpri o que estava lá, não funcionou e foram debitados custos adicionais desnecessariamente, e tudo por falta de diálogo e arrogância. Foi um caso isolado.
    Concordam com este comentário: alv, Anonimo16062021, dutilleul
    Estas pessoas agradeceram este comentário: alv, naar
    •  
      alv
    • 30 setembro 2011 editado

     # 9

    Vivam!
    Partilho inteiramente da opinião do Lucilio. Passa-se exactamente o mesmo na minha área.
    Sobretudo nas obras particulares e pequenas, porque em concursos públicos a história é outra, porque por trás disso há jogadas que só os intervenientes dominam.
    "Fassam" parte
    Concordam com este comentário: Lucilio
  7.  # 10

    Colocado por: nnogueirafachada norte não tem vãos...
    se tiver estores exteriores de lâminas orientáveis poderei optar simplesmente por um control solar+float?

    já agora tem ideia da percentagem de preço entre um baixo emissivo/control solar/float?

    Se tiver isso pode ter apenas um vidro baixo emissivo, quando quiser limitar os ganhos solares fecha os estores. O vidro de controlo solar por si só não garante aquilo que o RCCTE exige para edifícios de inércia fraca.
    Alv, eu não quis dizer que a inércia térmica fraca é sempre má. Numa casa com pouca ocupação ( férias) não queria inércia forte:-). Poderão haver algumas nuances que não entrei em linha de conta quando falei das flutuações, pois isto depende para além da capacidade dos elementos absorverem calor, também da capacidade de o reter.



    Depende de algumas situações.
    • Lurgee
    • 1 outubro 2011 editado

     # 11

    Tenho a seguinte proposta de vidro, e partilho de algumas dúvidas:

    DESIGNAÇÃO<> T. Luminosa<> Factor Solar<> Coeficiente U
    "Vidro Duplo Climalit (tradicional)
    Planilux 6mm (recozido) + cx.12mm + Stadip incolor 44.1 (laminado)" <>79<> 73%<> 2,8 W/m2 ºk

    Vidros neutros (incolores) com isolamento termico e control solar
    "Vidro Duplo Climalit
    Planitherm Total 6mm temperado + cx. 12mm + Stadip Incolor 44.1 (laminado)" <>76%<> <>55%<> 1,6 W/m2 ºk

    "Vidro Duplo Climalit
    Cool Lite SKN 174 6mm temperado + cx. 12mm + Stadip Incolor 44.1 (laminado)" <>66%<> <>42%<> 1,6 W/m2 ºk

    "Vidro Duplo Climalit
    Cool Lite SKN 165 6mm temperado + cx. 12mm + Stadip Incolor 44.1 (laminado)" <>59%<> <>33%<> 1,6 W/m2 ºk

    "Vidro Duplo Climalit
    Cool Lite SKN 154 6mm temperado + cx. 12mm + Stadip Incolor 44.1 (laminado)" <>49%<> <>28%<> 1,6 W/m2 ºk

    T. LUMINOSA - Fluxo luminoso transmitido
    FACTOR SOLAR - Quantidade total de calor que passa através do vidro (directa + radiante).
    COEFICIENTE U - Quantidade de calor que em regime permanente atravessa o vidro na unidade de
    tempo, por unidade de superfície e por unidade de diferença de temperatura entre os ambientes de um lado e outro do vidro.
    Vidro temperado: vidro sujeito a um tratamento térmico de reforço aumentando significamente a sua
    resistência mecânica. A sua fragmentação fina permite considera-lo como um produto de segurança."
    Vidro laminado: montagem de diversos diversos recozidos com ajuda de intercalares plásticos.


    As grandes áreas de vidro estão a Sul. Que vidro colocar?
    A Norte pequenas àreas. Que vidro colocar?
    Tenho duas Claraboias. Que vidro colocar?

    Se colocar estores exteriores muda alguma coisa?

    Obrigado

    ps: peço desculpa estar a fugir ao tema. Mas estou a aproveitar as questões anteriores. E a opinião do Capela ou outros da àrea.
  8.  # 12

    Colocado por: Lucilio ... e um desperdício a nível de placas a rondar os 30% (...). Cumpre-se rigorosamente o caderno de encargos, com base em toda a descrição, se o cliente não for informado pelo arquitecto das vantagens e desvantagens de se usar determinado material e diferença de preços, estamos sujeitos a ser insultados de "ladrões", sem culpa nenhuma.

    Ao ver alguns cadernos de encargos, até fico a pensar que alguns arquitectos têm interesse em que as obras fiquem mais caras do que poderiam ficar.

    Quanto aos arquitectos da nova guarda e da velha, concordo. É mais fácil trabalhar com os da nova.
    Mas deviam ter mais atenção às limitações da bolsa do dono de obra... (por exemplo: ainda não percebo a mania de impingir ao dono de obra portas com 2,50x0,90m, ou mesmo com 2,505x1,425m - reparem nos milímetros).
  9.  # 13

    Ao ver alguns cadernos de encargos, até fico a pensar que alguns arquitectos têm interesse em que as obras fiquem mais caras do que poderiam ficar.


    Penso que parte da questão reside no facto de os arquitectos encararem a obra como a sua montra - o que é perfeitamente natural. Suponho que será necessário algum tempo de actividade e alguma experiência para atingir o ponto de equilíbrio entre a satisfação das exigências do dono da obra e as do arquitecto enquanto autor do projecto.

    A qualidade dos projectos é, em geral, medíocre - sejam eles quais forem, arquitectura ou engenharia.
    Concordam com este comentário: Pedro Barradas, eu
    • eu
    • 1 outubro 2011

     # 14

    Colocado por: j cardosoA qualidade dos projectos é, em geral, medíocre - sejam eles quais forem, arquitectura ou engenharia.
    É para não destoarem do País...
  10.  # 15

    Os arquitectos são a classe que mais mama nas obras.
    Conheço N situações em que construtor serve apenas para o alvará, pois o arquitecto é que constrói.
    Eles definem os materiais onde vão buscar comissão, nem sempre os melhores.
    • naar
    • 1 outubro 2011

     # 16

    Colocado por: Capela86Os arquitectos são a classe que mais mama nas obras.
    Conheço N situações em que construtor serve apenas para o alvará, pois o arquitecto é que constrói.
    Eles definem os materiais onde vão buscar comissão, nem sempre os melhores.


    Não generalize!

    Eu por acaso conheço um que é realmente assim e descarado!

    Mas conheço outros que não o são!

    Inclusivamente tive um que me pediu orçamento para um jardim de infância e no final "obrigou-me" a entregar a proposta ao cliente!
  11.  # 17

    Eu conheço poucos que não são :-)
  12.  # 18

    Colocado por: Capela86Eu conheço poucos que não são :-)

    Eu, aqui , tenho a dizer que com a malta da «nova guarda» não me tem aparecido nenhum desses a querer ganhar em vários carrinhos (do dono-de-obra, do empreiteiro e dos fornecedores de materiais) há uma boa dúzia de anos !

    (também, comigo, e com a fama que tenho, eles saberiam logo que o dono-de-obra o iria descobrir de uma maneira ou de outra... LOL!)
    Concordam com este comentário: alv
  13.  # 19

    Os Mestres Trolha?

    LOL (a pesca correu mal, alguém tem de pagar)
  14.  # 20

    Eles no inicio nunca são.
    São muito humildes e gostam de aprender, mas depois apanham a "doença" :-)
 
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