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  1.  # 1

    Venho aqui deixar o meu testemunho de um verdadeiro calvário à moda portuguesa.

    Regressei do Reino Unido há algum tempo, depois de ter vivido lá praticamente toda a minha vida adulta. Sempre me senti português, mas lidar com a “vida adulta” em Portugal tem sido um choque cultural absoluto. A sociedade britânica é, na generalidade, mais honesta, mais fiável e mais alinhada com o princípio básico de que a palavra tem valor. Aqui, quase tudo é mais difícil — e nem sempre por falta de recursos, mas sim por causa da mentalidade do chico-esperto, irresponsável, preguiçoso e/ou incompetente e, muitas vezes, mentiroso.

    E por onde começa este regresso tão desejado? Como muitos, pela casa para a família. E é aí que o inferno se abre.

    Começou com o sonho de construir a nossa casa. Perdemos quase três anos — ainda eu vivia no Reino Unido — no processo de licenciamento. Burocracias criadas para trazer ordem acabam por gerar desordem, com controlos excessivos (no papel e para ficar no papel), práticas desfasadas com o que a realidade exige e uma gestão de recursos miserável. O arquiteto cometeu erros que atrasaram ainda mais o processo, tentou disfarçar, empurrar para debaixo do tapete… mas seguimos em frente.

    Chegada a altura de construir: tudo aprovado, era “só” conseguir orçamentos. Passei meses nisso, literalmente. Telefonemas atrás de telefonemas. Mentiras contínuas. Pedi centenas de orçamentos — sem exagero. A maior parte dizia "para o mês que vem", “para a semana”, depois “amanhã”, depois deixavam de atender. Atendiam se eu ligasse de outro número mas ofendiam-se quando confrontados. No meio disto tudo, apenas um teve a decência de dizer que não tinha disponibilidade para fazer orçamento. Um. Em mais de 100.

    Depois de meio ano a lutar, lá consegui meia dúzia de orçamentos. Quando tentava adjudicar, desapareciam. Deram orçamento, mas não tinham qualquer intenção ou disponibilidade para executar. Adjudiquei a parte estrutural a um — desistiu quando finalmente consegui falar com ele através de outro número. Outro, mais caro, desistiu porque percebeu que os projetos não estavam alinhados e que correria o risco da obra ser embargada. Apresentei o problema ao engenheiro civil e ao arquiteto — empurram responsabilidades, dizem que “é o empreiteiro que resolve em obra”. Cansei-me desta gente.

    Percebendo que isto era só o começo de uma longa tortura, desisti da construção e decidi comprar uma casa nova já pronta. Pensei eu que seria um plano melhor para a nossa saúde mental, apesar de não ser a casa que nós idealizamos.

    Comprei a uma jornalista de TV que, como muitos, viu na construção uma forma rápida de ganhar dinheiro, em parceria com empresas, mas dissimulando tudo como auto-construção para habitação própria, sem atividade aberta.

    Enganei-me...

    - Dois vidros do guarda-corpos da varanda caíram inteiros — um deles quase em cima da minha esposa. Isto porque não foram instalados em segurança. Quando confrontei o vidraceiro e a vendedora, culparam-se mutuamente. Ele mostrou conversas onde ela lhe pressionava para cortar custos. Ela dizia que ele é que tinha obrigação de garantir segurança.

    - Os degraus de madeira maciça de carvalho afinal são lenha embrulhada numa folha de carvalho — gato por lebre.

    - As portas lacadas em branco ficaram cor-de-rosa em meses.

    - O muro de contenção está todo fissurado. Investigando, descobri que foi feito sem qualquer projeto, embora seja obrigatório por lei. Ninguém sabe se o muro aguenta as terras. O engenheiro que assinou a obra diz que é tudo normal, mas opiniões independentes discordam.

    - A terra do exterior foi mal compactada e os pavimentos exteriores foram feitos pelo pai reformado da senhora, o famoso “faz-tudo”. Resultado? Tudo a ceder. Pavimentos partidos, fissuras no pavimento, poças de água por todo o lado quando chove, pendentes mal feitas, risco de entrar água para dentro da casa. A casa está numa rampa — em projeto deveria ter um degrau na entrada perimetral que funcionava como barreira. O “faz-tudo” achou que sabia mais que os engenheiros e eliminou-o e criou pendente da rua para o interior: “eles não percebem nada”. Agora fico eu com o risco de a água entrar pelo portão.

    - A casa das máquinas tem paredes tortas, capilaridade, foi feita sem cobertura, com chuva e condensação a cair sobre a instalação elétrica e máquinas. Quem construiu? O faz-tudo.

    - As janelas deixam entrar água da chuva e vento. O serralheiro diz sempre o mesmo: “é normal”. Estores rompidos em meses — “normal”.

    - Canalização: fugas, tubagens mal apertadas, silicones mal aplicados. Canalizador este que marcou comigo várias vezes para instalar os toalheiros e nunca apareceu, sem sequer avisar. O mesmo que se "confundiu" quando eu tive uma das fugas e nem me atendeu o telefone depois de eu lhe ter enviado uma mensagem a explicar o problema, que ficou sem resposta.

    A lista continua, e muito. E há vários contornos e detalhes que ficam de fora.

    O nível de incompetência é grande e ninguém quer assumir responsabilidades. Estão todos à espera que eu desista, porque os custos judiciais são altos e demorados. E quando a justiça os obriga a corrigir e indemnizar, e os custos são altos, simplesmente abrem falência e abrem outra empresa com nome parecido no dia seguinte. Sim, porque abrir falência é fácil já que também não faturam quase nada.

    É telefonema atrás de telefonema ignorado. Mentiras, desculpas, culpas empurradas de um para o outro. E eu pergunto: não há gente honesta na construção civil em Portugal? Até agora, eu não encontrei uma única pessoa que realmente honre a palavra dada.

    Já teria avançado judicialmente contra alguns destes artistas, mas infelizmente, a única pessoa contra quem posso avançar diretamente é a tal jornalista — e, apesar de ter culpa em alguns destes problemas (por exemplo ao colocar o pai faz-tudo que não sabe fazer nada a terminar a obra), tem pelo menos mostrado disponibilidade para tentar resolver parte destes problemas. Mas estamos a avaliar, como os problemas estão constantemente a aparecer, será mais eficiente ir pela via judicial com uma lista de todos os problemas identificados.

    Este é um desabafo. Uma frustração profunda com a cultura que reina na construção civil em Portugal. A desonestidade, a incompetência, a falta de atenção ao detalhe e gosto pelo trabalho, a mentira e a esperteza saloia dominam o setor. Está tudo só a tentar enriquecer rapidamente. Claro que não serão todos iguais, mas os honestos e competentes são uma minoria quase simbólica que estão virtualmente fora do mercado porque já trabalham com os cliente de sempre.

    Tenho uma opinião muito bem formada sobre a razão de existir tanta incompetência e desonestidade, especialmente na construção civil, mas vou guardá-la para mim, para manter este texto politicamente correto. A verdade é que a maior parte desta gente da construção não merece usufruir do boom que estão a passar — quem realmente merecia já vive fora de Portugal há muitos anos. Peço desculpa aos poucos que são bons e honestos e que merecem.

    E isto vai um pouco além da construção civil. A sociedade portuguesa, de forma geral, normalizou a desonestidade — e o pior é que nem sempre o vemos como desonestidade. É o “chico-espertismo”. É aquela lógica de “se eu não fizer o mesmo, estou a ser burro porque fico em desvantagem em relação aos outros que o fazem” — é "fair game". Depois gostamos de culpar os políticos por tudo, mas eles não são mais do que um espelho daquilo que somos enquanto sociedade.

    No Reino Unido, o padrão é confiar — e quem falha é exceção. Em Portugal, o padrão é desconfiar — e a exceção é quem cumpre.

    Termino com alguma esperança nas gerações mais novas. Na experiência que tenho é que os mais novos tendem a ser mais honestos. Espero que gradualmente deixem de herdar estes hábitos dos mais velhos e façam o que é certo. Só assim teremos uma sociedade mais honesta, mais forte e mais unida.
    Concordam com este comentário: desofiapedro, Caravelle, pribeiro, bricana
  2.  # 2

    Como o compreendo... eu contactei 70 empresas para orçamentos e e até agradecia quando me diziam que não tinham disponibilidade
  3.  # 3

    Colocado por: IronManSousaComo o compreendo... eu contactei 70 empresas para orçamentos e e até agradecia quando me diziam que não tinham disponibilidade


    Cheguei a um ponto em que comecei a dizer: "Se não tiver disponibilidade, por favor diga-me, para ninguém andar a perder tempo". Mas, mesmo assim, raramente funciona — parecem incapazes de recusar trabalho de forma transparente, talvez por virem de tempos em que o trabalho era escasso e tenham medo do amanhã. Preferem dizer que sim e depois nunca mais atender ou responder a emails. E ironicamente, quando esse ‘amanhã’ chegar, a primeira pessoa a quem vou ligar será exatamente aquela que teve a honestidade de dizer que não tinha disponibilidade.
  4.  # 4

    Que tristeza. Lamento o calvário pelo qual tem passado. Por curiosidade, em que concelho do país isto aconteceu? Apenas pergunto porque não é de todo a realidade que conheço...

    Longe eu de querer culpar a vítima, mas sei que há modos de enveredar por esta aventura que a torna num autêntico calvário.

    Quanto à compra de casa, idem...
    Não se deve comprar nada sem ser visto por um profissional primeiro, que ajude a definir as condições da compra e contrapartidas à priori.

    Lamento o que lhe aconteceu.

    Por vezes, quando comparamos o mercado de arrendamento com o de compra e venda, esquecemos estas situações... se calhar estava mais feliz a pagar aluguer no UK que a ser proprietário em Portugal...

    Haja saúde.
    Concordam com este comentário: bricana
  5.  # 5

    Como o compreendo,
    Quando voltei de frança a 3 anos também foi bem complicado habituar me.
    Entre tempos de espera infinitos, pessoas sem palavras, papéis e papeizinhos para nada, artimanhas burocráticas, etc etc...
    O que mais me custou e custa ainda, é ter de 'desaprender' tudo o que aprendi e aprender a fazer mal ( a pedido dos patrões) porque aqui é que sabem...
    E muitas vezes ficar calado quando me falam de coisas de construção, porque se respondo ficam a olhar para mim como burros para palácios

    Haja saúde que o resto aguentasse
    Concordam com este comentário: desofiapedro, Zé Meirinho
  6.  # 6

    Bem-vindo a Portugal. Esse relato retrata a fotografia geral nos dias de hoje, mas ainda se conseguem encontrar alguns bons profissionais… uns ainda com palavra e que dão a cara!
  7.  # 7

    Colocado por: rpmmsantosBem-vindo a Portugal. Esse relato retrata a fotografia geral nos dias de hoje, mas ainda se conseguem encontrar alguns bons profissionais… uns ainda com palavra e que dão a cara!


    Apesar de estar convicto de que isso é verdade, muitas vezes questiono-me onde andarão eles. O que nunca falha em deixar-me surpreendido é a dificuldade em dizerem que não têm disponibilidade hoje e fazer estimativas para o futuro.
  8.  # 8

    Colocado por: N Miguel OliveiraQue tristeza. Lamento o calvário pelo qual tem passado. Por curiosidade, em que concelho do país isto aconteceu? Apenas pergunto porque não é de todo a realidade que conheço...


    Quem se mexe dentro do "meio" sabe por onde lhe pegar ou a que portas bater.

    Para quem está de fora, a realidade é mesmo esta impenetrabilidade.
    Concordam com este comentário: JoaoAdamastor, N Miguel Oliveira, ALCLCF
  9.  # 9

    Colocado por: N Miguel OliveiraLonge eu de querer culpar a vítima, mas sei que há modos de enveredar por esta aventura que a torna num autêntico calvário.


    Acho que o comentário do ClioII acima responde bem a isto. Quem é da área, por vezes, não tem noção do desespero que muitas pessoas passam só para conseguir, por exemplo, um canalizador/picheleiro que faça uma reparação urgente.

    Colocado por: N Miguel OliveiraQuanto à compra de casa, idem...
    Não se deve comprar nada sem ser visto por um profissional primeiro, que ajude a definir as condições da compra e contrapartidas à priori.


    A casa foi vistoriada por uma profissional independente, mas a maior parte dos problemas que entretanto surgiram não foram detetados. E quem trabalha nesta área sabe, por exemplo, que é impossível prever que o carpinteiro aplicou mal o primário e que isso acabaria por afetar a lacagem.

    Por exemplo, os defeitos de construção da casa das máquinas foram identificados de imediato. Avancei com o negócio totalmente consciente de que iria ter problemas, porque não haviam alternativas. Assim que chegaram as primeiras chuvas, começou a entrar água. Exigi então que a senhora colocasse uma cobertura — precisamente porque conheço bem os meus direitos.

    Outro ponto é que praticamente não existe escolha. Não há oferta de casas novas e independentes no concelho onde esta foi comprada. O que existe são casas geminadas, apartamentos e casas antigas. Portanto, não havia alternativas reais.

    A casa é nova e tem garantias claramente definidas na lei. O problema é que, infelizmente, há muitos esquemas para contornar essas garantias: por exemplo alvarás emprestados/alugados, quando na prática tudo é subcontratado diretamente com o dono de obra; engenheiros civis que ignoram o que a lei exige e, em alguns casos, até recebem algo por fora para seguirem caminhos que maximizam apenas o lucro do empreiteiro... As falências que já mencionei acima...

    Por exemplo, se eu quiser levar o vidraceiro a tribunal, sou obrigado a colocar a vendedora em tribunal, o que arrasta também a empresa que cede o alvará (que não tem qualquer responsabilidade real) e, por consequência, o próprio vidraceiro — que provavelmente irá alegar que não conhece ninguém e que nada sabe, porque quase nada é faturado, precisamente para que todas as partes maximizem o lucro. Isto é sistémico e cultural. Nem a lei está adaptada à realidade.

    E esta é a realidade de muita gente e os tribunais estão cheios de processos deste género — conheço vários casos. Tem sido uma verdadeira jornada, embora alguns problemas já estejam resolvidos. Vamos ver quantos consigo resolver de forma amigável. Se em algum momento tiver de avançar para tribunal, assim será — até por uma questão de princípio. Estou em constante consulta com um advogado de confiança.

    Colocado por: N Miguel OliveiraPor vezes, quando comparamos o mercado de arrendamento com o de compra e venda, esquecemos estas situações... se calhar estava mais feliz a pagar aluguer no UK que a ser proprietário em Portugal...

    Para o bem ou para o mal, Portugal é o meu país. Prefiro tentar contribuir, mesmo que de forma insignificante, para que isto melhore. Mas sim, no Reino Unido tinha uma vida tranquila no que diz respeito à habitação. Também existem pessoas desonestas e/ou incompetentes na construção noutros países, claro — mas nada que se compare a Portugal. Qualquer emigrante vindo de um país mais desenvolvido lhe dirá o mesmo; aliás, há até um comentário aqui de alguém a expressar exatamente essa frustração. É um choque cultural!

    Não quero que isto soe a “lá fora é que é bom”. Estou apenas a partilhar o meu testemunho para quem nunca passou por essa experiência: noutros países considerados “mais desenvolvidos”, isso traduz-se, muitas vezes, numa sociedade mais honesta e transparente.
  10.  # 10

    bem vindo a Portugal, onde pelo menos 50% da população não interessa ao menino jesus.
    Concordam com este comentário: fpacardoso, hangas, powerPT, HideCode
  11.  # 11

    Por isso é que eu digo, construir casas é para quem tem conhecimentos e tem a capacidade de controlar todas as vertentes. Caso contrário casas modulares que são muito mais caras, mas pelo menos é garantida a qualidade de construção, que vem de fábrica e é montada toda da mesma forma.

    Por isso os roubos de material, aldrabices em projetos, acaba por ser melhor e por norma são soluções chave na mão.

    Entrar no "lobby" da construção é para quem tem estômago e está preparado para sofrer e perder anos de vida em stress e ansiedade e obviamente muito dinheiro.
    Concordam com este comentário: N Miguel Oliveira, bricana
  12.  # 12

    Colocado por: JoaoAdamastorNão quero que isto soe a “lá fora é que é bom”.


    Sim, de acordo. Não era com esse intuito que perguntava... pois também me tocou várias vezes viver no estrangeiro e revejo-me na sua opinião. Apenas alertava para esse facto, fora é comum viver de aluguer... e está tudo bem com isso. Em Portugal, as medidas tomadas quase que só se focam na compra e venda.
    Parece que não percebemos que é necessário um equilibrio... se todos somos proprietários, ninguém se muda... ou o dinheiro vai-se todo em notários, escrituras, seguros, créditos, etc... ou seja, a renda ou prestação ficam a anos luz do que custou construir de facto. Viver sempre no mesmo sítio pode levar a uma precariedade ou estagnação dos rendimentos.
  13.  # 13

    Colocado por: JoaoAdamastorAcho que o comentário do ClioII acima responde bem a isto. Quem é da área, por vezes, não tem noção do desespero que muitas pessoas passam só para conseguir, por exemplo, um canalizador/picheleiro que faça uma reparação urgente.

    Sim, entendo e concordo.
    Em que concelho foi isso?
    Não há mão de obra nenhuma?
  14.  # 14

    Colocado por: N Miguel Oliveira
    Sim, entendo e concordo.
    Em que concelho foi isso?
    Não há mão de obra nenhuma?


    Zona de Aveiro. Quando tive a fuga, foi um familiar que conseguiu convencer o picheleiro/canalizador dele a ajudar-me — eu já tinha ligado para dezenas e ninguém atendia ou tinha disponibilidade. No final, quando ele me disse o valor, paguei-lhe o dobro. Infelizmente, é assim que as coisas funcionam. Agora, sempre que preciso, ligo-lhe e ele aparece rapidamente. Já o que fez a instalação da casa, nem sequer atende.
  15.  # 15

    Colocado por: JoaoAdamastorAveiro

    Surpreende-me um bocado. Imaginava que fosse do Tejo para baixo ou assim...

    Eu imagino que talvez os poucos que há, dedicar-se-ão à construção de casas en banda ou apartamentos. Talvez não seja atrativo andar aos biscates... e deixam esse "tapa-buracos" para imprevistos nas outras obras... tipo, se chove demasiado e já não posso fazer serviço exterior... e só aí é que vejo se o biscate ainda está pendente...
    Não sei, estou a especular.

    Boa sorte.
    Lamento o que tem passado.

    Eu desconheço a realidade no UK, mas imagino que não seja comum em 2025/26 construir ou comprar moradias isoladas de 4 frentes...
    Em obras de maior escala, quem trata disso são profissionais... seja o próprio constructor, ou mesmo o manager do edificio tem equipas próprias. Daí, o residente/inquilino/proprietário se desgaste menos com essa procura/calvário. Apenas notifica quem deve e pronto.
  16.  # 16

    Colocado por: N Miguel OliveiraEu desconheço a realidade no UK, mas imagino que não seja comum em 2025/26 construir ou comprar moradias isoladas de 4 frentes...


    Está certo — isso praticamente não existe. Eu acho que em Portugal estamos a caminhar para o mesmo. O futuro passa por casas geminadas e pela reabilitação do que já existe. Moradias isoladas, de quatro frentes, só mesmo chave-na-mão e para quem tiver muito, mas mesmo muito dinheiro.
    •  
      ClioII
    • 7 janeiro 2026 editado

     # 17

    Colocado por: JoaoAdamastorZona de Aveiro.


    Olhe, nem mais.

    Não consigo um estucador.

    Não consigo quem repare o aquecimento.

    Não consigo entrar em contacto com o reparador de eletrodomésticos.

    Não consigo que o empreiteiro que reparou o telhado me atenda o telefone.

    Etc...
  17.  # 18

    Colocado por: ClioII

    Olhe, nem mais.

    Não consigo um estucador.

    Não consigo quem repare o aquecimento.

    Não consigo entrar em contacto com o reparador de eletrodomésticos.

    Não consigo que o empreiteiro que reparou o telhado me atenda o telefone.

    Etc...


    É mesmo complicado!

    Queria fazer aqui umas pequenas obras (não relacionadas com defeitos), mas acabei por desistir. Simplesmente não consigo orçamentos. Alguns até chegaram a vir cá, mas depois deixam de atender — o trabalho não lhes interessa.

    O meu sogro precisa de obras urgentemente. O trolha ficou de começar há três anos! E ainda hoje falei com uma pessoa que está há semanas com um vidro partido, porque não encontra ninguém que queira fazer o trabalho.

    Eu próprio queria instalar umas calhas nos guarda-corpos em vidro para reforçar a segurança. Liguei para todos os vidraceiros da zona e nenhum apareceu. Acabei por conseguir que um viesse, mas só porque aceitei adiantar algum dinheiro — eles dizem que os clientes antigos têm sempre prioridade e que não têm disponibilidade para dar orçamentos a novos clientes.
  18.  # 19

    Colocado por: N Miguel OliveiraSurpreende-me um bocado. Imaginava que fosse do Tejo para baixo ou assim...


    Começo a achar que isto já é do Porto para baixo. Tenho amigos acima do Porto que ainda conseguem ir avançando com a construção da própria casa. Queixam-se também da falta de palavra, mas as coisas lá vão andando. Aqui já não se faz nada sem cobrir as pessoas de ouro da cabeça aos pés.
  19.  # 20

    Um testemundo demolidor, do que se passa no sector da construção. Está ao nível dos taxistas do aeroporto.

    Só temos de agraceder ao João, por ter voltado. Pois são as pessoas como o João que voltam com uma visão de um país diferente e ajudam a que este país não se torne uma maioria daqueles que gostam de tudo como está.

    Dito isto, longe estão os tempos em que a construção era para pessoas que não gostam de chatices. Mesmo para as que gostam, têm de passar a gostar ainda mais. Já não é possível delegar, com custos razoáveis, mas sobretudo, com certezas.

    Daí que concordo em absoluto com a opinião de que existem muitos profissionais cuja falta de palavra é a regra. Tenho a certeza que o mercado resolveria isso não fosse o desiquilibrio brutal da oferta/procura.
    Por esse motivo, também entendo porque muitos DO's se propoem a fazer administração direta da obra. Não será por uma questao de ganho financeiro (que tenho a certeza que há), mas sobretudo para assegurar a execução e sobretudo, fazer "bypass" ao principal obstáculo da construção. O empreiteiro!
    Por causa da questão do alvará, estão na sua torre de babel a manter a oferta artificialmente limitada. Diga-se também, uma procura desmesurada por DO's sem a menor noção do que se trata (veja-se os casos recorrentes de burlas nas adjudicações). Ainda assim, os mais desafogados continuam a atirar-lhes sacos de dinheiro cada vez maiores, não na esperança de ter uma casa construída, mas sim uma obra adjudicada.
    A solução, na minha opinião, e para os que têm estômago, passa pelos DO's ultrapassarem este gargalo e tornarem-se empreiteiros e posteriormente contratar aqueles que os primeiros contram, mas dizem que não há. Olhem à vossa volta e vejam que há cada vez mais obras e todas elas estão a decorrer com a mão de obra que dizem que não existe. Atirar sacos de dinheiro maiores não resolve, aliás, só perpetua o problema.
    Concordam com este comentário: OliveiroS/N
 
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