Escrevo da Noruega, de Tromso, no norte da mesma. Estou a terminar um doutoramento por aqui desde há 4 anos. Entretanto estive 2 anos em Munique e visito regularmente o Reino Unido por razões do coração.
O clima na Noruega é efectivamente um ponto crucial. Nesta altura do ano as horas de sol são muito poucas, a "energia" para fazer o quer que seja é baixa e a motivação sente-se. Ao contrário, no verão, as 24 horas de sol não deixam parar. O desiquilibrio ao longo do ano é bastante agressivo. É preciso respirar fundo para enfrentar. Quanto a preços e qualidade de vida, é nos bens essenciais 2 a 5 vezes mais caro que Portugal, um pouco mais cara que os restantes países da EU a norte. Tudo o que dependa de mão de obra local (restaurantes) é proibitivo. Daí os restaurantes com contas de 100 euros serem triviais. A qualidade de vida, dado que os salários são generosos, é muito alta. Em particular a Noruega não sofre do "trabalho é rei, depois vives" tipico alemão, dada a riqueza que veem acumulando do petroleo. Há um enorme prazer em viver a natureza e a sociedade como um todo é perfeitamente funcional (com taxas de crime irrelevantes). Não é só em Trondheim que os centros comerciais são pequenos e às moscas.
Quanto à Alemanha, em particular Munique, é certamente a melhor cidade para viver onde já estive. Mas, claro há sempre um mas, é extremamente elitista e dificil conseguir emprego que garanta essa qualidade de vida. Os custos não são absurdos (1 a 3x em relação a pt) mas conseguir um emprego para mais de 1500 implica "ser local", "conhecer bem os locais" ou ter "qualificações que estamos desesperados para conseguir". O clima é bastante mais convidativo, a sociedade é bastante funcional, as infraestruturas perfeitas.
O Reino Unido é um dos países onde dificilmente aceitarei viver (mesmo sabendo que há uma razão de coração forte para tal). A sociedade personifica um anacronismo social e muitas cidades estão em pratica ruptura social. Por um lado uma "elite" real de palácios e pavoneado, por outro cidades (fora de Londres) com profundos problemas de infraestrutura, sociais e desemprego. Há uma elite que jorra dinheiro dos jogos financeiros, há um país que não tem recursos. Junte-se que a situação económica é profundamente mais grave que em Portugal, só não sobe aos jornais, porque alguns grandes jornais são impressos por lá e não há interesse nenhum que o mundo repare que o rei vai nu. Algo que me perturba muito no Reino Unido é um efeito big-brother, de vigilancia constante, policia permanente, medo de "terrorismo" omnipresente, o vizinho denuncia o vizinho, avisos em tudo e nada, que tenderá só a agravar-se.
A Austrália, por onde passei também de regresso de Timor-Leste (país/pessoas que me ensinaram imenso), tem efectivamente um nivel de vida excelente. Economicamente é muito forte e não se prevê dificuldade de maior. Mas o racismo e nacionalismo é endémico, ainda que seja um país de emigrantes. O "aussi" faz questão de se distanciar constantemente. É conhecido o "humanismo" australiano de deixar barcos cheios de imigrantes à costa durante meses. É conhecida a "compra" de ilhas no pacifico para construir prisões para onde enviam imigrantes, sem direito a regresso, sem direito a contacto, só a viver num atol. É conhecido como os aborigenes são expulsos das suas terras sem dó, para serem entregues ao alcoolismo crónico. Dizer que a Austrália está a 50 anos civilizacionais assusta-me. Não quero pensar que podemos de forma alguma caminhar para algo remotamente parecido, ainda que cada um possa ter uma casa de 300m e um carro a gastar 20 aos 100.
Felicito-o por esta sua intervenção. É sem duvida, uma descrição muito realista dos países que retratou. Neste momento e face as oscilações constantes da economia a escala mundial, a imigração não será a melhor via. E, no caso desta ser a única alternativa, é preciso ter muita sorte para conseguir arranjar algo condigno! Não quero com este meu comentário desmoralizar ninguém, mas é uma realidade que esta patente por todo o lado! Em todo o caso, e para quem quer arriscar, desejo a maior sorte. :-)
A imigração já não é o eldorado de outros tempos... Palavras do ministro do Trabalho luxemburguês Nicolas Schmit (casado com uma portuguesa), que alerta os portugueses para o facto de o Luxemburgo estar completamente saturado!
Por força da minha área profissional(consultoria), já vivi em pelo menos 10 países da EU incluindo Finlândia e Suécia, trabalhei também durante algum tempo nos EUA, Dubai, Arábia Saudita, Egipto, Moçambique, Nigéria, estive 3 meses na Austrália e confirmo a afirmação do user "adias", de existir no país um certo clima de xenofobia vigente na sociedade. Acabado o projecto na Austrália, uma vez que estava na área fui colocado durante 6 meses na Nova Zelândia, este país é na minha opinião pessoal, um dos melhores sítios para se viver. Neste momento, trabalho entre UK, Alemanha e Portugal(2,1,1 semanas), se por estas experiência como saltimbanco tiver de dar um conselho sobre o melhor país para viver, terei de ser brutalmente realista quanto a um facto, se for um trabalhador especializado e o objectivo forem euros, então sem dúvida a escolha será entre Médio oriente/África(obviamente terá de desligar aquela parte da mente que lhe estará constantemente a remoer devido ás "ine/iniquidades" sociais de todo o tipo), se tiver como objectivo a qualidade de vida(aqui englobo não só o financeiro, mas também aspectos como clima, vida ao ar livre..), sem dúvida Nova Zelândia. Por outro lado se for um trabalhador indiferenciado(não especializado), qualquer país da Europa Central e do Norte, estará melhor uma vez que nestes países ainda existe alguma equidade e respeito pelos direitos humanos e sociais.
O Brasil, a quem ambiciona mudar sem olhar para trás, é certamente o país do mundo que melhores prespectivas apresenta. Não tenho dúvidas que se tornará entre a 3 a 5 maior economia mundial em poucas décadas. Isso vai proporcionar oportunidades de emprego, oportunidades de vida estável. O clima é o que é, a língua não coloca barreiras e (talvez por enquanto) o Português é o "Europeu", bem vindo, porque tem mais educação. No lado negativo, o Brasil não é só a favela do Rio ou São Paulo, não é a criminalidade das grandes cidades (e mesmo essa já teve dias mais floridos). O Brasil tem cidades de média dimensão de fazer inveja à Europa do norte.