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  1.  # 1

    Espaço destinado ao relato verídico ou fantasioso de historias, lendas, mitos, dizeres e outras particularidades das nossas terras.
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  3.  # 2

    LENDA DA TERRA DO ANJO
    Antes, muito antes, tudo aquilo era um imenso areal. E só pescadores ali viviam em cabanas toscas que faziam frente ao rio. Um deles, já velho e cansado, sofria fundo desgosto. Desgosto que o matava lentamente. Desgosto que era toda a sua obsessão: o desgosto de não ter um filho... E nas noites longas de insónia, quando se encontrava em terra, na paz da sua humilde cabana, triste e silenciosa, o pobre velho pescador elevava as suas preces fervorosas à Mãe do Céu:
    - Minha Nossa Senhora, por tudo vos peço que eu possa vir a ter um filho!... Fazei, Senhora, que eu encontre uma companheira e que essa companheira me dê um filho!... Ou fazei, ao menos, Virgem Santíssima, que eu encontre um menino sem família e que para fazer desse menino o meu filho...
    Fazei, Senhora, o que vos peço, e eu vos darei em troca tudo o que me pedirdes!
    Mas o tempo ia passando, e nada acontecia. Os amores passageiros do velho pescador resultavam inúteis para o seu sonho. Triste, cada vez mais desiludido, ele abria-se em confidências com o rio seu amigo:
    - Ah, meu irmão rio... Creio que a Mãe do Céu não quer escutar, de modo algum, os meus rogos... Tu, sim, tu é que me compreendes, rio amigo e bom... As tuas águas são iguais às minhas lágrimas. Não secam, ficam sempre à mercê da vontade de Deus. E Deus não nos ouve. E Nossa Senhora não quer saber de nós...
    Mas enganava-se. Certa manhã, ainda muito cedo, mal o Sol aparecera a dar os bons-dias à Terra, quando o velho pescador se preparava, como de costume, para descer o rio no seu barquito, tão velho e tão gasto como ele, descobriu qualquer coisa à superfície das águas que o deixou verdadeiramente atónito. Quase sem fala. Quase sem movimento.
    E só daí a momentos conseguiu expandir o tumulto de alegria que lhe encharcava a alma.
    - Valha-me Nossa Senhora!... Mas que estou eu a ver? Oh, meu Deus!...
    Pois não é mesmo uma criança... um menino recém-nascido... a boiar sobre as águas... tal e qual como dizem que apareceu Moisés?... E erguendo as mãos ao céu gritou, excitado:
    - Milagre! Milagre dos Céus! Este é com certeza o filho que sempre tenho pedido a Nossa Senhora... Obrigado, Virgem Santíssima, mil vezes obrigado!
    Apressou-se a retirar das águas o recém-nascido, que o olhava, sorrindo.
    O velho pescador abraçou-se a ele, a chorar. A chorar de alegria.
    - Meu lindo menino!... Meu adorado menino Jesus!... E desde então, conforme se tem contado e recontado pelos tempos dos tempos, o velho pescador viu realizado o mais belo sonho da sua vida: tinha um filho!
    Um filho que foi crescendo, que se fez rapaz, que um dia começou também a pescar nas águas do rio Vouga...
    - Ah, meu filho, quando te vejo crescido, forte e saudável como és, lembro-me sempre da manhã em que te encontrei, a boiar aqui mesmo no rio...
    O rapaz olhava-o admirado. Admirado e duvidoso.
    - Mas eu apareci assim sem mais nem menos, meu pai?
    O velho nem lhe respondia. Levantava os olhos ao céu e repetia o mesmo agradecimento de sempre:
    - Foi um milagre! Um verdadeiro milagre de Nossa Senhora!
    Mas um dia, o rapaz, hesita que hesita, resolveu pôr abertamente o problema que lhe torturava o cérebro.
    - Se o pai não se aborrece, eu gostava... enfim, eu queria saber... quem foi minha mãe... como se chamava ela... onde vivia?...
    O velho pescador baixou a cabeça. Apertou as mãos com força. Os seus olhos humedeceram-se.
    - Olha, meu filho... tenho perguntado isso a mim próprio, muitas vezes...
    e nunca encontrei resposta!
    Calaram-se. Depois, vagamente, soturnamente, o velho repetiu num eco!
    - Nunca encontrei resposta!
    Olhou o filho. Viu-o triste, abatido, distante. Teve medo. Medo de que ele se afastasse, que fugisse. Aflito, buscou uma ideia. Como quem busca uma bóia de salvação.
    - Talvez o senhor prior6 da cidade nos saiba dizer alguma coisa... Vamos lá hoje... Queres?
    O rapaz voltou-se para ele. Parecia outro. Decidido e satisfeito, respondeu:
    - Quero, sim, meu pai. Quero saber a verdade!
    E nesse mesmo dia, depois de arrumados os apetrechos da pesca, lá foram de longada até à cidade, à procura do senhor prior, que tinha fama de saber muitas coisas que os outros homens não sabiam.
    Mas, diante do estranho problema posto pelo velho pescador e por seu filho, o senhor prior limitou-se a sacudir a cabeça e a dizer:
    - São desígnios do Altíssimo, meus filhos!... Que valemos nós, míseros humanos, para querermos descobrir os segredos de Deus?
    Levou-os até à porta, de mansinho, e despediu-os com um sorriso de bondade.
    - Segui a vossa vida e não penseis mais nisso. Deus e Sua Santa Mãe lá' sabem porque resolveram assim...
    E o velho pescador e o seu filho voltaram à cabana tosca do areal. Agora ainda mais tristes, mais pensativos. Sem coragem para voltar a falar no assunto...
    ... Até que uma terrível epidemia caiu sobre todas as terras daquela região.
    O próprio rio transformou-se por completo, revolvendo-se em fúrias insuspeitadas e invadindo os campos, numa ânsia brutal de destruição.
    Parecia um castigo ou uma praga. A tranquilidade desapareceu, engolida pelo vapor. E a epidemia foi alastrando cada vez mais cruel. Cada vez mais mortífera.
    A cabana tosca do velho pescador não escapou. O rapaz, que fizera prodígios para acudir aos que necessitavam, foi tocado também pela marca sinistra. Por tentar salvar a vida dos outros, a sua vida ficou em perigo.
    Desesperado, o pobre velho gemia, à beira da enxerga onde o rapaz delirava com febre:
    - Filho! Meu filho... porque não seguiste os meus conselhos... porque não te afastaste dos outros que já estavam contaminados?..
    Com voz débil, arfando pesadamente, o rapaz somente podia dizer:
    - Pai... era necessário salvá-los... Eu tinha de os salvar, meu pai!
    Mas o velho pescador maI o ouvia. Ele gastava-se em preces e em interrogações. Interrogações que lhe doíam como se fossem chagas abertas.
    - E agora que vou eu fazer?.. Agora que tu caíste também, que posso eu fazer?... Que devo eu fazer, meu Deus...
    Passou por ali o senhor prior, na sua visita de conforto e alento aos que sofriam.
    - Há que ter resignação, meus filhos!... Deus assim o quer... Lá tem as suas razões!
    O velho pescador, porém, martelava insistentemente as mesmas palavras:
    - Que devo eu fazer, senhor prior? Que posso eu fazer?
    O sacerdote olhou-o fixamente. Colocou-lhe as mãos sobre os ombros, a acalmá-lo.
    - Tem fé, homem!... Confia em Nossa Senhora, a quem tu pediste tanto para ter um filho...
    E assim fez o pobre pescador. Logo que o padre saiu, continuando a sua viagem de cal vário, ele caiu de joelhos junto da enxerga, onde o filho parecia cada vez pior. De mãos apertadas com quanta força tinha, o velho pai gritou:
    - Minha Nossa Senhora, vaIei-me!... Dai-me um sinal da Vossa presença!
    E diz-se que, nesse mesmo instante, a porta da cabana tosca se abriu de par em par, e surgiu uma estranha figura de mulher envolta em neve.
    Deixando um rasto de luz, ela avançou devagar e disse apenas:
    - Aqui estou.
    O pobre velho pescador escancarou os olhos cheios de espanto.
    - Mas... Senhora... quem sois vós?
    E ela respondeu com uma pergunta:
    - Não chamaste por mim?
    O velho estremeceu.
    - Chamei, sim... chamei... Mas... mas não esperava... que Vós aparecêsseis assim... toda coberta de neve...
    Ela sorriu. E quando sorriu a claridade tornou-se maior.
    - É a neve da natureza, meu bom devoto!
    O velho gaguejou nova pergunta:
    - E... que vindes fazer, Senhora?
    - Venho buscar o teu filho.
    Calma, segura, doce mas imperativa, a resposta fê-lo desequilibrar-se e ficar prostrado aos pés de Nossa Senhora. Mesmo assim gritou, num acesso de revolta.
    Como ? … Que dizeis .?
    Com um simples gesto, ela ergueu-o suavemente. E suavemente lhe falou:
    - Sim, venho buscar o teu filho... Não te lembras já da tua promessa?..
    Pediste-me para eu te dar o filho que querias... E tu me darias depois o que eu quisesse... Recordas-te?
    O velho pescador fez que sim com a cabeça.
    - Pois eu venho buscar o teu filho... Ele vai para a Corte dos Céus, onde será um dos meus anjos. - O meu filho, Senhora?
    Ela sorriu de novo. E de novo a luz se tomou mais forte.
    - Sim, o teu filho, bom velho pescador... Ele ficará a ser o Anjo da Guarda desta terra! O olhar do pobre homem balançou entre a figura da Senhora e a enxerga onde mal distinguia a figura do filho, também a desfazer-se em luz.
    Compreendeu então que já não lhe pertencia. E disse, num tom de resignação que mais parecia chorado que falado:
    - Pois levai-o, Senhora... já que o quereis... Vós mo destes, vós mo tirais...
    Anjo seja para todo o sempre! Anjo seja!
    Rapidamente a notícia se propagou por todas as terras em redor. A epidemia começou a debelar-se, também com espantosa rapidez. E tal facto atribuiu-se desde logo à intervenção do filho do pescador, agora e para sempre anjo da guarda daquele lugar, junto de Nossa Senhora. Aliás, o pobre pai não se cansava de repetir.
    - Acreditai, meus amigos... Foi Nossa Senhora das Neves que o veio buscar...ll Nossa Senhora das Neves! E ele agora está no Céu... Anjo seja o meu filho... o meu querido filho!... Anjo seja!
    E, aos poucos, a mesma ideia foi-se enraizando no espírito das gentes que começaram a correr àquele local, como terra abençoada por Nossa Senhora. Assim nasceu uma povoação bonita e progressiva, onde fora apenas um areal imenso. E desde logo a nova terra ficou a chamar-se a Terra do Anjo Seja, até que se transformou na actual Angeja, a Terra do Anjo, ali, na margem direita do rio Vouga, apenas a nove quilómetros da estação de Aveiro.

    In Lendas dos Nomes das Terras (parte II)
    Gentil marques e Bruno Santos
  4.  # 3

    Não dá para resumir? Uma lenda dessas nem todos vão ler.
    Concordam com este comentário: Sabrina

  5.  # 4

    Colocado por: pedromdfNão dá para resumir? Uma lenda dessas nem todos vão ler.

    Nunca ouviu dizer que quem conta um conto acrescenta um ponto? :))
    Acredito que possa ser um texto demasiado extenso mas gosto dele assim não só pela poetica da narrativa, mas pelo facto de se referir a uma terra onde vivi durante quase 40 anos.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: amartins
  6.  # 5

    Algo mais maneirinho

    Obras de Santa Engrácia

    “Simão Pires, um cristão novo, cavalgava todos os dias até aos convento de Santa Clara para se encontrar, às escondidas com Violante.
    A jovem tinha sido feita noviça à força por vontade do seu pai, fidalgo que não estava de acordo com o seu amor.
    Um dia, Simão pediu à sua amada para fugir com ele, dando-lhe um dia para decidir. No dia seguinte, Simão foi acordado pelos homens do rei que o vinham prender acusando-o do roubo das relíquias da igreja de Santa Engrácia que ficava perto do convento.
    Para não prejudicar Violante, Simão não revelou a razão porque tinha sido visto no local. Apesar de ter invocado a sua inocência, foi preso e condenado à morte na fogueira, que se realizaria junto da nova igreja de Santa Engrácia, cujas obras já tinham começado.
    Quando as labaredas envolveram o corpo de Simão, este gritou que “Era tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem!”.
    Os anos passaram e a freira Violante foi um dia chamada a assistir aos últimos momentos de um ladrão que tinha pedido a sua presença. Revelou-lhe que tinha sido ele, o ladrão das relíquias e sabendo da relação secreta dos jovens, tinha incriminado o Simão. Pedia-lhe agora o perdão que Violante lhe concedeu.
    Entretanto, um facto singular acontecia, as obras da igreja iniciadas à época da execução de Simão pareciam nunca mais ter fim. De tal forma que o povo se habituou a comparar “Tudo aquilo que não mais acaba” às obras de Santa Engrácia.”

    A outra versão contudo menos poética, deve-se ao facto da construção da igreja de Santa Engrácia, situada na freguesia de São Vicente de Fora, onde é hoje o Panteão Nacional, ter demorado cerca de 350 anos a ficar concluída.
  7.  # 6

    Quem se lembra dos vendedores de banha da cobra e daqueles indivíduos que nas nossas feiras vinham com um camião e vendiam tudo e mais alguma coisa?
    Não custa 20, nem custa 10, custa apenas 5 e quem comprar agora ainda leva mais …
  8.  # 7

    Bom... para começar gosto do tópico e das lendas. Claro que as li até ao fim, mas concordo que possam ser demasiado extensas para quem costuma ler »na diagonal«!
    Essa dos vendedores da banha da cobra, caro zedasilva, continuam na sua senda, de feira em feira, mesmo nos tempos de hoje: pelo menos na minha região! É vê-los a apregoar os mais variados artigos: edredons (e o povo a suar as estopinhas), toalhas de mesa, com dois metros e meio, bla, bla, bla. »Tem aqui uma carrada de artigos e não paga 50... nem 30... nem 20! Só paga 10 "aéreos" e ainda leva mais um chapéu de chuva (num dia de calor tórrido), que, numa loja, pagaria por ele não cinco, mas sete ou oito "ouros" e aqui vai de graça! E a juntar à carrada ainda oferecemos este avental, pintado à mão, para você usar ou oferecer a uma amiga«!
    Numa das últimas feiras, por onde passei, a »carrada« era rematada por um telemóvel, já desbloqueado! »Da Vodafone, meus senhores! Ora aqui temos mais um pra' aquele cavalheiro, ali à frente, se faz favor«.
    E... o pessoal lá compra convencido que faz um bom negócio: »Isto é tudo nacional, senhoras e cavalheiros! Aqui não se vendem artigos chineses, pois então!«
    Estas pessoas agradeceram este comentário: Sabrina
  9.  # 8

    Cara maria

    Desde já muito obrigado pela sua brilhante descrição, era isso mesmo que pretendia.
    Estou a fazer um pequeno trabalho sobre uma das feiras que existiram na minha região e este tipo de vendedores é algo que lhe foi caracteristico.
  10.  # 9

    Os meus pais contavam uma história, como sendo verídica: pelo menos eu conheci pessoalmente, a personagem da história. Gente do campo, trabalhadores rurais que tinham que amanhar as terras e cuidar de tudo o que a elas dizia respeito. Quando era preciso juntar estrume para fertilizar os terrenos, a nossa personagem, de nome Clara, era solicitada para a tarefa. Naquele tempo, ninguém tinha calçado, todos andavam e trabalhavam descalços. À noite, depois da ceia, os pais, ou a família, diziam à jovem:« vai lavar os pés, Clara!« Ao que ela, recusando-se, prontamente respondia: «p'ra quê?!... Amanhã, eles voltam pró mesmo!...«
  11.  # 10

    (Mais) Testemunhos a propósito das Invasões Francesas…
    Por quase todo o país há relatos da devastação e das atrocidades praticadas pelas tropas beligerantes durante as Invasões Francesas, mas é nas povoações próximas das «Linhas de Torres Vedras» que os testemunhos são mais vivos, resultado de ser uma das regiões mais afectadas pela passagem e permanência das tropas francesas e inglesas.

    António Teixeira de Figueiredo, proprietário na Ribaldeira, perto de Dois Portos, cuja família reside na região há mais de 400 anos, conta-nos, a propósito do tema, histórias soltas da família: fala de um serviço de prata que, por estar amolgado, se diz que esteve enterrado aquando das invasões. E acrescenta risonho: «Foram encontradas também libras de ouro no entulho da demolição da parede de uma casa de família e logo se achou que tinham sido escondidas nessa altura. Alguém viu algumas dessas libras mas o pedreiro que fez a obra nos anos 20 sempre negou a sua existência. Na verdade, comprou mais tarde casa e terrenos que não eram adequados aos seus rendimentos.» Também a existência de montes de pedra, numa quinta desta família, em locais estratégicos, leva o seu proprietário a associá-los de imediato com trincheiras, o que tem a sua lógica por se encontrar em ondulações do terreno com boa visibilidade e perto das Linhas de Torres.

    Outro dos nossos entrevistados, Joaquim Biancard Cruz, referiu algumas pequenas histórias da sua família, oriunda do Sobral de Monte Agraço: «Os meus antepassados esconderam debaixo de terra um faqueiro de prata; em casa das minhas primas existe uma cómoda/escrivaninha que consta ter servido de secretária ao General Beresford.» Uma outra casa desta família, em Pêro Negro, foi o quartel-general de Wellington, mas foi vendida e os vestígios da passagem do general foram há muito apagados.

    Foi em Sobral de Monte Agraço que, na 3.ª Invasão Francesa, ocorreram os mais violentos combates travados na zona das Linhas de Torres Vedras. Testemunho disso é a existência de uma rua a que a população chamava «a rua das casas queimadas». Outro dado significativo é o desaparecimento de toda a documentação existente na Câmara anterior a 1810; muito provavelmente resultado dos incêndios ocorridos na Vila aquando da sua ocupação pelos franceses. A excepção ao vandalismo e à destruição foi a Casa dos Condes de Sobral; a esposa do 1º Conde do Sobral, José Braamcamp de Almeida Castelo-Branco era Louise de Narbonne-Lara, filha do Conde de Narbonne, um dos mais reconhecidos ajudantes de campo de Napoleão Bonaparte… Talvez tenha sido essa a razão pela qual a sua casa foi poupada. De facto, grande parte da documentação anterior a 1810 encontra-se ainda na casa.

    Mas já na 1.ª Invasão Francesa, a região à volta de Lisboa tinha sofrido os horrores do exército francês. O povo de Mafra, por exemplo, viu as suas casas e as igrejas serem saqueadas e sentiu as exigências que fizeram ao Juiz de Fora da Vila de Mafra para entregar mantimentos. Nem a roupa branca do palácio escapou: foi requisitada para fazer fardamentos, tendo essa tarefa sido entregue a costureiras de Mafra.

    Perante a opressão o povo revolta-se contra o invasor. Jacinto Correia, um jornaleiro mafrense, foi a Tribunal de Guerra após ter morto dois franceses. Por ordens de Loison, o Maneta, foi fuzilado junto ao Convento de Mafra. Permanecem as suas últimas palavras: «se todos fossem como eu não sobrava um francês vivo».

    Na Ericeira também há testemunhos dessa revolta: conta-se que um taberneiro, José Francisco Malta, matou alguns soldados franceses embebedando-os e atirando-os depois para dentro do poço que tinha no quintal.

    Não restam dúvidas; estes e outros casos demonstram que a região saloia resistiu e combateu, com os meios que tinha, o invasor francês. A propósito desta resistência vale a pena ler «Razões do Coração», de Álvaro Guerra, baseado no diário de Frei Pedro Taveira, um monge que se refugiou em Ribamar, a poucos quilómetros da Ericeira, fugido do Convento de Mafra em 1808, à aproximação dos franceses. Um excelente e maravilhoso retrato de um Portugal ocupado e do seu povo a lutar pela liberdade.

    http://itinerante.pt/mais-testemunhos-a-proposito-das-invasoes-francesas%E2%80%A6/
  12.  # 11

    ...

    Entretanto, em Mafra, um jornaleiro de nome Jacinto Correia era fuzilado a 25 de Janeiro de 1808, no topo sul do Convento de Mafra por ter morto, em legítima defesa, dois soldados franceses que o pretenderam roubar; tratou-se de um dos primeiros actos isolados de resistência à ocupação, timbrada pela exortação do saloio «se todos fossem como eu nem um só francês ficaria vivo», no momento do julgamento em Conselho de Guerra35. No mês seguinte, Loison mandou fuzilar nove soldados portugueses nas Caldas da Rainha, por se terem envolvido em desacatos com franceses; cruzes canhoto que vais para o maneta.


    http://www.revistamilitar.pt/artigo.php?art_id=350
  13.  # 12

    Colocado por: zedasilvaCara maria

    Desde já muito obrigado pela sua brilhante descrição, era isso mesmo que pretendia.
    Estou a fazer um pequeno trabalho sobre uma das feiras que existiram na minha região e este tipo de vendedores é algo que lhe foi caracteristico.

    Caro zedasilva, fico agradecida pelo agradecimento, passe a redundância. Sou uma apaixonada por feiras: semanais, onde faço as provisões para toda a família, temáticas e anuais (onde estas se inserem, regra geral). Todos os anos faço o nosso aprovisionamento na visita a essas feiras, que ocorrem no fim das colheitas. Na semanal, abasteço-me da batata, quase para o ano inteiro: combino com o(s) produtor(es), vou buscá-la a casa, após a arranca, para evitar os anti-abrolhantes e as antitraças. Uso os meus métodos caseiros, no caso da antitraça. Quanto às temáticas, não perco a das cebolas (e alhos caseiros, também) e a das nozes. Tenho preferência pela variedade da cebola valenciana (não tem nada a ver com a espanhola, note-se!). Neste momento ainda tenho cebolas sem espigar, com outras já espigadas, mas muito conservadas. Costumam aguentar até Maio, sem se estragarem. Estas feiras temáticas realizam-se depois das colheitas; juntam a componente religiosa à pagã e, o povo, muito fervoroso com o santo, faz as suas promessas, como agradecimento aos favores atendidos, com produtos da terra. São os mais variados e, às vezes, imprevisíveis: desde ovos caseiros, a feijão seco e outras leguminosas, até ao mel, azeite, milho tradicional (algum em espigas), vinho caseiro (o máximo é um garrafão de 5 litros) e outras bebidas, abóboras (chila, porqueira e menina), queijos artesanais, frescos ou curados, etc., etc., etc.!... Estes produtos entram logo em venda (o santo não tem celeiro) e, como chegaram de graça, a venda é mais em conta. São vendidos mais ou menos a »olho« e saem mais baratos do que na própria feira. São vendidos pelos mordomos, logo no acto da recepção.
    Quanto às nozes (naquela e noutra feira- prefiro esta última), os preços são inferiores e há toneladas de nozes, à escolha! Claro que aí também entram os outros produtos agrícolas: cebolas e alhos à réstea (ninguém vende a peso), feijão seco, as mais diversas variedades, outras leguminosas, como chícharo, etc. É claro que estas feiras, têm outras atracções que agradam a outros públicos e é isso que as torna muito interessantes. Pelo menos eu não escondo o prazer que me dá visitar estes eventos. Se me fosse permitido percorreria o país, de lés a lés, em visitas às feiras. São o meu maior vício!
    Já agora muito sucesso para o trabalho, que tem em mãos.
  14.  # 13

    Amigos de Peniche

    Ao contrário do que parece, Amigos de Peniche não são os Penicheiros ou Penichenses. São os Ingleses que, nas invasões Espanholas prometeram ajudar a nossa "resistência" a derrubar os Filipes do trono. Desembarcaram em Peniche, mas não chegaram ao destino para a ajuda necessária.

    Amigo de Peniche, é quem diz que vem, e não aparece...


    Mais detalhes em:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Amigo_de_Peniche
  15.  # 14

    Colocado por: branco.valterTestemunhos a propósito das Invasões Francesas…


    Nessa matéria nós os Olhanenses fomos bons corremos com eles quando se reagruparam foram corridos junto a esta ponte... que era a antiga estrada longitudinal do Algarve ( Bem larga :-) )

    Ponte: https://maps.google.pt/maps?q=olh%C3%A3o&hl=pt-PT&ie=UTF8&ll=37.054822,-7.829548&spn=0.001839,0.004128&sll=37.24542,-8.19521&sspn=0.939052,2.113495&t=h&hnear=Olh%C3%A3o&z=19&layer=c&cbll=37.055035,-7.829784&panoid=b2KHyz--Y2fjER1LwEaFRw&cbp=12,280.5,,0,13.05

    Aqui os Olhanenses se juntaram para os receber com as enxadas e poucas armas que possuíam ! Como não eram muitos fizeram bonecos com "pitas" e canas .... Os Franceses foram corridos ! A noticia espalhou-se a a revolta percorreu o País .

    Não me recordo bem quantos éramos foi à tanto tempo, mas não foi fácil. Por isso se chama Olhão cidade da restauração


    A revolta de Olhão contra os franceses, no contexto da chamada primeira invasão francesa, tem como particularidade ter sido a primeira das revoltas populares contra a ocupação francesa
    em que houve um real enfrentamento contra os invasores.


    Mais em:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_de_Olh%C3%A3o
  16.  # 15

    Os mais idosos ainda contam que em Ervedal da Beira, concelho de Oliveira do Hospital, certa noite estava um Senhor alcunhado de "rolhas", sentado nos tradicionais bancos compridos de madeira no "largo da bomba", que por norma se colocavam à porta da "loja", sitio onde se comprava de tudo desde o sabão ao copo de tinto.
    O "rolhas" era o Português típico do interior que trabalhava do nascer ao por do sol, tinha a pele da cara e das mãos escura e estragada pelo sol.
    Era o único sentado, estava sozinho e era já de madrugada. Ao passar um amigo perguntou-lhe:
    -Sebastião então que fazes aqui a esta hora homem?!

    -Olha estou a ver tudo a andar à roda...
    A alcunha de rolhas não era à toa.

    -Vai para casa que é tarde!

    -E vou, mas estava aqui a ver se via passar a minha porta para me enfiar lá dentro!
    ______________________________________

    Em certa altura da vida o "rolhas" foi padeiro, e às sextas feiras era o primeiro a chegar pois havia necessidade de fazer mais pão por causa do fim de semana, era preciso amassar mais massa. Certo dia ao chegarem os colegas mais tarde, havia massa de pão espalhada por tudo quanto era lado. O "rolhas" tinha massa da cabeça aos pés. Os colegas encontraram o "rolhas" sentado no chão e encostado a uma parede. Perguntaram:
    -Sebastião estás bem?! que raio aconteceu?
    -Foram elas...
    -Foram elas quem?!
    -foram elas...
    -Elas quem Sebastião?
    -Foram as bruuuuuxas.
    E cambaleante saiu como pôde, só tendo aparecido na padaria no domingo à noite.

    O Sebastião "rolhas" era meu avô, nunca contava estas histórias(tinha muitas), mas cada vez que alguém as relembrava, fazia um sorriso maroto.
    Um grande beijo para o Sebastião rolhas, onde quer que ele esteja!
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  18.  # 16

    Sobre as Invasões Francesas na minha terra, se me permitem ser um bocadinho “cagão”
    SILVA, José Fernando, RESENDE, Luís Altino, Memórias: História, Arte e Fé, Edição particular, 2013, pag 62 e 63
      franceses3.jpg
  19.  # 17

    Maria
    Sendo uma apaixonada por feiras, fica desde já convidada para no dia 26 de julho, assistir à recriação de uma que com a bonita idade de mais de 300 anos desapareceu na década de 90 do séc. passado. Nesse dia e se tudo correr bem, será também lançada uma pequena obra sobre a história da mesma.
    O convite é extensível a todos os digníssimos membros do fórum.
  20.  # 18

    No Concelho de Mafra há a célebre Feira da Malveira que se realiza todas as 5.ª feiras e agora voltou a haver a feira de Mafra (todos 3.º domingos do mês), para além disso há ainda a feira da Encarnação.
  21.  # 19

    Bom dia, caro zedasilva.
    (...) fica desde já convidada para no dia 26 de julho, assistir à recriação de uma que com a bonita idade de mais de 300 anos (...)

    Vai-me perdoar a ignorância, ou a desatenção: não quero fazer figura de distraída, mas a sua terra (aldeia) fica no concelho de Oliveira do Hospital, não é? Onde se vai realizar a feira e, diga-me: é uma feira medieval, agrícola e ou temática?
    Obrigada!
  22.  # 20

    Cara Maria
    Está perdoada :)))
    A minha terra (vivi lá durante 40 anos) fica no concelho de Albergaria-a-Velha, chama-se Angeja, este topónimo poderá ter como origem Ayyeios, palavra grega que se lê Angeios e que significa estuário ou lugar onde se espraiam as águas. Hà provas de que por volta de 1200 o mar banharia estas terras.
    A feira em causa era uma feira onde se comercializavam essensialmente produtos agricolas e animais.
    Um mês depois ( 14,15 e 16 de Agosto) irão ter lugar as comemorações da entrega do foral Manuelino a esta vila.
    Será igualmente uma festa de arromba ( não fosse eu um dos membros da comissão) e uma excelente oportunidade para visitar esta zona.
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