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  1.  # 61

    Ainda voltando à Olaio, de 10 de Dezembro a 06 de Maio há uma exposição sobre a marca no Mude, de 3ª a domingo das 10 às 18:00 e com entrada livre.

    Para quem não saiba, o Mude fica na rua Augusta em Lisboa.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: Alexluxx, Castela
  2.  # 62

    Colocado por: Obras em casaCá vai informação recente sobre a Olaio, que vai ter novidades em 2016.

    http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-12-06-Um-marceneiro-jeitoso-uma-cadeira-de-pinho-a-nossa-Ikea--mas-com-mobiliario-que-dura-a-vida-toda-
    Estas pessoas agradeceram este comentário:Pedro Barradas,Alexluxx,Castela


    Boas notícias! :)
    Concordam com este comentário: Alexluxx, valtores
  3.  # 63

    Eduardo Anahory - O Arquiteto sem curso - 1917 - 1985

    "Homem de múltiplas paixões e talentos, aventureiro e vanguardista, foi cenógrafo, artista plástico, escultor, publicitário, artista gráfico, decorador, pintor, e arquiteto sem curso.
    Oriundo de uma família de origem judaica que teve um papel fulcral no nascimento da Comunidade Israelita de Lisboa, Eduardo Anahory nasceu no Bairro Alto, frequentou a Escola de Belas Artes na capital e mais tarde a do Porto. Mas deixou o curso de Arquitetura a meio, o que o obrigou a recorrer, ao longo da vida, a arquitetos amigos, como Pedro Cid, Alberto Pessoa ou Manuel Alzina de Meneses para autenticar os seus trabalhos – a maioria de construção efémera e daí ser a sua obra tão escassamente conhecida.
    Modernista por gosto e geração, a sua arquitetura era simples no desenho, limpa de elementos decorativos e profundamente sintonizada com a natureza, com o recorrente recurso a madeiras nas paredes e vime nos tetos, como são exemplos as casas que ergueu na Arrábida, que lhe deram nome na imprensa especializada mundial. Numa das últimas edições de 1962, lia-se na "Architectural Review": “Recentemente, a ‘Domus’ publicou um grupo de pequenas casas de praia, pré-fabricadas, instaladas em Galapos, da autoria de Eduardo Anahory, que preservam certas virtudes básicas da arquitetura moderna que foram esquecidas em outros meios quiçá mais influentes. Este tipo de construções à beira-mar não é desconhecido e os trabalhos de Craig Ellwood vêm-nos à ideia, tornando a comparação quase necessária.” E continuava o artigo da publicação britânica: “No entanto, a simplicidade que aparece nas obras de Craig Ellwood é consequência de uma imensa sofisticação, enquanto no trabalho de Anahory se vê claramente ser o resultado de uma consciente restrição de técnicas e dos materiais utilizados, como foi o uso de painéis revestidos com laminado de plástico.”
    Para a sua casa de férias, que batizou Aiola, onde Anahory desfrutou vários períodos de verão na companhia de Menez (foram oito anos de relação amorosa, durante os quais a pintora participou em vários projetos de Anahory, como nos pavilhões de Portugal para a Exposição Universal de Bruxelas e para a Feira de Munique, no café-restaurante Vává, na Casa da Azenha em Loures, no Restaurante Folclore ou no Hotel Porto Santo), o local escolhido, apesar de paradisíaco, levantava condicionamentos por se tratar de uma falésia. A revista Binário, de setembro de 1962, disso dava conta logo no início de um artigo sobre esta casa: “As imposições que regulamentam a instalação de construções na zona em questão, não permitindo que se façam trabalhos de alvenaria, obrigou a que se procurassem rochas firmes para o assentamento das colunas, do que resultou o seu exagerado afastamento.”
    Detalhava aquela revista sobre os materiais de construção utilizados: ligeira estrutura de ferro que suporta um pavimento de pinho com revestimento de mosaicos de plástico nas casas de banho e cozinha; paredes formadas por painéis de aglomerado de cortiça revestidos de contraplacado nos quartos e de laminado de plástico nas casas de banho e cozinha; cobertura formada por placas de aglomerado de cortiça montadas em vigas de pinho; persianas basculantes e orientáveis pelo interior por meio de cabos e ferragens de barcos.
    Ao escrever com uma considerável distância no tempo em relação à construção da casa, o autor do artigo permitiu-se à seguinte observação: “Esta primeira construção deste tipo, instalada no local há três anos, tem resistido perfeitamente a todas as condições climatéricas, inclusive ser durante o inverno constantemente banhada pela ressaca das ondas que rebentam contra as rochas em frente. A única assistência que se torna necessária tem sido uma aplicação anual de óleo de linhaça fervido nas madeiras exteriores e uma aplicação de flinkote na estrutura de ferro. É de notar o bom estado de conservação da cobertura que em nada acusa qualquer deterioração, apesar de receber durante o inverno água salgada.”
    A casa Aiola é porventura o projeto mais emblemático de todo o percurso arquitetónico de Eduardo Anahory, em que a união entre o efeito cénico do espaço envolvente e o dos materiais melhor resultado produziu. O que não significa que em vários dos seus projetos esta relação não tenha sido extremamente feliz, especialmente nas outras três casas que construiu fora da cidade para habitação própria (em Alportuche, na Azenha de Loures e na Biscaia). A estrutura assumida como elemento arquitetónico também era transversal aos seus projetos, como sustenta José António Brás Borges na sua dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Arquitectura, 2010, intitulada “Eduardo Anahory, percurso de um designer da arquitectura”. E exemplifica esta observação com as vigas contra-placadas à vista, tanto na casa Aiola como no bloco de Apartamentos de Galapos ou no Hotel de Porto Santo, que “definem um ritmo constante, evidenciando o elemento regulador do espaço – o painel standard de aglomerado negro de cortiça”.
    Já o arquiteto Pedro Taborda, que com o autor da tese acima mencionada foram os únicos até hoje a estudar a obra de Eduardo Anahory, destaca o respeito pelo sítio, “que se revelava não tanto pelo encaixe da forma ao terreno, mas pelo respeito e sentido dos elementos naturais na ideia de casas abrigo, onde a própria precariedade dos elementos construídos, pela sua fragilidade, interagiam com o ciclo ambiental”.

    Outra característica dos projetos de Anahory passa pela conceção de ambientes não especialmente luxuosos, mas confortáveis e de singular bom gosto. “Os bancos corridos de couro, os painéis de azulejo de Menez, o revestimento das paredes em madeira, a luz indirecta e discreta dos candeeiros em latão, o mobiliário moderno da fábrica Olaio (…), um ambiente acolhedor nada habitual aos estabelecimentos de restauração daquela época”, nota José António Borges no capítulo referente ao café-restaurante Vává – intervenção que elevou Anahory à condição de decorador de excelência da elite cultural da época.

    O talento aliado à sua natureza de bon vivant rendeu-lhe muitos amigos, alguns tão ilustres como Jorge Amado, Vinícius de Morais ou Oscar Niemeyer. E uma vastidão de encomendas para as várias manifestações artísticas em que se desdobrou.

    mesa anahory

    Casa de férias Aiola | Galapos

    Aiola Galapos

    aiola

    aiola

    aiola

    aiola

    Casa Arrábida


    casa arrábida

    Praia piscina flutuante do Tamariz

    piscina flutuante

    Hotel Porto Santo

    porto santo

    porto santo

    porto santo
 
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