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  1.  # 101

    Boas

    E a cimenteira era o quê, Mellos, Champallimaud?

    Acho que era Champallimaud (o tal caso Sommer), que estava também na siderurgia. Acasos do regime.

    E, curiosamente, penso que os interesses do sector, colectivamente, apontam para a construção nova ou então para um nicho de mercado muito especializado e caro. O comum dos mortais, que quer recuperar o casinhoto dos pais ou dos avós, fica com a sensação que isso é coisa para gente rica: não só toda a gente lhe diz que é mais caro do que deitar abaixo e fazer de novo (o que é muito provavelmente verdade numa grande parte dos casos),

    Será verdade, mas algum motivo haverá para além de interesses sectoriais. Como pode verificar aqui no forum uma das principais (se não a principal) preocupações de quem vai fazer casa prende-se com o factor financeiro. A recuperação é normalmente mais cara que a construção de raiz e acontece que pessoas que têm ideia de recuperar uma construção facilmente mudam de opinião quando começam perceber os custos que implica.

    Quanto ao ajudar aqui no forum confesso que é muito mais difícil falar de recuperações e o motivo é simples: se me pedem uma opinião sobre uma construção nova, basta que me forneçam alguns dados do projecto e, em princípio, posso formar uma opinião. Se a questão for relativa a uma reconstrução, só um conhecimento detalhado do que existe permite opinar. No fundo é uma questão de falta de dados havendo até casos em que só uma observação no local permitia dar uma opinião.

    cumps
    José Cardoso
    Concordam com este comentário: two-rok
  2.  # 102

    Colocado por: j cardosoQuanto ao ajudar aqui no forum confesso que é muito mais difícil falar de recuperações e o motivo é simples: se me pedem uma opinião sobre uma construção nova, basta que me forneçam alguns dados do projecto e, em princípio, posso formar uma opinião. Se a questão for relativa a uma reconstrução, só um conhecimento detalhado do que existe permite opinar. No fundo é uma questão de falta de dados havendo até casos em que só uma observação no local permitia dar uma opinião.

    Mas isto é muito dificil de fazer compreender às pessoas, porque se um valor m2 já é um difícil de dar, numa reconstrução, aquilo salta de um preço simpático para um proibitivo com a maior das calmas e uma solução que é excelente num caso, é um desastre noutro

    Também é por isso que o mundo da reabilitação é muito mais complicado que o da construção nova. Cada caso é um caso e isso obriga os técnicos a saberem e a analisar várias soluções do ponto de vista técnico e de custo/ beneficio. Dá muito mais trabalho enquanto na construção nova, o copy&paste resolve muita coisa.

    Por isso, todos tentam convencer que mandar abaixo é melhor o que aliado a alguma saloice dos donos de obras que gostam de coisas brilhantes, temos a situação que temos. O que acham que diriam 99% das pessoas quando vissem o estado do "meu" convento?

    Alguém imagina o trabalho que deu receber um orçamento que simplesmente dizia: Queremos recuperar aquela ruina e têm aqui algumas condições que queremos respeitadas, agora desenrasquem-se, estudem soluções, façam um projecto e apresentem-se a concurso com uma solução. Se perderem o concurso, perdem todo o dinheiro que investiram.
    • lobito
    • 6 fevereiro 2010 editado

     # 103

    Eu percebo o que vocês dizem, J. Cardoso e Paulo Correia. Mas faz-me impressão que às vezes as pessoas apareçam a dizer "quero recuperar esta casa mas não sei por onde começar" e a resposta standard é "vá falar com um arquitecto". Teoricamente está correcto, mas já se está mesmo a ver o que é que vai dar. Estou-me a lembrar p.ex., da Ana Barbieri, que quer recuperar com muito pouco dinheiro a casa em que nasceu, e ninguém é capaz de lhe fazer a lista absolutamente essencial das obras a fazer por uma questão de segurança e conservação, p. ex., e dizer "o resto logo se vê". Quando se quer absolutamente recuperar uma casa velha (contra ventos e marés, que é o que acontece), as pessoas estão, penso eu, dispostas a fazer concessões, em matéria de conforto, funcionalidade, etc, mas ninguém parece ser capaz de trabalhar nessa base. Imprescindível, a meu ver.

    Por outro lado, pela infinidade de discussões sobre quanto custa um projecto de arquitectura está-se também a ver que a profissão está muito mal. Eu tenho para mim que o futuro está na recuperação, e era bom que as pessoas se compenetrassem disso. Penso eu de que.
  3.  # 104

    Boas

    Estou-me a lembrar p.ex., da Ana Barbieri,

    Fui dar uma vista de olhos e fiquei com a impressão que não faltaram intervenções e ajudas.

    ninguém é capaz de lhe fazer a lista absolutamente essencial das obras a fazer por uma questão de segurança e conservação

    Falando por mim, este é um dos casos em que eu seria incapaz de dar uma opinião firme sem ver a situação "in loco".

    Por outro lado, pela infinidade de discussões sobre quanto custa um projecto de arquitectura está-se também a ver que a profissão está muito mal.

    É capaz de ter razão e eu acredito que não vai melhorar. Não conheço números, mas o que vejo no dia a dia leva-me atirar duas conclusõea:
    - a oferta aumentou muito.
    - com o aumento da oferta surgiu a baixa de preços, instalando a guerra.
    Muitos pensariam que com a nova legislação - arquitectura paras os arquitectos - a situação mudaria, mas é pura ilusão. A única diferença é que a guerra será agora entre membros da mesma classe.

    Eu tenho para mim que o futuro está na recuperação, e era bom que as pessoas se compenetrassem disso.

    E eu penso que estará enganada, oxalá que não. Em todo o caso depende mais dos clientes que dos profissionais e isso não me deixa optimista.

    cumps
    José Cardoso
    Concordam com este comentário: two-rok
  4.  # 105

    Pode ser que as coisas se equilibrem mais, à medida que o passado que as pessoas querem pôr para tras das costas se vai afastando :-)

    Eu ia a acrescentar "e à medida que a cultura da população em geral vai aumentando" mas infelizmente, não tenho a certeza de que caminhamos nessa direcção :-(
    •  
      FD
    • 6 fevereiro 2010

     # 106

    Alguns comentários foram movidos para uma nova discussão: História e orgulho português.

    Acho que é um assunto interessante que merece um espaço próprio. :)
  5.  # 107

    olá,

    Este é um apartamento que recuperámos em Lisboa, aliás neste caso recuperámos o prédio todo.Espero que gostem...Com excepção da pia antiga (q veio de outra casa) todos os elementos antigos , como os arcos, chão em pedra, portadas etc estavam na casa e são mesmo antigos.

    Rita
      DSC04771fox.jpg
  6.  # 108

    Uma das casas de banho onde deixámos uma cruz de sto André por questões meramente estéticas.
      cryres.jpg
  7.  # 109

    O hall com o chão revestido a pedras que desnterrámos do jardim durante a obra..
      dserf.jpg
  8.  # 110

    outra vista d asala..
      outra vista.jpg
  9.  # 111

    cozinha...
      coz.jpg
  10.  # 112

    e por fim mais 1 casa de banho.. Desculpem lá acho que me entusiasmei a por fotos,hehehe
      wcvfd.jpg
  11.  # 113

    já agora, para quem tem estes lava loiças parte pratos aqui está uma ideia..
      lavat.jpg
  12.  # 114

    Ritasa, lindíssimo trabalho (quando lhe voltar a aparecer uma pia dessas, se não tiver que lhe fazer, avise-me!), mas vai um bocado ao encontro do que eu estava a dizer: é evidente que uma recuperação dessas não é para todas as bolsas e é claro que quem a quiser e puder fazer, com um bocado de trabalho lá encontra quem o faça.
    A dificuldade é na recuperação mais comezinha (não quero com isso dizer que é barata ou fácil, mas sim que é mais comum), de coisas que eventualmente até nem têm um valor arquitectónico por aí além mas que estão muitas vezes bem enquadradas, são feitas de materiais que, não estragados, têm uma longevidade maior do que muitos que se usam agora, têm muitas vezes um valor afectivo para quem gostava de as recuperar, e não destroem a nossa paisagem urbanística como uma grande parte das casas, quer seja estilo português suave (sucessoras da casa tipo maison), quer seja estilo caixote novo-moderno que enxameiam as nossas urbes e aldeias... e pelas quais serão fatalmente substituídas por falta de conhecimentos, dinheiro, vontade política e social.
  13.  # 115

  14.  # 116

    Colocado por: FDAlguns comentários foram movidos para uma nova discussão:História e orgulho português.

    Acho que é um assunto interessante que merece um espaço próprio. :)


    FD,
    Estarei fora do País e certamente voltarei com orgulho português renovado, dentro de alguns dias, mas queria pedir-lhe para voltar a colocar os comentários aqui. Acho que fica desmasiado disperso o temazinho e assim deixa-me triste.
    :o(
    Obrigada.
  15.  # 117

    Rita, adorei a remodelação. Adorei as lajes no chão e o wc. Traz um pouco de alento. Obrigada!
  16.  # 118

    Também gostei muito da remodelação apresentada pela Rita.Estão de parabéns.
  17.  # 119

    Colocado por: PauloCorreia E qual foi?
    Não fazia a mínima que tinha ficado com essa ideia


    Paulo,
    Foi um frase que referia também números, qualquer coisa do género que não fazia obras por um valor menos de qualquer coisa. Deixou-me com essa ideia, que seria dos profissionais que preferem deitar abaixo e construir de novo do que recuperar o antigo. A minha casa por exemplo, foi recuperada em 1991, o que eu estou a fazer neste momento não é recuperar de "raíz" mas a manter ou "renovar" (se é essa a palavra) a recuperação que lhe foi feita (recuperar as madeiras, ou substituir o que for preciso quando houver necessidade disso, já disse que sou a favor da recuperação, mas, não sou extremista), e essa frase lembrou-me que mais facilmente recebo profissionais que me sugerem fazer tudo de novo e substituir o que tenho (assim, à primeira)do que trabalhar as matérias originais apenas dando-lhe mais longevidade.Mas, como eu própria constatei agora, estava redondamente enganada.
    Cumprimentos,
  18.  # 120

    Vocação para a aparência
    (...)Não há, de entre a escolha preexistente, nada que chegue para encher aquele espaço, pelo que terá de se arranjar “alguma coisa” que, por obra e graça desta necessidade, se transforma automaticamente em “qualquer coisa”. A partir deste momento, já não é importante que “coisa” irá ser arranjada para pendurar naquela parede.


    Contra mim falo...
    Eu coloquei este texto, mas eu própria não resisto a adquirir peças belas, cada vez mais resisto menos a coisas que gosto; antiguidades, bordalo pinheiro, espelhos trabalhados, azulejos, talhas trabalhadas, oratórios, santos, pinturas ou litografias antigas. Enfim, vou comprando e arranjando espaços para elas lá em casa.
 
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