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  1.  # 41

    Associar-me com paciência só com grande favor seu. É mais uma questão de curiosidade sobre o pensamento do luísvv e, espero eu, dos liberais - os tais que estão prontos a prescindir do Estado ... mas só até certo ponto: o que lhes convém.


    Here we go again..
  2.  # 42

    Importantly, we find that Somali living standards have often improved, not just in absolute terms, but relative to other African countries since the collapse of the Somali central government

    Na mesma linha de raciocínio atrevo-me a afirmar que a situação do povo da Coreia do Norte melhoraria imenso com a ausência do (deste) estado. Big news...
  3.  # 43

    Para além da discussão teórica sobre se o Estado é dispensável ou não, dever-se-ía discutir algo mais palpável e mais terra-a-terra: é realmente necessário que o Estado esteja metido em tudo? Porque é que a saúde, a educação, a segurança social, e outros, não estão exclusivamente na esfera da iniciativa privada?

    Na minha opinião, o Estado devia-se reduzir a Defesa, Segurança e Justiça.
  4.  # 44

    Na mesma linha de raciocínio atrevo-me a afirmar que a situação do povo da Coreia do Norte melhoraria imenso com a ausência do (deste) estado. Big news...


    Ou não. Não se esqueça que as montanhas rugiram e os pássaros choraram. Isse deve querer dizer alguma coisa. E em todo o caso, não melhorariam em comparação com outros países vizinhos..
  5.  # 45

    Não se esqueça que as montanhas rugiram e os pássaros choraram. Isse deve querer dizer alguma coisa.

    Lol.

    Ó luís, agora sem malícia mesmo: acredita que achei aquele texto (que, erradamente, atribui ao Ludwig) escrito num tom ... assim a modos que messiânico? A mim recorda-me o tom daqueles dos "amanhãs que cantam". Não fosse cair no exagero e diria que têm alguma coisa de estalinista.
  6.  # 46

    Então vamos lá à parte que eu percebo. O direito de ocupação do território pressupõe a conciliação de interesses individuais com interesses colectivos. Eu acho que devo poder construir uma fábrica de curtumes ao lado do spa do sr. vizinho. Ele diz que isso incomoda, eu acho que ele está a ser picuinhas, que eu também tenho de aturar o cheiro do incenso que vem do spa e nunca me queixei.
  7.  # 47

    Para além da discussão teórica sobre se o Estado é dispensável ou não, dever-se-ía discutir algo mais palpável e mais terra-a-terra: é realmente necessário que o Estado esteja metido em tudo? Porque é que a saúde, a educação, a segurança social, e outros, não estão exclusivamente na esfera da iniciativa privada?


    Ora, a discussão "teórica" é a base de tudo. Se começa a defender uma posição com base em critérios meramente circunstanciais e/ou utilitários, rapidamente se verá encostado às cordas, limitado a argumentos "porque sim", e a defender convicta e simultaneamente posições que se contradizem e/ou anulam.
    Quer ver?

    Na minha opinião, o Estado devia-se reduzir a Defesa, Segurança e Justiça.

    Porquê? (aposto que me vai falar em critérios de eficiência..)
  8.  # 48

    Não sei se a ideia da abolição do Estado, mesmo um «mau» estado, não será pior.


    O Luis prefere o argumento nº8.

    Veja o que se passa na Bahia, só por causa de uma grevezita das tais «pessoas armadas» a quem o Estado paga para fazer cumprir «a Lei».

    Sim. Parece que houve um aumento de 120% no número de homicídios. O que é de estranhar no país dos esquadrões da morte.
  9.  # 49

    Lol. Ó luís, agora sem malícia mesmo: acredita que achei aquele texto (que, erradamente, atribui ao Ludwig) escrito num tom ... assim a modos que messiânico? A mim recorda-me o tom daqueles dos "amanhãs que cantam". Não fosse cair no exagero e diria que têm alguma coisa de estalinista.


    Expressei-me mal. O texto uma colagem de fragmentos de um texto de Mises, da década de 20. Está um pouco datado, foca-se na resposta a questões daquela época, e perde bastante com a tradução "brasileira", que introduz alguns termos que nos são estranhos. É natural portanto que algumas coisas nos soem menos bem.

    De qualquer forma, toca no ponto que me parece importante: projectamos no Estado a nossa vontade de impor a outros as nossas preferências e gostos. Aqui no fórum, por exemplo, a discussão do Estado é feita sempre da mesma perspectiva: o Estado é melhor ou pior consoante atinge determinados objectivos - sendo esses objectivos definidos subjectiva e arbitrariamente pelos "discutentes", chamemos-lhes assim. Resumindo, o Estado (e dentro das formas de organização do Estado, a democracia )é defendido por questões de eficiência - o que nos deixa na incómoda posição de não poder coerentemente argumentar contra a instauração de uma ditadura, se conseguirmos demonstrar que a ditadura é mais eficiente que a democracia.
  10.  # 50

    luisvv

    rendo-me á sua muita sapiencia e a sério gostaria de conhecer a sua ideia para o estado ou não estado, pois ainda não percebi afinal o que defende exactamente, será um estado minimo? mas em que consiste para si um estado minimo?
  11.  # 51

    Para manter esta boiada à que esmifrar o Zé toino…..

    Para conhecimento de alguns atentados que os funcionários do Estado são vitimas e dos quais passam como culpados, eis 3 casos que se passam na chafarica, perdão, secretaria de estado onde me encontro a prestar serviço e que julgo dever dar a conhecer a todos, já que a comunicação social se ocupa mais em dar cobertura aos diversos violadores.
    Por profissionalismo não irei contar casos de âmbito funcional de algumas instituições dependentes da secretaria de estado da cultura, os quais levariam à violação do dever de sigilo e que poriam certamente os cabelos em pé de muitos. Mas lá vão 3 casos que apesar de encobertos são públicos:

    Na página da internet http://www.portugal.gov.pt/PT/GC19/GOVERNO/NOMEACOES/SEC/Pages/Nomeacoes_SEC.aspx, onde consta muita engenharia financeira, charlatanices, poderão consultar uma vasta lista de nomeados para a SEC, a qual está desactualizada em função de mais nomeações que entretanto ocorreram.


    1º caso

    Nessa lista constam 4 motoristas, sendo que apesar de terem sido informalmente todos propostos no mesmo dia, 3 deles têm a data oficial de nomeação a 28.06.2011, o outro tem como se pode ver no anúncio que se segue, a data de nomeação é 18.07.2011. Sabem porquê? Porque estava à espera de lhe ser emitida a carta de condução que acabara de tirar.

    Entretanto, recebi um mail via pombo correio que informava que o rapaz de 21 anos e de origem brasileira tem uma longa experiência em carrinhos automáticos e que foi proposto por um emissário do Paulo Portas, o qual tinha muito boas referências do rapaz desde que frequentou um ginásio com massagens, ou seja, SPA. Com tantos motoristas do extinto ministério da cultura e de outros organismos públicos na situação de mobilidade, só sendo muito bom é que este lhes tirou a condução.

    Motorista - André Viola
    2011-07-18
    Cargo: Motorista
    Nome: André Wilson da Luz Viola
    Idade: 21 Anos
    Vencimento mensal bruto: 2.610,01€ (mais horas extraordinárias, massagens incluídas)
    Contacto: [email protected]

    2º caso

    A senhora que se segue é uma especialista em Economia e como tal fez grande parte da sua carreira (como se poderá ver no CV anexo à Resolução que transcrevo), no departamento da Higiene Urbana e Resíduos da CMLisboa.

    Como profunda conhecedora dos procedimentos da administração pública, há cerca de um ano concorreu para técnica superior do Ministério de Educação. Nessa altura como os alternantes eram outros, a senhora foi legalmente excluída por falta de condição obrigatória (vínculo à administração Central do Estado).
    Pois é, mas os tempos mudaram e a senhora em Junho deste ano foi nomeada (facto oculto no tal CV) Directora de Recursos Humanos (outra espécie de resíduos sólidos) da IGAC, onde nunca ninguém a viu, pois a nomeação dela foi por 3 dias, tendo sido de imediato requisitada para a SEC, ou seja, qualquer coisa que corra mal regressa como Directora de Serviços, o resto ninguém sabe e são cantigas.
    Mas nada corre mal às pessoas competentes em matérias do reino do ocultismo e eis que a senhora passados 5 meses, como os 4.163,27€, fora os extras, não lhe chegavam é nomeada Administradora do Teatro D. Maria II. Aqui temos o exemplo da capacidade das pessoas saberem estar no local certo à hora certa, pois a senhora como especialista em Higiene Urbana vai ser de vital importância no combate aos pombos que lá fazem as suas necessidades.

    Colaboradora/Especialista - Sandra Simões
    2011-07-05
    Cargo: Colaboradora/Especialista
    Nome: Sandra Maria Albuquerque e Castro Simões
    Idade: 39 Anos
    Vencimento mensal bruto: 4.163,27€
    Contacto: [email protected]
    Diário da República, 2.ª série — N.º 239 — 15 de Dezembro de 2011 Resolução n.º 21/2011.
    Nos termos do n.º 2 do artigo 6.º dos Estatutos do Teatro Nacional D. Maria II, E. P. E. (TNDM II, E. P. E.), aprovados em anexo ao Decreto -Lei n.º 158/2007, de 27 de Abril, os membros do conselho de administração são nomeados por resolução do Conselho de Ministros, sob proposta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da cultura.
    Considerando que terminou, entretanto, o mandato dos membros do conselho de administração do TNDM II, E. P. E., torna -se necessário e urgente proceder à nomeação dos novos membros do órgão de administração a fim de garantir o regular funcionamento deste Teatro Nacional.
    Considerando que as empresas públicas da área da cultura, no âmbito do processo em curso de optimização dos recursos públicos, vão ser objecto, a curto prazo, de alterações estatutárias e agrupadas num acordo complementar de empresas, os mandatos dos membros do conselho de administração que ora se nomeiam terminarão, excepcionalmente, com a entrada em vigor da legislação que vai concretizar a reorganização das empresas públicas do Estado da área da cultura.
    Assim:
    Nos termos do n.º 2 do artigo 6.º dos Estatutos do TNDM II, E. P. E., aprovados em anexo ao Decreto -Lei n.º 158/2007, de 27 de Abril, e da alínea d) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
    1 — Nomear, sob proposta do Ministro de Estado e das Finanças e do Secretário de Estado da Cultura, o licenciado Carlos Manuel dos Santos Vargas e os licenciados António Maria Trigoso de Lemos Taborda Pignatelli e Sandra Maria Albuquerque e Castro Simões para os cargos, respectivamente, de presidente e vogais do conselho de administração do TNDM II, E. P. E., cujas notas curriculares constam do anexo à presente resolução e da qual fazem parte integrante.

    3º caso
    Por fim temos o caso da tal rapariga que ganha mais que todos os outros nomeados, 5.724,31€, mais que o Chefe de Gabinete do secretário de estado e muito mais que qualquer outro assessor, sendo que até lá há gente que gosta e sabe trabalhar.
    Há quem diga que a senhora que referi anteriormente se terá empertigado com a situação desta, pois ganhava 2/3 e até já tinha 3 dias de cargo de Direcção na Administração Pública e esta a única experiência que tinha com a Administração Pública era a de escrever o endereço nas cartas e no mail a enviar pedidos de fiscalização às lojas de fotocópias, no intuito destas serem pressionadas (obrigadas) a pagarem à AGECOP (associação de gestão de direitos de autor) uma exorbitância para (i)legalmente poderem fazer algumas fotocópias.
    Como Directora dessa grande empresa de Exportação, perdão, associação de exploração de direitos de autor a senhora ganha de ordenado, fora tudo o resto, e é muito mais, os miseráveis 4.724,31€. Digo miseráveis pois como sabem o contributo desta senhora é fundamental para os autores deste país que ganham muitos milhares a mais que ela e que sem o esforço desta humilde senhora nada teriam.


    Adjunta - Vera Castanheira
    2011-06-28
    Cargo: Adjunta
    Nome: Vera Maria Duarte Mendes Castanheira
    Idade: 32 Anos
    Vencimento mensal bruto: 5.724,31€
    Contacto: [email protected]

    Desculpem o desassossego, mas é o contributo que penso poder dar contra o massacre a que estamos a ser submetidos.

    Saúde e Protecção dos DEUSES, pois um só não chega

    É UM GOSTO VIVER NESTE PORTUGAL DELAPIDADO...POR ESTES ALEGADOS SOCIAIS DEMOCRATAS E DEMOCRATAS CRISTÃOS...POIS! AO DOMINGO VÃO À MISSA... E NA SEGUNDA-FEIRA SEGUINTE JULGAM-SE LIMPOS E ABSOLVIDOS DE TODOS OS CRIMES QUE DURANTE A SEMANA VÃO REINCIDINDO, EM TOTAL IMPUNIDADE! NO DOMINGO SEGUINTE VOLTAM A IR À MISSA!...

    ATÉ QUANDO VAMOS PERMITIR ISTO, AO MESMO TEMPO QUE NOS VÃO ROUBANDO TODOS OS DIAS?!
  12.  # 52

    Esta tirei do sol...é de se lhe tirar o chapéu!
  13.  # 53

    Resumindo, o Estado (e dentro das formas de organização do Estado, a democracia ) é defendido por questões de eficiência - o que nos deixa na incómoda posição de não poder coerentemente argumentar contra a instauração de uma ditadura, se conseguirmos demonstrar que a ditadura é mais eficiente que a democracia.


    Não deixa não. Contrariamente ao que pretende ignorar na afirmação, num sistema democrático a eficácia é condição necessária mas não suficiente; de facto a eficácia de nada vale sem a satisfação de um - chamemos-lhe assim - pacote básico que inclui o respeito por alguns direitos considerados fundamentais na sociedade ocidental. Todavia a sua posição não me surpreende, talvez seja fruto da minha nula formação política/económica/financeira, vejo nos liberais algumas coisas que não gosto:

    - o facto de fazerem do lucro o principal objectivo da vida e pretexto para uma clara e fria falta de solidariedade para com o outro, uma espécie de lei da selva "soft core".

    - a falta de coragem em ir até ao fim. Porque não a total ausência do Estado, sem Justiça, Defesa ou o que seja? Porque não a lei da selva "hard core"?
  14.  # 54

    Não deixa não. Contrariamente ao que pretende ignorar na afirmação, num sistema democrático a eficácia é condição necessária mas não suficiente; de facto a eficácia de nada vale sem a satisfação de um - chamemos-lhe assim - pacote básico que inclui o respeito por alguns direitos considerados fundamentais na sociedade ocidental.

    A discussão começa a ser mais proveitosa...

    E de que se comporia esse pacote básico?

    Todavia a sua posição não me surpreende, talvez seja fruto da minha nula formação política/económica/financeira, vejo nos liberais algumas coisas que não gosto:
    - o facto de fazerem do lucro o principal objectivo da vida e pretexto para uma clara e fria falta de solidariedade para com o outro, uma espécie de lei da selva "soft core".

    Certamente não ficará surpreendido, mas tenho que discordar. Antes de mais, a ênfase nas questões económicas resulta em grande medida de um erro de perspectiva. O liberalismo é uma filosofia, não uma disciplina económica. As suas implicações na economia decorrem da aplicação dos seus princípios.
    Além disso a defesa da liberdade (em qualquer das suas dimensões) não exclui, de forma alguma, antes pressupõe e valoriza a solidariedade - mas não a solidariedade à força.


    a falta de coragem em ir até ao fim. Porque não a total ausência do Estado, sem Justiça, Defesa ou o que seja? Porque não a lei da selva "hard core"?


    Essa será uma crítica válida às correntes liberais que defendem o Estado mínimo (ou mesmo o Estado com qualquer dimensão). De facto, quando se começa por justificar ou atacar o Estado por critérios de utilidade (a eficácia na prossecução de determinados objectivos), é inevitável cair em contradição.

    Dito isto, a mesma crítica é válida para os defensores do Estado nas suas múltiplas variantes, visto que acabam sempre a defendê-lo por critérios de eficácia...

    Por fim, da perspectiva anarco-capitalista a inexistência de Estado é o objectivo, pelo que o argumento não se aplica. É bom no entanto recordar que ausência de Estado não significa lei da selva (e pelo que vejo, o j cardoso é adepto do argumento nº8), apenas a inexistência de um monopolista no fornecimento de determinados bens.
  15.  # 55

    E de que se comporia esse pacote básico?


    Não sendo eu um adepto do sistema parlamentar não sou o mais indicado para responder a essa pergunta. Se restringe a questão aos sistemas parlamentares então direi que esse pacote inclui a saúde, educação,justiça e direitos cívicos.

    O liberalismo é uma filosofia, não uma disciplina económica. As suas implicações na economia decorrem da aplicação dos seus princípios.


    Sendo uma filosofia coerente - e não me posso pronunciar sobre o que não conheço devidamente mas acredito que seja coerente ou não constituiria uma doutrina - a ênfase dada às questões económicas leva-me a pensar no liberalismo como uma doutrina que estabelece como objectivo principal de uma sociedade o enriquecimento independentemente da distribuição dos rendimentos. Prefiro uma visão em que o objectivo seja o bem estar de todos e o desenvolvimento económico seja um instrumento e não o objectivo em si.

    É bom no entanto recordar que ausência de Estado não significa lei da selva


    Acho curiosa esta afirmação: qual será a lei então?

    (e pelo que vejo, o j cardoso é adepto do argumento nº8)

    8. Sem a escravatura, os antigos escravos iriam ser possuídos por uma fúria destrutiva, roubando, matando, raptando e, de modo geral, provocando distúrbios por onde quer que passassem. A preservação da ordem social excluiria, portanto, o abolicionismo. Os habitantes dos estados do Sul viviam aterrorizados com a revolta dos escravos. Os habitantes dos estados do Norte já consideravam a sua situação intolerável, com o influxo, em meados do século 19, de irlandeses bêbados e barulhentos. Se a isto fosse adicionado uma nova massa de negros livres – de quem os irlandeses não gostavam – o resultado seria, quase certamente, o caos social.


    Vê mal. O luís apresenta argumentos interessantes mas, na minha opinião, falha redondamente na interpretação do que é dito. Cá para mim está perfeitamente ciente que o faz, não é uma falha é uma "distorção" de molde a conduzir a discussão.
  16.  # 56

    Colocado por: j cardosoVê mal. O luís apresenta argumentos interessantes mas, na minha opinião, falha redondamente na interpretação do que é dito. Cá para mim está perfeitamente ciente que o faz, não é uma falha é uma "distorção" de molde a conduzir a discussão.

    À político digamos...por isso mesmo(distorções)a europa anda como está!
    • luisvv
    • 8 fevereiro 2012 editado

     # 57

    Não sendo eu um adepto do sistema parlamentar não sou o mais indicado para responder a essa pergunta. Se restringe a questão aos sistemas parlamentares então direi que esse pacote inclui a saúde, educação,justiça e direitos cívicos.


    O seu pacote ignora o fundamental: a vida e a liberdade (concedo que possam estar diluídas nos direitos cívicos). Mas voltaremos a este assunto de seguida.

    Sendo uma filosofia coerente - e não me posso pronunciar sobre o que não conheço devidamente mas acredito que seja coerente ou não constituiria uma doutrina - a ênfase dada às questões económicas leva-me a pensar no liberalismo como uma doutrina que estabelece como objectivo principal de uma sociedade o enriquecimento independentemente da distribuição dos rendimentos. Prefiro uma visão em que o objectivo seja o bem estar de todos e o desenvolvimento económico seja um instrumento e não o objectivo em si.

    Mas a perspectiva liberal é outra: a defesa do direito de cada um perseguir os seus objectivos, sabendo que cada um de nós é um indivíduo e não mera parte de uma massa. Se quiser, algo que pode ser traduzido pelo famoso trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos:
    "We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness."
    Saliento aqui que é formulado o direito à busca da felicidade, e não o direito à felicidade...

    Repare que a ênfase na liberdade assenta na ideia de que cada um é o melhorúnico juiz do seu interesse e objectivos, e que não cabe a terceiros definir quais devem ser esses interesses e objectivos, e muito menos definir o modo de os atingir. O interesse geral como é normalmente definido é uma ficção - não existe o interesse da comunidade, existem interesses de cada um dos membros dessa comunidade, todos legítimos enquanto não coagem outros membros. Deste ponto de vista não há qualquer julgamento de valor sobre as escolhas de cada um, conquanto não violem os 2 fundamentos: vida e liberdade (da qual deriva o direito à propriedade de bens adquiridos legitimamente).

    Acho curiosa esta afirmação: qual será a lei então?

    Não há qualquer motivo para supor que a ausência de estado equivale ao caos. A ausência de um monopolista do fornecimento de ordem e justiça, não elimina a procura desses bens e o seu fornecimento em regime de concorrência.

    Vê mal. O luís apresenta argumentos interessantes mas, na minha opinião, falha redondamente na interpretação do que é dito. Cá para mim está perfeitamente ciente que o faz, não é uma falha é uma "distorção" de molde a conduzir a discussão.

    Sim, por vezes conduzo a discussão de forma a levar o arguente a expressar mais claramente a sua posição. É útil, porque muita da argumentação utilizada não é mais elaborada que um "porque sim" ou "porque não", e analisados os argumentos chegamos à conclusão que não há um pensamento por trás. Há muitas conclusões e posições de base implícitas de que o arguente não se apercebe, e que por vezes é engraçado mostrar. E às vezes é preciso andar à roda para conseguir levar alguém a defender aquilo em que crê... E claro que há outras alturas em que simplesmente quero chegar mais depressa ao ponto...

    Mas neste caso concreto, não é isso que está em análise. O seu argumento é efectivamente análogo ao nº8: na ausência de escravaturaEstado, seria o caos, ou a "lei da selva".
  17.  # 58

    O seu pacote ignora o fundamental: a vida e a liberdade (concedo que possam estar diluídas nos direitos cívicos).


    Concede? Isso não depende da sua … generosidade - ou acha que o direito à vida e o direito à liberdade não fazem parte da carta de direitos?

    Mas a perspectiva liberal é outra: a defesa do direito de cada um perseguir os seus objectivos, sabendo que cada um de nós é um indivíduo e não mera parte de uma massa.


    Parece esquecer-se que a liberdade individual tem um limite: a liberdade individual do outro. Este simples facto impõe um limite á “liberdade individual”.

    Se quiser, algo que pode ser traduzido pelo famoso trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos:
    "We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness."


    Por muito que o possa chocar esse documento parece-me muito pouco relevante. Foi subscrito por esclavagistas que tinham uma noção muito restritiva de “all men”.

    O interesse geral como é normalmente definido é uma ficção - não existe o interesse da comunidade, existem interesses de cada um dos membros dessa comunidade, todos legítimos enquanto não coagem outros membros. Deste ponto de vista não há qualquer julgamento de valor sobre as escolhas de cada um, conquanto não violem os 2 fundamentos: vida e liberdade (da qual deriva o direito à propriedade de bens adquiridos legitimamente).

    Isso é uma falácia e uma leitura enviesada de molde a justificar a conclusão pretendida: depende da noção de “legitimidade” da propriedade, algo que os liberais têm muita dificuldade em discutir.
    È “engraçado “ que estejam prontos a discutir a “legitimidade” de outros interesses mas não o da propriedade - exactamente da mesma forma que os marxistas não aceitam discutir a legitimidade da propriedade colectiva. Há entre os liberais e os marxistas mais pontos em comum do que os liberais gostam de admitir.

    Não há qualquer motivo para supor que a ausência de estado equivale ao caos. A ausência de um monopolista do fornecimento de ordem e justiça, não elimina a procura desses bens e o seu fornecimento em regime de concorrência.


    Também não há motivos para supor o contrário. A questão não passa por ser ou não um monopólio, a questão passa pela instituição de um sistema judicial aceite por todos - para todos. O exemplo da sociedade actual prova à saciedade que a tomada do poder político pelo económico passa por fases intermédias de tomada de poderes como o judicial e legislativo que ficam assim à ordem do poder económico. Se casos há em que o Vladimir Ilitch tem razão na sua análise este é um deles: o poder legislativo e o poder judicial são, nas sociedades actuais, poderes de classe. O liberalismo pretende, no fundo, exactamente a mesma coisa: a subordinação de todos os poderes ao poder económico.

    Sim, por vezes conduzo a discussão de forma a levar o arguente a expressar mais claramente a sua posição. É útil, porque muita da argumentação utilizada não é mais elaborada que um "porque sim" ou "porque não", e analisados os argumentos chegamos à conclusão que não há um pensamento por trás. Há muitas conclusões e posições de base implícitas de que o arguente não se apercebe, e que por vezes é engraçado mostrar. E às vezes é preciso andar à roda para conseguir levar alguém a defender aquilo em que crê... E claro que há outras alturas em que simplesmente quero chegar mais depressa ao ponto...


    Ora cá está outra coisa que o luísvv compartilha com os Leninistas: o luísvv vê-se como uma elite (a vanguarda revolucionária) que tem por missão “conduzir” as massas sem consciência crítica de modo a fazer-lhes ver a verdade. Por muito que acredite nas suas altas capacidades ainda não lhe reconheço - nem a ninguém - o papel de “Guia”. É uma atitude paternalista que em nada abona e seu favor e que revela a pouca consideração que tem pelo espírito crítico de quem não partilha as suas ideias e os seus métodos. Não é sequer original, já o “camarada” Arnaldo Matos (o “Pai da classe operária”) tinha a mesma atitude, no que era cegamente seguido por muitos que agora passeiam a sua “democraticidade” pela Comissão Europeia e pelo actual governo português - quem diria que os revolucionários de ontem são hoje os defensores da ordem burguesa?

    Concluindo: vejo demasiadas parecenças entre os “revolucionários” leninistas de ontem e os liberais de hoje - e adivinho-lhes o mesmo destino histórico: o caixote do lixo.
    Concordam com este comentário: Jorge Rocha, oxelfeR (RIP)
    Estas pessoas agradeceram este comentário: becas, oxelfeR (RIP)
  18.  # 59

    Colocado por: luisvvA ausência de um monopolista do fornecimento de ordem e justiça, não elimina a procura desses bens e o seu fornecimento em regime de concorrência.

    Como é que isso se materializaria na prática?

    Se hoje alguém atentar contra a minha liberdade, por exemplo alguém que me assalte a casa e roube os meus bens, eu posso recorrer ao Estado para me defender (espero).

    Se tiver vários "fornecedores" de segurança e justiça quem lhes autorga a autoridade de poder agir contra a liberdade do ladrão, já que não há Estado? E com base em que lei penal actuariam? Cada um teria a sua própria?
    • eu
    • 8 fevereiro 2012 editado

     # 60

    As utopias são todas muito interessantes no papel, mas todas se baseiam num modelo de ser humano que não corresponde à realidade.

    Assim, caro luisvv, responda-me a esta pergunta muito simples: qual é o País do mundo que mais se aproxima da perspectiva liberal que defende ?
 
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