Associar-me com paciência só com grande favor seu. É mais uma questão de curiosidade sobre o pensamento do luísvv e, espero eu, dos liberais - os tais que estão prontos a prescindir do Estado ... mas só até certo ponto: o que lhes convém.
Importantly, we find that Somali living standards have often improved, not just in absolute terms, but relative to other African countries since the collapse of the Somali central government
Na mesma linha de raciocínio atrevo-me a afirmar que a situação do povo da Coreia do Norte melhoraria imenso com a ausência do (deste) estado. Big news...
Não se esqueça que as montanhas rugiram e os pássaros choraram. Isse deve querer dizer alguma coisa.
Para além da discussão teórica sobre se o Estado é dispensável ou não, dever-se-ía discutir algo mais palpável e mais terra-a-terra: é realmente necessário que o Estado esteja metido em tudo? Porque é que a saúde, a educação, a segurança social, e outros, não estão exclusivamente na esfera da iniciativa privada?
Na minha opinião, o Estado devia-se reduzir a Defesa, Segurança e Justiça.
Não sei se a ideia da abolição do Estado, mesmo um «mau» estado, não será pior.
Veja o que se passa na Bahia, só por causa de uma grevezita das tais «pessoas armadas» a quem o Estado paga para fazer cumprir «a Lei».
Lol. Ó luís, agora sem malícia mesmo: acredita que achei aquele texto (que, erradamente, atribui ao Ludwig) escrito num tom ... assim a modos que messiânico? A mim recorda-me o tom daqueles dos "amanhãs que cantam". Não fosse cair no exagero e diria que têm alguma coisa de estalinista.
Resumindo, o Estado (e dentro das formas de organização do Estado, a democracia ) é defendido por questões de eficiência - o que nos deixa na incómoda posição de não poder coerentemente argumentar contra a instauração de uma ditadura, se conseguirmos demonstrar que a ditadura é mais eficiente que a democracia.
Não deixa não. Contrariamente ao que pretende ignorar na afirmação, num sistema democrático a eficácia é condição necessária mas não suficiente; de facto a eficácia de nada vale sem a satisfação de um - chamemos-lhe assim - pacote básico que inclui o respeito por alguns direitos considerados fundamentais na sociedade ocidental.
Todavia a sua posição não me surpreende, talvez seja fruto da minha nula formação política/económica/financeira, vejo nos liberais algumas coisas que não gosto:
- o facto de fazerem do lucro o principal objectivo da vida e pretexto para uma clara e fria falta de solidariedade para com o outro, uma espécie de lei da selva "soft core".
a falta de coragem em ir até ao fim. Porque não a total ausência do Estado, sem Justiça, Defesa ou o que seja? Porque não a lei da selva "hard core"?
E de que se comporia esse pacote básico?
O liberalismo é uma filosofia, não uma disciplina económica. As suas implicações na economia decorrem da aplicação dos seus princípios.
É bom no entanto recordar que ausência de Estado não significa lei da selva
(e pelo que vejo, o j cardoso é adepto do argumento nº8)
8. Sem a escravatura, os antigos escravos iriam ser possuídos por uma fúria destrutiva, roubando, matando, raptando e, de modo geral, provocando distúrbios por onde quer que passassem. A preservação da ordem social excluiria, portanto, o abolicionismo. Os habitantes dos estados do Sul viviam aterrorizados com a revolta dos escravos. Os habitantes dos estados do Norte já consideravam a sua situação intolerável, com o influxo, em meados do século 19, de irlandeses bêbados e barulhentos. Se a isto fosse adicionado uma nova massa de negros livres – de quem os irlandeses não gostavam – o resultado seria, quase certamente, o caos social.
Colocado por: j cardosoVê mal. O luís apresenta argumentos interessantes mas, na minha opinião, falha redondamente na interpretação do que é dito. Cá para mim está perfeitamente ciente que o faz, não é uma falha é uma "distorção" de molde a conduzir a discussão.
Não sendo eu um adepto do sistema parlamentar não sou o mais indicado para responder a essa pergunta. Se restringe a questão aos sistemas parlamentares então direi que esse pacote inclui a saúde, educação,justiça e direitos cívicos.
Sendo uma filosofia coerente - e não me posso pronunciar sobre o que não conheço devidamente mas acredito que seja coerente ou não constituiria uma doutrina - a ênfase dada às questões económicas leva-me a pensar no liberalismo como uma doutrina que estabelece como objectivo principal de uma sociedade o enriquecimento independentemente da distribuição dos rendimentos. Prefiro uma visão em que o objectivo seja o bem estar de todos e o desenvolvimento económico seja um instrumento e não o objectivo em si.
Acho curiosa esta afirmação: qual será a lei então?
Vê mal. O luís apresenta argumentos interessantes mas, na minha opinião, falha redondamente na interpretação do que é dito. Cá para mim está perfeitamente ciente que o faz, não é uma falha é uma "distorção" de molde a conduzir a discussão.
O seu pacote ignora o fundamental: a vida e a liberdade (concedo que possam estar diluídas nos direitos cívicos).
Mas a perspectiva liberal é outra: a defesa do direito de cada um perseguir os seus objectivos, sabendo que cada um de nós é um indivíduo e não mera parte de uma massa.
Se quiser, algo que pode ser traduzido pelo famoso trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos:
"We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness."
O interesse geral como é normalmente definido é uma ficção - não existe o interesse da comunidade, existem interesses de cada um dos membros dessa comunidade, todos legítimos enquanto não coagem outros membros. Deste ponto de vista não há qualquer julgamento de valor sobre as escolhas de cada um, conquanto não violem os 2 fundamentos: vida e liberdade (da qual deriva o direito à propriedade de bens adquiridos legitimamente).
Não há qualquer motivo para supor que a ausência de estado equivale ao caos. A ausência de um monopolista do fornecimento de ordem e justiça, não elimina a procura desses bens e o seu fornecimento em regime de concorrência.
Sim, por vezes conduzo a discussão de forma a levar o arguente a expressar mais claramente a sua posição. É útil, porque muita da argumentação utilizada não é mais elaborada que um "porque sim" ou "porque não", e analisados os argumentos chegamos à conclusão que não há um pensamento por trás. Há muitas conclusões e posições de base implícitas de que o arguente não se apercebe, e que por vezes é engraçado mostrar. E às vezes é preciso andar à roda para conseguir levar alguém a defender aquilo em que crê... E claro que há outras alturas em que simplesmente quero chegar mais depressa ao ponto...
Colocado por: luisvvA ausência de um monopolista do fornecimento de ordem e justiça, não elimina a procura desses bens e o seu fornecimento em regime de concorrência.