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    • altar
    • 4 abril 2011 editado

     # 1

    Acabou de dar na TVI uma reportagem sobre os efeitos da austeridade na Grécia e na Irlanda

    O que mais me assustou foram os cortes de salários. No início era apenas no público, como aconteceu em Portugal, mas agora os cortes estendem-se também ao privado e são brutais para ambos ( público e privado ), rondam os 20% a 30% nos ordenados líquidos....sim, líquidos

    Um agregado familiar onde marido e mulher sofram ambos um corte de 20%, isso é um rombo abismal no rendimento da família

    Não interessa aqui o rendimento liquido de cada família porque quanto mais se ganha maiores são os gastos, logo esse rombo será transversal a todas as classes.

    Eu temo muito mais os cortes nos salários do que os juros subam. Não me assustam juros de 5%, mas assusta-me imenso um corte de 20% no meu salário e outros 20% no da minha mulher.

    não vos assusta isso ? e os privados também não estão a safo, estes também poderão sofrer cortes como aconteceu na Grécia

    Não interessa os empréstimos e rendimentos de cada classe, o que interessa reter é que o corte nos rendimentos líquidos será transversal e por conseguinte afectará a todos por igual. Tanto poderá ir à falência uma família que ganhe 1000 como quem ganhe 5000

    Será que vamos conseguir pagar as nossas casas, os nossos carros, etc... num cenário negro desses ?
  1.  # 2

    Depende de tantas coisas, é uma pergunta tão generalista que não tem uma resposta concreta, cada um sabe de si.
    • altar
    • 4 abril 2011 editado

     # 3

    Colocado por: rjmsilvaDepende de tantas coisas, é uma pergunta tão generalista que não tem uma resposta concreta, cada um sabe de si.


    No meu caso seria um corte de 600 euros líquidos no meu agregado, mais do que aquilo que pago actualmente pela minha casa com os juros de Janeiro ( 1.2 % )

    Só tenho o empréstimo da casa, prestação confortável, e não tenho mais nenhum empréstimo, e tenho 2 filhos

    Estou a exagerar nas minhas preocupações ?
  2.  # 4

    Acho que com a queda de rendimentos e com a "ajuda" da subida de taxas de juro, muita gente vai deixar de pagar os créditos de casas e carros.
  3.  # 5

    Não estou a ver como quem quer que seja me pode obrigar a reduzir em 20% os ordenados dos meus empregados... Mas se isso vier a acontecer, espero que me avisem para eu os aumentar na véspera.

    Se os ordenados descem, também descem as contribuições para a Segurança Social e para o IRS.
    E se estes valores descem, onde vão buscar dinheiro para pagar aos Funcionários Públicos?
  4.  # 6

    Nao sei que raio de economistas existem na UE que obrigam os paises a seguirem politicas de restriçao economica, retraindo a economia em vez de a estimular. Um bom exemplo disso e' a Grecia que mesmo com a "ajuda" da FMI entrou em recessao e e' aconselhada a retrair mais a sua pobre (podre?) economia. E agora querem que Portugal siga o mesmo caminho!!???
  5.  # 7

    Colocado por: Luis K. W.Não estou a ver como quem quer que seja me pode obrigar a reduzir em 20% os ordenados dos meus empregados... Mas se isso vier a acontecer, espero que me avisem para eu os aumentar na véspera.

    Se os ordenados descem, também descem as contribuições para a Segurança Social e para o IRS.
    E se estes valores descem, onde vão buscar dinheiro para pagar aos Funcionários Públicos?

    Os novos contratos nas empresas privadas desde há uns tempos e dependendo dos sectores de actividade têm tido uma descida significativa. Na medida em que vai aumentando o desemprego e a percentagem das pessoas que conseguem novo emprego, têm um contrato com um salário inferior, o nível de rendimentos a um nível global, desce.

    E é verdade que o Estado vai obter cada vez menos receitas.
  6.  # 8

    Colocado por: Luis K. W.Não estou a ver como quem quer que seja me pode obrigar a reduzir em 20% os ordenados dos meus empregados... Mas se isso vier a acontecer, espero que me avisem para eu os aumentar na véspera.

    Se os ordenados descem, também descem as contribuições para a Segurança Social e para o IRS.
    E se estes valores descem, onde vão buscar dinheiro para pagar aos Funcionários Públicos?


    Não se preocupe..porque primeiro vamos nós (FP) pela rampa abaixo..com cortes ainda mais apertados e depois é que sofrem os privados e quando isso acontecer os cortes que anteriormente levamos vão ficar equilibrados com aquilo que nos têm que pagar todos os meses.
    Cumprimentos
  7.  # 9

    Colocado por: vmontalvaoNao sei que raio de economistas existem na UE que obrigam os paises a seguirem politicas de restriçao economica, retraindo a economia em vez de a estimular. Um bom exemplo disso e' a Grecia que mesmo com a "ajuda" da FMI entrou em recessao e e' aconselhada a retrair mais a sua pobre (podre?) economia. E agora querem que Portugal siga o mesmo caminho!!???

    Os nossos credores obrigam-nos a seguir uma política restritiva, porque ninguém os obriga a eles a continuarem a emprestarem-nos dinheiro.
  8.  # 10

    Colocado por: altar

    Será que vamos conseguir pagar as nossas casas, os nossos carros, etc... num cenário negro desses ?


    Quem não consegue pagar vende, é simples
  9.  # 11

    Colocado por: jorgferr

    Quem não consegue pagar vende, é simples


    Simples seria se o mercado estivesse bom para vender!
  10.  # 12

    Colocado por: J.Fernandes
    Os nossos credores obrigam-nos a seguir uma política restritiva, porque ninguém os obriga a eles a continuarem a emprestarem-nos dinheiro.


    Se Portugal sair da UE talvez nao seriamos mais obrigados a nada. Pelo menos pela Alemanha...
  11.  # 13

    Colocado por: vmontalvao

    Se Portugal sair da UE talvez nao seriamos mais obrigados a nada. Pelo menos pela Alemanha...

    Acho que você não está a perceber. Nós somos obrigados a cumprir as regras que nos quiserem impor, porque precisamos que nos emprestem dinheiro. Se não quisermos fazer o que querem que nós façamos é muito simples, basta não pedir mais dinheiro emprestado. Bem, depois é só pensar numa maneira de ir arranjar dinheiro para pagar a func. públicos, reformados, manter em funcionamento escolas, hospitais, tribunais, etc. etc.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: eu
  12.  # 14

    Colocado por: vmontalvao

    Se Portugal sair da UE talvez nao seriamos mais obrigados a nada. Pelo menos pela Alemanha...


    Se Portugal sair da UE começa a pagar juros de 15% como era antes do euro. Por outro lado saindo da UE poderíamos desvalorizar a moeda e assim a economia "espevitar" mais aumentando as exportações e atraindo emprego (mão de obra barata). MAS a divida terá de continuar a ser paga em euros, logo com escudo desvalorizado teríamos de pagar muito mais dinheiro do que tendo uma moeda forte por causa do cambio.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: vmontalvao
  13.  # 15

    Colocado por: vmontalvao

    Simples seria se o mercado estivesse bom para vender!


    Se o mercado estivesse bom para vender não estaríamos em crise...eu durante alguns anos pensei se o "burro era eu", nunca consegui perceber os empréstimos avultados de colegas e amigos para comprar casas,carro,ferias,etc (geração dos anos 80). Cheguei mesmo a pensar:devo ser mesmo burro, se todos pedem milhares e milhares eu também devia pedir em vez de ter um Renault clio e de morar um T1 alugado de 1974...hoje a situação está neste ponto: eles dizem que há crise, eu confortavelmente continuo a poupar 25% do meu rendimento sem grandes dificuldades e faço uma vida razoável.

    PS: Achei piada na reportagem da TVI uma senhora que tanto se queixava da crise mas tinha os dois filhos em colégios privados e não se via a colocálos num liceu "normal".
  14.  # 16

    Caro J. Fernandes, a questao nao e' perceber o estado em que estamos, porque isso sabemos. A questao e' saber se ha' outras solucoes. Por exemplo lancei a ideia (provalvemente sem cabimento) de sair da UE e o jorgferr ate' consegui demonstrar alguma viabilidade. Mas isto sou eu que nao sou economista (nem tenho bases para tal) a tentar dar ideias.
    E nao acredito que todos os economistas do mundo (pelo menos da Europa) pensem que o se esta' a seguir a melhor soluçao. Deve de haver alternativas bem viaveis. Sao essas alternativas que gostaria de ouvir.
  15.  # 17

    Alternativas deve haver muitas. O problema, na minha opinião, é estarmos presos a uma dívida enorme por parte do estado mas também dos particulares, uma dívida que não nos dá espaço para poder escolher, que nos deixa literalmente nas mãos dos credores.
  16.  # 18

    Colocado por: vmontalvaoCaro J. Fernandes, a questao nao e' perceber o estado em que estamos, porque isso sabemos. A questao e' saber se ha' outras solucoes. Por exemplo lancei a ideia (provalvemente sem cabimento) de sair da UE e ojorgferrate' consegui demonstrar alguma viabilidade. Mas isto sou eu que nao sou economista (nem tenho bases para tal) a tentar dar ideias.
    E nao acredito que todos os economistas do mundo (pelo menos da Europa) pensem que o se esta' a seguir a melhor soluçao. Deve de haver alternativas bem viaveis. Sao essas alternativas que gostaria de ouvir.


    Não considero que haja viabilidade para abandonar o euro...porque não conseguiríamos pagar as dividas em escudos. A única maneira era provocar uma desvalorização "virtual" da moeda, ou seja, baixar o preço de todos os salários e produtos nacionais.
  17.  # 19

    Caros, o que me causa muita apreensao e' que na Grecia e na Irlanda essas medidas nao estao a resultar. Ainda agora li este artigo que me deixa ainda mais preocupado: http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=15801

    Deixo algumas observaçoes do artigo para quem nao tiver paciencia de o ler todo:
    «A ajuda externa tornou-nos mais pobres, cépticos e pessimistas quanto ao futuro. Os sonhos acabaram»,
    «Estamos a sentir a austeridade desde 2008 e já vamos no terceiro ou quarto plano de austeridade. O resgate foi mais um episódio»
    «Os burocratas de Bruxelas não são mais eficientes do que os gregos. Não pode separar-se a política fiscal da monetária. Isso aprende-se em Introdução à Macroeconomia»
    «Se tiverem coragem, mandem o FMI dar uma volta. Se não, façam como os gregos, voltem a aprender a cultivar a terra, a organizar festas com bebidas baratas e desliguem a TV quando a publicidade começar».
    • altar
    • 4 abril 2011 editado

     # 20

    Colocado por: jorgferr

    Se o mercado estivesse bom para vender não estaríamos em crise...eu durante alguns anos pensei se o "burro era eu", nunca consegui perceber os empréstimos avultados de colegas e amigos para comprar casas,carro,ferias,etc (geração dos anos 80). Cheguei mesmo a pensar:devo ser mesmo burro, se todos pedem milhares e milhares eu também devia pedir em vez de ter um Renault clio e de morar um T1 alugado de 1974...hoje a situação está neste ponto: eles dizem que há crise, eu confortavelmente continuo a poupar 25% do meu rendimento sem grandes dificuldades e faço uma vida razoável.

    PS: Achei piada na reportagem da TVI uma senhora que tanto se queixava da crise mas tinha os dois filhos em colégios privados e não se via a colocálos num liceu "normal".


    Sim, também vi isso mas estás a ter uma perspectiva errada. A economia funciona tipo pescadinha de rabo na boca : Essa Senhora e tantas como ela pagam colégios privados que por sua vez dão emprego a professores, seguranças, auxiliares e etc...etc...

    Ela vai tirar o filho de lá, outros agregados farão o mesmo, logo esses colégios começam a ter dificuldades em manter os postos de trabalho...

    A prioridade máxima de cada agregado é manter as casas, não é à toa que este é o ultimo empréstimo que as famílias deixam de pagar

    Antes disso vêm os colégios, carros, actividades, ZONs e MEOs e Internets, Telemóveis, lazeres, etc...

    No fim ficará apenas dinheiro para a casa e comida, muitos nem isso

    conseguirão as famílias adaptar-se a isto ? quem mais ganha, maior é a dificuldade em adaptar-se, porque não estão habituados

    Quem está habituado se calhar teve 1 filho ou nenhum, não compra um carro, e muito menos casa, sei lá....crise é para quem quer ter alguma coisa na vida
 
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