Dar prioridade ao equilíbrio orçamental é “mal-entendido macroeconómico”, diz Jeffrey Sachs O economista Jeffrey Sachs criticou nesta quinta-feira a abordagem europeia à crise financeira internacional, considerando um “estranho mal-entendido macroeconómico” a prioridade ao equilíbrio de orçamentos, em vez de se assegurar liquidez no sector bancário.
Falando na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, numa conferência sobre a crise do euro, Sachs defendeu que Europa e Estados Unidos “estão a viver a mesma crise”, que a curto prazo é de instabilidade nos mercados financeiros e a longo prazo de perda de competitividade económica, e têm diferido só nas políticas e remédios aplicados.
“Foram os mesmos bancos, os mesmos mercados [na Europa e nos Estados Unidos], quer fossem em dólares ou euros. Tivemos bolhas em vários países”, disse Sachs.
Para o economista, os bancos fomentaram a criação de bolhas no mercado imobiliário, além de “activos tóxicos”, e no caso da Europa os bancos franceses e alemães “tiveram um papel enorme” neste processo.
Com o explodir destas “bolhas”, os Estados Unidos acorreram ao resgate de instituições financeiras e injectaram liquidez no sistema financeiro, através da Reserva Federal, enquanto a União Europeia se debate com a resposta porque “no pensamento económico alemão não há tal coisa como um financiador de último recurso”.
“A Alemanha tem-se recusado a reconhecer a crise bancária e trata-a como uma crise orçamental o que é factualmente errado”, defendeu o economista.
Dada a fraca resposta do Banco Central Europeu, até entrar o novo presidente, Mario Draghi, a Europa “entrou numa amplificação da bolha de 2008”.
Os economistas alemães no BCE “resistiram” à intervenção, um “estranho mal-entendido macroeconómico” que “pode levar a autodestruição da zona euro”.
Para Sachs, o “colapso do crédito bancário a curto prazo” na Grécia, que deixou o país em queda livre, mostra como é “um grande erro” tratar a crise financeira como orçamental.
“A curto prazo, a crise financeira tem de ser lidada com crédito bancário”, defendeu.
O pano de fundo, adiantou, é a competitividade e produção industrial estarem a mudar-se para outras partes do mundo, em particular para a China, um problema partilhado nos dois lados do Atlântico.
“Não há nada de fundamentalmente errado com a Europa, há um sector bancário com problemas”, disse Sachs, que apontou mesmo países como a Suécia, Noruega e Dinamarca como modelos de sustentabilidade económica e ambiental.
Também para Guillermo Calvo, da Universidade de Columbia, a crise é de “liquidez”, não de sustentabilidade orçamental, e é necessária maior intervenção do BCE, algo em que a Alemanha “terá um papel chave”.
Neste momento, disse, “o sistema financeiro está a andar sobre gelo fino”, o que deixa “os norte-americanos nervosos”.
A conferência foi aberta pelo presidente do conselho económico da Casa Branca, Alan Krueger, que defendeu que os Estados Unidos estão hoje “numa posição muito diferente comparada com a da Europa”, graças às reformas financeiras recentes.
“A Europa ainda tem muitos ajustamentos a fazer para fortalecer o seu sector financeiro”, disse o principal conselheiro económico de Barack Obama.
“A nossa posição continua a ser que a Europa tem recursos e capacidade para lidar com os seus problemas. Fizeram muitos progressos, é importante que continuem porque há uma tremenda dependência de eles resolverem os seus problemas financeiros”, adiantou.
Standard & Poor's baixa rating de Espanha "Num ambiente de contração económica, e contrariamente às nossas previsões precedentes, pensamos que a trajetória das finanças públicas do reino de Espanha vai, provavelmente, deteriorar-se", refere a agência em comunicado, alertando para "o aumento da probabilidade de o Estado espanhol conceder um apoio financeiro suplementar ao setor bancário" http://expresso.sapo.pt/standard--poors-baixa-iratingi-de-espanha=f721877
"Passos Coelho falava hoje na abertura da conferência “Growth and Competitiveness under Adjustment” (“Crescimento e Competitividade no âmbito do Ajustamento”), que está a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
O primeiro-ministro garantiu que o Governo está a tomar medidas para democratizar a economia e actuar sobre os seus núcleos protegidos e as rendas excessivas de que gozam alguns sectores.
“As escolhas que, no passado, foram privilegiadas e que criaram núcleos de privilégio injustificados, mercados protegidos, rendas excessivas, contratos desequilibrados para o Estado e o contribuinte, terão de ser resolvidos rápida e decisivamente”, afirmou.
“Estou confiante de que, em breve, teremos novidades muito positivas, nomeadamente em relação à renegociação das PPP e aos benefícios do sector energético”, garantiu.
A redução das rendas do sector energético é um dos principais “pontos de honra” do programa de ajuda externa e uma das áreas em que a troika mais tem pressionado o Governo a agir rapidamente, com vista a reduzir os custos para as empresas e, consequentemente, aumentar a competitividade e estimular o crescimento. "
Um bocadinho de areia para os olhos... de qualquer das maneiras até pode ser verdade, ele não diz é quando, "Estou confiante de que, em breve", e mesmo que disse-se está mais que visto que a palavra dos políticos não é de "honra". Alexandre
Sobre toda esta discussão, apenas retenho sobre a crise portuguesa e sua resolução (não cito porque já nem me lembro quem escreveu, mas está duas ou três páginas paa trás):
Mas isso implicaria que os sucessivos governos, governassem para os cidadãos e não para os seus próprios interesses egoistas.
Mas isso implicaria que os sucessivos governos, governassem para os cidadãos e não para os seus próprios interesses egoistas.
O que por sua vez implicaria que os "cidadãos" fossem uma massa informe e indistinta, sem interesses ou vontades próprias e contraditórias entre si, ou que os "governantes" fossem dotados do poder da ominisciência, já para não falar da maldição da santidade.