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  1.  # 181

    Claro que os Conandos nao são melhores que o GOE/PSP, nem são piores, são diferentes... no curso dos GOE/PSP não morre ninguém? Acredito. Quantos deles ouviram rajadas com munições reais em pleno Afeganistão? Quantos deles viram uma viatura ir pelos ares matando um militar no Afeganistão? Está respondido. Quantos de vocês passaram por esta situação.... pois... aí iam agradecer muita da formação que tiveram... mais uma vez repito, tropas especiais não são escuteiros. Atenção, isto aplica-se às outras tropas especiais também. E sim, o chavão " instrução dificil, combate fácil" aplica-se e muito bem, veja-se por exemplo os atletas.

    ATENÇÃO, deve-se apurar até às ultimas consequencias o que aconteceu e punir, se for caso disso os responsaveis, é isso que eu defendo.

    Quantos dos que estão a comentar tiveram instrução nos ultimos 10 anos? A tropa de hoje nada tem a ver com a de à 20, 30 anos, em que a maior parte do tempo era passado a fazer flexões e a campinar. Os formadores hoje são avaliados, nas tropas especiais tem-se optado em colocar pessoal com formação numa determinada matéria a dar essa matéria, as instruções obedecem a horários rígidos, toda e qualquer instrução tem de estar em horário. Já não existe o fazer flexões e campinar só para encher chouriço. Reparem noutra coisa, esta malta andava a ser monitorizada por uma universidade... já estamos num nivel de exigência em que não se está a brincar às casinhas, pelo contrário, já se está a um nivel altamente profissional com monitorizacoes e acompanhamento constante.

    Agora como em tudo, há bons e maus instrutores, há bons e maus médicos, há bons e maus arquitetos, engenheiros, fiscais, construtores,DO, etc... já agora, quantos morrem por ano nos SEALS, nos RANGER, nos SAS, na Legião e por essas tropas especiais pelo mundo "civilizado" fora? O que quer então dizer que são todos uns maus profissionais e que nao percebem nada da poda.

    É verdade que os Comandos sempre foram um bocado arruaceiros, faz parte do ADN deles, bem ou mal??? Mas os paraquedistas também não se ficam atrás.

    Valter, não duvido da sua história, mas é das poucas negativas que conheço, normalmente todos adoram trabalhar com os portugueses, sejam OE, PQ, CMD, FUZ, seja a chamada tropa do arremache...

    Termino repetindo, deve-se apurar o que aconteceu e caso seja provado que houve falhas, então que se puna quem tiver de ser punido.
    • tiyxu
    • 17 setembro 2016 editado

     # 182

    em 2001 ainda messes antes de 11 09 os noso comandantes planeavam a nosa instruçao gradual como dizia o meu major ,eu sei o que se fazia nos treinos porque era eu que escrevia o ordem de treino por todos dias ainda antes uma semana, sabia quando era para corer e quanto ..a politica dele era assim ...

    leva o militar no sitio onde podes evaluar o que pode cada um depois ...planeia o treino para todos poder crescer e em 2 semanas novo teste .... ouve quem cresceu 50% em tao poco tempo ... eu monstrei gara numa competiçao de corida de 7 km onde sai 2do e nunca mais me mandaram corer eu fazia por proppria iniciativa 2 vezes por semana coridas de 6 km com o colega que saio no primeiro lugar esse tinha feito escola especial de atletismo e fazia 6km em 18-19 min quando coria comigo dizia ...anda temos de esticar o paso se nao na fazemos debaixo de 20 min ele tinha um relogio que fazia un tic tic que podia modificar o ritmo dese tic e assim coria a tentar seguir esse ritmo.. nunca consgui corer mais que esse gajo... eu era sempre no segundo lugar .. e antes de ele vir claro primeiro...

    por isso digo que nao e facil por um oficial advinhar com uma sesao de treino em condiçois fora de normal quem vai falhar prieiro e por que rezao e e que grav vai ser...

    eu uma vez só cori Claro fazia parte do treino com mascara no mes de agosto ao 30 muitos durante 2 horas nao tiramos a mascara ate um dos meus cologos vomitou por dentro ai o sergento que tinha ordens para tal, dise ok para hoje chega.... depois a noite o nosso coandante disse em condiçois de querra voces tal como eu vamos ter de andar todo dia com ascara na cara seja frio seja calor ate pode vomitar ....se tiras mascara es morto.... dizia ele e a seguir tirou o relogio (cronometro) e deu comanda .....gazes.....
    ai tinhamos de retirar a mascara e por em menos de 10 segundos eu fiz bastante de depresa talvez menos.... mas ele contou na altura 60 % de tal grupo demorou mais de 30 seg ... e disse estes que demoraram tanto já eram ,se tinha caido alguma muniçao com gazes memo aqui.... nunca mais nos chatiou com nada eles sao queriam ver a nosa toleracia ao alto nivel de stres de combate...

    Eu depois foi selectionado em equipa reação rapida no dia aseguir ao 11 09 e cumençamos a fazer treinos ao promenor o que fazer se tivesemos atacados por alguem ...eu tinha 3 funçois era assistente medical da equipa e atirador secundar cazo o principal era abatido e resposavel com planeamento de pecurso e scuridade da cada misao...eram uma equipa de 6 ou 2 subgrupas de 3 por que tantos entravam num TAB trasportador auto Blindado o carito tinha 10 toneadas e chapa de aço de 20mm por toda volta e enclinada ao 45graos tinha uma mitraliado antiaerea de 14.4mm e uma de 7.62 as duas muito precisas podia abater facil alvos ate 1200 com 7.62 e 2000 a de 14.5 era uma armas muito poderosas ...

    Agora estes por aqui eles ne deviam treinar com calor de 40 graos assim nao estas a treinar alguem estas a castigalo... mas ouvi que aqui na tropa portuguesa e assim... tive um amigo que entrou numa academia qualquer nao sei de que lado e etendi que nao era facil de ser admitido mas nao consgui ficar por coisa de estupidez dos comandantos que teve e claro os colegas mais avançados... adou um ano e depois dezistiu dise que tentou de tudo para se abituar... agora acabou engineria biomedica e trabalha como programador noa empresa em Lisboa o pai e ex GNR e um tio também... por isso acredito que haja muita estupidez...

    eu gostava de um dia ir para ver se consigo pasar nos examenos fizicos só assim de diversao... ainda consigo corer 1km abaixo de 3min e 20 seg...o melhor foi 2:58
  2.  # 183

    Colocado por: benignolopesClaro que os Conandos nao são melhores que o GOE/PSP, nem são piores, são diferentes... no curso dos GOE/PSP não morre ninguém? Acredito. Quantos deles ouviram rajadas com munições reais em pleno Afeganistão? Quantos deles viram uma viatura ir pelos ares matando um militar no Afeganistão? Está respondido. Quantos de vocês passaram por esta situação.... pois... aí iam agradecer muita da formação que tiveram... mais uma vez repito, tropas especiais não são escuteiros. Atenção, isto aplica-se às outras tropas especiais também. E sim, o chavão " instrução dificil, combate fácil" aplica-se e muito bem, veja-se por exemplo os atletas.


    O GOE já fez coisas que o Exército nem sonha em fazer. Lembraste da evacuação que foi feita nos anos 90 em Angola? Os Páras foram lá para proteger o C-130, mas o GOE andava de um lado para o outro a resgatar Portugueses em toda a Angola. Os tipos são muito bons, fazem missões inacreditáveis e apesar de ser um mero amador, diria que estão muito à frente de tudo o que há no Exército Português.

    Adorei a forma como lidaram com os Australianos em Timor...

    ATENÇÃO, deve-se apurar até às ultimas consequencias o que aconteceu e punir, se for caso disso os responsaveis, é isso que eu defendo.


    Exacto, pune-se os responsáveis, a Especialidade em questão está acima destas coisas.

    Quantos dos que estão a comentar tiveram instrução nos ultimos 10 anos? A tropa de hoje nada tem a ver com a de à 20, 30 anos, em que a maior parte do tempo era passado a fazer flexões e a campinar. Os formadores hoje são avaliados, nas tropas especiais tem-se optado em colocar pessoal com formação numa determinada matéria a dar essa matéria, as instruções obedecem a horários rígidos, toda e qualquer instrução tem de estar em horário. Já não existe o fazer flexões e campinar só para encher chouriço. Reparem noutra coisa, esta malta andava a ser monitorizada por uma universidade... já estamos num nivel de exigência em que não se está a brincar às casinhas, pelo contrário, já se está a um nivel altamente profissional com monitorizacoes e acompanhamento constante.


    Estava a ser monitorizada o curso, não sabemos se os militares que faleceram estavam também. Essa monitorização é feita com recurso a máquinas, não está ninguém da universidade lá a ver se a rapaziada está ou não a ser fornicada.

    Agora como em tudo, há bons e maus instrutores, há bons e maus médicos, há bons e maus arquitetos, engenheiros, fiscais, construtores,DO, etc... já agora, quantos morrem por ano nos SEALS, nos RANGER, nos SAS, na Legião e por essas tropas especiais pelo mundo "civilizado" fora? O que quer então dizer que são todos uns maus profissionais e que nao percebem nada da poda.


    Nos SEAL? As mortes são mais que muitas. Nos Rangers nem por isso. No 22º Regimento SAS as mortes vão acontecendo, a última que sei foi um militar que morreu a poucos km do final de uma marcha por causa de um... golpe de calor!

    Legião? Mundo civilizado? O que é que estas palavras estão a fazer juntas? LOL

    É verdade que os Comandos sempre foram um bocado arruaceiros, faz parte do ADN deles, bem ou mal??? Mas os paraquedistas também não se ficam atrás.


    Aí voltamos à minha última frase.

    Valter, não duvido da sua história, mas é das poucas negativas que conheço, normalmente todos adoram trabalhar com os portugueses, sejam OE, PQ, CMD, FUZ, seja a chamada tropa do arremache...


    E é por isso que eu fiquei chocado, foi a primeira vez que ouvi algo do género colocada desta forma.
    Concordam com este comentário: RCF
  3.  # 184

    Sabes tiyxu, na minha recruta quem nos deu a parte da Instrução sobre NBQ foi um Sargento-Ajudante da Escola Prática de Engenharia auxiliado por um 1º Cabo dessa unidade (tudo da tropa normal). Os tipos sabiam muito, mas mesmo muito disso, mas a Instrução era feita à arre... à tropa normal. Sabes como acabou? Com um Alferes já completamente passado por aquela "metodologia" a mandar-nos colocar o material no mínimo tempo possível e siga a "marinha". Era corridas no campo de tiro, era flexões, era... nunca mais esqueci-me da cara do pobre a Sargento-Ajudante a olhar para aquele espectáculo... aquela expressão dizia tudo (estes gajos batem mesmo muito mal da cabeça)! LOL

    Ah, e o dito Alferes ainda virou-se umas quantas vezes para ele para dizer-lhe se ele estava a gostar da Instrução, que ali as coisas eram assim.
  4.  # 185

    Colocado por: branco.valter

    Terem visto dois camaradas morrerem, mais a pressão familiar e terem tido uma semana para pensarem que aquilo não é brincadeira, até estranho só terem desistido 17. Já agora, os militares podem simplesmente desistirem?! Não gozem com a situação, puderam estes por causa do que aconteceu, num curso normal era tudo corrido a pontapé, arranhavam o resto do curso e só depois é que os deixavam desistir.


    É muito claro que tem que tem que ser bem investigado o que aconteceu, mas também acrescento os desistentes nunca serviriam para ser comandos. Em relação ao poderem desistir, no meu curso há 40 anos podia-se desistir e passavam de imediato para um pelotão chamado de amélias para onde iam também os que iam sendo eliminados, aliás aconteceu no meu curso foi o contrário, houve um elemento que fez o curso todo e passou e no último dia por razões pessoais recusou ser comando.
  5.  # 186

    Noruega introduz SMO para ambos os géneros.

    https://www.youtube.com/watch?v=9tBeXkp1x00

    Não, não estão a ver mal, na Noruega, os homens e mulheres dormem nos mesmos quartos.
  6.  # 187

    Valter, quanto aos GOE não tenho duvidas das capacidades deles, aliás, são do melhor que há, mas garanto-te que há muita gente altamente operacional e profissional nas FA. Eles estiveram em Angola, as FA também, as FA estiveram a fazer extração de pessoal português no Ex-Zaire, actual congo. São todos necessários e caxa um tem a sua missão. Como disse, não os acho melhor, tem outras valências.

    Quanto a monitorização, o que estava a ser monitorizado é o curso com todos os seus instruendos. É um sinal de evolução, tem de se ver onde as FA estão a falhar, ou a fazer as coisas menos bem, e evoluir.

    Quanto à situação reportada por um bife, bem, eles também não são o melhor exemplo, mas esse episódio em particular também já me contaram e haverá muito mais para contar desse tipo de episódios, mas não vale a pena.

    Quanto ao modo da instrucao que tiveste, só posso dizer que é lamentável, pois não se aprendia nada, mas era mesmo assim que funcionava antigamente, hoje já não é bem assim, aliás, hoje a instrução é como aquela que descreves que estava a ser dada pelo Sargento-Ajudante. Sótengo pena que a instrução ainda se baseie muito no combate em "mato", quando hoje em dia é quase tudo guerrilha urbana. Sei que está a mudar, aliás, soube à tempos que havia planos para Mafra acolher um dos centros de treino da NATO e UE em termosde áreas urbanas, veremos.
  7.  # 188

    benignolopes a primeira unidade que tinha como parte integrante da formação dos seus militares a guerra em áreas urbanizadas ao nível da OTAN foi o Corpo de Tropas Páraquedistas ainda nos anos 80. Quando foi preciso treinar os militares da tropa normal para irem para a Bósnia (já lá tinham passado os três BIAT), eles foram a São Jacinto aprender com quem sabia.

    Em Mafra eles têm isto:

    http://www.operacional.pt/mafra-combate-em-areas-edificadas-no-caminho-da-excelencia/

    No principio eles treinavam no que restava dos canis, depois construíram todos aqueles edifícios e mais recentemente receberam o tal simulador.

    Em Tancos também estão a tentar que o Regimento de Páraquedistas passe a Centro de Excelência Aeroterrestre da OTAN.

    Em relação à instrução... Tropa Especial não é para estar com o rabo sentado, é para andar sempre de um lado para o outro. Vou confessar-te, eu quase que ia adormecendo durante as instruções do Sargento-Ajudante para aí uma meia dúzia de vezes...

    Eis uns exemplos de como se pode dar todo o incentivo do mundo sem sequer tocar num recruta:

    https://www.youtube.com/watch?v=-Ns2FkZNTC0

    https://www.youtube.com/watch?v=CniJKgIrpX4

    https://www.youtube.com/watch?v=XkxkNcHajyw

    E outros que já não é bem assim:

    https://www.youtube.com/watch?v=CGOUvGoJxBk

    https://www.youtube.com/watch?v=M0w2C9HWuUQ


    ...
    • RCF
    • 19 setembro 2016

     # 189

    Colocado por: benignolopesClaro que os Conandos nao são melhores que o GOE/PSP, nem são piores, são diferentes... no curso dos GOE/PSP não morre ninguém? Acredito. Quantos deles ouviram rajadas com munições reais em pleno Afeganistão? Quantos deles viram uma viatura ir pelos ares matando um militar no Afeganistão? Está respondido.


    Pois, não conhece o GOE, nem a sua missão...

    Colocado por: benignolopesFA. Eles estiveram em Angola, as FA também, as FA estiveram a fazer extração de pessoal português no Ex-Zaire, actual congo.


    Continua a desconhecer algumas coisas... No Zaire, as FA estiveram lá, estiveram, mas o GOE teve de lá ir... Mas, não me interessa detalhar mais.

    Colocado por: benignolopesÉ verdade que os Comandos sempre foram um bocado arruaceiros, faz parte do ADN deles, bem ou mal???


    Mal, digo eu (mas, a minha opinião vale o que vale).
    Mas, respeito (e muito) as FA e especialmente as suas forças especiais. Têm pessoal de muito valor, mas também têm muito a melhorar. Fisicamente muito bons, mas isso não é tudo e talvez nem seja o mais importante. É indispensável controlar as capacidades...
  8.  # 190

    Misturar GOE com tropa... tá tudo dito.
    Concordam com este comentário: two-rok, branco.valter
  9.  # 191

    O instrutor dos comandos avisou-nos: “Vou tornar-me um animal”

    ANA DIAS CORDEIRO

    Um comando é preparado para ir para a guerra. A dos outros. Ou a de si próprio. “Chega uma altura em que desmaiar, vomitar ou entrar em hipotermia é banal. O sofrimento torna-nos pessoas mais conscientes.” Relato na primeira pessoa de um comando que concluiu o curso há nove anos.

    Fiz o curso de Comandos na Carregueira e não me arrependo. Não houve um dia em que não tenha pensado em desistir. Não há ninguém que não pense nisso. Ninguém está preparado. E há sempre um momento de fraqueza, de sofrimento. Damos força uns aos outros e essa é uma das principais aprendizagens.

    Cada grupo de 80 ou 100 instruendos tem como instrutores um oficial e um sargento, ou um oficial e dois sargentos. Estes respondem ao comandante de companhia, que é um capitão. Depois, o grupo é dividido. O capitão que era meu comandante de companhia tinha elevados valores morais e um grande sentido da responsabilidade.

    Logo no início, um dos nossos instrutores chegou ao pé de nós – estávamos no interior da caserna – e disse: “A pessoa que vocês estão a ver aqui não é a mesma pessoa que vão ver no curso. Eu vou tornar-me um animal.” Existiu sinceridade. Aquilo que ele nos tentou transmitir com aquela conversa foi: “A partir daqui, estão por vossa conta.” E depois: “Sabem realmente no que se vão meter?” Não sabemos.

    Num dos castigos, tive de rastejar na gravilha ao longo de 200 metros. Foi psicologicamente devastador. Enquanto eu rastejava, tinha um dos instrutores permanentemente a dizer-me: "Estás a ver? Deixarem-te para trás." Ele queria dizer-me que os meus colegas de equipa não se tinham lembrado de mim, e por isso eu tinha chegado atrasado. Não era verdade. Chorei não pelo castigo físico que me deixou os joelhos e cotovelos em sangue e a farda num farrapo. Chorei por estarem a incutir-me essa desconfiança. A verdade é que, quando um de nós não está, toda a equipa sofre. E eu não estava. Fui castigado.

    Nesse processo, o que se procura estimular é o companheirismo e o espírito de sacrifício, também pelo outro. Na guerra, por causa de um elo mais fraco, os outros podem literalmente morrer. Os que estão ali connosco devem ser capazes de dar a vida por nós.

    Só os melhores dos cursos podem ser instrutores. Mas existem instrutores bons e instrutores maus. Se são más pessoas, continuam a ser más pessoas quando chegam a instrutor. No curso de Comandos, há coisas que nos são exigidas que são desnecessárias, porque há alguns homens com instintos animalescos.

    "Todos são selvagens no curso"
    Vão para ali a pensar que são os maiores do mundo. São brutos, e todos são selvagens no curso. Mas não quer dizer que todos o sejam cá fora. Com um desses instrutores, só 16 das dezenas de instruendos que estavam no início concluíram o curso. No meu curso, fomos 20 e tal a terminar.

    A grande maioria desiste. Mas acontece menos com aqueles que já são militares. Quem não é militar não sabe. Eu não era militar. Queria fazer Enfermagem na tropa. Depois pensei: se eu vou para a tropa, vou para uma coisa onde vai existir um teste aos meus próprios limites, físicos e psicológicos.

    Numa noite muito fria, fazíamos ginástica em tronco nu e três caíram para o lado. Num outro curso, esqueceram-se de um instruendo, dentro de um charco no qual tinha sido obrigado a ficar deitado, por castigo. Voltaram para o ir buscar. Ele já estava em hipotermia.

    Às vezes não há sentido de responsabilidade. Houve instruendos que partiram as duas pernas por caírem na prova da corda rápida, em que é preciso descer por uma corda de uma altura equivalente a um quarto andar. Não há nada que nos separe do chão. Nos Comandos, só se pode usar os braços, e não se podem cruzar as pernas, durante a descida.

    Um colega meu estava agarrado à corda lá em cima, não descia. De forma completamente irresponsável, e para o punir, cá em baixo, o instrutor começou a sacudir a corda. O meu colega só não caiu por acaso.

    No campo, não se pára, nem quem fica doente. Nem pensar. Uma gripe, uma intoxicação alimentar, nada conta. E quem pensa que não vai aguentar tem de aguentar. A quem magoa um pé é-lhe dito: “Tens dois pés, corre com o outro.” Só uma coisa completamente incapacitante é que permite a um instruendo parar uma prova. Chega uma altura em que vemos as coisas com naturalidade. Desmaiar, vomitar, entrar em hipotermia torna-se banal. Existe uma grande pressão. Somos miúdos. Temos 20 e poucos anos.

    Os testes de admissão deviam ser mais difíceis, e os exames médicos mais rigorosos. Um colega que tinha tido uma hepatite e o que tinha medo das alturas não deviam estar ali. E estavam, a fazer tudo igual aos outros.

    As pessoas não sabem parar. Quando digo as pessoas, falo dos instrutores. Há instrutores que não sabem parar. A grande maioria dos exercícios é necessária. Mas se podemos fazer as coisas com segurança, era assim que devia ser. E nem sempre isso acontece.

    A insegurança não é só durante as provas. Há muita gente que vem do Norte do país fazer a instrução na Carregueira. Houve dois acidentes de automóvel com colegas do meu curso. Acidentes graves. Saíram da instrução exaustos e quiseram chegar o mais depressa possível a casa. Um ficou paraplégico. O outro desistiu.

    "Não sabemos ao que vamos"
    Chegamos a casa com as fardas completamente rotas e desfeitas, com cascalho dentro dos bolsos, com arranhões e feridas pelo corpo todo. A minha mãe dizia: “Pareces um Cristo.” E não temos muito tempo. Ir a casa não é o mesmo que descansar. Acontecia de 11 em 11 dias, aproximadamente. Ficava dois dias, mas continuava em permanente estado de alerta. O corpo está habituado a dormir quatro horas e nunca sabemos o que pode acontecer.

    Somos voluntários. Mas desistir nem sempre é fácil. O custo para o Estado da formação é muito alto, e por isso não era óbvio desistir a meio de uma fase. Muitos comandantes de companhia, como o meu, só permitem a desistência no fim de uma determinada fase, que dura cerca de um mês. É uma forma de punição – ficar até estar concluída essa fase.

    As notas dos testes físicos e psicotécnicos são superiores às da tropa convencional. Mesmo assim, as provas de admissão deviam ser mais difíceis, para haver uma maior selecção à partida. E devia haver mais informação. O curso teria menos gente, mas gente mais capaz.

    Existem vídeos a promover a ida para os comandos. Campanhas à porta dos centros comerciais. Eu próprio fiz divulgação. É posto de uma maneira muito heróica. Também mostra a dureza de alguns exercícios. Não é só propaganda, mas a informação é posta de uma maneira patriótica.

    Quando vamos aos primeiros testes no Centro de Comandos da Carregueira, perguntam-nos: "Gostas de desportos radicais? Gostas de andar de helicóptero? Gostas de armas?"

    Isso não é suficiente. Não sabemos ao que vamos. E devíamos saber. Existe uma determinada estrutura dos cursos: a fase individual, a fase de equipa e de grupo. A primeira fase é aquela em que não é tão importante a instrução, mas ver quem realmente tem aptidões. Num grupo de 100, são eliminadas muitas pessoas.

    O curso é uma valorização. Mas o facto de se ser comando não quer dizer que se é melhor do que os outros. É bom para um determinado objectivo: o de ir para a guerra, para a frente de combate. Eu não fui, porque, para mim, o curso foi uma experiência de vida.

    Quando recebemos a boina, existe um orgulho tão grande, que ninguém se lembra. O pessoal esquece, fica contente, fica orgulhoso. Algo que foi traumatizante acaba por ficar escondido ao superarmos os nossos limites.

    O que ficou para trás? Correr na gravilha, descalço; mil paus de chinelo (levantar os braços com o corpo hirto) e a seguir, já no limite das nossas forças, lançarmo-nos numa prova de corrida ou de resistência. Vinte quilómetros a correr com dez quilos às costas. Ou 12 quilómetros com 16 quilos. E depois dizerem-nos: "Isto não acaba aqui." Ou ficar indefinidamente de cócoras na "posição de elefante pensante", com o peso todo do corpo e da G3 em punho. Fazer flexões com os punhos na gravilha. Dezenas de flexões. Há quem diga que um comando nunca se deita por menos de 50.

    Capacidade do corpo para desligar
    Psicologicamente o curso é desgastante e violento. Houve duas pessoas eliminadas no último dia do curso. Fizeram tudo como os outros até ao último dia e não foram aceites por, supostamente, não terem o espírito de sacrifício necessário. Mais tarde, um deles voltou e foi comando. Os comandos, na Carregueira, são uma das três forças especiais do Exército, além das Operações Especiais Rangers, em Lamego, e dos pára-quedistas em Tancos.

    Temos várias provas. A prova de tiro de combate é precedida de uma preparação que simula uma situação de combate. Corremos, rastejamos nas silvas, rolamos no chão, carregamos pesos. Num curso de três meses temos cerca de 20 tiros de combate com essa situação de combate simulado, em que fazemos o tiro ao alvo já depois de estarmos completamente desgastados pela prova.

    Na Semana da Sobrevivência, tiram-nos tudo. Ficamos sem farda, nem mochila, nem recursos alimentares, durante quatro ou cinco dias. Temos de construir abrigos, fazer roupa com serapilheira; matar e cozinhar um animal que pode ser um coelho ou uma galinha. Cada grupo tem de fazer isso.

    Há um momento em que sentimos que o nosso corpo tem capacidade de desligar, como se deixasse de sentir a dor. O sofrimento torna-nos pessoas mais conscientes.

    Acabamos por nos conhecermos a nós mesmos por estarmos sempre a testar os nossos limites. Fico a saber quais as minhas limitações, as minhas dificuldades. Olho para mim de outra forma: será que sou amigo do meu amigo, existe egoísmo da minha parte, ou sou capaz de me sacrificar pelo outro? No fim do curso, um copo de água não tinha o mesmo valor para mim. Ou um colchão. Coisas básicas ganham um novo sentido.

    A Semana Invertida é a semana em que se faz à noite o que normalmente se faz durante o dia, e vice-versa. Aquilo é um choque tão grande no corpo que acaba por nos desorientar completamente. Faz parte da acção psicológica, a mesma que nos faz dormir ao som alto de músicas montadas para repetir um determinado refrão ou frase, até à exaustão. Eu conseguia dormir em qualquer lado. Cheguei a dormir de pé, de tão cansado.

    Existe uma sequência comum a todos os cursos. Mas à partida nunca sabemos quando vamos ser chamados para os exercícios. Pode ser a meio da noite, de madrugada. Pode ser quando estamos prestes para a ir a casa, e nos dizem que afinal não vamos, esse momento não chega e não sabemos quando chegará.

    https://www.publico.pt/sociedade/noticia/um-instrutor-dos-comandos-dissenos-vou-tornarme-num-animal-1744393?page=-1
    Estas pessoas agradeceram este comentário: two-rok
  10.  # 192

    Não é nem será minha intenção misturar, equiparar, ou o que quer que seja GOE com Forças Armadas, atenção...

    Acho que o problema maior que aqui se coloca, é que a maior parte da malta que foi "à tropa" , fê-lo na altura do SMO e foi na chamada "tropa normal", já numa altura menos exigente e em que o pessoal passava os 6 meses a campinar, limpar instalações e outras coisas afim. Normalmente esse pessoal não tem grandes recordações das Forças Armadas e acham que aquilo é tudo igual. E depois claro, os GOE PSP é que são bons e são os maiores (e são mesmo), os GIOE GNR é que são os melhores (também o são) e tudo que seja das Forças Armadas não presta, são todos uns amadores, etc e tal...Então e os Fuzileiros (não vamos sequer falar dos DAE), os Paraquedistas ( com os seus PREC's e SOGA's) , as Operações Especiais (com um número infinito de valências, das quais se destaca o famoso "SNIPER" - não é para todos), e claro os Comandos. É claro que há e haverá muito a melhorar, óbvio que há alguns nesse meio que são menos bons profissionais, mas daí a pôr-se tudo em causa...Há nestas tropas pequenos grupos, ainda mais "especiais" que a maior parte da malta desconhece... e mais uma vez, atenção ás missões, propósitos de cada um. Reafirmo, jamais será minha intenção comparar uma força policial, seja ela qual for, ás Forças Armadas.

    Haverá muito para dizer, mas será sempre á volta do mesmo.

    Valter, sim, quem teve inicialmente a vertente na formação de áreas edificadas foram os Paraquedistas e foram eles que transmitiram grande parte dos conhecimentos. Obviamente que tropa especial não é para estar sentada a ouvir instrução, mas é importante que estejam atentos e concentrados em certo tipo de matérias
  11.  # 193

    Colocado por: benignolopesValter, sim, quem teve inicialmente a vertente na formação de áreas edificadas foram os Paraquedistas e foram eles que transmitiram grande parte dos conhecimentos. Obviamente que tropa especial não é para estar sentada a ouvir instrução, mas é importante que estejam atentos e concentrados em certo tipo de matérias


    A dormir o tempo que dormíamos, bastava sentar-mos mais de 5 minutos que adormecíamos. Era chapa 5!

    Lembro-me de estar no telheiro ao pé da saída para o Pinhal do BI a receber instrução, mas a mesma era interrompida de x em x tempo para umas completas à chuva, senão as pestanas começavam a pesar... LOL
  12.  # 194

  13.  # 195



    Comandos Portugueses com viatura Land Rover CAV (Command assault vehicle) - Aprontamento para a missão ONU na Repuplica Centro Africana.



    Comandos Portugueses capturam um insurgente após raid nocturno para tomada de um ponto sensível - Aprontamento para a missão ONU na Repuplica Centro Africana.

    Fonte : The Way of the Warriors
  14.  # 196

    Investimento no Centro de Operações Especiais de Lamego corrige situação grave
    23/9/2016

    O ministro da Defesa diz que o Centro de Tropas de Operações Especiais de Lamego vai ser alvo de um investimento "muito importante".

    O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, anunciou esta sexta-feira que o Centro de Tropas de Operações Especiais (CTOE) de Lamego vai ser alvo de um investimento “muito importante”, que vem corrigir uma situação que começava a ser grave.

    “Levo uma coisa importante da minha presença em Lamego, que é a aposta do Ministério da Defesa e, evidentemente, também do Exército, não só na manutenção Centro de Tropas de Operações Especiais, como sobretudo a antevisão de um investimento muito importante, que permite corrigir uma situação que começava a ser grave, de ausência de condições mínimas para que o centro pudesse atuar normalmente”, explicou.

    No final de uma visita ao Centro de Tropas de Operações Especiais de Lamego, no qual vão ser investidos mais de 11 milhões de euros, José Alberto Azeredo Lopes sublinhou que esta era uma necessidade antiga, que começa agora a ser resolvida.

    “Hoje pudemos aperceber-nos que foi feito um esforço com muito rigor: não há aqui nenhuma despesa que consiga apontar como excessiva e, ao mesmo tempo, prevê a libertação de um dos espaços”, sustentou.

    De acordo o membro do Governo, o projeto de reorganização das infraestruturas desta unidade, que prevê um conjunto de obras associadas, vem reforçar a sua ligação a Lamego e modernizar uma instalação que “estava a precisar há muito tempo de uma benfeitoria”.

    “Não costumo transmitir mensagens indiretas ou de segundo grau, mas as operações especiais fazem todo o sentido. Esta visita já estava planeada há muito tempo e estamos a falar de infraestruturas e não dos factos que recentemente nos preocuparam [morte dos dois comandos], acrescentou.

    O CTOE de Lamego vai ser alvo de um projeto de reorganização das suas infraestruturas, assim como de um conjunto de obras associadas.

    A reorganização das infraestruturas do CTOE é uma aspiração antiga e prevê a concentração das infraestruturas das componentes operacional e de formação no Aquartelamento de Penude, num investimento que ronda os 8,4 milhões de euros.

    O projeto prevê também a criação de alojamento em áreas de trabalho no aquartelamento de Santa Cruz, onde serão investidos 2,9 milhões de euros.

    http://observador.pt/2016/09/23/investimento-no-centro-de-operacoes-especiais-de-lamego-corrige-situacao-grave/
  15.  # 197

  16.  # 198

    Páraquedistas Portugueses trabalham em conjunto com Norte Americanos no Kosovo.

    https://www.facebook.com/MNBGEast/videos/10154567009682430/
  17.  # 199

    COMANDOS - O Porta Voz do Exército, Ten-Cor Vicente Pereira declara que o Ponto de situação relativo a efetivos do 127º Curso de Comandos: Informa-se que, adicionando aos 17 militares (1 Oficial, 4 Sargentos e 12 Soldados) do Curso de Comandos que desistiram até 15 de setembro de 2016, cuja informação já tinha sido veiculada, desistiram mais 9 militares (1 Oficial e 8 Soldados) e foram eliminados 9 militares (1 Oficial e 8 Soldados).
    Dos 67 formandos que iniciaram o 127º Curso de Comandos, prosseguem 30.

    A Fotografia aqui apresentada é referente ao aprontamento para a missão ONU na Repuplica Centro Africana.




    Fonte : The Way of the Warriors
  18.  # 200



    15 instructeurs commandos formés par l’EUTM.
    Lors d’une cérémonie de clôture, 15 commandos ont reçu leur brevet des mains des instructeurs de l’EUTM Mali le 16 septembre.
    Félicitations à eux !


    Vejo pelo menos 2 Rangers Portugueses a fazerem peitaça.
 
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