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  1.  # 121

    Quando leio as vossas discussões em torno da Arquitectura, acredito que o grande erro advém das escolas. No meio de n cadeiras relacionadas, e muito bem, com geometria, estruturas, desenho, sistemas construtivos, processos digitais, etc, esqueceram-se que seria de uma tremenda utilidade para os alunos, futuros profissionais, aprenderem a comunicar com o cliente, a aplicar os conceitos briefing e debriefing, a estabelecer prazos, a fazer a gestão do seu tempo, a calcular honorários, a redigir contratos de prestação de serviços.
    Como em qualquer área profissional, há pessoas que possuem de forma inata e instintiva este conjunto de soft skills, e há outras que não. Mas, havendo educação formal em relação às mesmas todos ganham.
    Um óptimo exemplo é o da jovem arquitecta forista que há tempos veio questionar sobre o cálculo de honorários. É preocupante que depois de ter o curso, de ter estagiado, de ter assistido a formações da Ordem, estas capacidades ainda não estejam incutidas, quando são a pedra basilar de todos aqueles que tenham um negócio, seja a desenhar edifícios, seja a servir refeições, seja a fazer campanhas publicitárias.

    Isto que vos digo nota-se automaticamente quando se visitam sites de Arquitectos. São raros aqueles que conseguem utilizar todo o potencial desta basilar ferramenta de comunicação com o seu target.
    Ficou-me para a vida algo que o meu Professor de Semiologia da Comunicação, um dos maiores académicos nacionais, nos estava sempre a dar na cabeça "devemos sempre comunicar a um nível que seja entendido por todo o nosso público, se é necessário para tal recorrer ao mínimo denominador comum, seja, mas é essencial que a comunicação seja clara e efectiva".
    E o que é preciso, para começar, é comunicar Arquitectura numa linguagem que não é dos Arquitectos. O target do Arquitecto não é o seu ego, nem os seus pares, é o público.
    Juro, qualquer dia ainda escrevo uma sebenta de técnicas de comunicação para a vossa área. :)
    Concordam com este comentário: N Miguel Oliveira, Anonimo1710, elnunes
    Estas pessoas agradeceram este comentário: Pedro Barradas, N Miguel Oliveira
  2.  # 122

    Colocado por: CapuchinhaQuando leio as vossas


    Faço uma vénia a este comentário. Está de parabéns Capuchinha, subscrevo integralmente.
    Concordam com este comentário: Anonimo1710
    Estas pessoas agradeceram este comentário: Capuchinha
  3.  # 123

    Colocado por: Nelhas

    Os Professores ainda hoje lutam por equivalência de remuneração e carreiras.
    Podem exercer e fazer o mesmo que os outros, mas ganham metade do vencimento, pois não viram a lei protege-los-

    Servem para dar aulas como os outros durante 40 anos, mas como não tem canudo , não são protegidos da mesma forma.

    Explique lá essa.
    Os professores ganham pelo índice 400, quase 1400 euros brutos. São raros os Eng e arquitectos a receber isso.
    Concordam com este comentário: Pedro Barradas
  4.  # 124

    Colocado por: NelhasServem para dar aulas como os outros durante 40 anos, mas como não tem canudo , não são protegidos da mesma forma.


    Vai-me desculpar, Nelhas. Mas essa informação não é, de todo, aplicável nos dias de hoje.
    O ensino é uma das áreas em que as pessoas não podem exercer sem formação académica superior. Se alguma vez foi possível, foi no tempo da maria cachucha.

    Hoje em dia já nem o "canudo" chega, é necessária também a profissionalização, sem a qual os docentes não se podem inscrever nos concursos de professores.
    A profissionalização é obtida aquando a realização do curso, normalmente em Mestrado, ou caso a pessoa já exerça há mais de 5/6 anos, pode inscrever-se para obter essa equivalência.
    As pessoas sem profissionalização não são consideradas professores mas técnicos especializados.

    A nível de renumeração estão muito longe de ser das classes que mais se podem queixar.
  5.  # 125

    Colocado por: JoelMDesculpas esfarrapadas..

    Joel
    Sobre esta temática escuso-me de mais comentários, pelo simples fato de conhecer como as coisas foram feitas, estive envolvido no processo.
    • Nelhas
    • 6 fevereiro 2020 editado

     # 126

    Colocado por: CapuchinhaVai-me desculpar, Nelhas. Mas essa informação não é, de todo, aplicável nos dias de hoje.


    Eu não disse que era aplicável nos dias de hoje.
    Disse que existem professoras e professoras no ensino primário que não são licenciados, todos na casa dos 60\65 , que ensinam crianças a 40 anos, e que podendo exercer , não estão incluídas na carreira de docentes, logo em vez de possuírem ordenados equivalentes aos 40 anos de profissão, estão sujeitos as remunerações praticadas pelo privado.
    Nenhum, salvo excepções, se vai reformar com 2000 ou 3000 mil euros de reforma.
    Chama-se Professores do Ensino Particular e Cooperativo.
    Alguns leccionam nos melhores Colégios Privados do País ( Estes casos claro que muito bem remunerados, mesmo assim impedidos de ir para o ensino publico, mas os SEUS alunos vão para escolas publicas e a exames nacionais)
    Coerente não é? Lol
    Porquê?
    Porque a seguir ao 25 de Abril foi necessário ao Estado suprir deficiências, e foram dados durante , se não estou em erro durante um ano, oportunidade aos cidadãos , mesmo que NÃO LICENCIADOS, de integrarem carreiras como as de professor ou enfermeiro, mediante formações especificas , formação profissional e estágios práticos.

    Hoje, não é possível isso acontecer.


    Colocado por: callinasExplique lá essa.
    Os professores ganham pelo índice 400, quase 1400 euros brutos. São raros os Eng e arquitectos a receber isso.

    Não é verdade.
    PAra isso é preciso reunir uma serie de condicionantes.
    Existem professores anos a fio sem horários a tempo inteiro a receber uma miséria e sem estabilidade profissional.


    Volto a dizer , como a tempos se discutiu, que as pessoas devem olhar para as tabelas de carreiras e remunerações da Função Publica e saber entende-las.
    Aquilo é a teoria. A prática é outra para o bem e para o mal.

    Assim como os meus familiares , enfermeiros reformados, NÃO licenciados, se encontram a receber reformas há muitos anos de topo de carreira, e têm enfermeiros LICENCIADOS há vários anos a ganhar uma miséria.

    Em tudo é preciso ver os dois lados da moeda.
  6.  # 127

    Colocado por: JoelMsó tinham de pedir equivalência e fazer as cadeiras que faltassem!

    Sobre essa temática, vou-lhe contar uma historia.
    Em 1999 decidi voltar à escola, arquitetura, como seria logico foi a 1º ideia.
    Enquanto técnico com 5 anos de formação para além do 11º ano, lecionada por uma escola publica, num curso reconhecido pelo estado e pelo ministério de educação, tinha equivalência a um máximo de 3 ou 4 cadeiras.
    Enquanto cidadão comum com o 11º ano, um curso de arquitetura custava-me apenas … o incomodo de assinar meia dúzia de trabalhos e 3 anos de espera. SIm comprava-se um curso de arquitetura numa universidade portuguesa, como hoje ainda se compra.
    Porque estupidamente os meus pais me deram alguns valores, decidi não aceitar e candidatar-me como qualquer aluno normal.
    Arquitetura não foi a opção.
    Hoje sou licenciado com 3 pós graduações
    Concordam com este comentário: Paramonte
    • Nelhas
    • 6 fevereiro 2020 editado

     # 128

    Colocado por: zedasilvaSIm comprava-se um curso de arquitetura numa universidade portuguesa, como hoje ainda se compra.


    A sério?

    Não fazia ideia que isso era possivel
  7.  # 129

    Colocado por: NelhasA sério?

    Há 20 anos atrás tb me escandalizei um bocadinho.
    Os estúpidos dos meus pais tinham-me incutido valores que vim a confirmar que só serviam para f... a vida de uma pessoa.
    Hoje, estupidamente teimo em transmiti-los aos meus filhos, espero que um dia me perdoem.
    Concordam com este comentário: Capuchinha, nunos7
  8.  # 130

    Colocado por: JoelMhá de me dizer onde para eu avisar alguns que ainda vão a tempo...

    Se quiser posso dar-lhe umas dicas :)))

    Colocado por: JoelMMas resumindo, a culpa disso é da OA?

    Não totalmente, a ordem fez ainda que de forma … aquilo que lhe competia. defender o interesse dos seus associados
  9.  # 131

    Colocado por: JoelMtodos deveriam ir tirar o curso para exercer!

    E o que fazer do Philip Stark e outros que mais
  10.  # 132

    Colocado por: zedasilvaPhilip Stark


    O Homem é licenciado em Design e sem curso de arquitecto?
  11.  # 133

    Colocado por: JoelMQuantos empreiteiros não acham que sabem mais que muitos engenheiros?

    Feliz ou infelizmente muito até sabem.
    Colocado por: JoelMSerá que devem poder fazer engenharia por causa da experiência empírica que têm?

    Não! A menos que possuam habilitação legal para isso.
    O que está em causa e voltamos à vaca fria, são profissionais que durante mais de 30 anos foram considerados capazes de exercer uma profissão.
    E não era com base na sua formação empírica. Cada um deles possuía um diploma de uma escola publica a atestar isso mesmo mesmo.
    Cada um deles estava obrigado a pertencer a uma associação que regulava a profissão.
    Por decreto, os mais de 30 anos de formação e experiência foram considerados nulos.
  12.  # 134

    Colocado por: JoelMfalha na atribuição de equivalências nada tem a ver com a OA

    Tem a certeza disso?
    :)))

    Colocado por: JoelMas qualificações quem as dá são as universidades!

    Verdade!
    Por isso é que a equivalência na universidade A é diferente da equivalência na universidade B
    Depende do interesse e das influências que eu sofro para produzir mais ou menos licenciados.
  13.  # 135

    Ainda sobre a arte de arquitetar porque não fazer como na medicina ou na engenharia?
    Por graus de competência.
    Será que um arquiteto para desenhar um muro de vedação necessita da mesma competência de um arquiteto para projetar um edifício inserido numa zona histórica?
    Foi isto que sempre defendi. Cada macaco no seu galho.
    Haveria trabalho para todos e sem atropelos
  14.  # 136

    Colocado por: JoelMTenho porque a OA já no passado tentou bloquear o acesso de algumas universidades

    Verdade? :))))
    Não acredito, então o ministério da educação diz que um curso é valido e uns iluminados vêm dizer o contrário?
    Infelizmente não é só com a OA.
    Houve um curso de engenharia de uma das universidades mais reconhecidas do pais que não era reconhecido pela ordem.
    Todos os licenciados estavam obrigados a fazer um exame de admissão. Exame esse onde chumbavam 99% dos proponentes.
    Mudaram-se as pessoas que estavam na direção do curso. O curso foi automaticamente reconhecido.
  15.  # 137

    Colocado por: JoelMSegundo diz, essa gente desse curso já está toda na reforma, o curso não se lecciona há décadas!

    Verdade!
    Os mais teimosos são hoje quase todos licenciados.
  16.  # 138

    Colocado por: JoelMMas na engenharia para calcular um muro ou um prédio é na mesma um engenheiro civil, não é?

    Sim, ainda que o engenheiro que apenas tem habilitação para calcular um muro não possa calcular uma barragem.
    Já o engenheiro que tem habilitação para calcular uma barragem pode se quiser calcular um muro
  17.  # 139

    Colocado por: JoelMo interesse do "arquitecto comum" é a última coisa que eles defendem!

    A reestruturação das sedes regionais ou lá como isso se chama, que estão a fazer, é um belo exemplo disso
  18.  # 140

    A minha opinião
    O problema foi quando se começaram a perceber que com a existência de cada vez mais cursos se corria o risco de banalizar a profissão. Tentou-se aquilo que os médicos têm conseguido até agora, limitar o acesso à profissão. Esse objetivo não foi conseguido, então mudou-se de estratégia. Eliminar a concorrência.
    Se eu não tiver concorrentes a minha atividade é valorizada. Infelizmente as coisas parecem que não estão a correr bem. Cada vez mais o arquiteto está a ser visto não como um profissional de mais valia mas como uma obrigação.
    Concordam com este comentário: treker666
 
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