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  1. Colocado por: ivreisEu não sei se ela não existe. A mão-de-obra portuguesa é que não quer trabalhar pelos valores que os nepaleses aceitam (e acho muito bem que não aceite! Afinal de contas devemos querer é nivelar por cima e não por baixo!). Já deu para ver que 1000€ (nas limpezas) nem chegam para pagar um T2 em Odivelas (já um interno com 1300€ é um rei).
    Agora o ivreis tocou num ponto importante. Se me diz que é possível aumentar a atratividade do SNS sem fazer crescer ainda mais um orçamento que já ultrapassa os 17 mil milhões, então sou o primeiro a concordar. Aliás, várias das medidas que o ivreis sugeriu la no inicio do tópico, fazem bastante sentido.

    O problema surge quando se defende que melhorar a atratividade do SNS (o que para alguns sindicatos significa essencialmente aumentar o salário base) exige um aumento significativo do orçamento. Aí gostava que me explicassem como se “vende” essa ideia ao trabalhador que ganha 800 euros na agricultura, seja ele nepalês ou português, ou a quem recebe pouco acima disso e terá necessariamente de suportar mais impostos. Como se explica a essas pessoas que é preciso reforçar ainda mais as condições de uma classe profissional que, apesar de mal paga, continua entre as que têm maior poder de compra em Portugal? Isto simultaneamente quando o orçamento do SNS duplicou nos últimos 10 anos sem que se tenha visto grandes melhorias. Isto quando nos últimos 3 anos até houve um reforço dos vencimentos os médicos sem que se vejam melhoras signiicativas?

    Penso que concordamos que os salários base dos médicos são desajustados para a responsabilidade que têm. Mas quantos médicos recebem realmente apenas os tais 1 300 euros líquidos? Se olharmos para o peso da massa salarial no orçamento do SNS, percebemos que aquilo que é efetivamente pago está muito longe dos valores base que o ivreis referiu. Agora, isto pode significar que a massa salarial está mal distribuída, e, sendo assim, o que é necessário é uma gestão muito mais eficiente do orçamento existente.

    O que não pode acontecer é pedir ainda mais orçamento quando o país, objetivamente, não o consegue suportar. Se for possível triplicar salários base sem aumentar o orçamento do SNS, ótimo. Mas enquanto isso não for possível, a prioridade tem de ser gestão, eficiência e redistribuição, não simplesmente injetar mais dinheiro num sistema que já custa mais do que conseguimos financiar. Parte dessa gestão efeiciente pode efetivamente passar por aumentar a mão de obra disponível uma vez que a mesma parece ser escassa.



    Colocado por: ivreisSe o SNS continuar a funcionar mal, o privado vai continuar a ter espaço para se expandir e captar cada vez mais médicos. Um dia irá atingir o ponto de saturação (e eventualmente não haverá SNS) mas nessa altura o custo da saúde individual já se tornou tão grande que todos nós teremos que vender um rim para viver mais uns anitos. Não sou fã desse futuro (talvez por isso seja um dos tolos que se mantêm no SNS).
    Aqui, estamos totalmente de acordo. O que não consigo perceber é como o SNS poderá funcionar melhor sem mão de obra suficiente. Objetivamente, o SNS não tem qualquer hipótese de competir com o privado apenas pela via salarial, não vale a pena ter grandes ilusões.
    É precisamente por isso que defendo que, além de melhorar as condições de trabalho e criar espaço para que os médicos possam evoluir técnica e profissionalmente em áreas que evetualmente o privado não é tão competitivo, é necessário efetivamente aumentar o número de médicos disponíveis.
    Concordam com este comentário: N Miguel Oliveira
  2. Colocado por: ivreisE cirurgia robótica tem sido feito investimento no privado?
    Não sei se o privado tem investido ou não, mas se sim, questiono-me quem pagará pela formação que os médicos necessáriamente terão de fazer, uma vez que o privado funciona essencialmente com prestadores de serviços.
  3. Colocado por: Sandra_ccFoi adquirido quando os hospitais abriram e nunca sequer o renovaram.
    Não há muito tempo fui ao dentista num desses grupos privados bem conhecidos, e o dentista ia iniciar o procedimento com a porra da cadeira cheia de sangue do cliente anterior. Tive de ser eu a pedir que limpassem aquilo, e, pensando bem, se fosse hoje teria simplesmente saído da consulta. Até porque depois fiquei o resto do dia a pensar: se a cadeira estava assim, será que os instrumentos tinham sido devidamente limpos e esterilizados?.

    O que é facto é que desde essa altura, me questiono bastante sobre qual os procedimentos que alguns privados efetivamente adotam em nome da rentabilidade.
  4. Colocado por: ivreisE cirurgia robótica tem sido feito investimento no privado? A minha Maria veio agora da certificação com o Da Vinci e está entusiasmada. Aparentemente no privado, na área dela, ainda não há praticamente ninguém a usar.


    Duas especialidades já iniciaram este ano.

    Foi transmitido na reunião esta semana que para 2026 há um plano de investimento de vários milhões para um renting operacional de material que vai permitir expandir cirurgia robótica para várias outras especialidades.
  5. Colocado por: HAL_9000Agora o ivreis tocou num ponto importante. Se me diz que é possível aumentar a atratividade do SNS sem fazer crescer ainda mais um orçamento que já ultrapassa os 17 mil milhões, então sou o primeiro a concordar. Aliás, várias das medidas que o ivreis sugeriu la no inicio do tópico, fazem bastante sentido.

    O problema surge quando se defende que melhorar a atratividade do SNS (o que para alguns sindicatos significa essencialmente aumentar o salário base) exige um aumento significativo do orçamento. Aí gostava que me explicassem como se “vende” essa ideia ao trabalhador que ganha 800 euros na agricultura, seja ele nepalês ou português, ou a quem recebe pouco acima disso e terá necessariamente de suportar mais impostos. Como se explica a essas pessoas que é preciso reforçar ainda mais as condições de uma classe profissional que, apesar de mal paga, continua entre as que têm maior poder de compra em Portugal? Isto simultaneamente quando o orçamento do SNS duplicou nos últimos 10 anos sem que se tenha visto grandes melhorias. Isto quando nos últimos 3 anos até houve um reforço dos vencimentos os médicos sem que se vejam melhoras signiicativas?

    Penso que concordamos que os salários base dos médicos são desajustados para a responsabilidade que têm. Mas quantos médicos recebem realmente apenas os tais 1 300 euros líquidos? Se olharmos para o peso da massa salarial no orçamento do SNS, percebemos que aquilo que é efetivamente pago está muito longe dos valores base que o ivreis referiu. Agora, isto pode significar que a massa salarial está mal distribuída, e, sendo assim, o que é necessário é uma gestão muito mais eficiente do orçamento existente.

    O que não pode acontecer é pedir ainda mais orçamento quando o país, objetivamente, não o consegue suportar. Se for possível triplicar salários base sem aumentar o orçamento do SNS, ótimo. Mas enquanto isso não for possível, a prioridade tem de ser gestão, eficiência e redistribuição, não simplesmente injetar mais dinheiro num sistema que já custa mais do que conseguimos financiar. Parte dessa gestão efeiciente pode efetivamente passar por aumentar a mão de obra disponível uma vez que a mesma parece ser escassa.



    Aqui, estamos totalmente de acordo. O que não consigo perceber é como o SNS poderá funcionar melhor sem mão de obra suficiente. Objetivamente, o SNS não tem qualquer hipótese de competir com o privado apenas pela via salarial, não vale a pena ter grandes ilusões.
    É precisamente por isso que defendo que, além de melhorar as condições de trabalho e criar espaço para que os médicos possam evoluir técnica e profissionalmente em áreas que evetualmente o privado não é tão competitivo, é necessário efetivamente aumentar o número de médicos disponíveis.
    Concordam com este comentário:N Miguel Oliveira


    Ainda estou para perceber como se aumenta, como sugere - expressivamente - o número de médicos no SNS sem aumentar a despesa no orçamento...


    O que não pode acontecer é pedir ainda mais orçamento quando o país, objetivamente, não o consegue suportar


    Como disse atrás triplicou-se a formação de médicos, quando na verdade se deveria ter sextuplicado
  6. Colocado por: HAL_9000Não sei se o privado tem investido ou não, mas se sim, questiono-me quem pagará pela formação que os médicos necessáriamente terão de fazer, uma vez que o privado funciona essencialmente com prestadores de serviços.


    Os fabricantes de material médico incluem a formação/acompanhamento no fornecimento do mesmo.

    Até mais que isso, frequentemente fazemos cirurgias (absolutamente de rotina) em que o representante do fabricante/fornecedor de material está no bloco connosco dando apoio sobre o uso de instrumentos e material cirúrgico.
    Concordam com este comentário: ivreis
  7. Colocado por: Sandra_ccAinda estou para perceber como se aumenta o número de médicos no SNS sem aumentar a despesa...
    Isso não será muito difícil de conseguir, menos horas extra e muito menos tarefeiros.
  8. Colocado por: HAL_9000Isso não será muito difícil de conseguir. É deslocar a massa salarial das horas extra e dos rarefeitos para o pessoal do quadro.


    Algo me diz que a coisa não vai ficar em equilíbrio.
  9. Colocado por: Sandra_ccformação/acompanhamento no fornecimento do mesmo
    certo. Isso eu imagino que sim. Mas vai dar formação ao cirurgião X, Y, Z. Esta formação é paga (ou o valor incluído na compra do equipamento). Mas se estes cirurgiões sao prestadores de serviços, qual é a garantia do hospital privado que amanhã eles não deixam de o fazer?
  10. Mas isso parece uma excelente medida mais para fixar quem está no SNS.
  11. Colocado por: Sandra_cc

    Algo me diz que a coisa não vai ficar em equilíbrio.
    sem equilíbrio já está agora. Se houvesse equilíbrio não havia médicos a preferir trabalhar a tarefa e manter-se sem especialidade.
  12. Colocado por: HAL_9000certo. Isso eu imagino que sim. Mas vai dar formação ao cirurgião X, Y, Z. Esta formação é paga (ou o valor incluído na compra do equipamento). Mas se estes cirurgiões sao prestadores de serviços, qual é a garantia do hospital privado que amanhã eles não deixam de o fazer?


    A formação é contínua.

    O representante do fornecedor está quase sempre no bloco nestas cirurgias de material 'premium'.
  13. Mesmo para meter uns parafusos, o representante do fornecedor vai para o bloco.

    Para eles é muito importante assegurar acompanhamento para que escolha o material deles.

    A Medtronic, Siemens, Stryker, Johnson, GE, são muitos cuidadosos nisso.

    No SNS o procedimento é idêntico.
    Concordam com este comentário: ivreis
  14. Colocado por: HAL_9000sem equilíbrio já está agora. Se houvesse equilíbrio não havia médicos a preferir trabalhar a tarefa e manter-se sem especialidade.



    O pessoal do quadro acarreta custos que tarefeiros não.

    subsídios de férias, natal, subsídio de refeição, suplemento por trabalho noturno, suplemento por trabalho em fim de semana e feriados, TSU.

    Para além disto o pessoal do quadro impacta no absentismo pago e absentismo não pago, como baixas, licenças de maternidade, luto, horas de formação obrigatórias.

    Depois há custos 'indirectos' com pessoal do quadro, impactantes mas difíceis de medir, como direito a isenção de trabalho noturno a partir dos 50 anos, contratos a tempo parcial, isenção de trabalho de urgência, horários de amamentação, horário acompanhamento a filhos menores de 12 anos...

    Os tarefeiros saem mais caros no valor hora, mas, são horas efectivamente trabalhadas e sem complementos.

    A questão do custo total entre pessoas do quadro vs tarefeiros pendendo para os tarefeiros, não tem contudo um peso tão líquido como se possa pensar sem aprofundar
  15. Colocado por: Sandra_cc


    Opessoal do quadro acarreta custos que tarefeiros não.

    subsídiosde férias, natal, subsídio de refeição,suplementopor trabalho noturno, suplemento por trabalho em fim de semana e feriados,TSU.

    Para além disto o pessoal do quadro impacta noabsentismopago e absentismo não pago, como baixas, licenças de maternidade, luto, horas de formação obrigatórias.

    Depois há custos 'indirectos' com pessoal do quadro, impactantes mas difíceis de medir, como direito aisenção de trabalho noturnoa partir dos 50 anos,contratos a tempo parcial,isenção de trabalho de urgência, horários deamamentação,horário acompanhamento a filhos menores de 12 anos...

    Ostarefeiros saem mais carosno valor hora, mas, são horasefectivamente trabalhadasesem complementos.

    A questão docusto totalentre pessoas do quadro vs tarefeirospendendo para os tarefeiros, não tem contudo um peso tão líquido como se possa pensar sem aprofundar


    Além de tudo isto, temos de levar em conta que a produtividade do pessoal do quadro nem sempre é aproveitada em consequência das limitações e constrangimentos do SNS, como greves dos auxiliares, dos médicos, dos administrativos, dos enfermeiros.

    Mas não apenas por greves. Há muitas vezes limitações logísticas e infraestruturais que não permitem sempre tirar a maior produtividade de muitas especialidades, nomeadamente cirúrgicas.

    Pelo contrário, os tarefeiros cobrem maioritariamente horas de urgência geral, portanto horas efectivas de produção, sem grandes necessidades de infraestrutura e logística.

    Os tarefeiros não cobrem, grosso modo, especialidades cirúrgicas que carecem de logística e infraestrutura mais complexa e limitada (bloco, cuidado intensivos, cuidados intermédios...).


    Resumindo.

    Há horas pagas ao quadro em que a produção é nula. Muitas vezes por motivos não imputáveis aos colegas.

    Enquanto relativamente aos tarefeiros as horas contratadas são sempre efectivamente produzidas ou, menos habitualmente, actos médicos.
  16. Nas urgências é que os tarefeiros seriam mais fácil e economicamente vantajoso para o erário público serem substituídos por médicos internos, certo?
  17. Colocado por: carlosj39Nas urgências é que os tarefeiros seriam mais fácil e economicamente vantajoso para o erário público serem substituídos por médicos internos, certo?


    Excelente questão.

    Ora bem.

    Não é bem, bem assim.

    Vamos lá ver.

    Os tarefeiros fazem, grosso modo, urgência geral.

    Ora, os internos de especialidade não fazem urgência geral, fazem urgência da especialidade onde estão a realizar o seu internato.

    Quem faz urgência geral?

    Internos de ano comum, conhecidos como IACS (médicos com curso terminado recentemente);

    Especialistas ou internos de especialidade de:
    - medicina interna;
    - MGF (medicina geral e familiar) que façam urgências;
    - medicina de emergência (especialidade reconhecida recentemente);
    - Pediatria (ur geral para crianças)


    Há tarefeiros de especialidade?

    Há, já se falou nisso, mas o grosso dos tarefeiros não é especialista e não faz, nem pode fazer, urgências, ou actos médicos, de especialidade. Se você, por exemplo, não é interno, nem especialista, em cir. cardiotorácica não vai operar uma dissecção da aorta. Se você não é interno ou especialista em neurocirurgia, não vai operar um doente com ruptura de aneurisma. Se um hospital estiver carenciado nestas especialidades, que dei como mero exemplo, tem de contratar alguém com especialidade como tarefeiro, ou como especialista para o quadro. Isso exclui 95% ou mais dos tarefeiros - que não tem nenhuma especialidade.


    Por exemplo:

    - você é interno da especialidade de radiologia.
    Vai fazer escala da de urgência da especialidade de radiologia.

    -Voce é interno de ortopedia.
    Faz escala de urgência de ortopedia, atende os gajos que suspeitam, na triagem, de fracturas

    - interno de cir geral.
    Está na escala de urgência de cir geral, vão lá encaminhados os gajos que podem ter apendicite e tal...
    Estas pessoas agradeceram este comentário: carlosj39
  18. Colocado por: Sandra_ccOs fabricantes de material médico incluem a formação/acompanhamento no fornecimento do mesmo.


    Sim é isto mesmo. Já tinham feito formação cá em Portugal mas com endotrainers e fora do horário de trabalho (para que não digam que foi o Hospital a pagar a formação. OK o hospital pagou a eletricidade usada pelo equipamento).
    Depois disso foi a Barcelona 1 dia tudo pago pela empresa fornecedora do equipamento.
    Eles ganham imenso dinheiro com os consumíveis.
    Concordam com este comentário: Sandra_cc
 
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