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  1.  # 1

    Boa tarde, saudações!

    Na sequência deste tópico estou a amadurecer a ideia de conceber uma parede radiante com forte inércia.

    O cenário da parede em questão é o já descrito neste comentário.

    As dúvidas que neste momento tenho:
    - como contabilizar a energia acumulada no elemento radiante? No caso, vou utilizar tijolo de burro normal.
    - como determinar a curva de libertação, para o ambiente envolvente, do calor acumulado?
    - como assegurar uma adequada permutação de calor, da água quente dentro do tubo quente, para o tijolo de burro?

    Como em principio, não irei fazer controlo da temperatura de impulsão, penso que terei de utilizar tubo em cobre.
    Para o poder dobrar, terei de usar tubo recozido. Estou a pensar no tubo de 16mm.

    Sobre o tubo recozido,
    - quais as desvantagens em relação ao tubo normal em vara?

    Nos pisos radiantes vejo utilizar um aditivo para melhorar a permutação de calor. Nas paredes aplica-se o mesmo principio?

    Depois há outras dúvidas mas para já estas são as que se destacam.

    Obrigado desde já pela ajuda
    • eu
    • 16 dezembro 2014

     # 2

    Colocado por: JoseBlinoComo em principio, não irei fazer controlo da temperatura de impulsão, penso que terei de utilizar tubo em cobre.

    Duas grandes asneiras:
    -Por um lado, o tubo de cobre é extremamente caro e difícil de manusear (fazer as curvas);
    -Por outro lado, sem controlo da temperatura de impulsão, arrisca-se a fissurar a parede toda;
    Estas pessoas agradeceram este comentário: JoseBlino
  2.  # 3

    Colocado por: JoseBlino
    - como contabilizar a energia acumulada no elemento radiante? No caso, vou utilizar tijolo de burro normal.

    - Contabilizar para que efeito? Pode medir a temperatura na ida e no retorno e obtém a energia por E=m*Cp*(Dif.T). Precisa de um contador de entalpia para fazer o cálculo.

    Colocado por: JoseBlino
    - como determinar a curva de libertação, para o ambiente envolvente, do calor acumulado?

    - Determinar a curva de libertação é mais complexo. Pode testar o sistema num dia com o mínimo de influências externas, coloca o sistema a funcionar e fica a registar a temperatura da parede e a temperatura ambiente do ar a uma certa distância. Se fizer o gráfico das duas e medir o tempo entre o pico das duas curvas, tem uma medida do desfasamento térmico da parede, em horas.

    Colocado por: JoseBlino
    - como assegurar uma adequada permutação de calor, da água quente dentro do tubo quente, para o tijolo de burro?

    - Se fosse eu usava uma argamassa que suporte as variações de temperatura sem fissurar. Preparada com cimento refractário e inertes que tenham boa condutividade e a preencher todo o espaço entre as alvenarias. De outra forma não vai ter uma tarefa fácil. Se quiser levar as coisas a outro nível (€€€€), procure materiais de mudança de fase encapsulados ou micro-encapsulados.

    Se conseguir pôr isso a funcionar, venha cá dizer como é que fez e qual o resultado.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: nunogouveia, alexp, JoseBlino
    • eu
    • 16 dezembro 2014

     # 4

    Colocado por: fiat_unoe a temperatura ambiente do ar a uma certa distância

    Em sistemas radiantes, a temperatura do ar não é um indicador fiável. Pode acontecer que a temperatura do ar esteja baixa (por exemplo 17 graus) e no entanto as pessoas têm a sensação de estar muito mais quente, devido à radiação infravermelha.

    É um pouco o que acontece nos dias frios quando estamos ao sol: a temperatura do ar é baixa, mas nós aquecemos por radiação.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: JoseBlino
  3.  # 5

    Sr. fiat_uno, excelente exposição!
  4.  # 6

    Colocado por: fiat_unoContabilizar para que efeito?

    Inicialmente, quando fiz a pergunta, era com ideia num cálculo teórico para tentar antever o funcionamento do sistema.
    Ou seja, determinar a capacidade de armazenamento da parede.


    Colocado por: fiat_unoPode medir a temperatura na ida e no retorno e obtém a energia por E=m*Cp*(Dif.T). Precisa de um contador de entalpia para fazer o cálculo.

    Mas agora que me deu esta dica, vou efectuar, depois de feito o trabalho, o cálculo de forma precisa.


    Tenho IDA e RETORNO para o cilindro de água quente, IDA e RETORNO para os radiadores e agora IDA e RETORNO para a parede radiante.
    Através de torneiras de passagem, vou instalar o contador, de forma a poder utilizá-lo para as várias situações.

    Encontrei este contador na net.
    Parece-lhe o indicado para este situação?
  5.  # 7

    Colocado por: fiat_uno- Determinar a curva de libertação é mais complexo. Pode testar o sistema num dia com o mínimo de influências externas, coloca o sistema a funcionar e fica a registar a temperatura da parede e a temperatura ambiente do ar a uma certa distância. Se fizer o gráfico das duas e medir o tempo entre o pico das duas curvas, tem uma medida do desfasamento térmico da parede, em horas.

    De facto, mais complicado. A voltar a este ponto quando o trabalho estiver feito.
  6.  # 8

    Colocado por: fiat_uno- Se fosse eu usava uma argamassa que suporte as variações de temperatura sem fissurar.

    Estive a pesquisar por este produto e encontrei várias referências que não sei a diferença.

    Argamassa Refractária 903 16,00 €
    Cimento Refractário (Electroland) 905 20,50 €
    Cimento Refractário ISIDAC 40 907 19,00 €

    Qual a diferença de Argamassa Refractária para Cimento Refractário?
  7.  # 9

    Colocado por: fiat_unoe inertes que tenham boa condutividade e a preencher todo o espaço entre as alvenarias

    (Acho que a pergunta seguinte vai sair estapafúrdia)
    Refere-se ao tal aditivo que se utiliza na argamassa do piso radiante?
  8.  # 10

    Colocado por: fiat_unoSe quiser levar as coisas a outro nível (€€€€), procure materiais de mudança de fase encapsulados ou micro-encapsulados.

    hmm, além do acréscimo da capacidade de armazenamento, a grande vantagem seria aumentar o tempo de armazenamento de energia, certo?
    Para capacidade de armazenamento, o tijolo já há de ter entalpia suficiente, não?

    Nota: nunca tinha ouvido falar em materiais de mudança de fase.
    Neste documento, dissertação de mestrado sobre "Materiais de Mudança de Fase em Revestimentos" é explicado detalhadamente este assunto.

    Em resumo, para quem, como eu, não conhecia este tipo de materiais, citaria este paragrafo:
    "Os materiais de mudança de fase são materiais capazes de armazenar uma grande
    quantidade de energia calorifica devida ao seu elevado calor de fusão e conseguem
    libertar esta energia a uma temperatura constante durante a sua mudança de fase. "
  9.  # 11

    Colocado por: JoseBlinopenso que terei de utilizar tubo em cobre.
    Para o poder dobrar, terei de usar tubo recozido. Estou a pensar no tubo de 16mm.
    2 enormes erros logo de uma assentada,
    cobre tem uma dilatação linear elevada, o que vai originar rupturas e fissuras no revestimento (por isso é que é usado tubagem plastica nos sistemas radiantes embebidos na argamassa),

    para curvar tem que ser recozido e apesar de ser facil, precisa de maquinaria adequada e saber trabalhar com ela, o que me parece ser difícil de concretizar,

    opte por colocar um sistema de controle da temperatura e use tubo de sistemas radiantes,
    Estas pessoas agradeceram este comentário: JoseBlino
  10.  # 12

    - Contador de entalpia: um qualquer na gama de temperaturas e caudais que pretende. são carotes.

    - Cimento refractário tem de misturar os inertes, na argamassa acho que já vem pronto a usar. Ao cimento, antigamente chamavam-lhe cimento Lafarge.

    - Não faço ideia do que se mistura na argamassa do piso radiante, mas faz sentido que use qualquer coisa parecida.

    - Os materiais de mudança de fase (PCM - phase change materials) vão ser a grande inovação dos próximos 5 anos para climatização e isolamento na Europa. A vantagem destes materiais é que armazenam uma grande quantidade de calor latente quando mudam de fase, de sólido para líquido. E libertam essa energia quando passam de líquido para sólido. Aquilo basicamente é parafina ou óleo de côco. O problema é encapsular a coisa para não escorrer. São estupidamente caros e quem domina a produção das microcápsulas é a BASF.

    - O Cp da cerâmica é aproximadamente 0,9 KJ/kg.K. Quanto maior o valor, mais energia armazena.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: nunogouveia, JoseBlino, luis_guilherme
  11.  # 13

    Colocado por: fiat_unoNão faço ideia do que se mistura na argamassa do piso radiante, mas faz sentido que use qualquer coisa parecida.

    usa-se um elemento fluidificante para recobrir completamente a tubagem e evitar as bolhas de ar na argamassa,

    duvido muito da sua exequibilidade em paramentos verticais.
  12.  # 14

    Colocado por: fiat_uno-

    - Os materiais de mudança de fase (PCM - phase change materials) vão ser a grande inovação dos próximos 5 anos para climatização e isolamento na Europa. A vantagem destes materiais é que armazenam uma grande quantidade de calor latente quando mudam de fase, de sólido para líquido. E libertam essa energia quando passam de líquido para sólido. Aquilo basicamente é parafina ou óleo de côco. O problema é encapsular a coisa para não escorrer. São estupidamente caros e quem domina a produção das microcápsulas é a BASF.

    >


    São comentários de excelente nível, como este, que me fazem via aqui a este fórum para aprender. Andar bem informado é meio caminho para ser bem sucedido.
    Concordam com este comentário: JoseBlino
  13.  # 15

    Colocado por: jorgealves
    usa-se um elemento fluidificante para recobrir completamente a tubagem e evitar as bolhas de ar na argamassa,

    duvido muito da sua exequibilidade em paramentos verticais.


    E se usar o tijolo como cofragem perdida e encher o espaço onde vai colocar os tubos de baixo para cima com essa argamassa? nem que seja por duas vezes, primeiro a metade de baixo da parede, deixar curar e fazer a metade de cima.
  14.  # 16

    deixar curar

    os fluidificantes são muito plastificantes e não vai permitir qualquer adesão de futuro material,

    mas teoricamente nada o impede de encher tudo de uma só vez,


    nunca poderia ser por processo de reboco tradicional, pois "escorria".
  15.  # 17

    Colocado por: fiat_unoO Cp da cerâmica é aproximadamente 0,9 KJ/kg.K.

    Não sei ler/interpretar esta unidade que referiu "KJ/kg.K." Também tenho visto KJ/kg.ºC.

    Por exemplo, se fosse KJ/kg, diria que cada kg de cerâmica detem 0,9 KJ de calor... mas já com o ".K" ou ".ºC" não chego lá...

    Pode, sff, fazer a leitura detalhada?
  16.  # 18

    Colocado por: jorgealves
    duvido muito da sua exequibilidade em paramentos verticais.


      Colocado por: jorgealves
      nunca poderia ser por processo de reboco tradicional, pois "escorria".


        Como se garante então uma boa transferência de calor, da tubagem para o ambiente envolvente, nos sistemas de parede radiante?
      •  # 19

        Colocado por: JoseBlinoComo se garante então uma boa transferência de calor, da tubagem para o ambiente envolvente, nos sistemas de parede radiante?

        usa-se paneis de recobrimento das paredes com a tubagem já embebida nos mesmos.
      •  # 20

        Colocado por: jorgealves
        usa-se paneis de recobrimento das paredes com a tubagem já embebida nos mesmos.


        Vamos ver se entendi...inércia não obrigado! é isso?
       
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