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  1.  # 41

    O mundo dos projectos é altamente subjectivo.
    Não é linear. Uma casa de 100m2 pode demorar 100 horas, e outra, igualmente de 100m2, pode tardar 500 horas.

    Depois, existe também, uma componente mais objectiva, mais mecânica. Como por exemplo preencher formulários e tratar de tarefas administrativas repetitivas mas obrigatórias.

    O que parece custar a entender é o seguinte, se a parte mecânica é obrigatória e sem isso não há instrução. Essa existirá sempre.

    Se essa parte ocupa 60 horas... e eu pago 100h... na prática só 40h são a projectar.
    Se pago mais 50%, pago 150h... a parte de projecto passa de 40 a 90h.
    O preço subiu 50%, as horas de projecto subiram 125%!

    Por outro lado... se andámos sempre a rapar o tacho... o que vai encontrar são projectos muito baratos, que na verdade de projecto têm muito pouco. O valor apenas cobre a parte obrigatória e mecânica, de ter as folhas todas, os desenhos necessários, as assinaturas, os formulários todos... e realmente, nesses casos... o projecto mais não é que um monte de folhas, sem nenhuma mais valia enquanto planeamento.

    Isto tudo para dizer, que muitas vezes a diferença de valores entre "rapar o tacho" e ter um número decente de horas a pensar e analisar um projecto... não é tanta quanto a que se julga. O problema a meu ver, é o facto de que as Câmaras, pelo modo como funcionam, fazem com que a parte mecânica, objectiva, obrigatória nos ocupe demasiado tempo. E essa é sempre paga. Depois há técnicos que acham que os Donos de Obra não podem pagar mais... ou que veem a própria profissão como algo mais parecido a um Advogado, a um Solicitador... e menos como um técnico de construção, ou como alguém com conhecimentos ao nível psicologia da espacialidade, da importância da luz e ventilação... da estética e funcionalidade e do poder que a Arquitectura e Engenharia, o Design e a Ergonomia, o Urbanismo e Demografia têm para moldar a qualidade de vida dos seus utilizadores. Além da responsabilidade que têm para com as comunidades enquanto criador de paisagem. Se isso até algo comum de ver num Dono de Obra... é quase imperdoável num Arquitecto ou Engenheiro.

    Muitos dos projectos que aparecem neste fórum, tiveram honorários de 60.5 horas... só meia hora foi de projecto, e nessa meia hora, 25min foram em reunião com o cliente.
  2.  # 42

    Colocado por: N Miguel OliveiraUma casa de 100m2 pode demorar 100 horas, e outra, igualmente de 100m2, pode tardar 500 horas.
    mas o meu trabalho vale mais se demoro mais tempo ou se demorar menos tempo?

    ;)
  3.  # 43

    Colocado por: antonylemosmas o meu trabalho vale mais de demora mais tempo ou se demorar menos tempo?


    Esse é todo um outro tema, que para esta discussão vale pouco.
    Se sou rápido, o preço à hora tampouco é o mesmo.
    Mas aí, já é algo mais do meu interesse fazer rápido e bem... e cobrar bem também.
    Para o cliente, a questão nem é tanto a de ser-se rápido, mas de receber um projecto como deve de ser.
    Porque eu posso reunir com o cliente na 2ª e passar a semana a ferver para entregar na 6ª... como posso estar de 3ª a 5ª feira sem tocar no projecto e resolver tudo na sexta porque sou um génio. No final o cliente receberá o projecto na mesma na 6ªf e pagará o mesmo. Eu é que ganhei mais por ser bom...
    Toca ao Dono de Obra saber escolher os profissionais... e não ir apenas pelo preço ou pela ladaínha.
  4.  # 44

    Colocado por: N Miguel OliveiraToca ao Dono de Obra saber escolher os profissionais... e não ir apenas pelo preço ou pela ladaínha.
    nem mais
  5.  # 45

    Colocado por: N Miguel OliveiraToca ao Dono de Obra saber escolher os profissionais... e não ir apenas pelo preço ou pela ladaínha.

    Colocado por: antonylemosnem mais


    E como é que um DO que não tenha qualquer referência faz isso?
  6.  # 46

    Colocado por: elfo106

    E como é que um DO que não tenha qualquer referência faz isso?
    como escolhes um dentista ou um advogado?
  7.  # 47

    Depois não esquecer que o empreiteiro tem de cumprir com os projetos, o que nem sempre acontece.
  8.  # 48

    Colocado por: antonylemoscomo escolhes um dentista ou um advogado?


    Foram sempre com referência de alguém. Já me aconteceu ir a um dentista que não conhecia mas na mesma clinica que frequento habitualmente (quem ler isto pensa que passo a vida no dentista :D ) porque "o meu" não tinha vaga tão cedo e nesse caso simplesmente confiei e correu bem.

    A pergunta é honesta, uma pessoa que não seja minimamente da área como sabe que contratou os profissionais certos? É certo que se não forem mais cedo ou mais tarde os problemas vêm ao de cima mas a questão é saber identificá-los o mais cedo possível.
    Concordam com este comentário: paulo_pereira
  9.  # 49

    Colocado por: elfo106E como é que um DO que não tenha qualquer referência faz isso?

    Primeiro deve ter noção do serviço que está a pedir, seja a um Arq. Eng. Designer, Paisagísta, etc.
    Ao reunir, focar-se nisso, em perceber como trabalha, eventualmente ver algo feito anteriormente, etc... e focar-se mais nisso, que no preço. Para mim, até mais do que saber desenhar, um Arq. Eng, etc... deve ser bom a escutar, a criar empatia, a meter-se nos sapatos do cliente, no modo como vive, etc... afinal, a casa é para o cliente usar, e pagar.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: elfo106
  10.  # 50

    Colocado por: NTORIONDepois não esquecer que o empreiteiro tem de cumprir com os projetos, o que nem sempre acontece.


    Para isso está o Fiscal.
  11.  # 51

    Colocado por: elfo106A pergunta é honesta, uma pessoa que não seja minimamente da área como sabe que contratou os profissionais certos?
    a resposta também é.. é como tudo na vida quando não se conhece ou não vem referenciado de alguém... experimenta-se
    Concordam com este comentário: N Miguel Oliveira
    Estas pessoas agradeceram este comentário: elfo106
  12.  # 52

    O problema dos DO é a pressa.
    Um projeto deveria ser encarado como a escolha de um/a parceiro/a.
    Experimentação.
    Quem é que no seu juízo perfeito casa com a primeira mocoila que lhe dá trela?
    Ela até pode preencher a grande maioria dos requisitos mas o pessoal prefere experimentar primeiro.
    Nos projetos deve ser exatamente o mesmo. Antes do compromisso os DO devem experimentar um período de namoro com os técnicos.
    Pedir lhes uns estudos prévios uma opiniões sobre isto e aquilo etc.
    Pois mas isso custa dinheiro !
    Verdade!
    Mas a escolha das vossas parcerias não vos custou também muito dinheiro?
    Quanto é que gastaram um chocolates do Lidl e em gasolina para a Famel com a choca da rua de baixo?
    Na altura até parecia ser a tal, depois de 4 caixas de chocolates e 3 depósitos de mistura começou a revelar se uma verdadeira choca.
    Com os técnicos deve ser exatamente o mesmo.
    Namorem nos antes de vos comprometerem
    Concordam com este comentário: N Miguel Oliveira, nbastos
  13.  # 53

    Colocado por: zedasilvaNamorem nos antes de vos comprometerem


    Eu até diria mais, mesmo antes de comprar o terreno, pedir avaliação ou conselhos a 2 ou 3 Arquitectos... servia para conhecê-los com pouco gasto... e servia para negociar melhor a compra do terreno. Era um win-win.
    Concordam com este comentário: zedasilva
  14.  # 54

    Colocado por: zedasilvaO problema dos DO é a pressa.
    Um projeto deveria ser encarado como a escolha de um/a parceiro/a.
    Experimentação.
    Quem é que no seu juízo perfeito casa com a primeira mocoila que lhe dá trela?
    Ela até pode preencher a grande maioria dos requisitos mas o pessoal prefere experimentar primeiro.
    Nos projetos deve ser exatamente o mesmo. Antes do compromisso os DO devem experimentar um período de namoro com os técnicos.
    Pedir lhes uns estudos prévios uma opiniões sobre isto e aquilo etc.
    Pois mas isso custa dinheiro !
    Verdade!
    Mas a escolha das vossas parcerias não vos custou também muito dinheiro?
    Quanto é que gastaram um chocolates do Lidl e em gasolina para a Famel com a choca da rua de baixo?
    Na altura até parecia ser a tal, depois de 4 caixas de chocolates e 3 depósitos de mistura começou a revelar se uma verdadeira choca.
    Com os técnicos deve ser exatamente o mesmo.
    Namorem nos antes de vos comprometerem
    Concordam com este comentário:N Miguel Oliveira,nbastos
    o Zé da silva até sabe que eu aprecio muito os seus comentários, além de terem substância, são acertivos o único senão é eu saber que o Zé é um " gajo" das obras logo sabe que a coisa na realidade e na maior parte das vezes não é assim... A fatia de maior responsabilidade parte dos nossos técnicos... O DO é sempre o menos culpado e sempre o mais prejudicado... Mas isto já todos nós sabemos, o assumir de responsabilidades de cada um é que se torna complicado... Quando mais os nossos técnicos forem profissionais mais e melhores construções teremos no país... Qualquer dia estão a pedir aos nossos alunos para namorar primeiro os professores para depois escolher quem lhes dá as aulas...
  15.  # 55

    Verdade, existem técnicos que são verdadeiras nódoas.
    Por isso ser tão importante os DO tentarem fazer uma seleção prévia
  16.  # 56

    Infelizmente existe muito pouco por onde selecionar, tenho a certeza que conta pelos dedos das mãos os projetos que passam por si , dignos desse nome...
  17.  # 57

    E os projetos realmente bons nem sempre são os mais " caros"...
  18.  # 58

    Colocado por: nbastosE os projetos realmente bons nem sempre são os mais " caros"...


    Claro que o que escreve tem sentido, ainda assim, é bem mais provável que um melhor projecto custe mais, do que custe menos.

    Mas lá está, há muita subjectividade à mistura.

    Não é o mesmo que comparar o preço duma caixa de Nestum no LIDL ou no Continente, em que o produto é exactamente o mesmo.

    Alguém que não entenda os beneficios de planeamento, de pensar antes de fazer, de prever, achará sempre caro, seja que preço fôr, pois só vê no projecto uma imposição legal, nada mais. Por outro lado, quem entende isso, e quem está habituado às obras, vê que um valor de 10 ou 20mil € dum bom projecto, facilmente se traduz em poupanças sobejamente maiores...
  19.  # 59

    Mas acho que também, do modo como as coisas estão organizadas, leva a muita gente requerer o mínimo obrigatório, sem vislumbrar nenhuma mais valia, em continuar a mastigar-se um projecto. Conheço um Engenheiro que trabalhava da seguinte maneira... sabia que cobrava muito acima do normal... como o dobro ou o triplo, mesmo em tempo de vacas magras, mas a abordagem é no mínimo interessante. Pega num projecto qualquer feito por outro... e recalcula doutra maneira a ver se consegue tornar mais eficiente o projecto. Se essa correção gerar uma poupança de 10 ou 20 mil em obra numa determinada especialidade, propõe isso ao (eventual) cliente. Dessa poupança tira os honorários que entende, para re-instruir o projecto na Câmara e preparar desenhos para obra. Basicamente, só ganha, se o projecto do cliente fôr mau. Mas quando ganha, ganha bem mais do que o normal. Mas lá está, ocupa a maior parte do seu tempo a calcular e fazer Engenharia, em vez de preencher papelada. E ganha o cliente também. Não perde nada. Se o projecto que tinha já estava bom, perfeito. Se estava mau, passa a ter um que lhe traz poupança em obra e ainda dá para pagar ao homem.

    Basicamente, ele fazia tudo como qualquer Eng. dum empreiteiro faz, tenta ver onde pode tornar mais eficiente um projecto, mas a poupança fica para o DO e não para o empreiteiro... e os projectos oficiais na CM passam a estar correctos. Era tudo às claras... só era preciso tempo e alguma paciência por parte do Dono de Obra. Hoje em dia, como não estamos em tempos de vacas magras, não tem tanta necessidade de trabalhar sem garantias de que vai receber.

    Por isso muita gente diz que os empreiteiros nem para o projecto olham... se o projecto é daqueles chapa 5, há muito por onde se pode trabalhar e optimizar. A questão é: porque é que o projecto é chapa 5? Porque para que não o seja, é preciso tempo. E esse tempo paga-se. Se o cliente só pede o mínimo, é o mínimo que vai ter... Depende depois de cada técnico, ajustar os seus standards ao que considera como mínimo. É aqui que está a subjectividade também.
  20.  # 60

    se eu pedir vá lá ao mercado que por aqui se mexe, 20K por um projeto completo mas um projeto/ planeamento com P grande e levar a obra até ao fim com foco e empenho de excelencia
    bem posso dedicar-me á pesca.
    alias sempre que pedi a um DO que até aparecia cheio de pose acima, um preço mais elevado, passado uns tempos recebia um mail a agradecer o tempo dispendido mas tinham optado por uma solução mais em conta.
    neste mundo da construção como de uma forma geral noutras áreas há de tudo.
    mas ainda o que mete mais impressão é a persistencia do "gabinete" lá da terra que continua produzir bonecos com algum melhoramento mas tipo com o registo o que se fazia de pior nos anos 80 do seculo passado.
    dizer que até se pagou 5K pelos projetos e se está á espera de rigor, já nem digo qualidade, é ser ingenuo ou querer fazer dos outros ingenuos.
    desculpem o desabafo mas já são muitos anos a lidar com rapa tachos sejam técnicos, DO ou empreiteiros.
    como digo e digo vários vezes em ultima analise não há inocentes neste processo.
    Concordam com este comentário: N Miguel Oliveira, jorgealves
    Estas pessoas agradeceram este comentário: N Miguel Oliveira
 
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