Iniciar sessão ou registar-se
  1.  # 961

    Colocado por: SquireConcorda ou não que um português que ganhe 800 Euros canalizará qualquer acréscimo para o consumo, enquanto que um belga que ganhe 2.500 Euros irá alocar em poupanças?
    Não concordo obviamente.

    O aumento de ordenado do português, iria fazer com que conseguisse suprir algumas despesas urgentes, a retração no consumo poderia acontecer ou não dependendo da educação financeira da pessoa.

    Quanto ao Belga, nada garante que canalize o aumento para poupança, pode simplesmente aproveitar o aumento para manter o nível de consumo normal.

    Não percebo que contas de cabeça está a fazer. Mas a mim não me faz sentido ter menos impacto na inflação um aumento de quem já tem liquidez vs o impacto de um aumento a quem já está em dificuldades económicas.
  2.  # 962

    Colocado por: SquireInfelizmente, teremos todos que que apertar o cinto.
    Todos salvo seja que algumas empresas estão a lucrar bem com a situação.

    O próprio estado está a recolher bons dividendos. Nada a apontar se o gastassem bem gasto.

    No meio disto tudo não percebi. A Bélgica não terá por lá economistas? Ou trata-se de uma casta à parte que não terá de apertar o cinto?
    É que muito diferente dizer a um belga (que ate consegue poupar normalmente) para apertar o cinto, e dizê-lo a um português, cujos rendimentos e por consequência poupanças, são pouco mais que anedóticas. Ao passo que os primeiros, apertar o cinto pode significar menos férias, menos cultura, reduzir a temperatura do piso radiante, aos segundos apertar o cinto já é privação material, deficiências calóricas.
  3.  # 963

    Colocado por: HAL_9000Não concordo obviamente.

    O aumento de ordenado do português, iria fazer com que conseguisse suprir algumas despesas urgentes, a retração no consumo poderia acontecer ou não dependendo da educação financeira da pessoa.

    Quanto ao Belga, nada garante que canalize o aumento para poupança, pode simplesmente aproveitar o aumento para manter o nível de consumo normal.

    Não percebo que contas de cabeça está a fazer. Mas a mim não me faz sentido ter menos impacto na inflação um aumento de quem já tem liquidez vs o impacto de um aumento a quem já está em dificuldades económicas.


    Está a colocar demasiados "ses". Obviamente que uma família pode fazer mil e uma coisas para manter o seu nível de consumo. A questão é a probabilidade e a tendência. Se o seu argumento é que há sempre forma de contornar o que quer que seja então seria impossível fazer análises estatísticas, ou qualquer tipo de generalizações, porque obviamente todos nós temos a capacidade de fazer milhões de coisas diferentes. O que interessa aqui é a "probabilidade de" ou a "tendência para".

    É mais provável poupar quem ganha 2.500 € do que quem ganha 800 €. E isto é facilmente comprovável, dado que a evidência mostra que quanto mais se ganha, mais se poupa. O meu argumento é este. Se é mais provável um individuo que ganha 2.500 Euros poupar face a uma pessoa que ganha 800 €, então é mais provável um contributo positivo para a inflação de um individuo que tenha tendência a não poupar, do que um individuo que tenha justamente essa tendência.

    Isto apenas para ilustrar que a receita na Bélgica pode não ter os mesmos efeitos se aplicada em Portugal.
    • Squire
    • 28 dezembro 2022 editado

     # 964

    Colocado por: HAL_9000
    O próprio estado está a recolher bons dividendos. Nada a apontar se o gastassem bem gasto.

    No meio disto tudo não percebi. A Bélgica não terá por lá economistas? Ou trata-se de uma casta à parte que não terá de apertar o cinto?
    É que muito diferente dizer a um belga (que ate consegue poupar normalmente) para apertar o cinto, e dizê-lo a um português, cujos rendimentos e por consequência poupanças, são pouco mais que anedóticas. Ao passo que os primeiros, apertar o cinto pode significar menos férias, menos cultura, reduzir a temperatura do piso radiante, aos segundos apertar o cinto já é privação material, deficiências calóricas.


    Não discordo de si relativamente aos lucros das empresas.
    Se calhar a criação de taxas sobre lucros seria outra forma de controlar a inflação. Mas essa taxa iria aumentar a receita do Estado. O que o Estado teria que fazer era devolver esse valor às pessoas. Seria uma forma de transferir parte do lucro para a população. Mas neste caso eu defendo que, em Portugal, deveria ser canalizado para a franja de população mais pobre. Não para todos. E teria que ser temporária, até ao controlo definitivo da inflação.

    Os 150 Euros que o Estado distribuiu há uns meses atrás para quem ganhava até 40.000 Euros/ano (sensivelmente) foi, na minha opinião, ridícula.
    Concordam com este comentário: HAL_9000
    • Squire
    • 28 dezembro 2022 editado

     # 965

    Ainda relativamente aos lucros das empresas.
    O que os relatórios dizem é que mais de metade do aumento do preço (53,9%) pode ser atribuído às margens de lucro, sendo que os custos de mão-de-obra contribuíram com 8%. Presumo que os restantes custos (perto de 40%), como as matérias-primas ou gastos intermédios, expliquem a subida da inflação.
    Mas isto é uma análise na óptica empresarial. Isto é, como as empresas não têm subido muito os salários, esta nunca seria a explicação para a inflação. E faz todo o sentido. Não foi a subida dos salários que causou a inflação.
    No entanto, a inflação é resultante de uma dinâmica de mercado. O preço praticado pela empresa (e que está a originar o tal lucro exagerado) é por sua vez influenciado pela procura desse bem ou serviço. A redução do rendimento disponível obrigaria a um ajustamento na procura desse bem o que levaria à descida do preço (ou pelo menos ao não crescimento), logo à diminuição da inflação.
    A redução da procura é o melhor mecanismo para estabilização a longo prazo de preços.
    A inclusão de uma taxa sobre o lucro pode não fazer reduzir a procura, nem estabilizar o preço. Pode inclusive ter o efeito contrário, dado que o empregador pode refletir o valor da taxa que está a pagar no preço final, contribuindo ainda mais para a inflação.

    Na minha opinião, a melhor forma de quebrar o circulo vicioso da inflação é através da contenção da procura. Aplicar somente a taxa sobre os lucros pode não resolver.
  4.  # 966

    Colocado por: SquireNa minha opinião, a melhor forma de quebrar o circulo vicioso da inflação é através da contenção da procura. Aplicar somente a taxa sobre os lucros pode não resolver.

    O aumento do imobiliário nos últimos anos tem sido brutal. Portantes, o Estado devia aumentar o IMI, IMT, mais valias, etc para o preço das casas descerem.
    Concordam com este comentário: MS_11, ricardo.rodrigues
  5.  # 967

    Colocado por: SquireSe é mais provável um individuo que ganha 2.500 Euros poupar face a uma pessoa que ganha 800 €, então é mais provável um contributo positivo para a inflação de um individuo que tenha tendência a não poupar, do que um individuo que tenha justamente essa tendência.
    Diga-me só uma coisa, é mais provável o individuo que ganha 2500 euros contribuir dar um contributo maior para a inflação ou o que ganha 800? É que se me diz que o que ganha 800 é que gera a procura louca que sustenta a inflação, então admito já que não percebo um boi disto.

    Na sua lógica a solução para controlar a inflação é os pobres perderem poder de compra até entrarem em privação material e défice calórico (pois os bens básicos e essenciais devem representar 80-90% da sua procura?
    Na verdade acho que esse é o remédio prescrito, ainda que os economistas que delineiam estas estratégias, tenham vergonha de admitir o seu intuito.
    No meu entender, num país com os nossos rendimentos, a perda de poder de compra que se tem assistido é um crime à dignidade. Fossemos nós um povo com tomates, e este executivo teria mais com que se preocupar do que andar a arranjar caldinhos com os boys and girls, como tem sido seu apanágio desde o inicio do ano.
  6.  # 968

    Colocado por: SquireA redução do rendimento disponível obrigaria a um ajustamento na procura desse bem o que levaria à descida do preço (ou pelo menos ao não crescimento), logo à diminuição da inflação.
    Teria lógica se a inflação não tivesse especial incidêcia em dois sectores onde não há uma margem infinita para reduzir a procura: Energia e alimentação. A não ser que as pessoas comprassem comida para deitar fora, e andassem a meter combustível para ir mandar rateres para a rua. A redução do poder de compra nesta duas áreas só pode significar perda de qualidade de vida, ao mesmo tempo que se alavanca os lucos das empresas na miséria alheia.

    É para este tipo de soluções geniais, que as faculdades de economia andam a consumir recursos para formar mão de obra qualificada?
  7.  # 969

    Colocado por: CarvaiO aumento do imobiliário nos últimos anos tem sido brutal.
    Esse foi o resultado do mercado a autorregular-se.

    Geralmente a autorregulação do mercado origina esses fenómenos, hiperinflações e criação de fenómenos como o zuckerberg, Bezos, Musk, etc. Gajos que conseguem acumular mais riqueza que muitos estados. Aliás gajos que neste momento têm poder ara influenciar a política em inúmeros estados do modo que melhor servir os seus interesses.
    ´
    A solução para evitar estes fenómenos não será certamente aumentar os impostos, mas não regular de todo também não é certamente.

    Depois não confundir impostos regulares com os extraordinários. Algumas empresas aproveitaram claramente o contexto económico para especular preços, levando a uma situação excecional de inflação. Situações excecionais, requerem medidas excecionais.

    Eu pelo menos não me esqueço que noutra situação excecional (pandemia), foi o estado que andou a meter dinheiro a fundo perdido nas empresas. Não foram as mesmas empresas? Pois não. Mas a lógica de medidas excecionais em períodos excecionais é a mesma.
    • Squire
    • 28 dezembro 2022 editado

     # 970

    Colocado por: HAL_9000Diga-me só uma coisa, é mais provável um individuo que ganha 2500 euros contribuir para a inflação ou o que ganha 800? É que se me diz que o que ganha 800 é que gera a procura louca que sustenta a inflação, então admito já que não percebo um boi disto.



    O HAL_9000 está a ver o processo inflacionário de uma perspetiva errada.

    A inflação é a subida dos preços dos produtos. Isto quer dizer que se hoje um produto vale 5 e amanhã vale 6, então a taxa de inflação é de 20%. O contributo da procura, para efeitos de análise da inflação, não se mede analisando o que está na base da procura do valor 5, mas sim no incremento de 1 para 6. O que o HAL_9000 está a fazer é uma análise ao que está na base do valor 5 e neste caso a resposta óbvia é que quem ganha mais, mais bens pode comprar, logo a procura agregada será maior. Mas essa análise é irrelevante. Porque o que interessa para o caso é analisar o que está na base do incremento de 1 e não o que está na base do valor de 5.

    Um exemplo:
    Vamos imaginar que existem 2 bens num mercado. O vendedor tem 7 bananas para vender cada uma a 5€ e 6 pêras a 3€ cada uma. Existem apenas dois compradores no mercado. O Manel ganha o triplo do que o Zé ganha. Dado que o Manel ganha mais, está disposto a comprar 3 bananas e 4 pêras. Enquanto que o Zé, que anda a contar tostões, só compra uma pêra e uma banana.

    Analisando segundo a perspetiva do HAL_9000, é óbvio que o Manel contribui mais para o estabelecimento do preço de 5€ e 3€ do vendedor, porque está disposto a comprar mais. Se o Manel deixar de comprar, ou comprar menos, o vendedor é obrigado a baixar o preço, caso contrário não vai escoar o produto, porque àquele preço o Zé não consegue comprar.

    Mas não é isto que é relevante. A pergunta chave é: O que é mais provável de acontecer se houver um incremento de rendimento de ambos? Não acha que é mais provável ser o Zé a comprar mais fruta, porque só come uma pêra e uma banana do que o Manel que leva o cabaz cheio?

    Se é o Zé que vai comprar mais fruta, o que vai acontecer é que o vendedor percebe que há um aumento da procura no mercado e aumenta o preço de ambos os produtos. Ou seja, provoca inflação.

    Deve-se analisar o que provoca o incremento do preço para o momento 1, não o que está na base do preço no momento 0.



    Colocado por: HAL_9000Na sua lógica a solução para controlar a inflação é os pobres entrarem em privação material e défice calórico, ao mesmo tempo que os remediados acumulam poupança.
    Na verdade acho que esse é o remédio prescrito, ainda que os economistas que delineiam estas estratégias, tenham vergonha de admitir o seu intuito.


    Eu não disse isso em lado nenhum. Já disse várias vezes que o Estado deve subsidiar a franja mais desfavorecida da sociedade. Sou sim a favor de contenção salarial generalizada.
    Claro que apoiar os mais pobres poderá alimentar a inflação. Mas esse é o mal menor. A alternativa que é deixá-los morrer à fome não é sequer concebível. É preferível ser a classe média e alta a sacrificar-se (na medida em que não teriam aumentos salariais). Seria um ajustamento da inflação mais gradual, mas ao menos reduzia-se o impacto na classe mais pobre.
  8.  # 971

    Colocado por: HAL_9000Teria lógica se a inflação não tivesse especial incidêcia em dois sectores onde não há uma margem infinita para reduzir a procura: Energia e alimentação. A não ser que as pessoas comprassem comida para deitar fora, e andassem a meter combustível para ir mandar rateres para a rua. A redução do poder de compra nesta duas áreas só pode significar perda de qualidade de vida, ao mesmo tempo que se alavanca os lucos das empresas na miséria alheia.

    É para este tipo de soluções geniais, que as faculdades de economia andam a consumir recursos para formar mão de obra qualificada?


    Mas a inflação já está generalizada. A inflação provocada pela bens energéticos já contagiou todos os outros produtos. O que está a dizer só faria sentido se os preços tivessem aumentado somente no abastecimento das habitações. Mas não é o caso. Sendo generalizado e uma vez que é difícil conter o preço da energia a montante, fará mais sentido combater a inflação por via da procura.
  9.  # 972

    Colocado por: SquireSe o Manel deixar de comprar, ou comprar menos, o vendedor é obrigado a baixar o preço, caso contrário não vai escoar o produto, porque àquele preço o Zé não consegue comprar.
    estou a pensar bem, quem sustenta a procura que justificam esses 20% de aumento é precisamente o Manel e não o zé. Na sua logica a porque que o Manel ia deixar de comprar ou comprar menos se mantém a liquidez? Por outro lado o Zé já ajustou o seu consumo e compra menos do que comprava, pois se o preço aumentou e ele manteve o rendimento, ajustou pela procura. Na sua lógica a inflação só desce se o Zé passar fome.

    Se me dissesse que não fazia sentido aumentar o salário na Bélgica porque eles até teem boas taxas de poupança e para manter essa poupança ajustariam o consumo até aceitava.
    Agora defender que não se pode aumentar os Salários em Portugal, quando estes ja são miseráveis tendo em conta a média europeia, porque esse aumento iria sustentar a inflação...

    Quem terá mais poder de compra: alguém que recebe o salário mínimo na Alemanha, ou a dita classe média em Portugal que recebe 1200 euros?
    O que o Squire nao está a considerar na sua análise é que a classe média em Portugal praticamente não existe. Qualquer dia 80% da população precisa dos 240 euros do Costa?



    Colocado por: SquireÉ preferível ser a classe média e alta a sacrificar-se (na medida em que não teriam aumentos salariais). Seria um ajustamento da inflação mais gradual, mas ao menos reduzia-se o impacto na classe mais pobre.
    Ao sacrificar a classe média, só está a alimentar uma máquina de fazer pobres. Quanto mais pobres, menos pessoas a pagar impostos, e mais pessoas a precisar deles, está a ver onde isto vai parar nao está? A sua análise peca porque confunde a classe média portuguesa com a classe média europeia.

    Quanto a apoiar sobretudo os mais pobres, concordo totalmente.

    Só não concordo em sacrificar ainda mais os nossos rendimentos, quando temos vindo a Empobrecer brutalmente nos últimos anos.

    O controlo da inflação tem de ser feito a custa de quem tem efectivamente excesso de liquidez, que sustenta procura não essencial. Não pode ser feita à custa daqueles que gastam a pouca liquidez que teem para garantir as mais básicas condições de dignidade humana: casa comida, eletricidade, água, aquecimento.
  10.  # 973

    Mais um que se demite...

    Um governo em adiantado estado de decomposição!
  11.  # 974

    Governo decadente! Mais ei, maioria absoluta…
    Por menos o Santana foi dar uma volta.

    https://24.sapo.pt/amp/atualidade/artigos/pedro-nuno-santos-demite-se
  12.  # 975

    Colocado por: HAL_9000estou a pensar bem, quem sustenta a procura que justificam esses 20% de aumento é precisamente o Manel e não o zé. Na sua logica a porque que o Manel ia deixar de comprar ou comprar menos se mantém a liquidez? Por outro lado o Zé já ajustou o seu consumo e compra menos do que comprava, pois se o preço aumentou e ele manteve o rendimento, ajustou pela procura. Na sua lógica a inflação só desce se o Zé passar fome.


    Como assim é o Manel que sustenta o aumento?
    Volto a frisar que o que interessa é a probabilidade e a tendência, não o que é possível. Claro que é possível o Manel aumentar o consumo quando aumenta o rendimento disponível. Pode fazer mil e uma coisas. Mas o que interessa é a probabilidade de fazer algo face ao Zé que ganha muito menos. É isto que interessa. Se não concorda que uma pessoa que ganha o triplo da outra tenderá a poupar mais que a outra, então não sei o que lhe dizer mais para lhe mostrar o quão óbvio isto é para mim.

    E o Zé não ajustou já consumo nenhum. Só ajusta depois da subida do preço.
    Vamos imaginar 5 dias:

    Dia 1: O preço da banana é 5€ e o Zé compra só uma porque não pode mais.
    Dia 2: O Zé é aumentado em 20% e vai ao mercado comprar duas bananas;
    Dia 3: O vendedor percebe que a procura aumentou e aumenta o preço em 20% para 6. O Zé vai ao mercado e face ao aumento do preço da banana, já não consegue comprar duas. Compra só uma, como antes;
    Dia 4: O Zé é novamente aumentado em 20% e vai ao mercado comprar duas bananas;
    Dia 5: O vendedor percebe que a procura voltou a aumentar e aumenta o preço em 20% novamente. O Zé vai ao mercado e face ao novo aumento do preço da banana, já não consegue comprar duas. Compra só uma, como antes;

    Já percebeu o circulo vicioso? É que no fim dos 5 dias, o que temos é o Manel a poupar, porque já compra em bastante quantidade, logo não vai gastar o aumento de rendimento para comprar mais quantidade daquela que já tem comprado e temos o Zé com o mesmo rendimento disponível e a comer ainda somente uma banana, mas o preço desta encontra-se agora inflacionada em 31%!

    Face a isto como pode dizer que é o Manel que está a sustentar a inflação de 31%, quando o vendedor sobe o preço porque justamente foi o Zé que procurou aumentar o seu consumo?

    Não, não digo que só desce quando o Zé passar fome. O que lhe quis demonstrar é que consumidores com diferentes níveis de rendimento tendem a reagir aos estímulos económicos de formas diferentes. E isso pode explicar porque na Bélgica pode ser mais inofensivo para a inflação fazer aumentos salariais mais robustos que em Portugal.


    Colocado por: HAL_9000Se me dissesse que não fazia sentido aumentar o salário na Bélgica porque eles até teem boas taxas de poupança e para manter essa poupança ajustariam o consumo até aceitava.
    Agora defender que não se pode aumentar os Salários em Portugal, quando estes ja são miseráveis tendo em conta a média europeia, porque esse aumento iria sustentar a inflação...


    Não aumentar porque já têm taxas de poupança aceitáveis? Isso nem é aceitável. Essa razão é simplesmente absurda. As pessoas não são aumentadas para terem mais poupanças. As pessoas são aumentadas porque querem ver reconhecido o seu trabalho e têm uma expetativa de viver melhor que o dia anterior, poupando ou não.

    Os salários miseráveis não devem ser aumentados, não. É o que eu acho. Deve o Estado subsidiar isso sim diretamente essas pessoas até a inflação estabilizar. Assim o Zé não morre de fome.


    Colocado por: HAL_9000Quem terá mais poder de compra: alguém que recebe o salário mínimo na Alemanha, ou a dita classe média em Portugal que recebe 1200 euros?
    O que o Squire nao está a considerar na sua análise é que a classe média em Portugal praticamente não existe. Qualquer dia 80% da população precisa dos 240 euros do Costa?


    O custo de vida na Alemanha é cerca de 20% superior a Portugal. O salário mínimo na Alemanha é 1.500 Euros. Logo o poder de compra nesse caso será bastante próximo.
    A classe média em Portugal não existe? Está a brincar? É ela que suporta uma boa parte das despesas do Estado. Quase 20 mil milhões em IRS. A classe baixa não paga impostos ou paga muito pouco.



    Colocado por: HAL_9000Ao sacrificar a classe média, só está a alimentar uma máquina de fazer pobres. Quanto mais pobres, menos pessoas a pagar impostos, e mais pessoas a precisar deles, está a ver onde isto vai parar nao está? A sua análise peca porque confunde a classe média portuguesa com a classe média europeia.


    Sacrifícios temos todos de fazer. Chegámos a um ponto em que é inevitável. Agora temos de escolher onde deverá recair mais esse sacrifício. Nos pobres não poderá ser. Portanto, resta a classe média (porque estamos a falar de salários. A maior parte do rendimento dos ricos não provém de salários).
    • AMVP
    • 29 dezembro 2022

     # 976

    Colocado por: SquireJá percebeu o circulo vicioso? É que no fim dos 5 dias, o que temos é o Manel a poupar, porque já compra em bastante quantidade, logo não vai gastar o aumento de rendimento para comprar mais quantidade daquela que já tem comprado e temos o Zé com o mesmo rendimento disponível e a comer ainda somente uma banana, mas o preço desta encontra-se agora inflacionada em 31%!

    Tem razao, ha so um aspeto que nao considerou. Nesse ciclo, se o rendimento do Manel nao o acompanhar, o Manel vira Ze ao final de algum tempo.
    Mais, se o Ze ainda receber apoios, ate que o Manel chegue ao nivel do ze pode existirem zonas de rendimento em que o Manel tenha menos liquidez do que o Ze. Mais, como parece mal nunca aumentar o Manel, mantemo-lo ali 1% acima do Ze mas, vamos tributar mais o Manel e mantemos o apoio social ao Ze. Assim, pegando no seu exemplo, o Ze vai ao mercado e compra a sua banana, o Manel como nao lhe vendem metade, so compra de 15 em 15 dias e ainda e gozado pelo Ze, que neste cenario ja se sente com mais dinheiro (important) do que o Manel.
  13.  # 977

    Colocado por: AMVPe ainda e gozado pelo Ze, que neste cenario ja se sente com mais dinheiro (important) do que o Manel.


    Esse Zé, muito "típico" em Portugal, sente-se mais esperto.

    E tem uma certa tendência em votar em quem lhe dá mais subsídiosinhos (diretos ou indiretos), marimbando-se em outras políticas (que poderiam, eventualmente, levar o país para outros estágios de desenvolvimento económico e sociológico).
    Concordam com este comentário: AMVP
  14.  # 978

    Colocado por: SquireComo assim é o Manel que sustenta o aumento?
    Óbvio que quem sustenta o aumento é quem mantém rendimentos que permitam manter a procura e não têm de a ajustar. Tendencialmente ajustam a poupança, ainda que possam ajustar a procura para manter a poupança (é o que, apesar de ao longo deste ano me sentir cada vez menos Manel e cada vez mais zé).

    Mas volto a dizer, esta inflação está a ser sustentada muito mais em especulação de preços do que em procura. Não adianta nada tentar controlar a procura, se não se conseguir limitar a especulação.


    Colocado por: SquireE o Zé não ajustou já consumo nenhum. Só ajusta depois da subida do preço.
    Vamos imaginar 5 dias:
    Exacto foi o que eu disse. Quando o preço começa a subir, se o rendimento não crescer na mesma proporção, o zé ajusta de imediato a procura porque o rendimento disponível não permite manter a procura que tinham. Já o Manel pode ir mantendo a procura sacrificando taxa de poupança, daí eu dizer que é o Manel que sustenta a procura e não o zé.

    Acha que se os alemães consumissem o mesmo gás que Portugal, o preço do gás tinha subido tanto como se verificou, por exemplo? Um colega meu na Alemanha, no verão estava muito preocupado, porque não sabia qual era o impacto que o consumo de gás para aquecimento ia ter no orçamento familiar. Adianto-lhe já, que nem eu, nem uma grande percentagem dos portugueses tem esse problema, aquecimento a gás há muitos anos que é coisa de ricos, tal como o PRH, ar condicionado, etc...


    Colocado por: SquireJá percebeu o circulo vicioso? É que no fim dos 5 dias, o que temos é o Manel a poupar, porque já compra em bastante quantidade, logo não vai gastar o aumento de rendimento para comprar mais quantidade daquela que já tem comprado e temos o Zé com o mesmo rendimento disponível e a comer ainda somente uma banana, mas o preço desta encontra-se agora inflacionada em 31%!
    A falha no seu argumento está no facto de não considerar que nos últimos anos Portugal tem sido uma fábrica de transformar Maneis em zés. Não aumentando os rendimentos em linha com a inflação, ao mesmo tempo que se sobrecarregam os Maneis que restam com excesso de impostos para poder dar subsídios aos zés, o que você está a fazer é colocar a dita fábrica em máximos de produção. Ou seja, cada vez vão haver mais zés a precisar de subsídios do paizinho, e cada vez vão haver menos Maneis com capacidade para pagar impostos. Diga-me de que maneira é que isto é sustentável?
    O ciclo vicioso que fala, no caso de Portugal não é verdadeiro, porque a partir do aumento de preços, O zé entra logo em dificuldades, e o Manel vai logo a seguir, no fim, se não houver acompanhamento dos rendimentos, vamos ter é o zé e o Manel a comer somente uma banana porque é o que conseguem comprar. E o Luís que vende as bananas, feliz da vida, porque sabe que pelo menos banas vai sempre vender, e ao preço a que as vende atualmente, dá-lhe mais lucro vender duas banas este ano, que bananas no ano passado, e ainda poupa na logística.




    Colocado por: SquireAs pessoas não são aumentadas para terem mais poupanças. As pessoas são aumentadas porque querem ver reconhecido o seu trabalho e têm uma expetativa de viver melhor que o dia anterior, poupando ou não.

    Os salários miseráveis não devem ser aumentados, não. É o que eu acho.
    Absurdo é o que diz. Se não aumentar os salários miseráveis, que estímulos têm os Zés para produzirem mais para poderem vir a ser Maneis? Se o salário do Manel estagnar, que estímulo tem, para ser mais produtivo, mais proactivo? É que isto é o que se tem passado nos últimos anos. O Salário do zé até aumenta, mas como os preços também aumentam, é sempre miserável. Já o do Manel de há uns anos a esta parte tem andado em sentido contrário, ou seja diminui em termos de valor real. NO caso de os salários não subirem para compensar a inflação, geram-se mais zés, e sobram menos Maneis. Está a ver o ciclo vicioso não está?
    Depois dizer que "Os salários miseráveis não devem ser aumentados, não. É o que eu acho." é de uma falta estratégia inqualificável. Repare que eu falo de rendimentos do trabalho e não subsídios. Tem, noção que o rendimento do trabalho não deve ser uma esmola, e deve dar para manter uma vida condigna. Em Portugal o SMN não dá nem de perto nem de longe para uma vida condigna. Em muitos casos, pouco mais é que uma esmola que se dá ao final do mês.

    Pela sua lógica. A bélgica também terá os ditos pobres, mas como recebem aumentos como todos os outros, seria de esperar que a inflação por lá já tivesse disparado, porque eles também deveriam gastar os aumentos em mais procura, não é? Mas pelos últimos dados, isso não se verifica. Porquê?
    Porquê que uma anexação dos salários á inflação, não levou até este momento a um descontrolo da inflação na bélgica? Na sua lógica, qual é a justificativa? Todos na bélgica são ricos, e portanto têm usado o aumento de rendimentos para aumentar as poupanças, ao mesmo tempo que retraem a procura?


    Colocado por: SquireO custo de vida na Alemanha é cerca de 20% superior a Portugal. O salário mínimo na Alemanha é 1.500 Euros. Logo o poder de compra nesse caso será bastante próximo.
    A classe média em Portugal não existe? Está a brincar?
    Você acabou de me provar que não existe ao dizer "O custo de vida na Alemanha é cerca de 20% superior a Portugal. O salário mínimo na Alemanha é 1.500 Euros. Logo o poder de compra nesse caso será bastante próximo." Ou seja quem recebe o salário mínimo na Alemanha (os pobres portanto), tem o mesmo poder de compra que a nossa classe média. Nos temos classe média? Nós temos é um consjunto de pessoas que sendo pouco mais que pobres, estão sobrecarregadas em impostos para ajudar a manter outros concidadãos ainda mais pobres, ficando no fim todos pobres



    Colocado por: SquireSacrifícios temos todos de fazer. Chegámos a um ponto em que é inevitável. Agora temos de escolher onde deverá recair mais esse sacrifício. Nos pobres não poderá ser. Portanto, resta a classe média (porque estamos a falar de salários.
    Nem todos, como já lhe disse. Quem deveria pagar a inflação deveria ser que com ela lucra. Se a europa não consegue ou não quer transferir esse custo já é outra coisa. Por exemplo, demoramos quase 9 meses a colocar um teto ao preço do petróleo porquê? Acham que se a Europa e EUA colocasse um teto ao petróleo da Rússia, eles não o iam vender na mesma? Financiavam a guerra onde? a vender petróleo em promção à China e à India?

    Quem tem de pagar a inflação é quem acumula riqueza nas crises e quem com elas lucra, cabe aos governos e aos economistas( os mesmo que nestas alturas são todos "especialistas" a abanar o livrinho dos princípios económicos, mas que no início do ano não acertar uma única previsão) arranjar modo de o fazer.

    Olhe por exemplo, se o nosso governo quer assim tanto controlar a inflação, porque permite aumentos nos sectores que controla? Como portagens (nem me falem dos contratos, porque também existia um contrato com os reformados e não houve problema em controlá-lo) e Transportes públicos?



    Colocado por: AMVPNesse ciclo, se o rendimento do Manel nao o acompanhar, o Manel vira Ze ao final de algum tempo.
    Mais, se o Ze ainda receber apoios, ate que o Manel chegue ao nivel do ze pode existirem zonas de rendimento em que o Manel tenha menos liquidez do que o Ze. Mais, como parece mal nunca aumentar o Manel, mantemo-lo ali 1% acima do Ze mas, vamos tributar mais o Manel e mantemos o apoio social ao Ze.
    Nem mais. Eu se no início do ano era Manel, agora estou cada vez mais zé. O meu rendimento no ano passado não aumentou praticamente nada e para o ano vai aumentar 2%, numa inflação acumulada de 16% (sendo bem mais na alimentação até é bem mais). Se a isto juntarmos o disparar dos preços da habitação, quantos novos zé teremos daqui a 3 anos quando a inflação estiver controlada?

    O zé devia conseguir ganhar para ele, para suprir as suas necessidades e os seus vícios, não teria de ser eu a ajudar a manter o zé. Os rendimentos do zé têm de subir, e os meus também. É assim tão complicado perceber?

    Que raio de sociedade dita evoluída temos nós, em que se tenta criar muitos pobres, para que alguns poucos consigam acumular riqueza? Anão ser que o Squire me diga que pertence ao grupo dos poucos que lucra com a inflação, não percebo a lógica do seu raciocínio.
  15.  # 979

    Colocado por: HAL_9000Quem tem de pagar a inflação é quem acumula riqueza nas crises e quem com elas lucra, cabe aos governos e aos economistas( os mesmo que nestas alturas são todos "especialistas" a abanar o livrinho dos princípios económicos, mas que no início do ano não acertar uma única previsão) arranjar modo de o fazer.

    Nem mais camarada, os ricos que paguem a crise!!

    A receita para a alta taxa de inflação não é segredo nenhum desde há dezenas (ou centenas) de anos e é a receita que está a ser aplicada agora pelo BCE, pela FED, pelo Banco de Inglaterra, etc.: subir os juros.
  16.  # 980

    Colocado por: J.FernandesA receita para a alta taxa de inflação não é segredo nenhum desde há dezenas (ou centenas) de anos e é a receita que está a ser aplicada agora pelo BCE, pela FED, pelo Banco de Inglaterra, etc
    E que bons resultados gera. Os que eram pobres estão mais pobres. Os remediados estão mais pobres. Os que ja eram ricos, estão mais ricos.

    Muito longe mesmo de ser o camarada que imagina, mas muito longe mesmo. Mas pagar sempre as crises à custa do rendimento do trabalho não é de economista, é de preguiçoso.
    O BCE está a resolver a inflação depois de ter dado a sua contribuição para a criar.

    Também se podia andar com carros fabricados da mesma maneira que o eram em 1920. Felizmente que os engenheiros evoluíram um bocadinho mais na sua teoria que os economistas, desde essa altura.
 
0.0308 seg. NEW