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  1.  # 721

    Colocado por: N Miguel Oliveira"(...) achar que os problemas se resolvem com cimento é uma ilusão."

    "A arquitetura tem um enorme papel social e económico a desempenhar e, por desconhecimento ou desatenção, é algo que não é valorizado ou percebido pela maioria dos decisores."

    https://espacodearquitetura.com/artigos/entrevista-a-goncalo-byrne/


    "Temos duas realidades paralelas: por um lado, existem em Portugal cerca de 700 mil casas devolutas, mas, por outro, há falta de habitações."

    Apesar de curto, até parece um depoimento relativamente neutro, o que é raro. Mas não entendi esta referência quando depois não desenvolve a ideia do paralelismo.


    Somos o país europeu com mais casas per capita (a maioria nos grandes centros urbanos) mas toda a gente diz que não há casas, é algo que me faz muita confusão.
  2.  # 722

    Colocado por: AMG1"hiperlegislacao"


    Mesmo. É de certo modo triste quando um Arq. dedica tanto tempo a decifrar os meandros das leis, e dos requisitos burocŕaticos que lhe são pedidos... que podia ser canalizado para a parte creativa, que é de longe a parte mais atrativa para quem um dia decidiu vestir esta camisola. Os Arquitectos poderiam e deveriam ter outra importância nas dicusssões estruturiais para o país, assim como na resolução de problemas sociais, de desiquilibrio demográfico, etc...
  3.  # 723

    Colocado por: AMG1Depois pareceu-me que a questão da qualidade do construído era também um "recado" para dentro da classe, ou estou enganado?
    Actualmente a generalidade do edificado nao é obra de arquitetos?


    Pois talvez, mas não acredito muito.
    Ainda ontem, uma colega de profissão me comentava algo que embora descontextualizado acho que se poderia aplicar a este tema, ela disse: "aos Arq. é lhes pedido que cada vez façam mais com menos... sem ver que a longo prazo, o resultado será 'menos' também." A propósito dos materiais falsos, a imitar isto ou aquilo... e da menor comunicação entre o Arq. e o consumidor final.

    Apesar de achar que isto não é exclusivo dos Arq. (afinal professores, médicos, enfermeiros, etc etc) todos queixam-se do mesmo.

    Os projectos até podem ter tudo e mais alguma coisa previsto, mas de pouco serve se depois o serralheiro mete o vidro que quer nas caixilharias, o dono de obra/paciente troca a prescrição do médico sem o consultar, se o promotor quer encaixar mais 10 apartamentos pelo mesmo preço, etc...

    É preciso dinheiro para as coisas. O grande problema da construção é que não é como no stand, em que ao escolher que carro quer tem a certeza de quanto custará a totalidade do carro antes de avançar. Apesar de ser impossivel de estimar ao centimo na construção, com tempo (quase) tudo se consegue prever antes de começar. Depois do comboio estar em marcha é dificil pará-lo, daí as derrapagens e atrasos.

    Porém não é menos verdade que muita azelhice nos edificios chega por mera e exclusiva responsabilidade da falta de brio dos projectistas.
    Haverá de tudo, imagino.

    O bastonário, tal como a maioria dos membros acho eu, terá um certo sentido crítico sobre as coisas, pois tende a ser algo intrinseco da própria profissão.
    Estas pessoas agradeceram este comentário: AMG1
  4.  # 724

    Colocado por: buraburamonoSomos o país europeu com mais casas per capita (a maioria nos grandes centros urbanos) mas toda a gente diz que não há casas, é algo que me faz muita confusão.


    Parece-me fácil de entender. As casas devolutas estão onde as pessoas não têm interesse (emprego) em ficar.

    É o problema do Ordenamento do Território não ser levado a sério neste país. Cada câmara foca-se demasiado no seu canteirinho apenas, o que o vizinho faz pouco importa.

    Então temos por um lado uma grande pressão na AML ou AMP, e casas abandonadas na "paisagem".
    Concordam com este comentário: AMG1
  5.  # 725

    Colocado por: N Miguel Oliveira

    Parece-me fácil de entender. As casas devolutas estão onde as pessoas não têm interesse (emprego) em ficar.

    É o problema do Ordenamento do Território não ser levado a sério neste país. Cada câmara foca-se demasiado no seu canteirinho apenas, o que o vizinho faz pouco importa.

    Então temos por um lado uma grande pressão na AML ou AMP, e casas abandonadas na "paisagem".


    como escrevi nos parêntesis, o maior número de casas devolutas encontra-se nos grandes centros urbanos.

    https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2022/11/21/54963-nao-ha-razao-nem-desculpa-para-haver-160-mil-imoveis-vazios-na-aml

    160k só em lisboa
  6.  # 726

    Colocado por: buraburamono

    como escrevi nos parêntesis, o maior número de casas devolutas encontra-se nos grandes centros urbanos.

    https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2022/11/21/54963-nao-ha-razao-nem-desculpa-para-haver-160-mil-imoveis-vazios-na-aml

    160k só em lisboa


    https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/imobiliario/detalhe/lisboa-e-a-terceira-cidade-europeia-mais-caras-para-arrendar-casa

    "isto é tudo supply/demand mano"
  7.  # 727

    Colocado por: buraburamonocomo escrevi nos parêntesis


    Percebi mal então. Os parentesis estavam depois das "casas per capita em Portugal"... não percebi que se referia só às devolutas.

    Mas pronto, se o bastonário fala em 700, e 160 estão em Lisboa, assumo que muitas estarão no interior, na terrinha onde só há idosos... pois é lá que as costumo ver ao abandono em maior percentagem do que está edificado. Em numeros absolutos, havendo mais casas na cidade, parece-me normal que haja mais casas devolutas, mais casas feias, mais casas bonitas, mais casas baixas, mais...

    Nas cidades acho que já foi muito pior. Mas pelo que vejo, muito boa gente preferia a vida de outrora, sem estrangeiros nem dinheiro, mas com rendas baratas em barracos a cair de podres.
  8.  # 728

    Colocado por: N Miguel Oliveira

    Percebi mal então. Os parentesis estavam depois das "casas per capita em Portugal"... não percebi que se referia só às devolutas.

    Mas pronto, se o bastonário fala em 700, e 160 estão em Lisboa, assumo que muitas estarão no interior, na terrinha onde só há idosos... pois é lá que as costumo ver ao abandono em maior percentagem do que está edificado. Em numeros absolutos, havendo mais casas na cidade, parece-me normal que haja mais casas devolutas, mais casas feias, mais casas bonitas, mais casas baixas, mais...

    Nas cidades acho que já foi muito pior. Mas pelo que vejo, muito boa gente preferia a vida de outrora, sem estrangeiros nem dinheiro, mas com rendas baratas em barracos a cair de podres.


    sim, o "per capita" deve ser maior no interior claro. mas 160k de casas vazias em lx é muita fruta. porque é que não são passadas a quem precisa? provavelmente os proprietários acham que o imob em portugal sobe 100% de 5 em 5 anos, por isso é melhor vender no futuro.
    • AMVP
    • 5 fevereiro 2023

     # 729

    Colocado por: buraburamono

    sim, o "per capita" deve ser maior no interior claro. mas 160k de casas vazias em lx é muita fruta. porque é que não são passadas a quem precisa? provavelmente os proprietários acham que o imob em portugal sobe 100% de 5 em 5 anos, por isso é melhor vender no futuro.

    Mas nao se pode ter uma casa sem que se habite a mesma?
  9.  # 730

    Colocado por: AMVP
    Mas nao se pode ter uma casa sem que se habite a mesma?


    claro que podem.
  10.  # 731

    Colocado por: buraburamonoprovavelmente os proprietários acham que o imob em portugal sobe 100% de 5 em 5 anos, por isso é melhor vender no futuro.


    Não me parece que seja assim. Ter um imóvel, embora devoluto, só dá despesa. Porém tê-lo é sempre melhor que não tê-lo. É uma segurança para o futuro. É preciso é incentivar a que se remodele... não é a dá-lo a quem precisa. Porque quem precisa suponho que não tenha dinheiro para remodelar algo, muito menos algo que não lhe pertence.
  11.  # 732

    Colocado por: N Miguel Oliveira

    Não me parece que seja assim. Ter um imóvel, embora devoluto, só dá despesa. Porém tê-lo é sempre melhor que não tê-lo. É uma segurança para o futuro. É preciso é incentivar a que se remodele... não é a dá-lo a quem precisa. Porque quem precisa suponho que não tenha dinheiro para remodelar algo, muito menos algo que não lhe pertence.


    passar = colocar no mercado e aceitar preços normais.
  12.  # 733

    Colocado por: buraburamonopassar = colocar no mercado e aceitar preços normais.
    Provavelmente grande parte dessas casas devolutas não estão em condições de ser colocadas no mercado e precisam de investimento.
    O problema é que alguns dos proprietários pode não ter condições de realizar esse investimento, e mesmo para os que têm , a carga fiscal, a burocracia e a instabilidade legislativa, não incentivam a esse investimento.

    Nestas situações, o estado deveria dar benefícios fiscais, como contrapartida, de recuperar estas casas para as colocar no mercado de arrendamento por exemplo. Em vez disso o que faz (ou pretende fazer, já nem sei bem): agrava o IMI.
    Concordam com este comentário: N Miguel Oliveira
  13.  # 734

    Arrenda* não se aluga uma casa
  14.  # 735

    Colocado por: rpmmsantosEu aponto como soluções para minimizar os problemas da habitação os seguintes:

    - erradicar os vistos gold, se dizem que não influencia o mercado, pois bem, acabe-se com ele;
    - residentes estrangeiros passam a ser taxados a “taxas gold”, se gostam do nosso país e têm capacidade financeira, pois têm de dar o exemplo;
    - atualização imediata e automática do IMI com base no valor de escritura e não com base nos índices da AT;
    - as imobiliárias que para mim foram o motor do empolamento nos preços da habitação, devem ter uma taxa adicional tal como querem fazer nas petrolíferas e distribuição. Essa taxa teria de ser integralmente investida no setor da habitação ou para contrabalançar outras medidas que implicarem quebra na receita fiscal;
    - alterar o licenciamento urbanístico, com penalizações sérias para o incumprimento de prazos pelas autarquias;
    - redução do IVA na construção, pois sendo regra geral 23% ou inviabiliza a vontade de um particular executar a sua obra, leva a que a fuga seja mais “apetecível e necessária”. Não se percebe porque desceriam o iva para 6% nos painéis, quando numa construção temos inúmeros fatores que também contribuem para a redução do consumo energético;


    Agora destas todas, estou certo que Nenhuma vai ser aplicada nestas promessas do governo.


    Aponto mais umas quantas:

    - Aumentar as taxas no alojamento local.
    - Baixar IVA na construção.
    - Acabar com o IMT.
    - Estabelecer prazos maximos no licenciamento de construção.
    - Isentar os primeiros 300 euros de renda do pagamento de IRS.
    - Estabelecer taxa maxima de esforço para credito habitação de 35%.
    - Estabelecer taxa maxima de esforço no arrendamento de 35%.
    - Reforçar a oferta de transportes publicos.
    - Limitar a imigração.
    - Imposto para imoveis devolutos em zonas de elevada pressão imobiliaria que aumente progressivamente todos os anos. Leilão após X anos sem pagamento desse imposto.
  15.  # 736

    Colocado por: ferreiraj125- Estabelecer prazos maximos no licenciamento de construção.


    Era dar à câmara um pouco do próprio veneno: "Tem X dias para dar resposta ao requerimento, terminado esse prazo, arrancam as obras assumindo que está tudo bem."

    Deixavam-se de bloquear os processos por coisas sem sentido nenhum, como determinado ficheiro ter um erro de formato ou assim. As licenças poderiam ser passadas mais cedo de modo a agilizar a coisa, sendo o resto entregue pouco depois.

    Há câmaras que até têm alguma sensibilidade, outras nem por isso. Chega a ser obsceno o que acontece nalgumas. A impunidade advém do próprio sistema, é de facto incrivel a falta de respeito pelos municipes que por vezes vemos nas câmaras.

    Numa situação de inflação como a que vivemos, começar um ano depois por causa duma câmara, representa pagar uma obra mais cara, pagar mais rendas até mudar-se para a casa nova, etc.
  16.  # 737

    Colocado por: ferreiraj125- Estabelecer taxa maxima de esforço no arrendamento de 35%.


    Como mete em prática esta? Quer o estado a dar valor ao que é seu? Como calcula isso?

    Ou será que iriamos ter anúncios tipo "só aceito candidatos com salário acima de X€?" para contornar a lei?

    Ora, se aparece um teso, o senhorio tem que descer o valor para dar abrigo ao candidato? Ou como faz isso?
  17.  # 738

    Aqui o Sr. presidente da junta propõe que a diferença da renda técnica vs especulativa seja comparticipada pelo Estado.
    https://www.dn.pt/edicao-do-dia/06-fev-2023/miguel-coelho-a-habitacao-e-o-problema-mais-grave-que-teremos-no-pais-15786009.html

    Ou seja, o transmontano além de ver os empregos e investimentos públicos serem canalizados para a capital ainda é chamado a pagar a renda do morador em Lisboa. Não sei até que ponto isso é justo.

    Tampouco percebi qual é o problema de construir em altura. Será por causa do aeroporto? Não creio. Construir em altura rentabiliza e muito o m2 de terra, aproxima as pessoas, diminuem-se distâncias, etc...

    De resto, até concordo com a maioria do que opina.
    Sobretudo com a inclusão duma percentagem de fogos a preços baixos para novos licenciamentos. Algo típico dalgumas cidades norte-americanas por exemplo...

    Muitas das "ideias" já foram implementadas fora. Por vezes nem é preciso inventar muito, basta evitar o que vemos de mau e replicar o que fizeram de bem outros países para resolver este mesmo problema. Portugal está longe de ser o único com problemas na habitação.
    • AMVP
    • 6 fevereiro 2023

     # 739

    Colocado por: ferreiraj125Aumentar as taxas no alojamento local.
    - Baixar IVA na construção.
    - Acabar com o IMT.


    Colocado por: ferreiraj125Isentar os primeiros 300 euros de renda do pagamento de IRS.

    Esta mais que visto que isto nao vai acontecer.


    Colocado por: ferreiraj125Estabelecer taxa maxima de esforço para credito habitação de 35%.
    - Estabelecer taxa maxima de esforço no arrendamento de 35%.

    So iria piorar a vida das pessoas.

    Colocado por: Reduto25Reforçar a oferta de transportes publicos

    Se for na aml agora com a carris metropolitana esta resolvido (ah ah ah). Se for na amp, ja estava.


    Colocado por: ferreiraj125Limitar a imigração.

    Mas nao temos falta de Mao de obra?

    Colocado por: ferreiraj125Imposto para imoveis devolutos em zonas de elevada pressão imobiliaria que aumente progressivamente todos os anos. Leilão após X anos sem pagamento desse imposto.

    Olhe, eu contratava logo alguem para ir la abrir a torneira, para consumir agua. A luz, colocava um automatismo.
    Concordam com este comentário: vmontalvao
  18.  # 740

    Colocado por: HAL_9000Provavelmente grande parte dessas casas devolutas não estão em condições de ser colocadas no mercado e precisam de investimento.
    O problema é que alguns dos proprietários pode não ter condições de realizar esse investimento, e mesmo para os que têm , a carga fiscal, a burocracia e a instabilidade legislativa, não incentivam a esse investimento.

    Nestas situações, o estado deveria dar benefícios fiscais, como contrapartida, de recuperar estas casas para as colocar no mercado de arrendamento por exemplo. Em vez disso o que faz (ou pretende fazer, já nem sei bem): agrava o IMI.
    Concordam com este comentário:N Miguel Oliveira


    para meter uma casa no mercado não precisa de nada e para fazer a transação só precisa da caderneta predial.
 
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