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  1.  # 61

    Olha o velho e criticado argumento "se estás mal, muda-te" ;)


    Não, ao contrário. Um negócio pressupõe vontade das duas partes. Certamente não quererá obrigar-me a fazer negócio consigo, em condições que eu não considero convenientes. Se eu lhe proponho um serviço e você recusa as condições propostas, não há problema, e nenhum de nós é menos livre por isso. Ao contrário, se eu lhe proponho um negócio que você não considera vantajoso, mas que mesmo assim é obrigado a aceitar, pagar e calar... bom, isso é o Estado.
    • eu
    • 8 fevereiro 2013 editado

     # 62

    Colocado por: luisvvAh, ok. Portanto, quando o eu vai ao Continente comprar laranjas, o que acontece é que o Belmiro está a impor-lhe regras?

    Claro que sim. O Belmiro está a impor várias regras: para levar estas laranjas tem que pagar X, não pode filmar, não pode fotografar, não pode comer dentro do estabelecimento, etc, etc,etc

    Colocado por: luisvvO eu tem a opção de não usar a estrada, da mesma forma que tem opção de não comprar laranjas no Continente.

    Já lhe demonstrei que, dentro do Continente, tenho que obedecer às regras do Belmiro (sim, as regras existem!). Da mesma forma, dentro de um País temos que obedecer às regras desse País. E o luisvv também tem a opção de "não usar" o País: emigre para um local sem regras. O então, lute para mudar as regras do País.

    Relativamente às estradas: você também tem a opção de não usar estradas públicas. Afinal, onde está o problema das estradas públicas?
  2.  # 63

    Colocado por: euAfinal, onde está o problema das estradas públicas?


    ... Na parte de as ter de pagar, quer as use quer não. Já as laranjas, se o eu não gosta das regras do Belmiro, não as compra.
  3.  # 64

    Então concordamos que são necessárias regras comuns. Agora o próximo passo: então e o estado é o quê? O estado não é no fundo, um conjunto de recursos e regras comuns?


    Gostava que me explicasse como é que podem ser aplicadas regras comuns a milhões de pessoas de forma voluntária. Por vezes, nem num pequeno condomínio isso é possível, quanto mais num País.Por exemplo, uma regra anti-poluição. No seu País libertário, onde as regras comuns não são coercivas, os donos das fábricas só aceitarim a regra de "não poluição do ar" de forma voluntária?

    Para haver uma regra anti-poluição, seria necessário que numa determinada comunidade houvesse uma predisposição para não aceitar poluição.
    Por azar, tal também é necessário numa sociedade estatista: regras estabelecidas sem envolvimento da população tendem a ser transgredidas, e a gerar conflitualidade, bem como a absorver recursos para "fiscalizar", "punir", etc.


    The Anglo-Saxon system was voluntary: no one was forced to join it nor taxed to pay for it. However, everyone was involved, and the system was respected and sustained, because customary law successfully provided both protection and arbitration at minimum cost. It evolved spontaneously, without state involvement, for the simple reason that there was no state.



    When trade began to revive, a separate system of customary law arose spontaneously to facilitate local and international commerce (30ff). Merchants set up their own courts to resolve their disputes; effective procedures were copied; and gradually a common, entirely private and entirely objective Law Merchant spread, and was recognised, throughout Europe and beyond. All the basic principles of modern commercial law, national and international, are derived from the medieval Law Merchant.


    Vejam bem, que ideia... leis surgidas espontaneamente, entre gente de diversas origens, e cumpridas sem intervenção de estados, que constituem ainda hoje o corpo principal das leis mercantes actuais. Quem diria..

    Ah, e não havia meios coercivos para as fazer cumprir:
    Firstly, the judges were merchants themselves who were intimately familiar with the kind of cases they ruled upon: their judgements were sound. Secondly, no one would deal with a trader who refused to abide by the decision of a merchant court. The judges had no means to enforce their decisions, but the boycott sanction was so effective it removed any need for coercion.
    • eu
    • 8 fevereiro 2013

     # 65

    Colocado por: danobrega
    ... Na parte de as ter de pagar, quer as use quer não. Já as laranjas, se o eu não gosta das regras do Belmiro, não as compra.

    E se você não gostar das regras do País, não viva nele. É tão simples como isso.
  4.  # 66

    "a vida é mais ou menos assim"...

    Desce á terra, dessa "Utopos land", e cai na real, pá. Quando tomares banho, lava bem a "caspa encefálica" interna dessa "careca" ...


    Colocado por: luisvv

    O eu sabe certamente que o facto de definir um preço e determinadas condições para a venda de um serviço, não garante que tem clientes, certo? E que se não tem clientes, é obrigado a fornecer condições que os clientes queiram, certo? Tirando o Estado e seus anexos, a vida é mais ou menos assim.
  5.  # 67

    Colocado por: euE se você não gostar das regras do País, não viva nele. É tão simples como isso.


    Acontece que "o país" não é de alguém. O sítio onde eu vivo é meu, é minha propriedade. Na minha propriedade eu devia poder viver sem imposições externas. Pela segunda vez, pode ser?
    • eu
    • 8 fevereiro 2013

     # 68

    luisvv, a lei dos mercadores parece ser a sua bíblia. Parece-me um bocado abusivo invocar algo que se passou noutros tempos e noutros contextos e cuja interpretação histórica pode ser muito capciosa.

    Além do mais, porque é que essas sociedades onde nasceu essa lei evoluíram para sociedades com estados? Na sua opinião, não foi uma evolução mas uma regressão?
  6.  # 69

    LOL... então, numa "comunidade" (ou o nome que quiser dar) com milhões de pessoas, não haveriam regras nenhumas, pois bastaria que uma pessoa discordasse, para que a regra não fosse adoptada. Ou seja, teria fábricas a poluir à vontade, teria pescadores e caçadores a esgotar os recursos e a extinguir espécies, etc, etc...


    A partir de um determinado número de pessoas e interesses, é impossível haver consensos totais... qualquer pessoa minimamente vivida sabe isso. Portanto, aquilo que defende é na prática, a ausência de regras comuns.


    Já lhe foram dados exemplos práticos do contrário. Num tempo sem internet , nem meios de transporte, foi criado um corpo legislativo aceite e cumprido genericamente
  7.  # 70

    Escreve-se muito sobre estas coisas de Estado e indivíduos livres, mas nunca ninguém se referiu, que me lembre, ás características inatas, animais, das pessoas, como se isso fosse um pormenor de somenos nas relações humanas.
    Para os adeptos da sociedade sem Estado, as pessoas cumpririam escrupulosamente o que tinham livremente acordado entre si. Para eles não existem os instintos de liderança e domínio por parte de alguns indivíduos, que naturalmente vêm ao de cima em qualquer comunidade humana.
    Alguém verdadeiramente acredita que as coisas se pudessem passar assim?


    Leu o que citei?
    "The Anglo-Saxon system was voluntary: no one was forced to join it nor taxed to pay for it. However, everyone was involved, and the system was respected and sustained, because customary law successfully provided both protection and arbitration at minimum cost. It evolved spontaneously, without state involvement, for the simple reason that there was no state."
    • eu
    • 8 fevereiro 2013

     # 71

    Colocado por: danobregaO sítio onde eu vivo é meu, é minha propriedade.

    É discutível. A propriedade não é nenhum direito natural. Aliás, nalguns países, existiram regimes que nem sequer reconheciam a propriedade privada. O sítio onde vive é seu, apenas porque a propriedade está legislada numa das muitas regras do País. Nunca tinha pensado nisso? Que o seu direito à propriedade é... assegurado pelo Estado?

    Na minha propriedade eu devia poder viver sem imposições externas.

    Ver resposta anterior. A sua propriedade, embora não o queira admitir, está inserida num País. Não é um pedaço de terreno independente do País.

    Mas se tiver essa vontade irresistível de não querer regras, pode sempre adquirir um navio e ir viver para águas Internacionais. Aí, pode fazer o que lhe dá na gana sem intervenção do Estado.
  8.  # 72

    Claro que sim. O Belmiro está a impor várias regras: para levar estas laranjas tem que pagar X, não pode filmar, não pode fotografar, não pode comer dentro do estabelecimento, etc, etc,etc


    Não. O Belmiro está a propor-me um negócio, que eu aceito ou não. O Belmiro não é o único vendedor de laranjas e não me pode obrigar a comprar laranjas. O Belmiro depende de mim para vender as suas laranjas.

    Já lhe demonstrei que, dentro do Continente, tenho que obedecer às regras do Belmiro (sim, as regras existem!). Da mesma forma, dentro de um País temos que obedecer às regras desse País. E o luisvv também tem a opção de "não usar" o País: emigre para um local sem regras. O então, lute para mudar as regras do País.

    Não. As regras do Continente não são as que o Belmiro quer, são as que ele quer e eu aceito. Porque se eu não aceitar, o Belmiro não vende. Logo, o Belmiro não estabelece as regras que quer.

    Relativamente às estradas: você também tem a opção de não usar estradas públicas. Afinal, onde está o problema das estradas públicas?

    Um dos problemas das estradas públicas está em eu ter que pagá-las, mesmo que não as queira utilizar. Há outros, mas este é suficiente.
  9.  # 73

    E se você não gostar das regras do País, não viva nele. É tão simples como isso.


    Acontece que o que o eu está a dizer é : se não estás disposto a submeter-te à vontade de um grupo arbitrário de pessoas, podes sempre fugir. Se ficares, é bom que tenhas frasquinhos de vaselina em barda.

    Muito democrático.
    • eu
    • 8 fevereiro 2013

     # 74

    Colocado por: luisvvJá lhe foram dados exemplos práticos do contrário. Num tempo sem internet , nem meios de transporte, foi criado um corpo legislativo aceite e cumprido genericamente

    Sobre isso, com mais tempo, gostava de perceber bem esse sistema, pois, como compreenderá, por estar escrito na Internet, não quer dizer que seja verdade... além disso, há a tendência para fazer quotes apenas do que nos interessa ;)

    Mas deixo-lhe um desafio: nesse tempo, não havia estado, certo? Então pela sua teoria, a sociedade funcionava bem, certo? Mas, espere aí... não foi nessa época que a escravatura era usual ? Então porque é que os escravos não negociaram livremente com os seus donos?
  10.  # 75

    "a vida é mais ou menos assim"...

    Desce á terra, dessa "Utopos land", e cai na real, pá. Quando tomares banho, lava bem a "caspa encefálica" interna dessa "careca" ...



    Vá, carlos, não estrague o neurónio, que lhe faz falta, e depois não há mais.
    • eu
    • 8 fevereiro 2013

     # 76

    Colocado por: luisvvO Belmiro está a propor-me um negócio, que eu aceito ou não. O Belmiro não é o único vendedor de laranjas e não me pode obrigar a comprar laranjas.

    O País está a propor-lhe regras, que você aceita ou não. O País não é o único País e não o pode obrigar a viver nele.
    • eu
    • 8 fevereiro 2013

     # 77

    Colocado por: luisvvAs regras do Continente não são as que o Belmiro quer, são as que ele quer e eu aceito. Porque se eu não aceitar, o Belmiro não vende. Logo, o Belmiro não estabelece as regras que quer.

    Não, não são as regras que você individualmente aceita. São as regras que a maioria dos clientes está disposta a aceitar. Da mesma forma, um País tem as regras que a maioria da população está disposta a aceitar.
  11.  # 78

    luisvv, a lei dos mercadores parece ser a sua bíblia. Parece-me um bocado abusivo invocar algo que se passou noutros tempos e noutros contextos e cuja interpretação histórica pode ser muito capciosa.

    Não é insistência, é constatação de factos. O eu, e o j fernandes insistem na ideia "Ah, e tal, isso é impraticável", e eu forneci-lhe um exemplo prático, de algo que durou séculos, e que ainda hoje perdura de certa forma. Mas há muitos outros exemplos conhecidos de leis sem estado, ou de coexistência de sistemas legais num mesmo território.
    Pesquise por "Icelandic Law", por exemplo.

    Além do mais, porque é que essas sociedades onde nasceu essa lei evoluíram para sociedades com estados? Na sua opinião, não foi uma evolução mas uma regressão?


    Why, given the effectiveness of customary legal systems, asks Dr Benson, have nation-states taken on such a substantial role in the creation and enforcement of law? (36) To answer this, Dr Benson takes us back to the origins of kingship in Anglo-Saxon England. Kings were originally temporary war leaders. But because Anglo-Saxon England was in a virtually constant state of war, kingship gradually became a permanent institution. To support it, and to pay for war, kings needed money. Customary law fines were a very visible source, and Dr Benson shows how the British monarchy, particularly after the Norman conquest, and using a carrot and stick approach involving both inducement and force (coupled with the heavyweight backing of the Church) - though not without considerable resistance - gradually pushed its way into the fields of law-making and justice and slowly replaced Anglo-Saxon torts with 'crimes against the state' so that fines went to the crown, not to the victim.
    • eu
    • 8 fevereiro 2013

     # 79

    Colocado por: luisvvAcontece que o que o eu está a dizer é : se não estás disposto a submeter-te à vontade de um grupo arbitrário de pessoas, podes sempre fugir. Se ficares, é bom que tenhas frasquinhos de vaselina em barda.

    Não é fugir, é escolher um local com regras que sejam do vosso agrado. Da mesma forma que, se não concordar com as regras do Continente, vou ao Jumbo.

    O princípio é exactamente o mesmo.
  12.  # 80

    É discutível. A propriedade não é nenhum direito natural. Aliás, nalguns países, existiram regimes que nem sequer reconheciam a propriedade privada. O sítio onde vive é seu, apenas porque a propriedade está legislada numa das muitas regras do País. Nunca tinha pensado nisso? Que o seu direito à propriedade é... assegurado pelo Estado?

    A propriedade é um direito natural, indissociável da self-ownership, ou propriedade do próprio corpo. A não ser que queira argumentar que o Estado assegura a propriedade do seu corpo..

    Ver resposta anterior. A sua propriedade, embora não o queira admitir, está inserida num País. Não é um pedaço de terreno independente do País.

    Um país não existe. É uma mera construção teórica arbitrária, mantida essencialmente por coacção.

    Mas se tiver essa vontade irresistível de não querer regras, pode sempre adquirir um navio e ir viver para águas Internacionais. Aí, pode fazer o que lhe dá na gana sem intervenção do Estado.

    Já há 2 ou 3 posts que não aparecia o "se não estás bem, muda-te".
 
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