Não sendo um especialista legal, como leigo, eu diria que a legitimidade da lei Portuguesa se baseia na aceitação geral da constituição da república (e das leis que daí advêm) pela maioria da população, numa matriz de democracia representativa.
Legítimo é, no sentido de se fundamentar na lei vigente. E de facto, no tempo da escravatura, a escravatura era legítima.
Já agora, como é que a escravatura acabou? Foi por uma negociação entre os escravos e os seus donos? Ou por intervenção dos Estados?
Colocado por: NeonWTF!
Tanta coisa para ler...ainda por cima o luis da-me TPC ....vou dar um vista de olhos te mais logo
Colocado por: luisvvE, pergunto eu, se a maioria decidir entregar-se a uma ditadura? Ou escravizar a minoria? Ou qualquer outra decisão que nos pareça, a mim e a si que somos civilizados e tolerantes, inaceitável ?
Colocado por: luisvvAdmitir que ele existe não significa que seja legitimo. Analogamente, por nascer filho de escravo, nem por isso devo considerar legitima a escravatura.
Colocado por: luisvvJá leu o livro que lhe recomendei ha tempos? Pode servir como pista. De qualquer forma, ao longo da história ha exemplos notáveis de coexistência de leis no mesmo território, no que efectivamente representava concorrência legislativa. E mais, há inúmeros exemplos de leis que emergem da tradição e da consensualidade.
O código canónico, e a lei mercante são exemplos conhecidos e estáveis.
http://en.wikipedia.org/wiki/Law_merchant
(Se quiser aprofundar, uma pesquisa por polycentric law abre-lhe o caminho.)
Colocado por: luisvvAo comprar a sua fracção da ph, o néon teria assinado um contrato, onde naturalmente estaria a aderir a determinadas regras, incluindo provavelmente normas para a sua alteração, e/ou para dirimir conflitos. Naturalmente, essas regras não seriam necessariamente iguais às do prédio ao lado, mas seriam o produto da vontade dos proprietários.
Colocado por: luisvvsão detentores de um poder superior
Colocado por: luisvvO ser humano tem 40000 anos, o estado tem muito menos
Colocado por: luisvvSe disser que todos os conflitos requerem arbitragem de uma terceira parte, concordo. Que essa parte tenha que ser um monopolista é algo que desafia toda a lógica. Que seja simultaneamente alguém que arbitra inclusive as disputas em que é parte, isso então é bizarro.
Colocado por: luisvvCá para os meus lados, era quem calhava.
Colocado por: luisvvMais um link para o néon :http://libertarian.co.uk/lapubs/legan/legan016.pdf
Veja uma coisa, se o estado determinasse de um dia para o outro que passava a vigorar a pena de morte por lapidação. Acho que não temos qualquer duvida que no dia a seguir o "estado" caia.
Relativamente ao exemplo que deu "a maioria entregar-se a uma ditadura" acho dificil,embora nao seja impossivel. De qualquer forma ainda que tal se materializasse, seria efectivamente um estado, semelhante a tanto outros que existem, e que por ter mais insatisfeitos do que aquele que temos hoje, seria em principio mais preclitante.
Seria também válido que quem não pretendesse lutar contra ele, o mais lógico e sensato seria sair e procurar para si uma situação mais confortavel. Portanto nada de transcendente.
A doença não é legitima, voce não a pediu e não a aceitou
A escravatura para o filho do escravo não é legitima, ele não a pediu e não a aceitou.
Contudo o filho do escravo não pode esperar que a escravatura seja abolida apenas e só porque ele a considera ilegitima e não a pretende. Tal como o luis não poderia esperar que a doença sucumbisse só porque a considera ilegitima e não a pretende.
Os exemplos que dá são efectivamente modelos de situações/regras/leis mas que são aceites por um conjunto de pessoas intervenientes num processo. Até aqui tudo bem, a questão está precisamente quando a coisa descamba, não pela colisão dos interesses dos que aceitam as leis/regras mas sim dos que não as aceitam como legitimas e não as querem.
Nesta ultima situação, é que eu não acredito que seja possivel a convivencia perante a ausência de um estado (assuma ele a figura que quisermos - governo democratico, ditadura, o monarca, o chefe da tribo, o que calhar)
imagine uma Rua estreita só seria viavel a circulação em um sentido, 500 moradores.
quase todos (490) concordam que é irrefutavel a necessidade de o arruamento funcionar em um so sentido devido ao caos que se cria principalmente para quem vive no meio do arruamento.
Os 5 moradores da ponta de cima da rua, e os 5 moradores da ponta de baixo da rua, com estão perto das saidas do arruamento não concordam pois estando nas pontas o transtorno para eles é residual e o sentido unico até seria uma maçada pois teriam que ir dar voltas enormes quando tem a entrada e a saida mesmo ali ao pé de casa.
os 490 moradores do meio até podem acordar e fazer valer um sentido. Por outro lado os 10 das pontas não o aceitam pelo menos uma vez por dia (ou á saida ou á chegada).
Ora, na ausência de um regulador estado, se ambas as facções actuarem dentro das regras que consideram legitimas a convivência não é possivel.
Mas porque parte do principio que estamos todos dispostos a cumprir e a honrar as regras
Mesmo supondo que o contrato ou o acordo foram assinados, o que impede fulano de mudar de opinião? e se ele não pagar? o que fazem?
A casa é dele, è comproprietário do jardim. Como o podem proibir de entrar na sua casa ou usufruir do seu jardim mesmo que ele não pague a sua manutenção? Quem vai impedir? com base em que? de que forma? - Tudo isto supondo que não existe um estado.
E se um fizer o campo e os outros o desmancharem e fizerem o pomar?
Eu não considero positivo que o estado se meta em tudo na nossa vida, ou que precisamos dele para tudo. Mas isso não é sinónimo que me queira descarta dele.
E penso que cada vez mais o estado é menos monopolista, penso que reconheçe isso, não?
Os imperios eram estados
As ditaduras também
As monarquias eram estados
As tribos também eram estados
O "estado" acompanha-nos desde os primordios da evolução
Colocado por: danobregaPerante os vossos argumentos de que algumas coisas não são possíveis, a demonstração histórica de que tal argumento é falso é um contra argumento válido.
Que demonstração histórica? A omnipresente lei dos mercadores? Dificilmente é demonstração de sistema político global, quanto muito de uma lei que se aplicou no passado a transacções comerciais...
Colocado por: luisvvFoi-vos fornecido um exemplo concreto entre inúmeros possíveis, do contrário.

O exemplo fornecido refere-se a um passado longínquo, num contexto muito diferente e aplicado a um caso muito particular. Mas se a idade média é para si um bom exemplo de organização da sociedade sem estado, podemos explorar melhor a idade média e ver como é que funciona uma sociedade sem estado... em todos os aspetos da vida e não apenas no comércio entre mercadores. Vale a pena arranjar exemplos negativos da tal sociedade sem estado da idade média?
Generalizar a partir de exemplos concretos é sempre um pau de dois bicos. Por exemplo, você poderia dizer que conhece um casal que se divorciou e que nem precisaram de resolver o divórcio em litígio em tribunal, pois chegaram a um acordo de compromisso que ambos aceitam. Será isto um exemplo que demonstra que não são necessárias leis a regular os processos de divórcio?
Quer outro exemplo do mercado a funcionar? Uma imagem vale mais que mil palavras...