Iniciar sessão ou registar-se
  1.  # 21

    Colocado por: Jorge RochaO FD referiu que as construções são feias na percentagem que referiu injustamente...com as dificuldades financeiras actuais as pessoas na sua maioria não fazem melhor porque não podem!E essa é uma razão com grande percentagem...não devemos ignorar esse flagelo actual que grande parte da construção parou e quem quiz continuar avançou com menos posses resultando desenrrasque de muitas construções.


    Discordo.

    Independetemente do dinheiro que têm para gastar na casa a minha percepção é que as pessoas optam por casas maiores e piores do que mais pequenas mas com mais qualidade. É quartos extra com força, salas para tudo e mais alguma coisa, pisos inteiros a servir de garagem discoteca e sabe-se lá mais o quê, churrasqueiras que são uma segunda casa, sótãos que são uma terceira casa, mas falta-lhes a qualidade. São mal pensadas, mal projectadas, mal executadas. Passa-se frio e calor nelas, gasta-se rios de dinheiro a climatizar, sobe-se e desce-se, bate-se em postes no meio do nada, são feias, são disfuncionais.

    E este problema é bastante evidente na tentativa do "cliente" gastar zero no projecto, estão condenados logo à partida. Aposto que a casa do post inicial foi desenhada pelo construtor... porque se foi por um arquitecto, não sei que raio andou a fazer na faculdade.

    Mas as pessoas também não sabem e não investem tempo a aprender sobre o tema. Se calhar não têm recursos à mão... Já está na altura do Fórum escrever um livro com o título "Como comprar/fazer uma casa". ;-)
    Concordam com este comentário: marco1, raulschone, tiagot
  2.  # 22

    Concordo em absoluto com tudo o que o danobrega disse.
    Eu costumo dizer que o português, na sua maioria, gosta de estragar dinheiro. Depois daquelas "mansões" que os emigrantes fizeram e que ninguém as quer (nem os herdeiros), a geração seguinte apesar de ter ido à escola, não se aculturou. Penso que é aqui que reside o busilis. ;)

    Há cerca de 20 anos lembro-me de ter ido ver a casa nova de uma colega engenheira para os lados de Torres Novas e qual não foi o meu espanto, tinha no piso térreo uma cozinha equipada e uma sala para serem usadas quando tivessem visitas e na cave tinha uma cozinha e uma sala para todos os dias....
    A casa que eu gostava de era isolada, térrea, pequena (à volta de 100m2), com um pequeno jardim e bem localizada. Não é fácil de encontrar.
    Concordam com este comentário: tiagot
  3.  # 23

    Colocado por: Meia Cuca
    tinha no piso térreo uma cozinha equipada e uma sala para serem usadas quando tivessem visitas e na cave tinha uma cozinha e uma sala para todos os dias....
    Concordam com este comentário:tiagot


    Migra interiors...
  4.  # 24

    Colocado por: Meia CucaA casa que eu gostava de era isolada, térrea, pequena (à volta de 100m2)


    Cada um sabe as suas necessidades, mas concordo que a maioria exagera um pouco a nível de áreas e tipologias. Depois vêm com aquela conversa: " Ah e tal quando precisar de receber alguém tenho espaço e condições...", o que nunca acontece, ou se acontecer, com o dinheiro que gastaram a mais a construir e em IMI's e tal dava para alojar as visitas num 5 estrelas por muitos anos.
    Concordam com este comentário: Meia Cuca, Veiga
    • tiagot
    • 20 junho 2012 editado

     # 25

    Concordo plenamente com os últimos comentários!

    É de facto um desespero ver a mesma situação repetir-se vezes sem fim. Não se percebe porque se fazem construções más quando há falta de dinheiro. O princípio deveria ser exactamente o oposto! Se há poucos recursos, que decerto foram o resultado de um enorme esforço, então devem ser usados com o maior cuidado para não se desperdiçar nada. Mas não!
    O pão nosso de cada dia é: quero uma casa pequenina, não vale a pena o arquitecto ter grandes ideias (porque as ideias do arquitecto gastam o dinheiro todo, dizem no telejornal), queríamos só uma sala com espaço de jantar, cozinha com mesa de jantar (e vão duas mesas e respectiva área), suites, casas de banho por todo lado (porque é melhor poupar num projecto que organize bem os espaço eliminando a necessidade de tanta casa de banho) uma sala de jogos (parece que é essencial) de 30m2, escritório/biblioteca (grande parte dos portugueses nem lê regularmente), anexos que todos somados são por vezes maiores que a própria casa. E nem vale a pena referir os milhares de casas voltadas para a estrada principal (para mostrar aos vizinhos), e quando a estrada passa a norte do terreno é a sorte grande e terminação. Vãos grandes e perfis baratos para deixar passar todo o barulho e vento dominante frio possível para o resto da vida. Há quem diga que quando está vento a janela assobia! Mas pronto, poupa-se imenso na equipa projectista, embora a poupança se gaste em meia dúzia de anos. Nos restantes factura a EDP e a paciência dos ocupantes.

    Como diz a Meia Cuca, o fenómeno das vidas/casas duplicadas e triplicadas deveria de facto ser estudado a fundo. Não conheço paralelo em mais país nenhum. Conheço inúmeros casos de casais de classe média/baixa que fizeram as suas casas à 20 anos como descreve a Cuca com os habituais 3 quartos 2 casas de banho, cozinha avantajada com mesa, a sala anexa, a grande e intocável sala do padre, e os anexos desqualificados maiores que a própria casa para guardam uma infinidade de coisas que nunca usam. Depois vem a 2ª cozinha (tudo duplicado), depois une-se a 2ª cozinha à sala, para fazer um salão em condições (para receber os 2 jantares que fazem por ano...será que desconhecem a existência de restaurantes?). E já temos 3 salas! depois o aproveitamento do sótão/cave para mais uns quartos e casas de banho...tudo sem projectos, sem qualquer acompanhamento profissional e baratinho...que a vida não está fácil! Agora...depois de tanta poupança, ai Jesus que está a rachar aqui e alí (pudera! tira parede, fecha janela, abre porta, corta a laje, tira escada, etc) e agora o que é que eu faço a isto, exclama-se com desespero!
    20/30 Anos depois temos casais à beira da velhice, com filhos emigrados a viverem sozinhos em casas com 5/6 quartos, 3/4 casas de banho, 2/3 salas, anexos a perder de vista, em espaços absurdamente desconfortáveis (muito quentes/frios), sem quaisquer condições de acessibilidade (pois é...um dia ficamos velhos...) a rachar por todo lado e sem qualquer valor comercial. E o mais incrível, é que falando com estas pessoas, parecem considerar que só podia ser assim...e que não havia dinheiro para melhor/mais!
    Infelizmente, depois de tanto erro e desgraça, parece que não há capacidade para aprender e que o facto de haver poucos recursos justifica pacificamente a má construção.

    A verdade é que o problema nunca foi a existência de poucos recursos, foi antes a ausência de utilização da inteligência para a gestão e sensata utilização dos mesmos!

    Mas a esperança é a última a morrer...e se a sensatez não vingar,... talvez as novas avaliações e IMI galopante o façam!

    Mas como dizia o Diácono Remédios....não havia necceessssidadddddde..... jeje
    Concordam com este comentário: danobrega, Rodrigo Cruz, Veiga
    Estas pessoas agradeceram este comentário: Meia Cuca
  5.  # 26

    Muito bom Tiagot!
    Já me conseguiu arrancar umas boas gargalhadas acompanhadas de algumas lágrimas (de tanto rir).
    • tiagot
    • 20 junho 2012 editado

     # 27

    Bom Meia Cuca,

    Pode até dar para rir...mas infelizmente acho que é uma questão vai originar dramas brutais na vida de muita gente e os mais prejudicados não serão os mais conscientes que são obrigados a ver tanta loucura da via pública.
    Na verdade uma percentagem enorme das habitações construídas nos últimos 30 anos sofrem destes problemas.
    Bem contabilizadas, temos mais de 1 milhão de casas a mais no País. A população jovem que as deveria ir ocupar está a sair, e não hajam ilusões que a taxa de retorno será muito menor que a da geração que saiu na década de 60.
    Somando às casas que vão ficar desocupadas pela morte da população idosa, o número de casas devolutas e vazias irá certamente aumentar.
    Grande parte destes casos foram construídos com empréstimos a pagar durante 30/40 anos, e a verdade é que uma baixa qualidade inicial, associada à aposta na quantidade (de área), adesão a modas passageiras (música na casa de banho, cores berrantes, materiais "exóticos"), uma qualidade constructiva muitas vezes sofrível que gera uma degradação imparável irá fazer com que a médio prazo não tenham qualquer valor comercial.
    O que vai acontecer a toda esta construção que a meio do prazo de pagamento dos respectivos empréstimos, irá estar completamente degradada, desadequada ao modo dos seus ocupantes (que irão ter imensas dificuldades para as pagar até ao fim, e menos ainda para as manter e reabilitar)? A verdade é que não irá valer um cêntimo e iremos assistir à demolição de muita coisa feita com a ideia de que uma poupança no planeamento é uma excelente opção (sempre são uns trocos e já dá pra férias).
    Veja-se o fenómeno mundial das "shrinking cities" (Detroit, cidades de Leste) e já dará para ver o que nos espera.

    Paralelamente, no outro lado da moeda, temos a geração de equipas projectistas (arquitectos e engenheiros de todas as especialidades) mais bem preparadas de sempre. Só arquitectos são mais de 20000. Dois terços têm menos de 35 anos, uma enorme vontade de reconstruir o seu país, muitos investiram tudo na sua formação, ganharam experiência profissional em excelentes ateliers nacionais e estrangeiros (nem vale a pena falar dos salários míseros), e estão por aí disponíveis para trabalhar a preços mais do que aceitáveis.

    O que fazem os Portugueses com essa mais-valia ? Para não referir pior, ignoram-nos completamente, continuam a tentar construir sem quaisquer projectos ou apoio profissional, à procura dos que dizem que fazem por três tostões (com os prejuízos a médio/longo prazo já referidos).
    E quando selecionam os profissionais para os acompanhar, é porque é amigo do primo, da irmâ, é o cunhado, o vizinho (porque é sempre bom conhecer a cara das pessoas), o da terra, o que faz barato, o que é tão atencioso e diz sempre que sim a tudo (é tão bom! Quero três cozinhas! - Sim!, Quero jacuzi ao pé da cama! - É pra já! ...) . Todos as características servem, menos as que estão relacionadas com o efectivo desempenho profissional e com as mais valias que as suas ideias podem ter naquele que é o maior investimento feito na vida de todas estas pessoas.

    E assim chegamos ao absurdo. Uma infinidade de construções que serão um fardo brutal para os proprietários (e continuam a ser feitas hoje), e uma geração inteira de técnicos deitados para o lixo como se não fossem precisos. Neste momento, uns quantos andam pelo mundo fora e não voltarão. Tendo em conta que as coisas não estão fáceis em lado nenhum, uns quantos conseguiram colocação em escritórios, outros lavam escadas em Paris, outros assentam ladrilho em Toronto...e por aí fora.

    Não é por nada, mas já não me dá assim tanta vontade de rir. Um pouco de exigência e sensatez não matava este povo...mas secalhar a troika tem que impôr! Vindo de fora é sempre mais chique!
    Concordam com este comentário: Veiga
    Estas pessoas agradeceram este comentário: raulschone
  6.  # 28

    tiagot

    bem vindo ao clube :)
    ainda um dia alguem irá escrever um livro com o titulo " um arquitecto na provincia" a lembrar um titulo de um livro que falava de um médico.
  7.  # 29

    Colocado por: tiagotParalelamente, no outro lado da moeda, temos a geração de equipas projectistas (arquitectos e engenheiros de todas as especialidades) mais bem preparadas de sempre. Só arquitectos são mais de 20000. Dois terços têm menos de 35 anos, uma enorme vontade de reconstruir o seu país, muitos investiram tudo na sua formação, ganharam experiência profissional em excelentes ateliers nacionais e estrangeiros (nem vale a pena falar dos salários míseros), e estão por aí disponíveis para trabalhar a preços mais do que aceitáveis.



    Na verdade ninguém é inocente, e preços destes, por exemplo: https://forumdacasa.com/discussion/24767/orcamento-projecto-arquitectura-caro-ou-barato/#Item_7 não ajudam à mudança de paradigma, nem para os arquitectos, nem para os clientes...
  8.  # 30

    Tudo bem, agora quanto às casas não terem qualquer valor comercial, depende... Como dizia um professor meu de avaliação do Curso Superior de gestão Imobiliária, os três principais critérios de avaliação do imobiliário são a localização, em segundo lugar a localização, e em terceiro lugar a localização. Um andar velho na Lapa vale tanto ou mais como um prédio de 3 ou 4 andares no Seixal ou na Amadora.

    De resto esse discurso do "não valerem Nada" é óptimo agora para os investidores institucionais, na maioria ligados à banca, se encherem à conta dele de casas ao desbarato, que é para quando a torneira do crédito bancário se reabrir daqui por 3 ou 4 anos, serem vendidos pelo dobro ou pelo triplo do preço.


    Colocado por: tiagotBom Meia Cuca,

    Pode até dar para rir...mas infelizmente acho que é uma questão vai originar dramas brutais na vida de muita gente e os mais prejudicados não serão os mais conscientes que são obrigados a ver tanta loucura da via pública.
    Na verdade uma percentagem enorme das habitações construídas nos últimos 30 anos sofrem destes problemas.
    Bem contabilizadas, temos mais de 1 milhão de casas a mais no País. A população jovem que as deveria ir ocupar está a sair, e não hajam ilusões que a taxa de retorno será muito menor que a da geração que saiu na década de 60.
    Somando às casas que vão ficar desocupadas pela morte da população idosa, o número de casas devolutas e vazias irá certamente aumentar.
    Grande parte destes casos foram construídos com empréstimos a pagar durante 30/40 anos, e a verdade é que uma baixa qualidade inicial, associada à aposta na quantidade (de área), adesão a modas passageiras (música na casa de banho, cores berrantes, materiais "exóticos"), uma qualidade constructiva muitas vezes sofrível que gera uma degradação imparável irá fazer com que a médio prazo não tenham qualquer valor comercial.
    O que vai acontecer a toda esta construção que a meio do prazo de pagamento dos respectivos empréstimos, irá estar completamente degradada, desadequada ao modo dos seus ocupantes (que irão ter imensas dificuldades para as pagar até ao fim, e menos ainda para as manter e reabilitar)? A verdade é que não irá valer um cêntimo e iremos assistir à demolição de muita coisa feita com a ideia de que uma poupança no planeamento é uma excelente opção (sempre são uns trocos e já dá pra férias).
    Veja-se o fenómeno mundial das "shrinking cities" (Detroit, cidades de Leste) e já dará para ver o que nos espera.

    Paralelamente, no outro lado da moeda, temos a geração de equipas projectistas (arquitectos e engenheiros de todas as especialidades) mais bem preparadas de sempre. Só arquitectos são mais de 20000. Dois terços têm menos de 35 anos, uma enorme vontade de reconstruir o seu país, muitos investiram tudo na sua formação, ganharam experiência profissional em excelentes ateliers nacionais e estrangeiros (nem vale a pena falar dos salários míseros), e estão por aí disponíveis para trabalhar a preços mais do que aceitáveis.

    O que fazem os Portugueses com essa mais-valia ? Para não referir pior, ignoram-nos completamente, continuam a tentar construir sem quaisquer projectos ou apoio profissional, à procura dos que dizem que fazem por três tostões (com os prejuízos a médio/longo prazo já referidos).
    E quando selecionam os profissionais para os acompanhar, é porque é amigo do primo, da irmâ, é o cunhado, o vizinho (porque é sempre bom conhecer a cara das pessoas), o da terra, o que faz barato, o que é tão atencioso e diz sempre que sim a tudo (é tão bom! Quero três cozinhas! - Sim!, Quero jacuzi ao pé da cama! - É pra já! ...) . Todos as características servem, menos as que estão relacionadas com o efectivo desempenho profissional e com as mais valias que as suas ideias podem ter naquele que é o maior investimento feito na vida de todas estas pessoas.

    E assim chegamos ao absurdo. Uma infinidade de construções que serão um fardo brutal para os proprietários (e continuam a ser feitas hoje), e uma geração inteira de técnicos deitados para o lixo como se não fossem precisos. Neste momento, uns quantos andam pelo mundo fora e não voltarão. Tendo em conta que as coisas não estão fáceis em lado nenhum, uns quantos conseguiram colocação em escritórios, outros lavam escadas em Paris, outros assentam ladrilho em Toronto...e por aí fora.

    Não é por nada, mas já não me dá assim tanta vontade de rir. Um pouco de exigência e sensatez não matava este povo...mas secalhar a troika tem que impôr! Vindo de fora é sempre mais chique!
  9.  # 31

    Caro Carlos,

    Tem toda a razão! Localização, localização, localização, ou seja parte-se do princípio que o que lá se constrói não vale nada. O que tem valor (supostamente) é o facto do apartamento ser na Lapa e não as características do próprio apartamento. Logo, um aspecto da maior importância é a escolha (quando possível) da localização para o respectivo investimento.
    Agora a partir daí, um bom edifício na Lapa excelentemente planeado e executado, terá muitíssimo mais valor que um outro logo ao lado feito a poupar na dita "sensatez e inteligência" no planeamento da utilização dos recursos disponíveis. O mesmo é válido no Seixal, na Amadora e onde quiser.

    Mas já agora, é um pouco bizarro que alguém pague 7.500.000 de dólares por uma casa com 206m2 num terreno que está em leito de cheia (a casa ficou submersa quase até ao telhado nas cheias de 1996, 1998 e 2008).
    http://www.nytimes.com/2003/12/13/arts/landmark-mies-house-goes-to-preservationists.html

    Vá lá tentar comprar um terreno idêntico ao lado e vai ver que é uma pechincha comparativamente.

    E que tal esta?
    http://endlesscancun.blogspot.pt/2011/07/luis-barragan-was-legend-amongst.html
    Aposto que também conseguirá comprar qualquer uma das casas ao lado por uma pechincha. Já a do Barragán...nem com o euromilhões lhe davam a chave!

    E infelizmente tenho grandes dúvidas que daqui a 3 anos os imóveis venham a valorizar consideravelmente. É uma lei natural. Há ciclos, é verdade. Mas quem vai comprar ? Os imigrantes que entretanto estão a sair ? Os jovens que estão a sair e que não vão voltar tão cedo (se é que alguma vez a maioria o fará) ? Os idosos que entretanto morrem para investimento na vida no além? A população que viu os redimentos descerem brutalmente nos últimos anos e que está a já a cortar inclusivé na alimentação ?
    Já seria muito bom sinal se estabilizarem.
    Se pesquisar um pouco sobre o tal fenómeno das shrinking cities vai encontrar exemplos de planos que estão a ser postos em acção neste momento de demolição de 50 a 70% de cidades inteiras (Veja à volta de Berlim, Halle e mais umas quantas cidades da antiga Alemanha de leste por exemplo). Pesquise nas imobiliárias locais de lá e vai ver que há edifícios inteiros à venda por valores inferiores aos de cá. E olhe que a reunificação já ocorreu à mais de 20 anos!

    Com algum bom senso podiam tentar atrair idosos estrangeiros, fomentar o tal turismo de saúde e cuidados de vida (entretanto parece que já enxotámos mais de 2000 enfermeiros...secalhar não estamos praí virados) e com as poucas posses que temos, seria ajuizado tentarmos tirar o melhor partido delas, seja no Seixal ou na Lapa.

    O ponto que queria evidenciar é simples. Temos imenso capital humano com uma enorme capacidade para valorizar o nosso território e investimentos.
    Como pergunta o título da discussão - a existência dos portugueses existe ?
    Faz sentido deitar toda essa mais-valia fora só porque na generalidade não temos grande sentido de exigência nos investimentos que fazemos?
    Faz sentido um povo inteiro andar a hipotecar o seu futuro e das próximas gerações só para continuar a fazer o que lhe dá na real gana ?

    Por mim gosto bastante do país, mas não ficava nada chateado se visse um pouco mais de exigência na generalidade das coisas que se fazem.
    Não tem que ser o Siza Vieira ou Souto Moura a projectarem tudo, mas não era desagradável viver num país onde as pessoas não ficassem todas contentes (e a emparedar à bruta) com o primeiro esboço que fazem ou com a primeira versão do projecto que apanham num papel e que percebessem que se pensarem nas coisas com calma e com o auxílio de profissionais exigentes que poderiam viver muito melhor.

    É um pouco estranho que um dos países com o clima mais temperado da Europa (nós) seja simultaneamente um dos que regista mais mortes dentro de habitações por causa do frio. (fogos, exaustão deficiente de fogareiros, fogões, lareiras, caldeiras, esquentadores, etc).
    Que não haja grande respeito por muitos profissionais, ainda se vai aguentando (olha os árbitros...).
    Agora que haja tanta gente a matar-se e a dar cabo da própria vida para poupar uns meses de trabalho e honorários de uma equipa projectista é que é algo que me custa um bocado a compreender.
    Mas pronto...também posso estar redondamente enganado. E olhe que não me importava nada!
  10.  # 32

    Paralelamente, no outro lado da moeda, temos a geração de equipas projectistas (arquitectos e engenheiros de todas as especialidades) mais bem preparadas de sempre.

    Tretas!
    Concordam com este comentário: oxelfeR (RIP)
  11.  # 33

    Colocado por: Castela

    Na verdade ninguém é inocente, e preços destes, por exemplo:https://forumdacasa.com/discussion/24767/orcamento-projecto-arquitectura-caro-ou-barato/#Item_7não ajudam à mudança de paradigma, nem para os arquitectos, nem para os clientes...




    Não sei Castela,

    Não sabendo exactamente o que o tal profissional se propõe fazer pode não ser caro.
    Já fiz esse exercício algures...se dividir esse valor por um preço à hora vai ver que não dá assim tanto tempo de trabalho.
    Seguir uma obra e todo um processo ao longo de anos, só para um arquitecto pode facilmente tomar umas boas centenas de horas...
    O problema é que muitos só recebem umas folhitas com desenhos e ficam a pensar que o que pagam foi para carregar no print de um ficheiro que estava prali perdido.
    Talvez haja muita deficiência na comunicação do que envolve o trabalho de toda a equipa projectista...mas se ele existe...tem que ser pago.
    Se não se quiser pagar, bom há sempre a hipótese de continuar a vestir 3 pares de meias, e bater queixo dentro de casa no inverno ou não conseguir lá estar no forno do verão, ou fazer feliz a EDP (entre outros potenciais "azares")!
  12.  # 34

    Concordo quase em pleno com o seu bom comment, no entanto há que ressaltar que o maior factor demográfico ( e não reversível, contrariamente à emigração, que pode retornar a qualquer altura, e em grandes vagas) a ameaçar --quer o imobiliário e a economia, quer as reformas futuras dos pré-idosos -- deste país é de facto a lei do aborto, que mata milhares de portugueses logo à nascença no ventre, sendo que já há mulheres a fazer abortos como método contraceptivo. A tx. de natalidade e renovação geracional já era baixa, e, como se não bastasse, os politícos irresponsáveis que temos tido aprovaram mais uma catanada- - a catanada-mor -- na demografia portuguesa.

    Colocado por: tiagotCaro Carlos,

    Tem toda a razão! Localização, localização, localização, ou seja parte-se do princípio que o que lá se constrói não vale nada. O que tem valor (supostamente) é o facto do apartamento ser na Lapa e não as características do próprio apartamento. Logo, um aspecto da maior importância é a escolha (quando possível) da localização para o respectivo investimento.
    Agora a partir daí, um bom edifício na Lapa excelentemente planeado e executado, terá muitíssimo mais valor que um outro logo ao lado feito a poupar na dita "sensatez e inteligência" no planeamento da utilização dos recursos disponíveis. O mesmo é válido no Seixal, na Amadora e onde quiser.

    Mas já agora, é um pouco bizarro que alguém pague 7.500.000 de dólares por uma casa com 206m2 num terreno que está em leito de cheia (a casa ficou submersa quase até ao telhado nas cheias de 1996, 1998 e 2008).
    http://www.nytimes.com/2003/12/13/arts/landmark-mies-house-goes-to-preservationists.html

    Vá lá tentar comprar um terreno idêntico ao lado e vai ver que é uma pechincha comparativamente.

    E que tal esta?
    http://endlesscancun.blogspot.pt/2011/07/luis-barragan-was-legend-amongst.html
    Aposto que também conseguirá comprar qualquer uma das casas ao lado por uma pechincha. Já a do Barragán...nem com o euromilhões lhe davam a chave!

    E infelizmente tenho grandes dúvidas que daqui a 3 anos os imóveis venham a valorizar consideravelmente. É uma lei natural. Há ciclos, é verdade. Mas quem vai comprar ? Os imigrantes que entretanto estão a sair ? Os jovens que estão a sair e que não vão voltar tão cedo (se é que alguma vez a maioria o fará) ? Os idosos que entretanto morrem para investimento na vida no além? A população que viu os redimentos descerem brutalmente nos últimos anos e que está a já a cortar inclusivé na alimentação ?
    Já seria muito bom sinal se estabilizarem.
    Se pesquisar um pouco sobre o tal fenómeno das shrinking cities vai encontrar exemplos de planos que estão a ser postos em acção neste momento de demolição de 50 a 70% de cidades inteiras (Veja à volta de Berlim, Halle e mais umas quantas cidades da antiga Alemanha de leste por exemplo). Pesquise nas imobiliárias locais de lá e vai ver que há edifícios inteiros à venda por valores inferiores aos de cá. E olhe que a reunificação já ocorreu à mais de 20 anos!

    Com algum bom senso podiam tentar atrair idosos estrangeiros, fomentar o tal turismo de saúde e cuidados de vida (entretanto parece que já enxotámos mais de 2000 enfermeiros...secalhar não estamos praí virados) e com as poucas posses que temos, seria ajuizado tentarmos tirar o melhor partido delas, seja no Seixal ou na Lapa.

    O ponto que queria evidenciar é simples. Temos imenso capital humano com uma enorme capacidade para valorizar o nosso território e investimentos.
    Como pergunta o título da discussão - a existência dos portugueses existe ?
    Faz sentido deitar toda essa mais-valia fora só porque na generalidade não temos grande sentido de exigência nos investimentos que fazemos?
    Faz sentido um povo inteiro andar a hipotecar o seu futuro e das próximas gerações só para continuar a fazer o que lhe dá na real gana ?

    Por mim gosto bastante do país, mas não ficava nada chateado se visse um pouco mais de exigência na generalidade das coisas que se fazem.
    Não tem que ser o Siza Vieira ou Souto Moura a projectarem tudo, mas não era desagradável viver num país onde as pessoas não ficassem todas contentes (e a emparedar à bruta) com o primeiro esboço que fazem ou com a primeira versão do projecto que apanham num papel e que percebessem que se pensarem nas coisas com calma e com o auxílio de profissionais exigentes que poderiam viver muito melhor.

    É um pouco estranho que um dos países com o clima mais temperado da Europa (nós) seja simultaneamente um dos que regista mais mortes dentro de habitações por causa do frio. (fogos, exaustão deficiente de fogareiros, fogões, lareiras, caldeiras, esquentadores, etc).
    Que não haja grande respeito por muitos profissionais, ainda se vai aguentando (olha os árbitros...).
    Agora que haja tanta gente a matar-se e a dar cabo da própria vida para poupar uns meses de trabalho e honorários de uma equipa projectista é que é algo que me custa um bocado a compreender.
    Mas pronto...também posso estar redondamente enganado. E olhe que não me importava nada!
  13.  # 35

    .............Mas pronto...também posso estar redondamente enganado. E olhe que não me importava nada!..........

    Não está nada enganado, está certissimo, e mais não existe uma cultura onde impere a qualidade e a honestidade no meio onde é cada um por si.
    Eu considero muitos dos novos jovens formados na generalidade são burros tendo em conta a quantidade e qualidade da formação que existe. E BURROS porquê.....e não é por falta de capacidades, mas sim porque não aproveitam os recursos materiais que têm á sua disposição.
  14.  # 36

    Colocado por: tiagot



    Não sei Castela,

    Não sabendo exactamente o que o tal profissional se propõe fazer pode não ser caro.
    Já fiz esse exercício algures...se dividir esse valor por um preço à hora vai ver que não dá assim tanto tempo de trabalho.
    Seguir uma obra e todo um processo ao longo de anos, só para um arquitecto pode facilmente tomar umas boas centenas de horas...
    O problema é que muitos só recebem umas folhitas com desenhos e ficam a pensar que o que pagam foi para carregar no print de um ficheiro que estava prali perdido.
    Talvez haja muita deficiência na comunicação do que envolve o trabalho de toda a equipa projectista...mas se ele existe...tem que ser pago.
    Se não se quiser pagar, bom há sempre a hipótese de continuar a vestir 3 pares de meias, e bater queixo dentro de casa no inverno ou não conseguir lá estar no forno do verão, ou fazer feliz a EDP (entre outros potenciais "azares")!


    Caro Tiagot

    Independentemente da natureza do trabalho, se dividirmos o tempo que o mesmo nos ocupa à hora pelo vencimento que recebemos, então de certo, se calhar, ganhamos todos muito mal...

    Em relação a saber se arquitectura é cara ou não, não sou dos que acham que à partida é, agora se tiver dois colegas seus, que para um mesmo projecto, tenham quantidades e qualidade de trabalho muito diferentes, mas que no final, cobram o mesmo, volto a dizer, há um problema para os clientes e para a vossa classe.
  15.  # 37

    Claro Castela,

    Não conheço profundamente o que se ganha em muitas profissões, e recebemos quase todos bastante mal.
    A questão do exercício era apenas para que fosse compreensível que quando se fala de projectos "supostamente completos" de moradias com preços ridiculamente baixos,abaixo de 3000 euros e por aí fora, supostamente com tudo incluído (especialidades, etc) há qualquer que não estará certo. Só há 3 hipóteses...
    1- a equipa faz um péssimo trabalho (a primeira hipótese de projecto que aparece no monitor é a que fica (aparecem por aqui muitos exemplos) e passa-se o resto do processo a defender aquilo a pés juntos, que o suposto profissional é que sabe do assunto, projecto de execução...só se for de nome, acompanhamento à obra...só pra ir receber),
    2- tornamo-nos escravos e vamos fazendo as centenas de horas necessárias até chegar ao prejuízo.
    3- tira-se uma fotocópia de um dos 3 processos que foram feitos quando o escritório abriu portas à 20 anos.

    Depois há as sub variantes...atelier cheios de estagiários que não recebem um tostão (há muito boa gente que faz 3 estágios de quase um ano cada sem receber nada ou quase, e por aí fora.

    Imagine que dá 3000€ por um suposto "projecto completo" que inclua todo o acompanhamento profissional desde a 1ª visita ao terreno à ocupação da obra. Considere que isso exige (por exemplo) 1000 horas/ 8 horas por dia dá 125dias / 3pessoas, dá 41 dias. O que não parece muito, tendo em conta que todo o processo demorará mais de um ano (e geralmente 2 ou 3 até).
    Se não me engano, pagando 3000€ dá 3 euros à hora. Falta incluir uma quantidade enorme de despesas fixas (impostos, software, hardware, comunicações, deslocações, formação contínua, livros e revistas da especialidade, luz, água, etc) e os seus 3€ hora/transformam-se em 1 ou dois euros por hora!

    Não desfazendo noutras profissões... não conheço muitas empregadas de limpeza que levem menos de 5€/hora.
    Se vou ao barbeiro e demoro meia hora será que posso deixar 1€ como pagamento ?
    Se apanhar o táxi numa corrida de 15 minutos será que 50 cêntimos chegam ?

    De facto isto transformou-se numa selva e a situação é má para todos os envolvidos, clientes, equipas projectistas e empreiteiros.
    Deveria ser obrigatória a aplicação de uma tabela de honorários mínima. Revogaram a que havia dizendo que a União Europeia não permitia entraves à livre concorrência...mas a coisa bizarra é que a tabela na Alemanha é ainda mais precisa e específica que a que nós tínhamos (Está tudo especificado - direitos, obrigações, serviços a prestar e respectivos honorários).
    No fim até se podia copiar o sistema da compra de música online que tanta polémica gerou. Todas as músicas valem 1 euro! A música é boa, vende 20 milhões, se não presta vende 17.
    Para os projectos deveria ser reposta uma tabela com valores mínimos obrigatórios que permitisse uma qualidade mínima dos serviços prestados, associada à responsabilização que já existe dos profissionais (se bem que raramente é accionada por falta de...exigência). Se os profissionais são bons...têm lista de espera e cobram acima da tabela, se forem maus...fazem um projecto de três em três anos quando conseguem enganar alguém. Se forem mesmo muito maus...são responsabilizados e sancionados.

    Para isso funcionar é preciso é que os consumidores sejam exigentes! E...não são!
    Por isso concordo com o seu ponto de vista...uma situação onde os preços são completamente díspares e os serviços especificados que não permitem termo de comparação, não são benéficos para ninguém ...(ou quase)!
    Concordam com este comentário: Castela
  16.  # 38

    E esqueci o fantástico tema das comissões por baixo da mesa (deve ser por nunca ter tido esperteza suficiente para receber nenhuma)!

    Que é uma parcela que para muito boa gente resolve a tal equação impossível. O projecto é só 1500€, ou 2000€ ou uma qualquer outra pechincha sobre uma descrição de serviços vaga e sem qualquer contrato...depois vão aparecendo os sucessivos...ah isso é à parte...é mais X. Ou então surrateiramente obriga-se a usar esta ou aquela marca, este ou aquele serviço, fulano ou sicrano que é muito bom em tal tarefa porque depois há por lá uma comissão que vem substituir (e até aumentar) os honorários que não se quis pagar ao início.
    Mas pronto...há muita gente que parece pedir de joelhos para ser enganada...

    Como disse, tem toda a razão. A disparidade de preços e incerteza dos serviços prestados não são bons para ninguém a longo prazo.
    Mas adoramos pagar coisas com juros altos...dá mais pica!
  17.  # 39

    Boas,

    Colocado por: tiagotDeveria ser obrigatória a aplicação de uma tabela de honorários mínima.


    Absolutamente de acordo!
    Puxando para a minha área:
    - Deveriam ser proibidos os site gratuitos.
    - O mais pequeno site de apresentação (1 página) deveria ser pago a pelo menos 2500€, cada página extra pelo menos mais 500€.
    - Quem fugisse a estas regras deveria ir parar ao xilindró pelo menos 2 anos.

    Divirtam-se,
    João Dias e seu gato psicanalista
  18.  # 40

    Colocado por: tiagotPara isso funcionar é preciso é que os consumidores sejam exigentes!


    Tem de continuar o raciocínio tiagot. Para serem exigentes, têm de saber o que exigir. Para saber o que exigir, ...?

    Se continuar o raciocínio vai chegar ao que, na minha opinião, é a raiz de se ganhar mal (na generalidade) em Portugal.
 
0.0310 seg. NEW